quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

“Mr. Blues & Lady Jazz” - Nick Farewell


É quase irrecusável o convite que um livro chamado “Mr. Blues & Lady Jazz” faz para o leitor. Junte-se a isso um trabalho visual bem feito, com capa dura negra e pequenos toques de dourado e a compra está feita. Com 176 páginas, a obra foi lançada pela Devir Livraria no ano passado e mostra o autor Nick Farewell explorando o mesmo universo já retratado em “GO”, estreia de 2009, que junto com os poemas de “Manual de Sobrevivência Para Suicidas” compõem seus escritos até aqui.

Nick Farewell (na verdade um pseudônimo de Gyu Suk Lee) ambienta o novo livro no meio do romance dos seus personagens Mr. Fahrenheit e Ginger e assim como em “GO”, insere as mais diversas referências de cultura pop, que vão desde Charles Bukowski e o poeta irlandês Patrick Kavanagh até bandas como Moloko e a nacional Cascadura. Ao final da história chega até mesmo a enfileirar algumas músicas citadas (ou não) para que se tenha uma espécie de trilha sonora a disposição.

“Mr. Blues & Lady Jazz” ambiciona contar o árduo desenrolar de um relacionamento amoroso, assim como transitar pelos medos e dúvidas dos personagens, principalmente os do DJ e aspirante a escritor Mr. Fahrenheit. Nick Farewell enche o livro de pensamentos sobre adequação, solidão, paranoia e tristeza, que estão muito acima dos momentos de alegria e felicidade. E esse olhar entre a psicologia e a filosofia barata é que transforma o livro em pedante e monótono.

Em considerações longas e que apenas circulam em vão sobre o mesmo tema sem acrescentar nada ao personagem, a não ser que este é cheio de dúvidas (sim, mas isto logo se percebe), o livro vai gradualmente deixando de ser interessante e só retorna com alguma força no final. O ponto forte reside nos diálogos bem humorados e com a dose certa de cinismo, mas que são pouco explorados e submergem no grande mar de redundância que a maioria das páginas opta por apresentar.

Apesar de toda a boa vontade que o título e a edição transportam ao leitor, “Mr. Blues & Lady Jazz” é um passo atrás quando se compara com a estreia. As boas ideias sucumbem a um universo de reciclagem que não cria nada interessante, constituindo um trabalho que sobrevive de citações e parcas boas passagens. E todo o pretenso sofrimento e incapacidade de Mr. Fahrenheit são repassados em um tom que faz com que o entusiasmo não sinta a menor vontade de ficar e compartilhar a leitura.

Nota: 4,0




Um comentário:

gustavo gomes disse...

incrivel ele é de mais melhor autor que já vi