domingo, 16 de novembro de 2008

"Sonic Youth - Dormindo Noites Acordadas" - 2007

O ano era 2006 e o Sonic Youth passava com sua turnê do ótimo “Rapper Ripped” pela cidade de Reno, no estado de Nevada, nos USA. Um grupo de jovens liderados pelo diretor Michael Albright resolveu documentar em preto e branco um dia na vida dos músicos e evidentemente gravar o show da banda por aquelas paragens que há muitos anos não tocavam.
O documentário que ganhou o título de “Dormindo Noites Acordadas (Sleeping Nights Awake)” foi o primeiro trabalho do Project Moonshine, uma organização sem fins lucrativos com o intuito de ensinar cinema para adolescentes. O filme com seus poucos mais de 85 minutos é bem divertido e passa por interpretações da banda para canções como “Incinerate”, “Shaking Hell”, “Kool Thing” e “100%”, além da excelente "Do You Believe In Rapture?" como pano de fundo.
Esquecendo a digamos assim, falta de experiência, daqueles que estão atrás das câmeras, “Dormindo Noites Acordadas” é uma ótima diversão. Principalmente para os fãs da banda ou aqueles que conhecem um pouco a sua história. Os depoimentos de Thurston More, Kim Gordon e Lee Ranaldo são abertos, espontâneos, totalmente condizentes com a atitude que a banda sempre teve na carreira.
Entre a sinceridade de Kim Gordon, as peraltices e piadas de Thurston Moore e o papo nerd e meio sem sentido de Lee Ranaldo, somos apresentados aos fãs, as guitarras, pequenas histórias e um ou outro segredo banal. Uma das bandas mais importantes das ultimas três décadas focada em meio ao seu cotidiano, sem grandes alarmes ou maiores surpresas, apenas seguindo a sua vida normal.
Para ver o trailer, passe aqui.
Site do Projeto Moonshine: http://www.projectmoonshine.org

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

"Black Music" - Arthur Dapieve

A violência está cada vez mais espalhada país afora. Em grandes cidades, como o Rio de Janeiro a situação chega a beirar o absurdo. Como tratar disso sem recorrer a maneiras não tão usuais? Como abordar o tema, sem esbarrar na mesma estrutura de sempre? O jornalista Arthur Dapieve tenta um caminho paralelo em seu segundo romance, intitulado “Black Music”(Ed. Objetiva, 112 páginas) e consegue um resultado bastante interessante. Dapieve usa novamente o Rio de Janeiro, como pano de fundo e personagem coadjuvante da história, assim como fez no seu livro anterior “De Cada Amor Tu Herdarás Só o Cinismo”. Em seu novo livro, o escritor carioca aborda a violência sem se preocupar com questões sócio econômicas ou políticas (apesar de elas estarem presentes) e tenta passar uma história que infelizmente é cotidiana, de maneira casual, usando e abusando do humor negro em vários momentos. Na trama, somos apresentados a Michael Philips, um adolescente norte americano de 13 anos, que mora no Rio, pois seu pai trabalha na cidade. O garoto é apaixonado por jazz e basquete. Quando está saindo da aula em um dia como qualquer outro, é abordado por três pessoas com máscaras de Osama Bin Laden, que o seqüestram e levam para um morro qualquer, com o intuito de conseguir o resgate para comprar mais armas da polícia por causa da guerra com outro morro. Ao chegar no barraco e ser devidamente “instalado”, Michael é apresentado para o “dono” do morro e responsável por ele estar ali. O ‘dono” é um garoto magro, com espinhas, meio louro, de 17 anos que é conhecido por “He-Man”. Para cuidar do seqüestrado, He-Man destaca uma de suas namoradas, a gostosona Jô que passa a alimentar e cuidar do garoto. Logo um triângulo se estabelece e abre precedentes para um monte de coisa acontecer. Após um pequeno prólogo, Dapieve conta sua história do ponto de vista dos três envolvidos, exemplificando bem a diferença entre eles tanto na maneira de se expressar quanto na maneira de enxergar a sua vida e o mundo que os cerca. “Black Music” com sua narrativa ágil, entrecortando mundos, culturas e referências, diverte ao mesmo tempo em que cutuca uma ferida que já se encontra aberta, expondo ela de um ângulo relativamente “novo”. “Black Music” convence bem e vale a leitura. Para saber mais sobre o livro anterior do autor, passe aqui.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

R.E.M - Via Funchal (SP) - 10.11.2008

Existem certas coisas na vida que carecem de explicação. Procuramos e procuramos palavras para definir e acaba-se por não se contentar com nenhuma. O show do R.E.M ontem no Via Funchal em São Paulo é uma dessas situações. Por mais que venha a mente, palavras como sublime, perfeito, mágico, encantador ou maravilhoso, ainda assim estas parecem ser pequenas para mensurar a apresentação. Talvez se juntássemos todas e a partir delas viesse algo novo, isto poderia servir. Talvez.
A banda que passa pela segunda vez no país (primeira em São Paulo), deixou os fãs com momentos para sonhar por um bom período de anos. O show traz na bagagem o mais recente trabalho do grupo, o excelente “Accelerate”, além de hits e mais hits de quase trinta anos de carreira. A banda abriu com “Living Well Is The Best Revenge” e “I Took Your Name” para depois entrar com a setentista “What´s The Frequency, Kennety?” e levar todos ao delírio pela primeira de muitas vezes.
Em seguida Michael Stipe cantaria “Fall On Me”, em que os backing vocals de Mike Mills emocionaram muito mais que o habitual. “Drive” que veio a seguir já encontrou uma platéia totalmente entregue, que cantava junto e aderia ao transe da canção. Em seguida uma música do novo disco, “Man-Sized Wreath”, “Ignoreland” do Automatic For The People em versão poderosíssima e mais uma do último trabalh,o “Hollow Man” que foi devidamente inserida por Stipe, com um discurso de crença nos USA e em seu novo presidente Barack Obama que aparecia nos telões.
“Electrolite” chegaria para causar um dos pontos altos da apresentação. Um dos momentos mais mágicos que já passei na frente de um palco. “The Great Beyond” veio antes de mais alguns minutos que beiraram o transcendental, “Everbody Hurts” fez chorar, sonhar, lembrar. Díficil esquecer. Depois mais um grande hit, “Imitation Of Life”, levantou de novo a apresentação. Em “She Just Wants To Be”, Michael deu um show a parte. Dançou, rebolou, entrou em estado hipnótico. “The One I Love”, outro mega hit, levou novamente todos ao delírio enquanto gritavam o refrão a pedido do vocalista.
O show poderia ter parado ali que já teria valido a pena. Mas teve mais, muito mais. Em um momento ímpar, a banda tirou da cartola a bela “Swetness Follows” para surpresa de muitos e fez um set acústico com todos juntos, que contou também com “Let Me In”. Assombroso. Depois novamente as guitarras falaram mais alto e veio as rápidas e potentes “Bad Day”, “Horse To Water” e “Orange Crush”(esta para delírio geral). Para encerrar, o clássico “It´s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)” jogava fogo na platéia que ensadencia enquanto gritava a todo vapor o refrão.
Quando a banda encerrou essa primeira parte, no palco vinha a frase “Quer mais R.E.M?”. Quase o Via Funchal veio a baixo. A banda volta com Mike Mills de camisa 7 do Brasil e a banda engata o mais novo hit “Supernatural Superserious”, que funciona perfeitamente. Depois o público e a banda parecem um só, “Losing My Religion” envolve todos de maneira única. “Animal” vem em seguida, abrindo caminho para Mike Mills encantar cantando uma antiga canção, o country rock “(Don´t Go Back To) Rockville” que também emocionou muito, principalmente os mais velhos.
Para fechar as duas horas de apresentação, a banda tocou “Man On The Moon” e o público retirou suas últimas forças para pular e cantar mais um dos clássicos de Stipe, Mills e Buck. Fim de show e o público presente contemplava grato e esperançoso de mais um retorno. As feições esbanjavam satisfação. Ao vivo, o R.E.M provou porque é uma das maiores bandas da história. Stipe é genuíno. Sorri, canta, dança e provoca porque quer, porque se sente bem. Mills é genial. Buck, o anti guitar hero fantástico. A banda já deixa saudades e momentos que serão lembrados por muitos e muitos anos.

domingo, 9 de novembro de 2008

Festival Planeta Terra - Vila dos Galpões (SP) - 08.11.2008

Prólogo: 08 de novembro de 2008. Vila dos Galpões, São Paulo. Dia marcado para a segunda edição do Festival Planeta Terra. Um dia que ficará para sempre marcado na memória de grande parte dos 15 mil presentes.
Quando cheguei no complexo que abrigaria o festival, já tinha rolado coisas legais como Vanguart (que queria muito ver) e Curumin. Cheguei no final da apresentação da Mallu Magalhães, mas nem dei muita atenção e saí direto para o palco indie, onde começaria um dos show mais esperados da noite, o Animal Collective. Infelizmente, a banda teve vários problemas técnicos de som e o seu experimentalismo ficou confuso e não conseguiu funcionar. Decepcionante.
Saí bem antes de terminar e me preparei para a maior expectativa da noite, os irmãos Reid e o seu Jesus And Mary Chain, banda seminal que marcou época com suas canções. Como a banda nunca primou por grandes shows, tudo estava meio incerto quanto a sua apresentação. Incerteza que foi jogada fora quando a banda destilou quinze músicas em mais ou menos uma hora de show. O repertório escolhido privelegiou clássicos e canções um pouco mais agitadas.
Começou com “Snakedriver”, “Head On” e “Far Gone And Out” e passou por “Happy When It Rains”, “Some Candy Talking”, “Blues From a Gun”, “Just Like Honey” e “Teenage Lust”, entre outras. Jim Reid cantava de maneira próxima ao sublime, enquanto baixo e bateria comandavam o transe hipnótico que abria caminho para as guitarras sujas de William Reid, com seus riffs minimalistas e certeiros. “Reverence” encerrou uma apresentação em que era comum ver as pessoas lagrimando e chorando. Muito, mas muito emocionante.
Depois do Jesus, tudo que viesse era lucro. O Offspring empolgou no palco principal, enquanto o Foals e o Spoon fizeram shows basntante comentados no palco indie (que não vi). Ainda teve o Bloc Party, que apesar de não ter visto, parece também não ter empolgado. O outro grande show da noite estava por vir. No palco indie, Kim Deal (Pixies) começou botando tudo para cima com seu Breeders. Apresentação quase impecável.
Calcando o repertório nos dois primeiros discos “Pod” e a pequena obra prima “Last Splash”, Kim Deal se divertiu, brincou, zoou e se emocionou com o público que cantou junto músicas como “No Aloha”, “Cannonbal”, “Saints”, Drivin´ On 9” e principalmente “Divine Hammer”. Ainda teve músicas dos Beatles (“Hapiness Is A Warm Gun) e The Amps no meio da história. Show para ficar na memória e ser lembrado por muitos e muitos anos.
Logo depois coube ao Kaiser Chiefs encerrar a noite. Muitos consideraram o melhor show da noite. Eu sinceramente não achei isso tudo. Apesar da banda ter um bom par de hits, ainda precisa evoluir muito no palco. Falta sal. Talvez funcionasse melhor no palco indie. Sai antes do meio da apresentação, pois minha missão já estava devidamente finalizada com os shows do Jesus e Breeders, em um festival muito profissional e organizado. Que venha 2009!!

sábado, 8 de novembro de 2008

Mombojó - Stúdio Sp (SP) - 07.11.2008

Já fazia um bom tempo que eu não assistia a um show do Mombojó. A banda, uma das prediletas aqui da casa, demonstrou toda a força e balanço das suas canções na última sexta feira, dia 07 no Stúdio Sp, na Rua Augusta. Felipe S. e seus comparsas comandaram um show bastante agradável, repleto de momentos ótimos e fazendo a maioria dos presentes cantar junto com ele.
O repertório do show transita entre os dois discos da banda, “Nadadenovo” e “Homem-Espuma”, além de incluir algumas canções que estarão presentes no próximo álbum que deverá ser lançado no primeiro semestre do ano que vem. O show começou com “A Missa” e depois passeou pelos hits internos “Adelaide”, “Merda” (um dos momentos altos), “Novo Prazer”, “O Mais Vendido” e “Realismo Convicente”.
A banda apresentou algumas canções novas, em que percebe-se uma pequena influência do projeto Del Rey, que os caras tocam com o China, com destaque maior para “Casa Caiada” que botou todo mundo para cima. Os momentos mais altos ficaram com “O Céu, O Sol e O Mar”, com participação do China em dueto e o final apoteótico e poderoso com “Deixe-se Acreditar”.
Depois do show, a sensação de satisfação era totalmente presente. Fica dificil de entender porque uma banda como o Mombojó não consegue estourar. As músicas tem apelo pop, são dançantes, bem tocadas e sempre bem apresentadas ao vivo. Coisas do Brasil. Agora é esperar o que eles irão aprontar no terceiro disco que nascerá no ano que vem. Com certeza virá coisa boa.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

"Acima da Chuva" - Volver - 2008

Era Abril de 2005 e eu estava em Recife para o Abril Pro Rock. Um dos shows que mais me chamaram atenção foi o dos recifenses do Volver. Energia, melodia, guitarras bem dosadas, letras com histórias criativas. Comprei o primeiro disco dos caras, “Canções Perdidas Num Canto Qualquer”, escutei um bocado, repassei para os amigos que não conheciam e a banda se tornou bem quista na casa.
Depois de um hiato de três anos, finalmente a banda chega ao seu segundo disco, mais uma vez com a marca da Senhor F Discos. “Acima da Chuva” foi produzido conjuntamente com Léo D. (que toca piano e teclado em várias faixas) e William D. No seu segundo trabalho, a bando composta por Bruno Souto (vocal e guitarra), Fernando Barreto (baixo) e Zeca Viana (bateria) não tem mais canções perdidas, elas estão devidamente encontradas e bem tocadas.
A banda perdeu um pouquinho de energia, mas ganhou muito em termos de produção e composição. As influências continuam abraçando Jovem Guarda, anos 60, Strokes, o atual indie rock e algumas pinceladas de Los Hermanos. “Pra Deus Implorar”, a responsável por abrir o trabalho, traz guitarras em primeiro plano e um ótimo trabalho vocal de Bruno. “Dispenso” foge um pouco a regra do disco, com violões e efeitos, esbanjando psicodelia, enquanto a “A Sorte” remete totalmente ao primeiro álbum.
Depois chega uma das melhores canções de 2008, a strokeana “Não Sei Dançar”, com sua mudança de andamento e paradinhas. Para tocar em qualquer boa festinha que se preze. “Natural”, já lembra um pouco Los Hermanos, mas tem um toque diferente, um algo mais na forma que a melodia diminui e retorna. “Tão Perto, Tão Certo” é outro hit em potencial, liberada desde o ano passado, já é conhecida por bastante gente. Para escutar bem alto.
A canção que dá nome ao disco é aquilo que costumo definir como quase-balada. Chega com a assinatura da banda. “Dia Azul”, remete a várias bandas novas no seu andamento. “Coração Atonal” é um caso a parte, amor a primeira ouvida. Começa com os versos: “Hey, girl/usei Elton John pra dizer que te amo/mas errei da sétima vez/na sétima nota do meu piano/industrialmente feito pra dizer/que eu desafino com você/nesse meu coração atonal”. Uma baladaça que flerta com os Beatles da fase Sgt. Peppers.
Para encerrar temos “Clarice”, mais uma com a marca registrada da banda e “Despedida Em Seis Por Oito”, repleta de efeitos nos vocais, sendo talvez o único momento mais baixo. Usando um clichê mais do que usual e comum, em seu segundo trabalho, os recifenses do Volver amadureceram bastante. “Acima da Chuva” é um ótimo disco, um dos melhores de um ano que já trouxe muita coisa boa.
My Space: http://www.myspace.com/volverbrasil

domingo, 2 de novembro de 2008

"Dear Science," - Tv On The Radio - 2008

Era outubro de 2006 e eu escrevia aqui no Coisapop sobre o disco “Return To Cookie Mountain” do Tv On The Radio: “o som da banda soa como se David Bowie encontrasse o Radiohead em “Ok Computer”, com a mixagem do Massive Attack e a produção de Brian Eno, com lançamento pela Motown”. Era isso. E era muita coisa mais. O quinteto do Brooklyn lançava uma obra-prima que soprava novidades para todos os lados.
Dois anos se passaram e chega a vez de Tunde Adebimpe (vocais), Kyp Malone (guitarras e vocais), Gerard Smith (baixo), Jaleel Bunton (bateria e percussão) e David Sitek (guitarras, pianos, programações e produção), lançarem o sucessor do aclamado disco de 2006. “Dear Science,” chega para mostrar a evolução da banda e ratificar todo o seu talento em mais um grande trabalho.
O Tv On The Radio de 2008 soa um pouco mais pop, o que no seu caso não significa nada gratuito ou ligeiro. Todas as texturas, junções e montagens ainda estão presentes. A mistura de funk, jazz, soul, rock, pop, blues e o que mais tiver pela frente, continua fortemente presente, ainda sendo uma tarefa bastante árdua definir a banda ou enquadrá-la em algum rótulo específico.
“Dear Science,” já começa em ritmo de avalanche com a batida frenética e o climão que depois toma conta de “Halway Home”. “Crying” chega mais lenta um pouco, quase um soul, antes de começar a embaralhar um riffzinho meio funk no meio. “Dancing Chosse”, a mais curta do disco, convida para dançar e detona um hip hop cheio de vanguarda, que depois recebe uma bela melodia sessentista.
“Stork And Owl” chega com pequenos efeitos no ínicio, criando uma cama toda especial para o vocal que lembra desde Bono, até Bowie e Lou Reed, enquanto os climinhas vão se dissipando no ar. “Golden Age” é quase uma disco-music, com vocal em falsete, chegando em uma pequena apoteose no refrão. “Family Tree” de letra bastante intensa e com um piano tomando a frente é uma das mais fortes canções do trabalho. Muito bonita.
“Red Dress” mistura funk, com o rap dos anos 80 e 90, para explodir mais na frente, enquanto os metais coordenados pelo saxofonista Martin Perna tomam a canção. “Love Dog” carrega um bonito arranjo vocal, enquanto as bases são quebradas constantemente. “Shout Me Out” vem charmosa, bem pop, apesar dos efeitos que a circundam. “DLZ” começa meio R&B e vai ganhando em peso mais pro final. “Lover´s Day” encerra a conta, mantendo o alto nível.
Com “Dear Science,”, O Tv On The Radio se consolida de vez no cenário mundial e crava mais um excelente disco na sua curta carreira, que ainda promete muito, mas muito mais pela frente. Pare, sente, escute, aprecie e depois escute novamente e novamente um dos melhores trabalhos de 2008.
Site Oficial:
http://www.tvontheradio.com
My Space:
http://www.myspace.com/tvotr
Mais sobre a banda no Coisapop, passe aqui e aqui.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

"Life As a Sinner" - Grenade - 2008

Rodrigo Guedes parece ser o tipo de cara que não desiste nunca. Enquanto o rock brasileiro passava por maus momentos nos anos 90, ele tocava o Killing Chainsaw, banda cultuada até hoje no cenário independente. Quando a banda acabou, montou o Grenade e manteve a excelência no disco de estréia homônimo de 2004. Rodrigo Guedes é um daqueles caras que tocam seus projetos cantando em inglês e fazem bonito.
O Grenade que atualmente está se preparando para um novo disco (sem data confirmada), colocou de maneira gratuita na web esse ano, “Life As a Sinner”, o sucessor do primeiro trabalho que foi gravado em 2005 e deveria ter dado luz em 2006, mas por problemas diversos, só chega agora aos nossos ouvidos. “Life As a Sinner”, abraça de vez o rock americano de maneira geral, esquece um pouco os improvisos e enche o ar de guitarras e boas melodias.
Tudo passa para cima e envolvente, com influências do rock americano safra 80, com toques dos anos 90. Pode escolher entre faixas como “You Know”, “The Laws”, “Something Is Gonna Change Now”, “Babe You Have No Faith On Me”, “Something Between Me And You Will Break” ou “Secretly” que tudo desce redondo, redondo, sem qualquer efeito colateral.
Rodrigo e seus comparsas, Paulo Gutierrez (baixo), Vitor Gorni (bateria) e nesse disco ainda o Eric (guitarra), promovem um rock competentíssimo, sem data de validade para consumo. Longa vida ao Grenade!
Site Oficial: http://www.grenade.com.br
Blog: http://www.grenadeband.blogspot.com
Para baixar “Life As a Sinner”, disponibilizado pela banda, passe aqui.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

"Soul" - Seal - 2008

Ficar marcado para o resto da vida por causa de uma só coisa deve ser frustrante. Isso no mundo da música é bem pior. Vários artistas ou bandas serão sempre lembrados apenas por uma música, limitando suas carreiras a isso. Algumas vezes isso pode ser justo, mas em outras é completamente injusto. O cantor inglês Seal, cabe muito bem nesse segundo grupo.
Muitos lembram dele apenas como o cantor dos sucessos “Kiss From A Rose” e “Crazy”, como se sua carreira fosse somente isso. Desde 1991 lançando discos, o cantor sempre fez uma mistura bem azeitada de dance music com o soul. Apesar de alguns deslizes durante os anos, resultando em discos bem mais ou menos, o saldo de sua vida artística pode ser considerado bom.
Após lançar o apenas mediano “System” no ano passado, o cantor volta em 2008, com o álbum “Soul”, em que revisita onze grandes canções do genêro, passando por nomes como Sam Cooke, James Brown, Otis Redding e Al Green. Sobre o trabalho o músico falou: “esse é um disco atemporal e que agrega muito do que sempre ouvi. Era inevitável gravar algo disso”.
Em “Soul”, Seal dá um verdadeiro show, canta com paixão um repertório muito bem escolhido variando entre estandartes e canções menos conhecidas, destilando todo o seu talento vocal. O libelo sessentista “A Change Is Gonna Come” de Sam Cooke abre os trabalhos em arranjos inspirados, para ser seguido por uma bela sequência de canções que merecem ser escutadas diariamente.
Destaques maiores para as versões de “I've Been Loving You Too Long” de Otis Reding, a ensolarada “It´s Alright” dos Impressions, a balada “If You Don't Know Me By Now” (já gravada pelo Simply Red) do Harold Melvin and the Blue Notes, aqui em versão inspiradíssima e uma bonita e emocionante releitura do clássico “Stand By Me” de Ben E. King, imortalizada por John Lennon.
Vale bem a pena.
Site Oficial: http://www.seal.com

domingo, 26 de outubro de 2008

"Bella" - 2006

O que fazer quando sua vida desanda? Seja por um pequeno detalhe, um capricho do destino ou por culpa de decisões que você tenha tomado. O que fazer para seguir em frente? Como consertar um pedaço de tudo? Essas perguntas são apresentadas durante a vida em menores ou maiores escalas, dentro de pequenos frascos ou em embalagens de 2 litros, mas sempre se fazem presentes e como respondemos a elas, podem definir uma parte do futuro.
Em “Bella”, filme do diretor Alejandro Gomez Monteverde, essas perguntas se fazem presentes a todo momento. Originalmente produzido em 2006, somente este ano desembarcou no país, sina de grande parte dos filmes independentes produzidos mundo afora. “Bella” carrega em seus personagens o sentimento de perda, de incapacidade de reagir e de tristeza, que precisam ser suprimidos em busca de redenção ou de uma nova vida.
No longa, somos apresentados a José (Eduardo Verástegui) um jogador de futebol que acaba de acertar sua transferência para um grande clube da europa, quando um acidente muda toda sua vida. Nina (Tammy Blanchard) é uma garçonete que já não tem uma vida muito fácil e vê tudo girar quando descobre que está grávida e acaba de perder seu emprego no restaurante em que José, agora longe do futebol, é o chef da cozinha.
Em meio a isso, Nina se vê amparada por José e pela primeira vez parece ter algum conforto. José por sua vez encontra em Nina uma maneira de erradicar todos os pequenos conflitos e culpas que carrega em si. Com uma direção bem competente, trazendo a cidade de Nova York em alguns momentos como coadjuvante e com um bom trabalho dos atores, principalmente da dupla principal, “Bella” consegue com simplicidade ser um ótimo filme.
“Bella” é um filme que versa sobre a vida, sobre família, sobre seguir em frente, ultrapassar obstáculos, espantar nossos demônios e culpas e achar novos caminhos. Um filme que não vende ilusões (apesar de elas estarem presentes) e centra seu foco na força dos seres humanos em não pararem, mesmo que estejam um pouco feridos e mal tratados. Um filme assim faz muito bem de vez em quando.
Site Oficial: http://www.bellamoviesite.com