segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

“Sweeney Todd – O Terrivel Barbeiro de Fleet Street” - 2008

Vingança. Esse é o prato principal do novo trabalho do excelente diretor Tim Burton. “Sweeney Todd – O Terrivel Barbeiro de Fleet Street”, é seu novo longa em que faz uma adaptação do musical da Broadway de mesmo nome, sucesso de publica e de critica no decorrer dos anos tendo a frente Stephen Sondheim (de por exemplo, “West Side Story”).
Mais uma vez o diretor elege o seu preferido Johnny Deep para o papel principal e coloca sua esposa Helena Bonham Carter no elenco. “Sweeney Todd” é uma espécie de lenda inglesa que permeia o século XIX e no decorrer dos anos foi ganhando outras formas e adquirindo fãs e mais fãs como Burton.
A história trata de Benjamim Barker (Deep simplesmente mais macabro do que nunca), o melhor barbeiro da cidade, um homem que pagou por um crime que não cometeu durante 15 anos por intermédio do juiz Turpin (da série “Harry Potter e de “Simplesmente Amor”), que fez isso para ficar com sua esposa. Quando retorna a Londres em busca de vingança, Barker descobre que sua esposa se matou e então assume a alcunha de Sweeney Todd.
Com a ajuda da Sra. Lovett (Helena Bonham Carter), uma cozinheira famosa por suas tortas horríveis, Todd retorna ao oficio, se estabelece na Fleet Street e começa a buscar sua tão desejada vingança contra o juiz Turpin e o bedel Bamford (Timothy Spall). Ainda temos a participação do comediante Sacha Baron Cohen (de “Borat”) como o barbeiro italiano Adolfo Pirelli.
Tim Burton faz mais um filme sombrio usando uma Londres ainda bastante vitoriana como coadjuvante. Com ótima direção e um bom trabalho dos atores, principalmente de Johnny Deep, o diretor recheia a trama com canções, sangue, humor negro, pequenas criticas sociais e muito mais sangue. A cena em que Todd brinca com suas navalhas e faz um dueto com o juiz Turpin é simplesmente deliciosa.
“Sweeney Todd” vai construir boas criticas negativas por parte do publico, pois acaba não sendo de fácil digestão, nem tanto pela sua “violência” e sim pelo seu humor especifico e a sua concepção como quase um musical. Apesar de achar que faltou um algo mais para que a produção merecesse todos os aplausos, a nova obra de Burton e Deep é bastante interessante, merecendo ser conferida.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

"Juno" - 2008



Muitas pessoas andam escrevendo que “Juno”, o novo trabalho do diretor Jason Reitman (responsável pelo excelente “Obrigado Por Fumar”) é o filme “indie” do ano. Na boa, não sabia que tinham filmes “indies”, descobri agora. “Juno” é o tipo de filme independente americano que trata de temas complicados com leveza e peculiaridade, calcado em boas referências da cultura pop.
Você já viu isso em “Hora de Voltar” e “Pequena Miss Sunshine”, só para citar alguns exemplos. Películas que não são feitas para discutir seriamente os problemas que tratam e no máximo indicar um caminho possível, com a certeza de que tudo vai ficar bem no final (e quem não precisa de otimismo?), cativando o espectador pela sua estranheza e simplicidade.
Olhando assim, “Juno” convence muito bem. Ganhou quatro indicações ao Oscar desse ano nas categorias de Melhor Atriz (Ellen Page), Melhor Filme, Melhor Diretor (para Jason Reitman) e Melhor Roteiro Original, escrito por Diablo Cody (só por curiosidade, uma ex-stripper). Provavelmente não vai ganhar nenhum, mas nesse caso a indicação vale a estatueta.
O filme começa quando “Juno” (Ellen Page de “Menina Má.com” e “X-Men – O Confronto Final”) descobre que está grávida aos 16 anos. A gravidez indesejada aconteceu depois de uma noite com seu melhor amigo Paulie Bleeker (Michael Cera) e ela fica meio sem saber o que fazer, até que com a ajuda de uma amiga decide de maneira inusitada procurar pais adotivos no jornal.
Ela acha um casal ideal na sua concepção (vivido por Jeniffer Gardner e Jason Bateman), ricos, bonitos e apaixonados. Só que nessa última parte parece que o telhado é meio de vidro. No decorrer da película Juno briga com a sua incapacidade de ser mãe ao mesmo tempo em que cativa essa ideia. Fica ainda indecisa sobre seus sentimentos para com o seu “amigo”. Nada mais normal para uma adolescente.
Recheado de referências pop com citações de bandas, discos espalhados e filmes cult (em determinado momento Juno dispara “Sonic Youth é só barulho!”. Olha a heresia!). Com trilha sonora competente, tendendo um pouco para o folk e juntando nomes como Belle And Sebastian, Cat Power, The Moldy Peaches, o já citado Sonic Youth e Velvet Underground, entre outros, tudo passa leve e suave.
Destaque maior para a canadense Ellen Page que se sobressai bastante ao resto do elenco, a menina trabalha muito bem mesmo. “Juno” cumpre com uma premissa básica que existe no cinema que é divertir. E se possível questionar alguma coisa. Entrar mais fundo em discussões (nesse caso gravidez na adolescência e maturidade) sempre é importante, mas outros filmes podem fazer isso.
“Juno” é “apenas” cativante. Muito cativante. Não deixe de assistir.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

"District Line" - Bob Mould - 2008

O rock é pródigo em criar ídolos. Alguns são exaltados ao grande público e com imenso sucesso comercial e outros tem isso em menor volume, mas são de fundamental importância na história do estilo, influenciando diversas outras bandas no decorrer dos anos, sendo responsáveis por pequenas obras primas.
O americano Bob Mould se enquadra nessa segunda descrição. A frente do seminal Husker Dü nos anos 80, junto com Grant Hart e Greg Norton fez-se referência para bandas como Pixies, Nirvana e Green Day, entre outras. O disco “Warehouse: Songs And Stories” de 1987 é um clássico absoluto. Depois do fim da banda, Bob Mould encarnou o Sugar no começo dos anos 90 e fez outro pequeno clássico, “Copper Blue” de 1992.
Depois foi a vez de seguir a carreira solo de vez, sempre meio a margem do grande público, mas produzindo suas pérolas como os discos “Bob Mould” de 1996 e “The Last Dog And Pony Show” de 1998. Em 2008 o artista resolve lançar seu oitavo disco, intitulado “District Line” e novamente agrada aos fãs.
O álbum é quase uma continuação do anterior “Body Of Song” de 2005 (inclusive para ele próprio) e conta novamente com a participação de Brendan Canty, ex-baterista do Fugazi (outra bandaça). Nas 10 faixas que se apresentam há algumas pequenas inovações (como uma brincadeira ou outra com eletrônica, vide a faixa “Shelter Me”), mas estão lá as guitarras soando alto que servem de base para melodias pop. A mesma cortesia de sempre.
Quase todo esse “District Line” é bom, destaques maiores para a abertura com “Stupid Now”, a já conhecida por alguns “Again And Again”, o primeiro single “The Silence Between Us”, o pop de “Very Temporary”, os violões de “Miniature Parade” ou a regravação de “Walls In Time”, constante no seu primeiro solo de 1989.
Não é para mudar o mundo e nem hoje essa é a intenção de Bob Mould, ele já fez isso em outras épocas. É somente um punhado de canções para serem escutadas sem pretensões, sem demasiadas expectativas. E é sempre prazeroso escutar esse cara. Sempre. Mesmo com um resultado sem tanto esplendor.
Site Oficial: http://www.bobmould.com

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

"Clichês Em Alto Volume" - Incolores - 2007 (EP)

Energia, melodias sessentistas, rock gaúcho, letras que falam de amor com bom humor, jovem guarda, Beatles, guitarras e mais guitarras. Isso é mais ou menos o que se pode esperar da banda catarinense de Jaraguá do Sul, chamada “Incolores”, formada por Jackson (vocal e guitarra), Leandro (guitarra), Jonathan (baixo) e Darlon (bateria).
A banda coloca na MP3 Magazine para download, o seu primeiro EP, intitulado “Clichês Em Alto Volume” finalizado ano passado e tem como primeira grande vantagem, realmente se apegar ao clima que expressa em seu som, ao clima que suas canções retratam, não querendo de forma alguma soar novo, deixando aquele gostoso sabor de passado no ar.
São seis canções todas de parceira ente Jackson e Jonathan, abrindo com a bateria ditando o ritmo de “Coleção de Discos”, com uma letra bem bacana “Vou acabar sua coleção/mas em troca lhe darei o coração”. Romantismo jovem guardiano a toda prova. Depois temos “Tudo Menos Ela”, um pedido para que algum Detetive encontre o sonhado amor.
“Ao Lado Seu” tem aqueles característicos vocais dobrados no refrão e os “la, la, las...”. “Show De Rock n´Roll” é uma baladinha bem bacana. “Visões Coloridas” é a que mais exala o cheiro sessentista, com seus “tchu, tchu, tchura...”. “Pobre Coração” é a ultima canção, quase como uma ode aos quatro garotos de Liverpool e seus primeiros discos. “Ah, ah, ahs...” e palminhas permeiam a faixa.
Se preferes algo novo passe bem longe desses clichês dos Incolores, mas se isso não te incomoda e o que te alegra são canções pop de três minutos, com boas melodias para cantar junto e guitarras altas temperadas com passado, sinta-se em casa. E sirva-se a vontade.
Baixe de grátis no site do Mp3 Magazine: http://mp3magazine.com.br/download.jsp?idDisco=159
My Space: www.myspace.com/incolores

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Meu Nome Não é Johnny - 2008

Apostar na vida de traficantes de drogas tem rendido bons filmes nas últimas duas décadas, como “Profissão de Risco” e mais recentemente “Gangster” (entre muitos outros). Geralmente são vidas que passeiam entre a loucura e sensatez, risco e lucro. Essa idéia chega ao Brasil com o filme “Meu Nome Não É Johnny” e também traz bons resultados.
“Meu Nome Não é Johnny” já levou mais de 1 milhao de espectadores ao cinema e rendeu algo em torno de R$ 9 milhoes de reais de bilheteria. Sucesso absoluto de público. O diretor Mauro Lima e a produtora Mariza Leão (que juntos adaptaram o roteiro baseado no livro homônimo de Guilherme Fiúza) chegam com uma parceria entre a pequena Downtown Filmes e uma major, no caso a Sony Pictures.
Com orçamento na casa dos R$ 6 milhões de reais e filmagens percorrendo as cidades do Rio de Janeiro, Barcelona e Veneza, Mauro Lima conta a história real de João Guilherme Estrela, um jovem carioca de classe média, que morava no Jardim Botânico, freqüentou os melhores colégios e no final da década de 80 e começo de 90 foi um dos maiores traficantes (senão o maior) de cocaína da cidade maravilhosa até sua prisão em 1995.
No primeiro um terço do longa, parece que vamos ter mais uma daquelas produção sem cara de cinema que a Globo Filmes tanto fez ultimamente, no entanto no seu andamento a trama ganha em ritmo, inserindo boas doses de drama, toques de humor, trilha sonora competente e alguns questionamentos, ainda que estes não estejam tão em primeiro plano assim.
Um dos principais erros do filme é tentar mesmo que de maneira não tão explicita justificar os atos de João Guilherme como uma espécie de inconseqüência juvenil, romantizando sua situação colocando-o quase como vitima. Isso não chega a afetar tanto o processo, pois ao mesmo tempo temos as discussões sobre as escolhas da juventude e os possíveis caminhos mais fáceis representando um maior volume.
O trabalho de Selton Mello mais uma vez é competentíssimo, mostrando tanto a porra louquice de João como seu drama quando do seu julgamento e posterior tratamento em uma espécie de “hospicio” (ah, vá lá...é isso mesmo), lutando para não perder a sua sanidade. A cena que mostra o primeiro natal dele depois disso e o reencontro com a cidade do Rio de Janeiro em que um dia foi quase rei, emociona muito, muito mesmo.
“Meu Nome Não é Johnny” podia ser um filme melhor do é, explorando melhor as idéias que procura trabalhar como o envolvimento dos jovens com as drogas e a busca por uma segunda chance, mas isso apesar de atrapalhar um pouco seu brilho, ainda vale a ida ao cinema. Famoso filme Nota 7.
Site Oficial: http://www.meunomenaoejohnnyfilme.com.br

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Top Top - Os Melhores de 2007


“Salve, salve minha gente amiga...”

Quase todo mundo já fez sua listinha de melhores de 2007 e o com o Coisapop não poderia ser diferente. Pelo terceiro ano seguido colocamos nosso “Top Top” no ar, abrangendo o que na nossa opinião aconteceu de melhor na música no ano que passou.

Um ano muito bom sem dúvida. Ano com algumas pequenas obras primas. Confira abaixo:

TOP 20 – DISCO INTERNACIONAL

01 – Neon Bible – Arcade Fire
http://www.arcadefire.com

02 – The Search – Son Volt
http://www.sonvolt.net

03 – The Kissaway Trail – The Kissaway Trail
http://www.thekissawaytrail.com

04 – Sky Blue Sky – Wilco
http://www.wilcoworld.net

05 – Raising Sand – Robert Plant & Alison Kraus
http://www.robertplantalisonkrauss.com

06 – Go! – The Primary 5
http://www.myspace.com/theprimary5

07 – Baby 81 – Black Rebel Motorcycle Club
http://www.blackrebelmotorcycleclub.com

08 – New Magnetic Wonder – Apples In Stereo
http://www.applesinstereo.com

09 – Icky Tump – The White Stripes
http://www.whitestripes.com

10 – She´s About To Cross My Mind – The Red Button
http://theredbutton.net

11 – Send Away The Tigers – Manic Street Preachers
http://www.manicstreetpreachers.com

12 – The Autumn Defense – The Autumn Defense
http://www.theautumndefense.com

13 – Young Galaxy – Young Galaxy
http://www.myspace.com/younggalaxy

14 – Beyond – Dinosaur Jr.
http://www.dinosaurjr.com

15 – It´s Not How Far You Fall It´s The Way You Land – Soulsavers
http://www.myspace.com/soulsavers

16 – Fear and Love – Weeping Willows
http://www.weepingwillows.nu

17 – Glitter in The Gutter – Jesse Malin
http://www.jessemalin.com

18 – The Boy With No Name – Travis
http://www.travisonline.com

19 – Yes, U – The Devastations
http://www.devastations.net

20 – Magic – Bruce Springsteen
http://www.brucespringsteen.net

TOP 20 – MÚSICA INTERNACIONAL

01 – Love is Dead – Brett Anderson
02 – This Picture – Son Volt
03 – All I Need - Radiohead
04 – Please Read The Letter – Robert Plant & Alison Kraus
05 – Intervention – Arcade Fire
06 – La La Song – The Kissaway Trail
07 – Your Love Alone Is Not Enough – Manic Street Preachers
08 – Ruby – Kaiser Chiefs
09 - You Don't Know What Love Is (You Just Do As You're Told) – The White Stripes
10 – Revival - Soulsavers
11 - Flourescent Adolescent – Arctic Monkeys
12 – Nice To Fit In – Josh Rouse
13 – Berlin – Black Rebel Motorcycle Club
14 – Phantom Limb – The Shins
15 – I Still Remember – Bloc Party
16 – I Just Called To Say I Love You” – Pelle Carlberg
17 – This is All I Came To Do – Dinosaur Jr.
18 - She´s About To Cross My Mind – The Red Button
19 – Katrina – The Young Lips
20 – Love Streams – Jesse Malin

TOP 20 – DISCO NACIONAL

01 – Tribunal Surdo – Violins
http://www.violins.com.br

02 – Fome De Tudo – Nação Zumbi
http://www.nacaozumbi.com

03 – Daqui Pro Futuro – Pato Fu
http://www.patofu.com.br

04 – A Marcha dos Invisíveis – Terminal Guadalupe
http://www.tg.mus.br

05 – A Amarga Sinfonia do Superstar – Superguidis
http://www.superguidis.com.br

06 – Satolep Sambatown – Vitor Ramil e Marcos Suzano
http://www.vitorramil.com.br

07 – Fino Coletivo – Fino Coletivo
http://www.finocoletivo.com

08 – Los Porongas – Los Porongas
http://www.myspace.com/losporongas

09 – Viva Muddy Waters! – Blues Etilicos
http://www.bluesetilicos.com.br

10 – Vanguart – Vanguart
http://www.myspace.com/vanguart

11 – Sublime Mundo Crânio – Lasciva Lula
http://www.lascivalula.com.br

12 – Um Olho No Fósforo, Outro Na Fagulha – Pata de Elefante
http://www.bandapatadeelefante.blogspot.com

13 – Madame Saatan – Madame Saatan
http://www.madamesaatan.com

14– Disco Paralelo – Ludov
http://www.ludov.com.br

15 – Carnaval Só no Ano Que Vem – Orquestra Imperial
http://www.orquestraimperial.com.br

16 – O Amor Acabou! – Astronautas
http://www.astronautas.org

17 – Teletransporte – Autoramas
http://www.myspace.com/autoramas

18 – S.I.M – Nevilton
http://www.nevilton.com.br

19 – Revirando o Sótão – A Euterpia
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=5734

20 – Charme Chulo – Charme Chulo
http://www.charmechulo.com.br

TOP 20 – MÚSICA NACIONAL

01 – Grupo de Extermínio de Aberrações – Violins
02 – Pernambuco Chorou – Terminal Guadalupe
03 – Central – Attack Fantasma
04 – Esse Lugar Ruim – Sestine
05 – Bossa Nostra – Nação Zumbi
06 – Com Açucar, Com Afeto – Fernanda Takai
07 – A 300 Km/h – Autoramas
08 – Hey! – Pata De Elefante
09 – Feito Gente – Ira!
10 – A Letra da Canção Desgovernada – Lasciva Lula
11 – Tudo Vai Ficar Bem – Pato Fu
12 – A Exclamação - Superguidis
13 – Campeão Mundial de Bater Carteira - Violins
14 – Ele Não Pensa Mais em Nada - Gardernais
15 – 3D – Suzana Flag
16 – Para Abrir Os Olhos - Vanguart
17 – Enquanto Uns Dormem – Los Porongas
18 – Mazzaroppi Incriminado – Charme Chulo
19 – A Zero Por Hora – Vitor Ramil & Marcos Suzano
20 – Devorados – Madame Saatan

Um grande abraço a todos.

Paz Sempre!!

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

"Eternos" - Neil Gaiman e John Romita Jr.

O norte americano Jack Kirby falecido em 1994, foi um dos maiores ases da história dos quadrinhos. Junto com Stan Lee criou praticamente todos os personagens do universo Marvel e a frente da DC Comics também produziu obras consagradas. Uma das suas criações de maior excelência (e de menor sucesso comercial) foi “Eternos”, grupo de deuses que teriam vivido neste mundo há milhares de séculos antes de nós.
Tal cronologia andava meio esquecida e situada fora do universo Marvel dos dias de hoje, até que o gênio Neil Gaiman (Sandman, Deuses Americanos) recebeu a incumbência de reingressá-los no contexto atual da editora. Para tanto contou com a ajuda do competentíssimo John Romita Jr. (Homem-Aranha, Demolidor) na arte.
A dupla fez uma das melhores minisséries do ano passado (acabou recentemente), lançado por aqui pela Panini em 4 edições. Gaiman que brilha quando mistura atualidade e fantasia, ancorado em conceitos como mitologia e religião, conseguiu magistralmente readaptar a obra de Kirby, carregando de drama e ironia a minissérie e não esquecendo de atualidades como a Guerra Civil dos heróis da Marvel.
Na sua nova cara, os Eternos após uma trama daquele conhecido como Duende (que abstrai temas de Peter Pan com sabedoria), faz uma manobra junto ao Celestial Sonhador, deixando todos os seus ex-companheiros completamente esquecidos do seu passado (inclusive a ex-Vingadora Sersi, que agora é uma promotora de festas).
Os Deviantes (renegados históricos) tentam se aproveitar disso e travar novamente sua guerra, quando os Eternos pouco a pouco vão se retomando de sua antiga função no mundo. Gaiman além da questão dos confrontos, insere uma forte dose de drama pessoal no contexto, aliviada sempre que pode pelo seu sarcasmo e ironia indefectíveis.
Esse novo trabalho não supera o que Neil Gaiman já fez anteriormente como Sandman, até porque isso é complicado, mas nem por isso é uma obra menor. Mexer em um clássico do mestre Jack Kirby e ainda conseguir acrescentar algo não é nada fácil. Ainda mais personagens tão cheios de dualidades. Gaiman mostra mais uma vez do que é capaz. Simplesmente gênio.

domingo, 27 de janeiro de 2008

"She´s About To Cross My Mind" - The Red Button - 2007

A música tem o grande poder de ser atemporal, de ser revisitada regularmente e reciclada de tempos em tempos abrindo novos caminhos e honrando antigos. A banda norte americana The Red Button lançou no ano passado seu álbum de estréia “She´s About To Cross My Mind”, que pode ser inserido nessa seara, pois representa uma bela e comovente ode aos anos 60.

Formado de um lado por Mike Ruekberg, cantor e compositor da extinta banda Rex Daisy, e de outro por um daqueles multi-homens, Seth Swirsky, cantor, compositor (inclusive de canções para gente com Rufus Wainwrigt), artista plástico, pintor e cineasta amador, o The Red Button foi responsável por um dos melhores discos de 2007.

O sabor desse disco você provavelmente já conhece. Melodias sixties com toques dos anos 50 e 70, ancorada em violões, teclados e guitarras em busca do pop perfeito. Temos influências de diversas bandas que os anos 60 e principalmente o Reino Unido produziram, de Beatles aquelas de um hit só. Sabor de nostalgia temperado deliciosamente.

Começa com “Cruel Girl”, uma semi balada, um pop leve com tecladinhos e tudo mais. Não se assuste. Não voltastes no tempo. O pop perfeito começa a aparecer na faixa título com seus violões e guitarrinhas solando. “Floating By” abre com teclados e no seu decorrer tem aqueles metais clássicos dando um colorido todo especial.

“She´s Going Down” tem roupagem mais moderna e podia ser achada em um disco do The Shins, por exemplo. “I Could Get Used To You” tem aqueles sha-la-las fantásticos, powerpop de primeiríssima linha. “Hopes Up” retoma o gosto de Beatles na boca, enquanto espera a chegada da baladinha “Can´t Stop Think About Her”.

E para fechar ainda tem as guitarras e teclados de “Gonna Make You Mine”, completamente indicados para uma bela manhã de domingo, a doçura de “Ooh Girl”, os efeitos de “Free” e o clima de “It´s No Secret”. São pouco mais de 34 minutos de um tributo (mesmo sem ser) para uma época que continua influenciando artistas mais de 40 anos depois.

Quando acaba esse “She´s About To Cross My Mind”, a única saída que resta ao ouvinte é voltar e escutar tudo novamente. Por alguns minutos a vida até consegue ser esquecida. O The Red Button entra no rol daquelas bandas que conseguiram achar a fórmula da excelência do pop. Nostalgia para ser consumida em grandes e extremadas doses. Totalmente sem moderação.

Site Oficial: www.theredbutton.net

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

“Everyboy Comes And Goes” - Smash Palace - 2008

Os rótulos são uma constante no mundo da música pop, servem para definir (na maioria das vezes passam longe, mas...) uma banda e situá-la em algum contexto que facilite ao ouvinte. A banda Smash Palace que chega ao seu sexto disco em 2008 (lançado dia 22 de janeiro), está inserida na maioria dos sites de música como powerpop. E dessa vez é mais ou menos por aí mesmo.
O Smash Palace está na ativa desde o começo dos anos 80, mudou de nome em 1985 e voltou à ativa no final dos anos 90. A banda que hoje conta com a maior parte dos fundadores, inclusive Stephen Butler (guitarra e vocal) responsável por boa parte das canções. Os demais músicos da atual formação são DyAnne DiSalvo (guitarra), Phil Rizzo (baixo), Greg Didonato (bateria) e Wally Smith (teclados).
O que esperar das faixas? Melodias em meio a violões e boas guitarras, vocal competente e backings que sustentam quase todas as canções. Resumindo: aquele velho sabor de Beatles, Byrds, Kinks, Big Star e Teenage Fanclub. “Everyboy Comes And Goes” é para tocar tranqüilo no seu player até que você se pegue cantando as letras sem querer.
Confesso que só conhecia um disco anterior, “Over The Top” de 2004, mas esse novo rebento me rendeu bons momentos. Seja pela beatlemaniaca “She” que abre o disco, pelas mais moderninhas Didn't Anyone Tell You? e “Just Like You”(um potencial hit) ou pela sessentista “Dressed In Black”.
Ainda tem a bonita balada “Is This A Dream?", para dar uma relaxada, a excelente “Hoping” e a ótima cover de “I Want To Tell You” de George Harrison, contida no clássico “Revolver” de 1966 dos Fab Four, fechando o disco. Nada que vá mudar o mundo, mas algo para dar uma boa melhorada no astral. E cantar junto.
Site Oficial: http://www.smashpalacemusic.com

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

"O Cheiro Do Ralo" - 2007

A safra de filmes nacionais de 2007 foi uma das melhores dos últimos anos (e olha que ainda nem vi todos). Entre estes longas, destaca-se “O Cheiro do Ralo”, adaptação do livro do quadrinista Lourenço Mutarelli (lançado em 2002) feita pela cineasta Heitor Dhalia. Os dois já haviam trabalhados juntos em “Nina”, bom filme de 2004.
A historia é baseada em cima de Lourenço (uma grande atuação de Selton Mello), um cara de meia idade que sugere uma pessoal normal, tomando conta da sua loja de antiguidades, prestes a se casar, mas que com o decorrer do longa vê as coisas se desatando, deixando-o praticamente insano. A culpa por tal medida é o ralo do banheiro do seu trabalho que passa a lhe enlouquecer com seu cheiro insuportável.
Lourenço adora pisar naqueles que vem em seu auxilio para vender alguma coisa que lhe permita sair do buraco. Com tremenda insensibilidade ele esnoba, xinga e premia essas pessoas com sua estupidez e arrogância. Só que, posteriormente o castigo vem. Bem, não necessariamente um castigo como uma lição de moral, mais ainda sim um castigo.
“O Cheiro do Ralo” tem roteiro competente (feito por Marçal Aquino e Heitor Dhalia), que não deixou de lado todo o cinismo e sarcasmo embutidos no original e até realçou mais um pouco, além de um bom elenco ancorado por Selton Mello (e pelo próprio Mutarelli como o segurança da loja), gerando uma obra ao mesmo tempo bem humorada e critica ao ser humano.
Um dos melhores momentos é quando Lourenço já afundado no seu poço, solta o seguinte texto: “De todas as coisas que tive, das que mais me valeram, das que mais sinto falta, são as coisas que não se pode tocar, são as coisas que não estão ao alcance de nossas mãos. São as coisas que não fazem parte do mundo da matéria.”
Imperdível. Não deixe de ver.
Site oficial: http://www.ocheirodoralo.com.br