quinta-feira, 4 de agosto de 2005

A Fantástica Fábrica de Chocolate

Passando nos cinemas locais “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, no “remake” (gosto mais de “versão”) do diretor Tim Burton é uma grande, mas grande pedida mesmo, apesar das cópias serem dubladas. Primeiro devo dizer que não li o livro (apesar de todo mundo agora dizer que leu....), mas gostava bastante da versão original do filme de 1971 e que tinha Gene Wilder como o magnata estranho Willy Wonka. Apesar de poder parecer heresia o que vou dizer, Tim Burton fez um filme muito, mas muito melhor mesmo que seu antecessor. A história que todo mundo conhece é do excêntrico dono da maior fábrica de chocolates e doces do mundo, Willy Wonka (vivido brilhantemente por Johnny Deep) que depois de muito tempo sem abrir as portas de sua fábrica, resolve fazer um concurso para eleger seu herdeiro(sendo que isso é surpresa para todos), espalhando cinco convites dourados pelos seus chocolates ao redor do mundo a ser encontrado por crianças. Os convites são sendo achados e o que parece improvável acontece, o pequeno e pobre Charlie (Freddie Highmore de “Em Busca da Terra do Nunca”), encontra um e parte em sua jornada acompanhado de seu avô e outras quatro crianças e seus responsáveis. Ao ir mostrando a fábrica, Willy Wonka se diverte e expõe os candidatos a uma viagem onde os defeitos são responsáveis pela queda em uma disputa sombria e repleta de humor negro. Tim Burton não fez uma refilmagem, ele reinventou um clássico dando nova força e constituindo um grande filme, sendo impossível ficar indiferente. Me diverti bastante na sessão com as piadas sutis, as referências pop, os Lupas-Lupas (que são a cara do Zacarias dos Trapalhões!!!), as cores e cenários que Burton criou para ambientar essa história fantástica com seu toque todo especial. Imperdível!!!

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

O Clã das Adagas Voadoras

O Clã das Adagas Voadoras, originally uploaded by Kalnaab.
Assisti em DVD, pois perdi no cinema o filme chinês “O Clã das Adagas Voadoras” do diretor Zhang Yimou, o mesmo de “Herói”. Fiquei bastante impressionado com o que vi. O cinema asiático realmente é um sopro de criatividade e de beleza nos dias de hoje, ganhando a cada nova produção novos e ardorosos fãs, como este humilde escriba. Ambientando no ano de 859, onde o Império Chinês passa por terríveis conflitos internos com os rebeldes, a dinastia Tang que por anos reinou absoluta, hoje enfrenta sérios problemas com corrupção e a sua própria incapacidade de governar, além do seu principal rival o clã que dá nome ao longa. Nesse contexto, os capitães Leo (Andy Lau) e Jin (Takeshi Kaneshiro) são designados para encontrar e destruir o temido clã, elaborando um plano para tanto e esbarrando no caminho com uma das guerreiras do lado oposto, a bela Mei (a sempre competente Zhang Ziyi). A partir disso o mestre Zhang Yimou desenvolve um filme belo com uma trama cheia de reviravoltas, surpreendente. O espectador é preso à brincadeira de cores e cenários que o diretor executa, com a bela fotografia, montagem competente e claro as cenas de lutas fascinantes. Um filme realmente muito bom que demonstra mais uma vez o quanto o cinema asiático é espetacular. Assistam!!

terça-feira, 26 de julho de 2005

O Castelo Animado

O Castelo Animado, originally uploaded by Kalnaab.
Estreou no último final de semana por aqui “O Castelo Animado (Howl´s Moving Castle)”, o novo filme do aclamado diretor japonês Hayao Miyazaki (Do premiado “A Viagem de Chihiro”). O diretor que alcançou sucesso internacional com o Oscar, nos entrega mais uma obra prima, que se não é melhor que “A viagem...”, fica no máximo apenas um pequeno degrau abaixo. Nessa fantástica história animada onde convivem magos, bruxas, castelos andantes e personagens fantasiosos, conta-se a vida de Sophie, uma jovem introspectiva de 18 anos que trabalha na chapelaria de seu velho pai e que quando uma guerra está prestes a despertar conhece um mago, que indiretamente influi na maldição que a bruxa das terras abandonadas lhe joga, fazendo-a se tornar uma senhora bastante velha. A partir desse momento o diretor vai envolvendo o espectador com o desenvolvimento da trama e a solução de seus problemas, apresentando seus personagens brilhantes como o Castelo Andante, o Demônio do fogo Cácifer, o Cabeça de Nabo, Marko o responsável pelo castelo, o Mago Hauru e outros tantos que são despejados de forma bem interessante. Neste novo filme de Hayao a preocupação com os detalhes continua incisiva, é de impressionar a quantidade de pequenos objetos, movimentações, detalhes no decorrer do longa. atuais. Ainda comparando com sua obra de maior sucesso, talvez “O Castelo...” não tenha a mesma carga de emoção de seu filme anterior, mas com certeza é belo e vale muito a pena ser visto. Apesar de ser suspeito pra falar pois sempre gosto de viagens fantasiosas, o filme nos faz dar uma parada e sair um pouco de tanta realidade imbecil que nos cerca nos dias de hoje.

quarta-feira, 20 de julho de 2005

Team America - World Police

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Um dos lançamentos mais comentados do ano passado foi o filme “Team America – World Police” (Team America – Detonando o Mundo), que infelizmente passou batido pelos nossos cinemas (só pra variar um pouco!!), mas que agora foi lançado em DVD e merece ser muito visto, essa que na nossa opinião foi a melhor comédia do ano passado. Coloco abaixo alguns motivos para não deixar de ver....vamos lá: 1-O filme foi criado e dirigido pelos mesmos criadores da série “South Park”, Trey Parker e Matt Stone; 2-Os atores são marionetes com o fio aparecendo a todo momento; 3-Uma aventura que não deve nada aos filmes de ação de Jerry Bruckheimer com explosões e tudo mais, sendo que nas horas vagas ainda se transforma em musical; 4-O humor do filme é sensacional, debochado, satírico, negro e sarcástico; 5-Sacaneiam todos os clichês cinematográficos existentes; 6-O herói do filme, Gary, entrando como Jedi na última cena; 7-As “panteras” do filme; 8-Nas aventuras da “World Police”, o mundo todo é detonado, inclusive monumentos históricos; 9-A detonada em alguns atores que às vezes se tornam chatos pelo seu lado político como Alec Baldwin, Sean Penn, Tim Robbins, entre outros; 10-A “participação” de Michael Moore; 11-A detonada em “Pearl Harbor” o filme, muito, muito maldosa; 12-As cenas de luta com ecos de “Matrix”, “O Tigre e o Dragão” e “Kill Bill”; 13-A cena de sexo explícito entre duas marionetes, simplesmente impagável; 14-A trilha sonora do filme, principalmente “América Fuck Yeah”, a musica titulo; 15-A fotografia de Bill Pope de “Matrix” e “Homem Aranha 2”, dando luz ao longa.... E por ai vai....vale muito a pena assistir....muito bom mesmo!!!

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Quarteto Fantástico

Quarteto Fantástico, originally uploaded by Kalnaab.

Mais uma adaptação dos Gibis para os cinemas estreou por aqui, se trata de "Quarteto Fantástico", os primeiros heróis do Universo Marvel finalmente chegaram com força as telas de todo o mundo. Em 1994 já tinha sido feito um longa sobre a história do quarteto mas que nunca chegou as telas, missão que agora é complementada com louvor.

Sou meio suspeito para falar de gibis, afinal de contas sou fã confesso dos mesmos, mas essa adaptação ficou muito bem realizada, um pequeno nível abaixo de filmes como "Homem-Aranha" e Batman Begins", o que não tira em nenhum momento o brilho do longa.

Contando a história de Reed Richards (Ioan Gruffud), Ben Grimm( Michael Chiklis), Susan Storm (Jessica Alba, simplesmente linda, soberba, maravilhosa....) e Jonnhy Storm (Chris Evans), e o acidente que os transformou em Sr. Fantástico, O Coisa, Mulher Invisível e o Tocha Humana. O único senão do filme é que a montagem inicial e a apresentação dos personagens é muito rápida, dificultando um pouco o entendimento para aqueles que não conhecem a história.

Tudo começa quando o falido Reed Richards, procura seu amigo de universidade e dono de um império Victor Von Doom para financiar uma missão sua em busca de alternativas para mudanças de DNA. Apesar da briga que envolve os dois, a missão acontece e sofre um desastre, deixando seus tripulantes completamente alterados e falindo as empresas de Von Doom. Aos poucos, os integrantes vão percebendo suas mudanças, inclusive Von Doom que se torna o Dr. Destino e busca a todo custo vingança contra os fantásticos e as pessoas que lhe tiraram o poder da empresa.

Com boas tramas paralelas como a transformação de Ben Grimm em O Coisa e sua rejeição pelo mundo e pela própria mulher (uma analogia de como quem é diferente é rejeitado), ou o relacionamento de Reed e Sue, o filme se desenvolve de maneira correta, deixando os fãs do Quarteto bastante satisfeitos. Vale muito a pena ser visto esse filme, apesar dele e claro pela Jessica Alba.

sábado, 9 de julho de 2005

O Opositor

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Hoje invadiremos a nobre arte da palavra escrita, falaremos um pouco de literatura, mais precisamente sobre o novo livro do gaúcho Luís Fernando Veríssimo. Desta vez, o escritor deixa um pouco de lado suas crônicas comportamentais para construir um romance estranho, cheio de suspense e algumas nuances, mas não menos engraçado e envolvente, passado em Manaus, chamado "O Opositor".
Quarto volume da coleção "Cinco Dedos de Prosa" da Editora Objetiva, em que cinco autores se revezaram em histórias sobre os dedos na mão, entre eles Carlos Heitor Cony, Fernanda Young, Manoel Carlos e Mário Prata. Para Veríssimo, ficou a tarefa de escrever uma história em que o dedo polegar, tivesse função primordial, o que fez com a habitual maestria.
Ambientado em Manaus, em meio ao calor escaldante, seitas religiosas, organizações mundiais, sucos de frutas típicas, mulheres ardentes, personagens surreais, o repórter narrador do livro vai ao encontro de escrever sobre ervas e plantas da região, quando percebe que sua passagem ali pode ir muito mais distante.
Em um bar conhece um mendigo ou simplesmente um suposto louco desvairado, um polonês chamado Joséf Teodor, que engendrado com muita cachaça vai liberando casos extraordinários e fantásticos, que podem ser mentiras absurdas ou não. E é através dela que o narrador se vê refém e dentro de uma suposta trama internacional.
Com o humor ácido que lhe fez famoso e com sua prosa rápida, Luís Fernando Veríssimo brinca bastante com vários temas nesse livro, satisfazendo o leitor. Suas crônicas continuam sendo seu grande campo de observação, onde reina absoluto, mas nada que nos impeça de ler suas aventuras em outro campo e nos deliciar com suas histórias fantásticas.

domingo, 19 de junho de 2005

O retorno mais que sombrio do Homem Morcego

Acho que já falei isso aqui antes em janeiro no texto que colocava a ansiedade e a esperança sobre a chegada de um novo filme do Batman nos cinemas e que quando moleque, tipo 7,8 anos, meus grandes heróis eram o Homem Morcego e o Capitão América (antes de Luke Skywalker, Homem Aranha e milhões de outros tantos), se este último me fascinava acho que pelos ideais corretos, o Batman ia na contramão, com seu lado sombrio, seu desejo de vingança e sua eterna briga pessoal.

Tinha uma porrada de gibis e até hoje guardo com todo o zelo, "A Morte de Robin", "O Cavaleiro das Trevas" e "Batman: Ano Um", entre aquelas que decidi ficar depois de velho. No cinema os filmes sobre o personagem meio que decepcionaram, apesar Tim Burton ter dirigido os dois primeiros e conseguido bons momentos, como o Coringa de Jack Nicholson e a Mulher Gato de Michelle Pfeifer, algumas mudanças na trama e a condução com um Batman não tão sombrio quanto o que estava acostumado, meio que decepcionou. Depois que o "fazedor de sucessos" Joel Schumacher pegou a franquia, aí foi que o negócio desandou mesmo, ficando insuportável ver a desfiguração do personagem, fazendo hibernar tudo em volta pelos idos de 1997.

Eis que a DC Comics resolveu reviver o personagem, principalmente devido ao sucesso da rival Marvel e suas excelentes adaptações de Homem Aranha e X-Men. Entre seus maiores protagonistas estavam dois ícones da cultura pop, Batman e Superman ("Superman Returns" chega as telas no ano que vem), sendo que o último já tinha uma seqüência de filmes muito bons, enquanto o primeiro não podia ter seu desastre continuado no cinema. A DC resolveu então investir nessa guerra contra a Marvel, começando com "Constantine", mas é através de "Batman Begins" que estreou nos cinemas de todo o país na ultima sexta é que ela entra com tudo na batalha.

Sobre o comando do diretor Crhistopher Nolan do excelente "Amnésia" e no papel de Bruce Wayne pela primeira vez um grande ator, como Cristian Bale dos excelentes desempenhos em "Psicopata Americano" e "Operário", o novo filme do Homem Morcego não decepciona. Calcado na minissérie "Batman: Ano Um" do mestre Frank Miller, contando a história desde o início e principalmente configurando a trama nos motivos que levam um bilionário sair pela cidade vestido de morcego e enfrentando bandidos, atraído pelo duo vingança e justiça, se constitui um grande filme, tanto na parte técnica quanto no desempenho convincente da maioria dos atores do elenco.

Com um elenco estelar e devidamente à vontade, com nomes como Michael Caine (Mordomo Alfred), Gary Oldman (Tenente Gordon) Liam Neelson (Henri Ducard), Ken Watanabe (Rah´s Al Gui), Morgan Freeman (Fox), Rutger Hauer (Earle), Katie Holmes (Rachel Dawson), entre outros, finalmente se construiu um filme a altura e importância do personagem. Vale muito a pena assistir.

sábado, 11 de junho de 2005

Volver neles!!!

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Hoje falarei sobre a banda Volver de Recife e o excelente disco de estréia dos caras, chamado "Canções perdidas num canto qualquer", lançado pela Senhor F. Formada há dois anos por Diogénes (Guitarra), Fernando (Baixo), Doug (Bateria) e Bruno Souto (guitarra e vocal), a banda faz um rock vigoroso, para cima, com letras inteligentes, sem muita pretensão mas de uma energia arrebatadora.

Grata surpresa para mim, que não conhecia antes de Abril Pro Rock deste ano. Vi o show, comprei o disco e me surpreendi com a qualidade do som dos caras. Todo o disco é bom e podia facilmente tocar na rádio e na mtv se as mesmas não tivessem um sério problema em tocar música de qualidade (na maioria das vezes).

Canções como "Você que pediu" que abre o disco, candidatissima a hit em qualquer lugar, "Mister Bola de Cristal" e os destaques do disco "Lucy" e "Máquina do Tempo" (essa é emocionante), são de ouvir, ouvir e nunca cansar. Mais uma grande banda a surgir nesse Brasil tão repleto de coisas boas, mas que ficam meio que subjugadas ao fatídico termo "alternativo". Procurem escutar. Tenho certeza que vão gostar.

Blog dos caras: http://www.bandavolver.blogspot.com/

Bem bacana.

terça-feira, 31 de maio de 2005

"The Minus 5 - Down The Wilco" - The Minus 5 - 2003

Adr111, originally uploaded by Kalnaab.
Já tinha ouvido falar de Minus Five, inclusive muito bem, mas ainda não tinha escutado nada. Sabia que era a banda do Scott McCaughey músico de apoio do R.E.M desde a turnê do "Monster" e que o Peter Buck guitarrista da banda participava dos seus discos nesse projeto paralelo.

Eis que em uma troca de discos com o Elder do Suzana Flag (envolvendo o "In It For Money" do Supergrass) o terceiro disco chamado "Down the Wilco" de 2003 caiu nas minhas mãos, sendo que para minha grata surpresa ainda o disco foi feito junto com o Wilco, uma das minhas bandas americanas preferidas nos últimos 10 anos, além do Ken Stringfellow do The Posies também fazer parte do grupo. E que discaço é esse.

Scott tem uma voz muito particular e aliada aos instrumentos de Jeff Tweddy do Wilco (um mini gênio) e Peter Buck, o resultado do álbum é simplesmente fantástico. Um delicioso pop retrô com influências das bandas dos anos 60, The Beatles, The Byrds e porque não um pouco de R.E.M e Wilco. Fazia muito tempo que não me apaixonava tanto por um disco com essa intensidade, dessa maneira. O som da banda serve para qualquer hora do dia, qualquer momento, melodias saltam aos ouvidos, pianos encenam o palco para os arranjos cativarem os ouvidos mais incautos.

Dividido em três partes ou três "capítulos", as letras contam uma forma de história entre elas, falando de coisas simples, com um humor bem peculiar aliado a uma sensação de nostalgia que embate no ar a todo momento. Impossível ficar indiferente a canções como: "Days of Wine and Boyze" que abre o disco, a beatle "I´m not Bitter", o momento Byrds em "Where Will You Go? (com um arranjo indefectível de Buck), a super e bela pérola pop "Retrieval of You" ou a singela "Daggers Draw".

Não paro de escutar o disco, sei lá, simplesmente não consigo, portanto roubem, enganem, mintam, cometam o crime que for mas não deixem de escutar esse álbum, a beleza das canções e o sorriso no rosto ao ouvi-las vale qualquer esforço. Simplesmente genial. Ou soberbo. Ou qualquer outro adjetivo que não consigo me lembrar agora é que expresse algo fantástico, sublime. É isso.

segunda-feira, 30 de maio de 2005

Edukators

Edukators, originally uploaded by Kalnaab.

Há muito tempo atrás haviam acaloradas discussões sobre os males do capitalismo, sobre a luta de classes, distribuição de renda, o capital como vilão para todos os males da humanidade e coisas do tipo, vindo da doutrina esquerdista, de revoluções marxistas e de movimentos radicais. Ok, não faz tanto tempo assim, e até hoje ainda ouvimos ecos pelos cantos do mundo. Acontece que tanta coisa mudou em tão pouco tempo que parece que isso já tem milhares de anos, anos de guerra fria, de URSS, de socialismo radical, do Muro de Berlim.

Entrando nesse clima, surpreendeu-me muito o filme alemão "The Edukators" do diretor Hans Wein Gartner, pela contexto em que é inserido e da forma que determinados temas são absorvidos e demonstrados. Situado na Berlim atual, dois amigos Jan (Daniel Brul do excelente "Adeus Lênin") e Peter (Stipe Erceg) se auto denominam "Os Educadores", invadindo mansões de milionários, remexendo os móveis, bagunçando os objetos, mas sem roubar nada, apenas deixando mensagens como: "Seus dias de fortuna estão contados", seguindo sua própria revolução e sua concepção de "luta" contra o "sistema capitalista".

Em determinada parte do filme entra em ação Jule (Julia Lentsch) uma garota bonita, singela, namorada de Peter que se junta aos Educadores e desenvolve um triângulo amoroso na trama com Jan, que na verdade é o que menos vale no filme (que acima de tudo pode-se chamar de "romance"). Quando as coisas passam do limite e eles são obrigados a seqüestrar um de seus alvos, as relações descambam, verdades são corrompidas, mentiras se tornam habituais, ideologias são ratificadas e o mundo toma uma proporção infinitamente superior ao que pode ser.

Durante o longa são jogadas teorias e ideais pelos quatro cantos, em uma mesma mesa pode-se ter uma discussão de todos os lados dessa moeda, no entanto sem ter verdades absolutas, ou razões confirmadas. Esse é o grande mérito do filme. Apoiado no excelente desempenho do trio de protagonistas com atuações mais do que convincentes, entramos em mundo que parecia meio perdido e até analisamos os nossos ideais de outrora e a forma com que vivemos hoje em dia. Nos identificamos com argumentos de ambos os lados e acabamos por pensar um pouco, só isso já valeria a pena para ver o filme, além do fato de ser excelente.