Para quem gosta da música dos anos 50 e 60, o nome de Leonard Chess é sinônimo de qualidade. A frente da gravadora Chess Records, esse polonês abrigou nomes do porte de Muddy Waters, Little Walter, Willie Dixon, Howlin' Wolf, Chuck Berry e Etta James. Em 1969 após vender a gravadora em Chicago, morreu vítima de um ataque cardíaco deixando para a posteridade o seu nome cravado na história do blues e do rock n’roll.
A trajetória de Chess e da sua gravadora ganhou uma homenagem cinematográfica ano passado pelas mãos do diretor Darnell Martin. “Cadillac Records” (uma referência aos carros que Chess presenteava seus músicos) está disponível em DVD, não passando por exibição na grande tela (até onde eu sei). Nele temos uma bonita crônica da vida desses músicos fantásticos, apesar da leveza e superficialidade com que alguns temas são tratados.
Adrien Brody (“O Pianista”) foi indicado para fazer o papel do personagem principal, mantendo uma atuação apenas razoável. Aliás, a atuação dos atores é um ponto fraco do filme, pois se encontram apenas na média comum, sem nada espetacular, exceção feita talvez para Chuck Berry (Mos Def) e Little Walter (Columbus Short). Cabe também uma menção honrosa para Beyoncé Knowles que convence bem como Etta James, principalmente quando solta a voz.
O filme é narrado por Willie Dixon (Cedric The Entertainer), que tantas músicas compôs para os artistas da época e vem desde o envolvimento de Leonard Chess com Muddy Water (Jeffrey Wright), que juntos começaram toda a história com a clássica “I Can´t Be Satisfied” para passar por vários eventos, como a ascensão de Chuck Berry com “Maybelline”, a “guerra fria” entre Muddy Waters e Howlin' Wolf, as loucuras de Little Walter e o envolvimento de Etta James com drogas e álcool.
Por abrigar tantas histórias juntas em apenas um filme de quase duas horas de duração, o diretor Darnell Martin às vezes se perde um pouco e não sabe para qual história dar preferência. Mesmo com esse defeito, até certo ponto aceitável, pois é complicado passar por tanta história em tão pouco tempo, “Cadillac Records” é capaz de divertir e agradar em boas doses, além de servir para apresentar músicos fantásticos para toda uma nova geração.terça-feira, 29 de setembro de 2009
"Cadillac Records" - 2008
Para quem gosta da música dos anos 50 e 60, o nome de Leonard Chess é sinônimo de qualidade. A frente da gravadora Chess Records, esse polonês abrigou nomes do porte de Muddy Waters, Little Walter, Willie Dixon, Howlin' Wolf, Chuck Berry e Etta James. Em 1969 após vender a gravadora em Chicago, morreu vítima de um ataque cardíaco deixando para a posteridade o seu nome cravado na história do blues e do rock n’roll.
A trajetória de Chess e da sua gravadora ganhou uma homenagem cinematográfica ano passado pelas mãos do diretor Darnell Martin. “Cadillac Records” (uma referência aos carros que Chess presenteava seus músicos) está disponível em DVD, não passando por exibição na grande tela (até onde eu sei). Nele temos uma bonita crônica da vida desses músicos fantásticos, apesar da leveza e superficialidade com que alguns temas são tratados.
Adrien Brody (“O Pianista”) foi indicado para fazer o papel do personagem principal, mantendo uma atuação apenas razoável. Aliás, a atuação dos atores é um ponto fraco do filme, pois se encontram apenas na média comum, sem nada espetacular, exceção feita talvez para Chuck Berry (Mos Def) e Little Walter (Columbus Short). Cabe também uma menção honrosa para Beyoncé Knowles que convence bem como Etta James, principalmente quando solta a voz.
O filme é narrado por Willie Dixon (Cedric The Entertainer), que tantas músicas compôs para os artistas da época e vem desde o envolvimento de Leonard Chess com Muddy Water (Jeffrey Wright), que juntos começaram toda a história com a clássica “I Can´t Be Satisfied” para passar por vários eventos, como a ascensão de Chuck Berry com “Maybelline”, a “guerra fria” entre Muddy Waters e Howlin' Wolf, as loucuras de Little Walter e o envolvimento de Etta James com drogas e álcool.
Por abrigar tantas histórias juntas em apenas um filme de quase duas horas de duração, o diretor Darnell Martin às vezes se perde um pouco e não sabe para qual história dar preferência. Mesmo com esse defeito, até certo ponto aceitável, pois é complicado passar por tanta história em tão pouco tempo, “Cadillac Records” é capaz de divertir e agradar em boas doses, além de servir para apresentar músicos fantásticos para toda uma nova geração.domingo, 27 de setembro de 2009
"Millennium - A Menina Que Brincava Com Fogo" - Stieg Larsson
“A Menina Que Brincava Com Fogo” é o segundo livro da trilogia “Millennium”, criada pelo escritor sueco Stieg Larsson, conseguindo ser mais interessante que "Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”, seu antecessor. Lançado esse ano aqui no país novamente pela Companhia Das Letras, o livro traz em suas 608 páginas o retorno do jornalista Mikael Blomqvist e da hacker temperamental Lisbeth Salander, os anti-heróis da série.
A nova trama ocorre mais de um ano depois dos acontecimentos do caso Wennerström, que quase afundou a revista de Mikael Blomqvist, a Millennium, como também de todo o drama passado no seio da família Vanger. Do ponto que a nova história começa, Blomqvist toca uma renascida revista junto com sua sócia e amante Erika Berger enquanto Lisbeth Salander desfruta dos bilhões “retirados” de Wennerström viajando mundo afora.
Enquanto a vida dos dois vai caminhando, um jornalista chamado Dag Svensson entra na vida da Millennium. Dag está com uma matéria e um livro para serem publicados que intenciona denunciar o comércio do sexo na Suécia, o que irá mexer com policiais, juízes e políticos, causando um imenso alvoroço. Na sua cruzada, Dag conta com sua mulher, Mia Bergman, que também tem uma tese de doutorado explosiva sobre o assunto.
Pouco tempo antes da matéria ser publicada, três assassinatos acontecem e deixam tudo em suspenso. Pior ainda, Lisbeth Salander é indiciada pela polícia como responsável pelos crimes. Tal fato simplesmente não entra na cabeça de Blomqvist, que começa a juntar as peças do quebra cabeça para ajudar sua inconstante amiga, enquanto a mídia em uma critica feroz de Stieg Larsson, começa a jogar para o público todo tipo de notícia sem escrúpulos e sensacionalista.
Uma das grandes vantagens em relação ao livro anterior é que em “A Menina Que Brincava Com Fogo” a trama vai surpreendendo e o final não é anunciado precocemente. Outro ponto é que Stieg Larsson consegue criar personagens coadjuvantes mais interessantes, que vão se sucedendo com seus próprios dramas pessoais no desenrolar da história. O autor ao dominar melhor sua narrativa e criar uma trama mais amarrada, deixa uma ótima expectativa para o derradeiro livro de “Millennium”. Vejamos mais a frente.
Sobre o primeiro livro da série, passe aqui. sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Curumin - Boteco São Matheus (PA) - 24.09.2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
“Haih Or Amortecedor” - Os Mutantes - 2009
A espera por “Haih Or Amortecedor”, o primeiro disco de inéditas dos Mutantes depois de mais de 30 anos era um misto de expectativa (20%) e medo (80%). Depois do retorno triunfante em 2006 e 2007, com Arnaldo Baptista de volta e shows memoráveis no Barbican Theatre em Londres e na Virada Cultural de São Paulo, a história bem que podia ter parado por aí. Entretanto, Sérgio Dias resolveu levar o barco sozinho novamente.
A expectativa existia porque sempre que algo tiver a marca do grupo, isso será normal. Já o medo vinha por conta de apenas Sérgio Dias e Dinho Leme da formação original estarem presentes, sendo que o guitarrista/cantor podia muito bem fazer o som progressivo de quando tocou o grupo nos anos 70. Para o bem do nome “Mutantes”, Sérgio Dias se focou nos anos juntos com Rita Lee e Arnaldo Baptista para compor novamente.
“Haih Or Amortecedor” não tem edição nacional ainda, apesar de ter sido lançado em quase todo centro importante da música. Um absurdo que infelizmente beira a normalidade, já que o tratamento aqui nunca foi o mesmo se comparado ao recebido lá fora. Apesar de ser um disco apenas razoável, “Haih Or Amortecedor” não arremessa o nome do grupo no lixo e em algumas faixas consegue até emocionar.
Canções como “Teclar”, a ótima “Querida Querida” e “O Mensageiro” fazem esse lado que consegue até emocionar. Outras como “2000 e Agarrum”, “O Careca” (cedida por Jorge Benjor, a exemplo de “A Minha Menina” nos anos 60) e “Samba do Fidel”, são cópias ou continuações de idéias já exploradas anteriormente. Em outras como “Baghdad Blues” e “Gopala Krishna Om”, as coisas soam confusas e sem tanta inspiração.
No final, “Haih Or Amortecedor” até que não deixa um gosto ruim depois de ser escutado. Todo mundo tem que pagar suas contas e com Sérgio Dias e Dinho Leme não é diferente. Se todo mundo inventa reuniões canalhas para cobrir a conta bancária, por que eles não podem? Ao mirar na grande fase do grupo e tratar as novas músicas com essa roupagem, os (novos?) Mutantes não chegam a desagradar, mas acabam soando no máximo como se fossem uma (boa) banda cover de si mesmo. segunda-feira, 21 de setembro de 2009
“Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” - Otto - 2009
Desde que saiu do Mundo Livre S/A, Otto passeou entre elogios e críticas negativas a sua proposta musical na mesma proporção. Sempre achei interessante o seu trabalho, apesar de considerar que em alguns momentos há certos deslizes, mas nada que comprometa muito. Sem lançar nenhum disco de inéditas desde “Sem Gravidade” de 2003, que já mostrava diferenças em relação aos álbuns anteriores, o pernambucano volta à tona.
“Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” é o seu quarto disco de inéditas e sexto no total. Lançado somente no exterior por enquanto, vem angariando boas resenhas de jornais como o Boston Globe e o New York Times. O nome do disco extraído da primeira frase do clássico de Franz Kafka, “A Metamorfose”, representa muito do que se ouve nos 40 minutos, pois vemos uma transformação da sua música, ainda que esta seja sutil e não tão drástica como a imaginada por Kafka.
Com um certo desgosto por gravadoras, Otto resolveu construir o seu novo disco todo baseado na amizade. A banda é composta por Fernando Catatau do Cidadão Instigado na guitarra, além de Dengue e Pupillo da Nação Zumbi respectivamente no baixo e bateria. Pupillo também ajudou na produção e a gravação foi feita no estúdio Totem de propriedade de Fernando Catatau e Kalil Aiala. A capa ficou por conta do artista pernambucano Tunga.
Nas 10 faixas temos a participação especial de Céu, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado) e da mexicana vencedora do Grammy, Julieta Venegas. “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” é um disco mais orgânico, com maior influência do rock e da mpb, mais melódico, mas sem deixar de lado a eletrônica e a mistura de ritmos que Otto sempre promoveu. Sem dúvida é o trabalho mais acessível da discografia do artista até aqui.
Todas as faixas descem redondas, sendo que a parceria com Céu em “O Leite”, a visceral “Crua”, a poderosa “6 Minutos” com uma interpretação forte de Otto e de Fernando Catatau na guitarra, além da releitura de “Naquela Mesa” do repertório de Nelson Gonçalves, merecem um maior destaque. No seu novo disco, Otto acerta em cheio e com simplicidade e na base da amizade cria o seu melhor registro até agora.
Site Oficial: http://trama.uol.com.br/otto
sábado, 19 de setembro de 2009
Arnaldo Antunes - Vegas Club (PA) - 18.09.2009
Sexta feira na cidade das Mangueiras. A noite guarda uma boa pedida, pois o ex-Titãs Arnaldo Antunes desembarca na cidade para um show e promoção do seu novo trabalho lançado recentemente, chamado “Iê Iê Iê”. Em torno da expectativa com relação ao local, a discoteca Vegas Club, o repertório do show e se a banda que gravou o novo disco viria ou não, algumas conversas foram sendo jogadas fora enquanto as portas não abriam.
O local escolhido agradou logo, bem climatizado, bom espaço, ideal para shows desse porte. Quanto ao repertório, soube-se logo na entrada, pois o novo show está sendo patrocinado por uma grande empresa (Natura) e programas foram sendo distribuídos. Quanto a banda, seria a mesma do disco, com feras como Edgard Scandurra na guitarra e Curumin na bateria, além de Chico Salem no violão e guitarra, Betão Aguiar no baixo e Marcelo Janed nos teclados.
Arnaldo lançou o novo disco em um show que ainda vai visitar várias cidades e que Belém viu quase em primeira mão. Quando as luzes se apagaram, uma grata surpresa aconteceu, “The Fairest of the Seasons” da Nico, extraída do ótimo disco “Chelsea Girl” tomou conta do som. Ótima entrada para o prato principal. Quando a banda entrou no palco, ela veio toda com vestida com ternos para celebrar o clima que o novo disco deve proporcionar.
“Iê Iê Iê”, o disco em questão, veste as roupas e a sonoridade dos anos 60, com um olhar fixo na jovem guarda. Do novo disco vieram dez músicas, com destaque para a faixa título, “Invejoso”, “A Casa é Sua” e as bonitas “Longe” e “Meu Coração”. Apesar da grande quantidade de músicas novas, o público acompanhava bem, dançando e se envolvendo com o espetáculo e o desempenho de Arnaldo e Edgard Scandurra.
Entremeando canções mais antigas como “Essa Mulher”, “Consumado” e “Pedido de Casamento”, com covers até inusitadas como “Americana” de Dorgival Dantas, “Pra Aquietar” do Luiz Melodia, “Quando Você Decidir” do Odair José e “Vou Festejar”, um sambão de Jorge Aragão que travestido de rock levantou todo mundo, o show foi se encaminhando para o final e o inevitável bis.
O bis inevitável veio duas vezes, primeiro com músicas como “Socorro” e para finalizar com “Cabelo”, gravada pela Gal Costa e uma versão improvisada de “O Pulso” para atender quem pedia de modo insistente. Ao sair da Vegas Club o sorriso estava no rosto, não somente pelo clima de baile dos anos 60 que perdurou, mais principalmente por ver que um artista mesmo depois de uma sólida carreira, pode sim fazer um público satisfeito sem apelar somente para os velhos sucessos. sexta-feira, 18 de setembro de 2009
"Black Hole" - Charles Burns
Dentro do mundo dos quadrinhos as mutações genéticas são uma coisa normal, criando heróis e vilões em grande escala. Poucas vezes essas mutações genéticas são olhadas pelo prisma daqueles que a conseguem, mas não herdam nada de extraordinário junto com as mudanças sofridas pelo corpo. É olhando para essa minoria que o norte americano Charles Burns construiu sua obra mais importante e visceral.
“Black Hole” foi lançada originalmente em 12 edições nos Estados Unidos e ganhou uma versão encadernada pelas mãos da Editora Conrad aqui no Brasil, dividida em dois volumes e lançada nos anos de 2007 e 2008. A obra ganhou diversos prêmios importantes, entre eles oito Harvey e o desejado Eisner Awards de melhor graphic novel. A obra também está sendo adaptada para o cinema e deve ganhar a grande tela em breve.
Em “Black Hole”, Charles Burns ambienta sua história na Seattle dos anos 70, anos onde a libertação da juventude através de drogas, sexo e álcool alcançava talvez seu maior ponto. Enquanto os jovens adentravam a esse mundo de descobertas, uma “doença” se espalhava pelos arredores transmitida através da relação sexual. Essa “doença” promovia mutações pelo corpo que variavam entre simples manchas e alterações grotescas.
Nesse meio, o autor cria alguns personagens que na seqüência do relacionamento normal da sua idade, na descoberta das paixões e tudo mais que a idade apresenta, são obrigados a abdicar de tudo e se esconder do mundo, que não os aceita e lhes tranca a porta. Com uma arte toda em preto e branco, com traços fortes e pesados, Charles Burns cria um clima tenso, sem muitas alegrias e na maioria das vezes mórbido e sem esperança.
“Black Hole” foge do lugar comum e ao fazer isso cria um universo que traz desconforto a quem está lendo ao se imaginar na pele dos personagens. Nela, Charles Burns lida com temas como preconceito, morte, escolhas e descobertas sexuais de uma maneira que vai conduzindo para um final anunciado, mas que mesmo assim provoca um grande clima de tensão e até mesmo de indignação, não mostrando salvação alguma no decorrer do caminho. quarta-feira, 16 de setembro de 2009
"Up - Altas Aventuras" - 2009
É normal em uma análise da nossa vida até o momento, olhar para trás e ver que algumas coisas que queríamos fazer ainda não foram realizadas. Na maioria das vezes isso necessariamente não é ruim, pois não indica que a vida esteja ruim, ela apenas caminhou para um lado que os nossos sonhos de infância ou adolescência não couberam. Mas não tem como evitar que sempre que esses sonhos sejam rememorados fique uma pequena ponta de dor lá no coração.
Basicamente é isso que aconteceu com Carl Fredricksen, o personagem principal da nova animação da Pixar Animation Studios, “Up-Altas Aventuras”, que aos 78 anos ainda guarda no peito a vontade de realizar o sonho de criança em voar e explorar o mundo como seu ídolo, o famoso Charles Muntz, como também de sua falecida esposa Ellie. Na eminência de perder sua casa para uma construtora de imóveis, Carl resolve então mudar sua vida.
No seu caminho, aparece uma simpática e jovem criança que bate a sua porta para querer ajudá-lo. Russell é escoteiro, mas sem muito jeito para a coisa. Muito falador, traz consigo uma carência paterna escondida. Quando vê que sua vida já não tem mais muito sentido, Carl que sempre trabalhou como vendedor de balões, resolve em uma idéia surrealista total, erguer a casa de balões e viajar com ela atrás do sonho escondido e não realizado.
Depois de encantar o mundo com “Wall-E” no ano passado, a criatividade da Pixar parece não ter fim. “Up-Altas Aventuras” combina sensibilidade e aventura de uma maneira que beira o espetacular. A direção e roteiro de Pete Docter e Bob Peterson surpreende por fazer em uma animação que o “herói” esteja longe dos padrões habituais, sendo um velhinho até meio rabugento, mas com um coração do tamanho do mundo.
A história de Carl Fredricksen pode ser encontrada em qualquer esquina que se passe, em doses menores ou elevadas. A construção de sonhos e a realização destes se faz inerente na fomentação do caminho de qualquer pessoa. A dupla Carl e Russell, assim como a relação de amor e dedicação de Carl com sua esposa Ellie, comove e diverte tanto as crianças espalhadas na sessão quanto os adultos que as levaram. Palmas para a Pixar. Novamente. segunda-feira, 14 de setembro de 2009
"Budapeste" - 2009
A adaptação para o cinema de “Budapeste”, o melhor romance de Chico Buarque, não era tarefa das mais fáceis. O livro apesar de lírico e encantador, tem várias nuances que não caberiam em um filme. Walter Carvalho que tem no currículo a direção de fotografia de filmes como “Amarelo Manga” e “Abril Despedaçado” encarou o desafio e entre erros e acertos, fez um trabalho que apesar de não ser fácil, acaba compensando se colocado na balança.
O primeiro grande acerto de Walter Carvalho é ter convidado Leonardo Medeiros (“Cabra-Cega” e “Feliz Natal”) para o papel principal. O ator domina o filme, é senhor do espetáculo e mostra a habitual dedicação. Nos erros, conta o roteiro um pouco confuso de Rita Buzzar (ok, o livro é confuso também), o excesso de cenas de nudez, desnecessárias na maioria das vezes, e a forma que o final foi desenvolvido.
Para quem não leu o livro, José Costa (Leonardo Medeiros) é apresentado pela primeira vez. Ele é carioca, casado com uma apresentadora famosa de telejornal (vivida por Giovanna Antonelli) e aparentemente tem uma vida boa. Por trás disso existe a sua real profissão, ele é ghost writer, aquele escritor que escreve para outras pessoas transferindo a autoria para estas, que passam a ser as donas da obra e colhem seus frutos.
Duas coisas acontecem para mudar o mundo de José Costa. Primeiro, um trabalho seu para um alemão que ganha o título de “O Ginógrafo”, alcança grande sucesso e isso o faz entrar literalmente em parafuso, não aceitando para si o esquecimento a que é renegado. Segundo, em uma parada forçada em Budapeste, capital da Hungria, se apaixona pela língua do país e consequentemente por Kriska (Gabriella Hámori).
Na busca por se encontrar e aceitar que a sua melhor habilidade não pode ser pública, José Costa vê a vida caminhar com turbulências, ao mesmo tempo em que confunde fatos que acredita serem reais e aquilo que possivelmente é. Comparando com o livro, “Budapeste” o filme, perde de goleada, no entanto, pela complexidade com que Chico Buarque (que faz uma ponta no longa) construiu sua obra, isso não chega a ser um grande démerito. Dê uma chance. sábado, 12 de setembro de 2009
“Judy Sucks Lemon For Breakfast” - Cornershop - 2009
Em 1997, o clipe de “Brimful Of Asha” passava constantemente na MTV. A música tinha ritmo e uma melodia pop de grudar na mente. Até o clipe era bacana. A banda responsável se chamava Cornershop, que apesar de ter alguns anos de estrada só apareceria mais nesse ano com o disco “When I Was Born For The 7th Time”, uma junção de british rock e música indiana, prazerosa e alegre. Até hoje “Brimful Of Asha” toca por aqui vez ou outra.
No entanto, na minha cabeça o Cornershop já tinha ido há muito tempo. Sem lançar nada desde o chatinho “Handcream For a Generation” de 2002, o grupo inglês encabeçado por Tjinder Singh e Ben Ayres, parecia que não ia mostrar mais nada. Ledo engano. Sete anos depois o grupo surge com mais um disco, o quinto da carreira, “Judy Sucks Lemon For Breakfast” e coloca alguns sorrisos e refrões pegajosos pelo caminho.
Dessa vez a dupla que comanda o grupo chamou para o trabalho, Pete Downing (guitarra), James Milne (baixo), Adam Blake (cítara), Peter Bengry (percussão) e Nick Simms (bateria). A mistura continua envolvendo rock britânico com música indiana, mas traz os anos 60 como mola inspiradora além de uma presença bem maior das guitarras. E o resultado disso tudo? Um dos discos mais legais de 2009, pop até a alma, para ouvir e sair cantando junto.
Já abre com “Who Fingered Rock 'n' Roll”, um saboroso rock com aparência glam, que convence extremamente bem. “Soul Scholl” traz um pianinho no comando para fluir em um pop ensolarado, lembrando Apples In Stereo. A faixa título muda tanto de andamento que parece ser várias canções em uma só. “The Roll Off Characteristics (Of History In The Making)”, tem aquele mesmo ritmo de “Brimful Of Asha”, sem o refrão grudento. Pop rock para as manhãs de domingo.
Outro bom momento é “The Mighty Quinn”, cover do Manfred Mann, para sair cantando na rua enquanto vai até a esquina comprar pão. O Cornershop desliza somente em alguns momentos como na pouco inspirada “Chamchu” e na duração de “The Turned On Truth (The Truth Is Turned On)” que com seus 16 minutos cansa um pouco. No mais, esse “Judy Sucks Lemon For Breakfast” é altamente recomendável para espantar o mau humor e melhorar um pouco a vida.
Site Oficial: http://www.cornershop.com
My Space: http://www.myspace.com/cornershop
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