domingo, 19 de julho de 2009

"Travelling Like The Light" - V.V. Brown

A inglesa Vanessa Brown é dona de uma voz poderosa, toca vários instrumentos e ainda compõe músicas para si mesmo e outros artistas. Vanessa é mais conhecida no mundo da música como V. V. Brown, estreando esse ano no mercado fonográfico com “Travelling Like The Light”, um disco que traz um climão retrô dos anos 50/60, gerou certo rebuliço no Reino Unido e cai como uma luva em vários momentos. Pop de classe.
V. V. Brown vem sendo vendida como uma nova Amy Winehouse, ou algumas dessas novas cantoras que trazem influência da época citada acima. Ambientar seu trabalho nessa mesma seara, acaba por ser limitado demais. Não que não existam algumas semelhanças, elas existem, mas isso não prejudica em nada o resultado final. Ao ouvir boa parte de “Travelling Like The Light”, o transporte para algum baile de formatura dos anos 50 é instantâneo.
As influências passeiam pelo soul, R&B, pop e até mesmo rockabilly. A sensação que passa por grande parte do álbum é uma satisfação inocente e despretensiosa. A roupagem moderna da sonoridade não afasta sua essência, o que é muito importante. O único senão fica por conta da faixa “Game Over”, que é pasteurizada demais e soa muito forçada, indo no caminho de cantoras como Cristina Aguilera e Britney Spears.
No mais, tudo é diversão garantida. Tem a abertura repleta de climão retrô de “Quick Fix”, os violões de “Shark In The Water”, o pop vintage de “Bottles”, “L.O.V.E” e “Crazy Amazing”, a batida viciante de “Leave!” e “Crying Blood”, o ar meio Moulin Rouge de “Everybody”, os anos 80 de “Back In Time” e as baladas “I Love You” e a faixa título. Tudo devidament recheado com backing vocals para todos os lados.
“Travelling Like The Light” é plenamente indicado contra o mau humor e a charlatanice da música pop em geral. É um disco para se levar para a praia, para o final de semana com os amigos, para aquela festinha bacana, para tocar nas pistas ou para ir escutando a caminho do trabalho. V. V. Brown pode até acabar perdida na vala comum do hype, mas isso não abafa a qualidade da sua ótima estréia. Escute e se deixe levar.
Site Oficial:
http://vvbrown.com My Space: http://www.myspace.com/vvbrown

sexta-feira, 17 de julho de 2009

"Nervoso e Os Calmantes" - Nervoso e Os Calmantes - 2009

O carioca André Paixão, mais conhecido como Nervoso é uma figura importante do rock independente nacional, pois além de ter tocado em bandas como Autoramas, Beach Lizards e Matanza, lançou de maneira solo em 2004 o ótimo “Saudades de Minhas Lembranças”. Depois de um hiato de cinco anos, o segundo trabalho finalmente aparece e atende pelo nome de “Nervoso e Os Calmantes”, com a marca da midsummer madness.
Nervoso assina esse novo trabalho, agora não mais de maneira solo, mas como uma banda. Os Calmantes da história são Alê de Morais (guitarra e vocal), Wagner Vallin (guitarra e vocal), Kiko Ramos (baixo e vocal) e Sérgio Martin (bateria, programações e vocal). Em seu recente disco, o músico explora outras sonoridades diferentes da estréia, mas deixa a pegada de jovem guarda, toques de música brega e anos 60 bem envolvidos na mistura.
Depois de uma abertura instrumental ao piano chamada “Antes”, somos apresentados a “Universo Vocacional”, com suas guitarras que lembram o rock alternativo americano, backing vocals se espalhando, tecladinhos safados e quebras de ritmo, em quase sete minutos que no final nem percebemos que passou. As letras continuam sendo um ponto muito forte, ótimas frases são destiladas no decorrer das canções.
Nervoso esbanja pluralidade aliada a arranjos bem mais elaborados. “Eu Que Não Estou Mais Aqui” tem um suingue meio latino, “Peça de Tabuleiro” é um country rock a lá Canastra, “Candidato a amigo” traz orquestrações com guitarras ditando o ritmo, “A Minha Saudade” é uma baladaça, “Minha Tranquilidade” explora os metais e em “Kit Homem” e “Um Sonho de Transatlântico”, vemos suas marcas registradas.
Destacam-se mais as faixas “Canção do Vento” (de Bernardo Vilhena), que remete leve lembrança a Lô Borges nos versos “a vida é nova a cada momento, a vida é um invento pra quem sabe ouvir” e o funk certeiro de “Bloco Neguinho”. “Nervoso E Os Calmantes” traz uma evolução própria do artista, com muita originalidade presente na junção das suas influências, culminando em uma música inteligente e altamente digerível.
Site: http://mmrecords.com.br/200904/nervoso-e-os-calmantes My Space: http://www.myspace.com/nervosoeoscalmantes

quarta-feira, 15 de julho de 2009

"Indignação" - Philip Roth

No curso da vida de cada um, pequenos detalhes ou situações que na maioria das vezes são considerados insignificantes podem ser responsáveis por uma guinada no caminho da pessoa, resultando em um futuro diferente do que se planejara. Essa premissa não tão nova assim, é que conduz o novo livro do escritor norte americano Philip Roth, “Indignação”, (Companhia das Letras, 176 páginas), mostrando o autor em grande forma aos 76 anos.
Philip Roth já escreveu pequenas jóias do quilate de “Homem Comum”, “O Complexo de Portnoy”, “Complô Contra a América” e “Pastoral Americana”, ganhando vários prêmios, como o desejado Pullitzer, por exemplo. Sua narrativa que sempre é voltada para a influência da história americana na vida das pessoas, usando constantemente temas como a morte e a inadequação social, ganha alguns novos contornos.
“Indignação” traz como personagem principal, o jovem Marcus Messner, oriundo de uma família judaica de New Jersey (assim como o autor). A sua criação sempre foi admirando seus pais, principalmente o pai, um açougueiro kosher, que lhe repassou boas lições de moral no seu crescimento. No entanto, este mesmo pai que admirara começa a sufocá-lo com suas preocupações e Marcus se manda para uma universidade tradicionalista do meio oeste.
Estamos no começo dos anos 50 e os USA enfrentam uma dura guerra na Coréia, enquanto devagarzinho as suas tradições começam a ser arranhadas. Marcus morre aos 20 anos, mais precisamente em 31 de março de 1952 e é falecido que narra sua história. A prerrogativa da narrativa do ponto de vista de um morto, também não é uma saída tão original assim, mas com sua maneira de mostrar os fatos, Philip Roth se sai muito bem.
O escritor consegue sair um pouco dos temas que tanto gosta de explorar e nos apresenta uma história de descobrimento e consolidação. É claro que a política, a repressão e a morte se fazem presente, mas não necessariamente são o foco da trama, que opta por mostrar um jovem obstinado e inteligente, que vai sucumbindo perante as coisas da vida, que com seu jeito irredutível e anti-social de enxergá-las, não consegue ultrapassar.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

"A Força Do Hábito" - Poléxia - 2009

O segundo disco dos curitibanos do Poléxia, “A Força do Hábito”, lançado este ano, vem freqüentemente ocupando um lugar nos meus players pessoais no decorrer dos últimos meses. Quando resolvi escrever sobre o disco, descobri que a banda tinha acabado. O vocalista Ricardo Lemos, anunciou esse término no começo do mês de junho na comunidade do grupo no Orkut, para o espanto de muita gente.
O grupo atualmente formado por Ricardo Lemos (vocal, guitarra e baixo), Francis Yokohama (baixo, guitarra e vocais), Eduardo Cirino (teclados) e Neto (bateria e percussão), apareceu no circuito nacional com “O Avesso” uma boa estréia lançada em 2004 e com uma excelente canção anos depois, “Eu Te Amo, Porra”, que figura entre as melhores músicas feitas no rock nacional dessa década.
A “Força do Hábito” traz doze faixas, divididas em uma parte mais agitada que ocupa a primeira metade e uma segunda metade mais calma. As faixas mais elétricas se sobressaem um pouco as mais tranqüilas. Começa com “O Capa Dura”, que traz baixo em primeiro plano e uma guitarra oitentista cortando a canção. “Você Já Teve Mais Cabelo”, é dançante, tem guitarra funk e serve para tocar em qualquer festa bacana.
“O Radar” tem uma grande melodia e versos como “meu coração é um sdx a espera de uma ameaça maior que eu não sei de onde há de vir.”. “Cá Entre Nós” é um dueto forte e bem feito com Vanessa Krongold (Ludov), onde a letra afirma que “o silêncio entre nós é panela de pressão”. “O Tiro, A Fuga” é bem ritmada, completamente pop, pop esse que aparece com um maior acento em “Hedonismo de Um Domador”, a próxima a tocar.
“O Inimigo”, abre a segunda parte, com vocal quase sem acompanhamento, migrando para um refrão cantado em conjunto, com um leve toque gospel. “A Solidão dos Plânctons” é um indie pop que flerta com psicodelia. “Esperando o Céu Ruir”, traz Carlos Daitschmann declamando a letra, enquanto “Gloss”, meio brega, vem com: “seu gloss em meu peito ficou, com ele eu morro feliz”. Bacanuda. “Terraço” flerta com os 80’s e “A Balada da Contramão” traz violões e piano.
Em “A Força do Hábito”, o Poléxia produziu um dos melhores trabalhos do ano, conseguindo flutuar entre pop e rock, comercial e alternativo, triste e alegre, sem maiores dificuldades. As participações especiais (John Ulhoa do Pato Fu, além de músicos do Ludov, Sabonetes, Nevilton e Anacrônica) só engrandecem o resultado. Em seu disco “póstumo”, o Poléxia crava um bonito registro, saindo de cena de maneira requintada.
O disco está com download gratuito no site oficial da banda: http://www.polexia.com.br

sábado, 11 de julho de 2009

"Retalhos" - Craig Thompson

A infância e a adolescência podem ser fases bem difíceis, com poder para definir tudo o que virá pela vida adulta. Os fantasmas dessa época são capazes de perdurar eternamente se não forem exorcizados com o tempo. O americano Craig Thompson, passou por momentos bem complicados nesses períodos e através de “Retalhos”, faz sua psicanálise pessoal e tenta colocar para fora certos sentimentos.
“Retalhos” saiu originalmente em 2003 e abocanhou os prêmios mais importantes da indústria dos quadrinhos (Harvey e Eisner por exemplo). No Brasil ganha luz nesse ano pela Companhia das Letras, que inaugura uma linha editorial voltada só para a nona arte (“Quadrinhos na Cia”), sendo uma das quatro obras iniciais do projeto. A obra tem quase 600 páginas e passa bem longe das histórias tradicionais do gênero.
“Retalhos” é um trabalho que se direciona muito mais para o campo da literatura tradicional do que para o que se costuma ver freqüentemente nos quadrinhos. É um relato sobre os primeiros anos da vida de uma pessoa, um relato que em muitas vezes não tem ação nenhuma, são quadros e mais quadros sem frases ou reações, o que dá um tom especialíssimo a obra, não a situando no lugar comum.
O trabalho é praticamente autobiográfico, o próprio autor disse em entrevista que “Tudo que está nas páginas do livro realmente aconteceu. A ficção está nos detalhes que eu escolhi omitir.” Craig Thompson foi criado em uma comunidade rural do estado de Wisconsin, embaixo de uma forte pressão religiosa, uma relação conflituosa com os outros alunos da escola e com seu irmão, além de incompreensão e abusos sexuais.
Com traços em preto e branco que conseguem transmitir a sensação do momento, Craig usa de metáforas visuais para contar sua história que depois dos relatos iniciais acaba por desaguar em um amor juvenil, com todas as descobertas, sensações, medos e delírios envolvidos nessa idade. “Retalhos” é na sua essência uma história de descobrimento, mas também é sobre amar e ser amado, sendo que para conseguir fazer esse sentimento perdurar, as vezes é preciso partir e deixar partir.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

"Wilco (The Album)" - Wilco - 2009

Quando vi a capa do novo disco do Wilco, a pergunta inicial foi: “Que é isso?”. Mas como a expectativa para alguma coisa nova de Jeff Tweedy e Cia é sempre a maior possível, a estranheza inicial foi posta de lado e “Wilco (The Album)” foi para as caixas de som para ser apreciado. No seu mais recente disco de estúdio, a banda de Chicago mostra a habitual qualidade, apesar de não ter a excelência de outros trabalhos.
“Wilco (The Album)” é daqueles discos que vez ou outra uma banda lança reunindo despretensiosamente algumas fases da carreira de maneira condensada, como o Sonic Youth de “Rather Ripped” ou o R.E.M de “New Adventures in Hi Fi”. Usando recortes da estréia com “A.M” e retalhos de “Yankee Hotel Foxtrot”, “Summer Teeth” e “Sky Blue Sky”, o álbum se constrói.
Jeff Tweedy e seus parceiros (John Stirratt, Glenn Kotche, Pat Sansone, Nels Cline e Mikael Jorgensen) fazem música com uma sinceridade que em vários momentos beira o absurdo. Logo na abertura, na faixa que dá nome ao disco, o ouvinte se envolve em um pequeno rock de quase três minutos, que desde já passa a figurar em qualquer coletânea que se preze. A partir dela, vários outros bons momentos vão surgindo.
“Bull Black Nova”, a mais longa, traz aquele experimentalismo com truques de estúdio que o grupo sempre brinca. “You And I” é um belíssimo folk que Tweddy canta em parceria com a canadense Feist. Uma das músicas do ano. “You Never Know”, “I'll Flight” e “Sonny Feeling” tem um forte acento pop, enquanto “Country Disappeared” e “Everlasting Everything” surgem com a melancolia.
“Wilco (The Album)” não é o topo da carreira dessa banda que é uma das maiores da atualidade, mas traz canções para serem apreciadas em qualquer hora e lugar. Um disco bem prazeroso de se escutar, onde pequenos toques são descobertos freqüentemente, uma das marcas preferidas do grupo. Jeff Tweedy que já merece a alcunha de gênio há alguns anos, presenteia o mundo com mais toques dessa genialidade.
Mais Wilco? Passe aqui.
Site Oficial: http://www.wilcoworld.net My Space: http://www.myspace.com/wilco

terça-feira, 7 de julho de 2009

“Joe Strummer – The Future Is Unweritten” - 2007

A frente do The Clash, o músico Joe Strummer entrou para a história do rock mundial. Junto com Mick Jones (guitarra e vocal), Paul Simonon (baixo e vocal) e Topper Headon (bateria) lançou álbuns clássicos e promoveu bastante discussão com a sua postura e o cunho político de suas canções. Este inglês nascido na capital da Turquia, falecido em 22 de dezembro de 2002, ainda hoje representa muita coisa.
Em 2007, o diretor Julian Temple lançou um documentário sobre a vida do artista, chamado “Joe Strummer - The Future Is Unweritten”, que merece a alcunha de obrigatório para quem gosta de música e mais particularmente de rock. Recheado de cenas raras e depoimentos de pessoas das mais diversas searas, o documentário é um retrato preciso e enriquecedor sobre a sua história.
O filme começa com um dos clássicos da banda “White Riot” e se espalha por todos os períodos da vida de Strummer. Relata a infância do menino de classe média, filho de diplomatas, que passou por um colégio interno e em outros que nunca se adequava. Mostra a tragédia do suicídio do irmão que mantinha idéias fascistas, e narra o começo da paixão pela música e seu envolvimento com o movimento punk.
Evidente que a música domina grande parte, com a primeira banda o 101’ers, a trajetória com o The Clash e o renascimento com os Mescaleros. Julian Temple consegue mostrar todos os defeitos humanos e não somente o lado mito de Strummer, o que representa um grande ponto positivo. Intransigente, orgulhoso, independente, genial. Todos esses lados caminham lado a lado durante as duas horas de projeção.
A narração fica por conta de depoimentos atuais, que são entrecortados por trechos de antigas entrevistas e do programa de rádio “London Calling”, que o músico apresentou na BBC entre 1998 e 2002, onde mostrava todo seu ecletismo musical, uma parte do seu legado. Um dos momentos mais emocionantes fica por conta do reencontro com Mick Jones, muitos anos depois em um show beneficente para os bombeiros. De arrepiar.
“Joe Strummer - The Future Is Unweritten” é essencial, uma obra sobre um músico que influenciou gerações e gerações e sempre se manteve fiel aos seus ideais, por mais que isso representasse por muitas vezes danos pessoais. Os depoimentos de nomes como Bono, Flea, Bobby Gillespie, Martin Scorsese, John Cusack, Johnny Deep e Damien Hirst, atestam isso. Strummer faleceu por um defeito cardíaco congênito, uma falha do coração que tanto usou na sua vida e canções.
Site oficial: http://www.joestrummerthemovie.com

domingo, 5 de julho de 2009

"Copacabana" - Lobo e Odyr

O bairro de Copacabana no Rio de Janeiro já ganhou inúmeras homenagens, passando por músicas, filmes, peças de teatro, shows e novelas da Globo. O seu nome é capaz de atrair milhares de turistas, mesmo em dias que o seu glamour ficou um pouco para trás. Ao chegar à cidade maravilhosa é impossível não ficar deslumbrado com a beleza da orla e não se render a um chope bem gelado nos quiosques ou bares da beira mar.
Mas a mesma Copacabana que fascina também carrega suas mazelas e seus vícios. Ao passar a noite por suas ruas, um olhar mais atento nos leva a toda uma rede preparada para atender ao turista, explorando a indústria do sexo e outras que caminham junto desta. É em cima desta característica menos bonita, que o roteirista Sandro Lobo e o desenhista Odyr Bernardi, lançam seus olhares no livro em quadrinhos que carrega o nome do bairro.
“Copacabana” saiu este ano pela Editora Desiderata e em suas pouco mais de 200 páginas, destila fartas doses do submundo que permeia a vida noturna carioca na região. Lobo e Odyr mostram um universo com prostitutas, travestis, cafetões, drogas, malandros e turistas que transitam entre o prazer e a enganação. O clima do álbum é um flerte com o noir, onde a arte rabiscada de Odyr faz a cama perfeita para a trama criminosa de Lobo.
A personagem principal é daquelas que apesar de todas as falhas de caráter, acaba por receber uma certa torcida do leitor. Diana é uma mulata com curvas maravilhosas que busca seu espaço nas boates e ruas do bairro, entre tantas outras. Ao mesmo tempo em que precisa sobreviver, tem que mandar dinheiro constantemente para sua mãe, extraído tanto de programas regulares quanto de proveitos extras junto aos seus clientes.
Mesmo precisando da “malandragem” para sobreviver, Diana não se mete em grandes esquemas, mas quando a coisa aperta muito, ela se vê no meio do assassinato de um gringo e de uma companheira de trabalho, com uma grande quantia de dinheiro sumindo no caso. Aí como ela mesmo não cansa de dizer “Fudeu o Cú da Creuza!!”, sendo o seu rebolado mais precioso do que nunca para lhe tirar do caso.
O olhar que o paulista Lobo e o gaúcho Odyr lançam sobre Copacabana é repleto de veracidade e bem contundente. É um olhar que traz personagens que se misturam as belezas naturais e não aparecem nos noticiários (a não ser que aconteça algo grande). Quem que como turista (homem) ao passar pelo bairro não deu uma olhadinha para as meninas da esquina ou passou pela frente da discoteca “Help”, que atire a primeira pedra...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

"Bruno, Chefe de Polícia" - Martin Walker

Benoit Courrèges é o chefe de polícia da pequena cidade de St. Denis, localizada no sudoeste da França, na bonita região do Périgord. Em St. Denis, Benoit é mais conhecido como Bruno e leva uma vida extremamente pacata e tranqüila. Como chefe de polícia, tem uma arma que nunca leva consigo e um par de algemas que não sabe ao certo onde está, afinal de contas para lidar com seus deveres perante a comunidade, isso não se faz necessário.
O maior trabalho de Bruno é agir em prol dos habitantes da sua amada cidade, que em dia de feira precisam se “defender” dos inspetores da vigilância sanitária vindos de Bruxelas na Bélgica, sede da União Européia, que tentam impor suas “inadmissíveis” normas para os pães, queijos, patês e vinhos dessa região da França. Os feirantes ainda trazendo consigo resíduos das guerras mundiais no seu corpo, tratam os inspetores como “Gestapo”.
Tudo anda normalmente, quando um velho habitante, imigrante oriundo da Argélia para a França é assassinado, tendo estampado em seu peito o símbolo nazista. Desse momento em diante, Bruno precisa realmente exercer suas funções policiais. Por se tratar de um crime que aponta para questões raciais, diversões órgãos são envolvidos no processo, inclusive o próprio Ministro do Interior do país.
“Bruno, Chefe de Polícia”, chega ao Brasil pela Editora Record, em edição com 300 páginas, um ano após seu lançamento original. Seu autor é o inglês Martin Walker, que além de ser um premiado jornalista, tem um currículo interessante de obras de não-ficção. Por passar seus verões nessa região da França, o autor consegue trazer uma competente verossimilhança de tradições, costumes e personagens.
Na sua trama, Martin Walker adiciona questões políticas conjuntamente com um delicioso banquete de comidas e bebidas, para deixar o leitor com água na boca, sendo o policial Bruno um daqueles personagens que criam empatia imediata com o leitor. “Bruno, Chefe de Polícia” é para ser consumido levemente como uma cerveja ao sol do verão ou um sorvete no meio da rua para apaziguar o calor. Leve e dotado de pequenos prazeres.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

"Medium, Rare & Remastered" - U2 - 2009

Que o U2 é uma das maiores bandas do mundo, isso ninguém duvida. Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen são responsáveis por alguns discos essenciais, servindo de influência para toda uma geração de bandas. No entanto, vez ou outra o grupo acaba por patinar em cima da sua própria história, tendo sido assim com o famigerado “Pop” de 1997 e esse ano com o ridículo “No Line On The Horizon”, o pior trabalho da sua trajetória.
Em “No Line On The Horizon”, o U2 é uma cópia de si mesmo, sem muita inspiração, parecendo estar sem a mínima vontade de gravar as canções ali presentes. Mas como o U2 é uma grande banda e pode se esperar de tudo, eis que no mesmo ano é liberado no seu site oficial uma coletânea com sobras de estúdio e algumas raridades, intitulada “Medium, Rare & Remastered”, que é infinitamente superior ao novo lançamento.
Temos sobras de discos recentes como o mediano “How to Dismantle An Atomic Bomb” e o ótimo “All That You Can't Leave Behind”, passando por clássicos como “The Joshua Tree” e “Boy”. Existem também versões alternativas para algumas canções como “Sometimes You Can´t Make It On Your Own” e lados b de singles, como o bonito cover de “Neon Lights” do Kraftwerk, que o Luna já tinha coverizado brilhantemente anos atrás.
O primeiro disco é U2 em estado bruto, com as guitarras de “Love You Like Mad”, a balada tão característica em “Smile”, os violões e a letra de “Flower Child” e a energia de “Jesus Christ”. O segundo traz algumas faixas já conhecidas das edições especiais dos primeiros discos, como “Saturday Night” e “Trash, Trampoline and The Party Girl”, conseguindo emocionar com “Summer Rain”, lado b do single de “Beatiful Day”.
“Medium, Rare & Remastered” não está a venda e só está disponível para quem tem a assinatura oficial do site da banda, que libera acesso a material exclusivo. No entanto, isso não é um grande problema nos dias de hoje, pois a compilação já está na rede há tempos. Com esses dois disquinhos bem prazerosos, o U2 consegue fazer que quase se esqueça o “No Line On The Horizon”, levando o ouvinte a acreditar novamente na banda, nem que seja por apenas alguns minutos.
Site oficial: http://www.u2.com/index/home