Daniel Bellqvist nos vocais, Frederik Zall nas guitarras e Robert Birming na bateria começaram sua história musical por volta de 1996 em Estocolmo na Suécia e já tem quatro álbuns na bagagem, contando o ótimo “There´s Only Now” de 2001, que ganha um adversário de respeito com o belíssimo “Eskobar”, lançado este ano.
O Eskobar parte do principio que os sentimentos são parte fundamentais da vida de cada um e destilam entre baladas e folks-rock, letras abduzidas por melodias belíssimas convertendo-se em riquezas pop no sentido mais literal da palavra.
Canções como “Persona Gone Missing” e “Whatever This Town” são canções pop de mão cheia, a nostalgia abre o disco com “The Art of Letting Go” e fecha com a singular nobreza de “Champagne”, passando ainda por faixas como “Immortality” e “Be Your Side”.
Fugindo do eixo EUA, Canadá e Grã Bretanha, a Suécia nos mostra uma banda no auge do seu poder criativo que converteu todas suas influências anteriores em um trabalho único que não mexerá praticamente em nenhum aspecto da sua vida, mas proporcionará momentos de rara alegria ao seu coração e mente.
Site Oficial: http://www.eskobar.com/ quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Eskobar - Eskobar (2006)
Daniel Bellqvist nos vocais, Frederik Zall nas guitarras e Robert Birming na bateria começaram sua história musical por volta de 1996 em Estocolmo na Suécia e já tem quatro álbuns na bagagem, contando o ótimo “There´s Only Now” de 2001, que ganha um adversário de respeito com o belíssimo “Eskobar”, lançado este ano.
O Eskobar parte do principio que os sentimentos são parte fundamentais da vida de cada um e destilam entre baladas e folks-rock, letras abduzidas por melodias belíssimas convertendo-se em riquezas pop no sentido mais literal da palavra.
Canções como “Persona Gone Missing” e “Whatever This Town” são canções pop de mão cheia, a nostalgia abre o disco com “The Art of Letting Go” e fecha com a singular nobreza de “Champagne”, passando ainda por faixas como “Immortality” e “Be Your Side”.
Fugindo do eixo EUA, Canadá e Grã Bretanha, a Suécia nos mostra uma banda no auge do seu poder criativo que converteu todas suas influências anteriores em um trabalho único que não mexerá praticamente em nenhum aspecto da sua vida, mas proporcionará momentos de rara alegria ao seu coração e mente.
Site Oficial: http://www.eskobar.com/ quarta-feira, 8 de novembro de 2006
"The Great Eastern" - James Dean Bradfield - 2006
O Manic Street Preachers sempre convenceu com sua mistura de hard rock, punk e britpop inglês no decorrer dos anos 90, lançando belos discos como “Holy Bible” de 1994 e “This is My Truth Tell me Yours” de 1998. A banda inglesa que já possui alguns bons anos de estrada deu uma parada ano passado e deve voltar ano que vem sem maiores surpresas.
Nesse intervalo, seu vocalista James Dean Bradfield, colocou no mercado um grande disco, sem sombra de dúvida um dos melhores do ano, atestando que é possível que um projeto solo tenha qualidade igual ou em alguns casos até maior que a sua própria banda, sem precisar de arremedos sonoros típicos, mesmo que em determinados casos sejam recorrentes.
“The Great Eastern” lançado em julho e que há tempos vem habitando meus prediletos sonoros é simplesmente fantástico. Típico disco que te conquista na primeira faixa, faz você retornar e vai se mostrando melhor a cada momento, não tendo nenhuma canção em que você use a função de passar. “The Great Eastern” reúne os bons momentos dos Manics a uma beleza melódica que James Dean passa a usar atraves de seus violões e teclados.
Desde a música de abertura “There´s no Way to Tell a Lie”, com suas batidas, palmas e refrão ganchudo até o fechamento com os violões de “Which Way to Kyffin”, tudo convence. O músico tocou todos os instrumentos, com exceção da bateria que ficou a cargo do seu primo Sean Moore (também do Manics) e do Super Furry Animals, Daf Leuan.
Se o mundo fosse perfeito, canções como “Emigré”, “Run Romeo Run”, “Bad Boys and Painkillers” ou “Say Hello to The Pope” (a melhor canção do ano para este que escreve) estariam tocando em rádios, mtv e anúncios publicitarios. É rock, abençoado como pop, para ser devorada pelas massas ou dentro de um mp3 player no trânsito da cidade.
Tudo fecha. As guitarras bem dosadas, o vocal (sempre considerei o cara um dos melhores dos 90), os backing vocals perfeitos, entrando na hora certa e grudando na memória, as letras ora confessionais, ora sarcásticas. Tudo.
Um disco que merece ser apreciado e divulgado entre os amigos como uma das melhores coisas que aconteceram no ano, independente do que estes vão te falar, não dê ouvidos a eles, apenas ouça “The Great Eastern”.terça-feira, 7 de novembro de 2006
"Ladrão de Sonhos" - Jeunet & Caro - 1995
Existem parcerias que nunca se esgotam e sempre produzem algo de relevância, seja qual for a esfera cultural em que estiver inserida. Dentro do cinema, um desses casos são os diretores franceses Jean Pierre Jeunet e Marc Caro. Uma dupla que em 1991 produziu “Delicatessen”, um tiro na goela, esbanjando humor negro, critica social e muita vitalidade. Em 1995, os dois se reuniram novamente para trabalhar em algo um pouco diferente, uma aventura repleta de efeitos especiais e contando uma historinha de ninar, às avessas, remexida ao bel prazer da voracidade das referências arremesadas pela dupla, com um aspecto visual interessantíssimo.Assim nascia “Lá Cite Dus Enfantes Perdus” que aqui acabou como “Ladrão de Sonhos”.
A anti fábula conta a historia de Krank, que envelhece tristemente em sua torre embrulhada no meio do mar, porque não consegue sonhar, para tanto, desenvolve um plano diabólico de roubar os sonhos de crianças, não obstante precisa bastante delas. Quando sua fantástica corja, composta de clones de um cientista maluco fazem o seqüestro de Denree, seu irmão, One, um antigo caçador de baleias (interpretado por Ron Perlman de “Hellboy”) sai em busca do seu salvamento.
Meio sem jeito, One se envolve entre crianças que atuam numa gangue de ladrões a comando de uma dupla assustadora, principalmente com a menina Miette, que o ajuda na sua jornada e de onde nasce um mezzo romance de torcer o nariz dos mais conservadores.
Uma jornada avassaladora com um visual arrebatador, contada por personagens fantásticos, fazem desse conto de fadas travestido um belo entretenimento para quem gosta do gênero fantasia e acrescentou mais pontos positivos na conta da dupla “Jeunet and Caro”.
Procure na sua locadora e se delicie.
quarta-feira, 25 de outubro de 2006
"Revelations" - Audioslave (2006)
Quando o Audioslave foi criado em meados de 2001 por Chris Cornell (vocais), ex-Soundgarden e três integrantes do Rage Against The Machine, no caso Tom Morello (guitarras), Tim Commerford (baixo) e Brad Wilk (bateria), muita gente torceu o nariz, afinal de contas, projetos como esse geralmente dão certo. Hoje, cinco anos depois, dois discos lançados (os excelentes “Audioslave” de 2000 e “Out Of Exile” de 2005) e um DVD de um show histórico em Cuba, a descrença faz parte do passado, a banda assume o posto de uma das maiores da atualidade com seu som vigoroso e ao mesmo tempo melódico. “Revelations”, o novo disco do quarteto lançado mês passado está figurando entre os mais vendidos dos USA, galgando mais um degrau e se consolidando em detrimento de tantas modas passageiras que vez ou outra tomam de assalto o mercado. Com o Audioslave o rock definitivamente não morreu. Não só sobrevive nos guetos e na independência como também no mainstream. Esse novo disco talvez seja o que melhor resume a mistura entre as ex bandas dos integrantes, aliando a melodia e o peso do Soundgarden com o ritmo e a energia do RATM. O som dá uma aliviada, ganha em diversidade, amplia mais o horizonte e utiliza o funk como ferramenta musical em faixas como “One and The Same” e “Moth” que fecha o disco. Abrindo com a faixa que dá nome ao disco, a guitarra de Tom Morello se alterna entra o dedilhado e a batida, abrindo espaço para o vocal sempre arrebatador de Chris Cornell, entrando com os versos: “You know what to do/ You know what I did...”. Destaques maiores ainda também para “Original Fire”, que lembra bastante o RATM, “Somedays” e Nothing Left To Say But Goodbye”. Pode-se perceber o Audioslave de sempre em “Sound Of a Gun”, cantar junto com a quase doce “Until We Fall” com seus violões e efeitos e chutar o balde com a letra de “Wide Awake” que tem como pano de fundo o furacão Katrina para falar do governo Bush. Pode ser que esse não seja o melhor dos álbuns da banda (mesmo brigando cabeça a cabeça por isso), mas com certeza é o que melhor define sua fusão de idéias. Rock de qualidade para ser ouvido em alto e bom som, mexendo a cabeça, ditando o ritmo com o pé na bateria imaginária e notar falando sozinho “Que sonzeira boa!!” Afinal quem tem Tom Morello de guitarrista e Crhis Cornell de vocalista já começando ganhando o jogo de pelo menos uns 2 a 0.
terça-feira, 24 de outubro de 2006
"Vizontele" - Yilmaz Erdogan (2006)
O cinema é um caso fascinante, meio que do nada aparece uma produção de um país sem grande tradição e que emociona e diverte ao mesmo tempo, cativando o telespectador longe do esquemão de Hollywood. É o caso de “Vizontele”, filme turco, lançado em 2006 e que chega nas locadoras.
“Vizontele” é uma comédia divertidíssima e que foge totalmente do tradicional sem soar banal ou recorrente. O diretor Yilmaz Erdogan narra uma história que é quase uma fábula de outros tempos, rememorando uma fase mais romântica de um mundo que não se conectava tão rapidamente avalizado pelo processo da globalização.
Baseado em suas lembranças da época, o filme se passa na cidade de Hakkari na Turquia que em meados dos anos 70 tem seu sossego abalado pela chegada da primeira televisão (a “Vizontele” do título) e todo o escarcéu que a possibilidade de se ter o mundo todo dentro de uma pequena tela provoca em uma pequena e pacata cidade do interior, repleta de suas idiossincrasias e superstições.
A cidade recebe do Governo uma televisão para ser instalada, no entanto ninguém sabe como funciona. Para tanto o Prefeito convoca em meio a desconfiança de todos, um morador da cidade que é dito por uns como maluco e por outros como milagreiro (interpretado brilhantemente pelo próprio diretor) para bota-la para funcionar.
Uma verdadeira odisséia tem inicio com heróis, vilões, Dom quixotes e principalmente piadas secas com personagens completamente afetados envolvidos no processo. O humor do filme não é gratuito o que já confere grande valia, tendo uma direção simples como a própria trama.
“Vizontele” é nostalgia embalada em sorrisos, história com recheio de imbecilidade, melancolia de um tempo que as coisas pareciam ser mais fáceis, principalmente porque as pessoas tinham a grande concepção de vida de não se preocupar com nada muito importante. segunda-feira, 23 de outubro de 2006
"Manderlay" - Lars Von Trier (2005)
O dinamarquês Lars Von Trier é um grande cineasta, daqueles que qualquer trabalho chama a atenção, levando a discussões (positivas ou negativas, mas sem passar despercebido) desde que apareceu completamente ao mundo com o filme “Dançando no Escuro” de 2000. Um dos fundadores do movimento “Dogma 95”, que insiste em um cinema mais simples e natural, no entanto com muita criatividade. Em 2003, o diretor iniciou sua trilogia denominada “EUA – Terra das Oportunidades” com o filme “Dogville”, que surpreendeu com sua abordagem cética e cínica dos americanos, dentro de uma concepção diretiva quase teatral, passando inclusive pelos cenários, ou a falta deles se preferir. Ano passado, a saga de Grace (agora interpretada por Bryce Dallas Howard de “A Vila” no lugar que era de Nicole Kidman) continua em “Manderlay”, ambientado em uma cidade sulista que recebe a visita desta e de seu pai (Willem Dafoe) com seus gangstêres a procura de novos horizontes. “Manderlay” é uma fazendo que ainda continua mantendo a escravidão dos negros em 1933, mesmo depois da abolição tempos atrás. Mais uma vez Grace ao enxergar que as coisas estão erradas na sua visão, começa a fazer parte dessa intricada relação entre patrões e empregados que parece ser bem mais complicada do que o seu sentido de certo indicava. Von Trier consegue melhorar bastante sua receita cinematográfica, dirigindo seu elenco em atuações soberbas como a de Bryce Dallas Howard e singelamente Danny Glover como Wilhelm, o mais velho dos escravos e que no decorrer do filme demonstra ser uma ótima surpresa. Com um enredo bem arrumado, a receita de crítica social envolta a papéis bonitos e laços de presente, esbanja cinismo e um falso conformismo. Um tema sempre atual como o do racismo que tem raízes tão profundas quanto mal cheirosas nos USA, a terra que abre chance a todos, mas ao mesmo tempo caça aqueles que formam sua nação. Parafraseando um epílogo do clássico “V de Vingança” de Alan Moore, “Manderlay” é para aqueles que não desligam a tv quando o noticiário começa e continua achando que tudo é como acha que devia ser. Agora é esperar o final da trilogia marcada para o ano que vem com “Wasington” e se deliciar com a mais recente obra prima do diretor.
sexta-feira, 20 de outubro de 2006
"Return to Cookie Mountain" - TV On The Radio (2006)
De vez em quando nos deparamos com um disco difícil, daqueles que não andam muito depressa e que logo vai sendo removido do som. Depois você resolve dar mais uma chance e parece que as coisas vão se acertando, quanto mais o álbum toca mais nuances são descobertas, arranjos encantam e te cativam.
Isso aconteceu recentemente com “Return To Cookie Mountain” do TV On The Radio, banda de Nova York, oriunda do Brooklyn que lança seu segundo álbum pela gravadora Interscope. Para esse disco não dei só uma chance, foram diversas tentativas e sempre empacava no comentário “pretensioso e nada demais” basicamente. Até que alguns dias atrás o negócio mudou de figura. Coisas da música.quarta-feira, 18 de outubro de 2006
"Crooked rain, crooked rain" - Pavement - 1994
O ano era 1994. Não existia Rapidshare, Emule, Soulseek e coisas do tipo. Se você quisesse algum disco importado de uma banda que tinha lido pelas entrelinhas da Bizz ou publicações da época, tinha que ir atrás para comprar ou pedir para aquele seu amigo nerd que se achava o tal em música e que antes de te emprestar ia implorar mil vezes para você tomar cuidado, muito cuidado.
Sorte que nessa época o dólar estava quase igualado ao emergente Real, do plano de mesmo nome que levantou e reorganizou a nossa economia apesar dos efeitos colaterais que produziu. Dentro desse contexto nacional, uns californianos malucos lançavam lá fora um disco daqueles que o tempo não consegue apagar nem desvalorizar, um disco que ficaria para sempre guardado na memória.
Com o nonsense título de “Crooked Rain, Crooked Rain” (algo “chuva perversa, chuva perversa”), o Pavement, banda do talentoso Stephen Malkmus instituía um clássico dos anos 90. A banda já tinha produzido um grande trabalho em seu disco de estréia “Slanted and Enchated” em 1992, mas parecia que as doideras, experimentações e influências precisavam ser lapidadas. Isso veio em 1994.
Aliando as influências que passeavam por Lou Reed, Pixies, Sonic Youth, Yo La Tengo, Bob Dylan e até mesmo o progressivo com muita ironia e despretensão, arremessadas e remexidas em uma caixa onde a melodia reinava produzindo efeitos arrebatadores, a banda foi responsável por semi-hinos do underground como “Cut You Hair”, onde destilava sarcasmo nos versos: “...nada de cabelo comprido / músicas siginificam muito / quando músicas são compradas...”.
Desde a abertura com a bateria quebrada e o riff meio low-fi de “Silence Kit” até o épico “Filmore Five” que fecha o disco, Malkmus e sua trupe produziam pérolas pop encobertas por extensões, paradas, mudanças de ritmo e doses precisas de microfonia.
Apoiado pelos dois bateristas (sim, a banda tinha dois), Steve West e o “mad” Bob Nastanovich, pelo baixo inquieto de Mark Ibold e pela guitarra ao mesmo tempo desconexa e frenética de Spiral Stairs, Malkmus destorcia quase poesias, desalinhava melodias, costurava acordes e construía um universo novo, ainda que respaldado por todas as suas influências.
Sendo irônico quando não devia ser (em “Range Life” detona Smashing Pumpkis e Stone Temple Pilots), gritando sem nada pré-determinado (“Unfair”), emocionando ao contar agruras e desagruras de um cotidiano imaginário (“Gold Sound Z”), fazendo jazz torto porque queria fazer (“5-4=Unity”) ou evocando Lou Reed quando menos se esperava (“Heaven´s Truck”), Malkmus era o cara.
Depois de “Crooked Rain...”, o Pavement alçou um público maior, tocou em grandes festivais e continuou lançando bons discos, sempre com sua marca registrada meio que adicionando uma contra-fórmula que passou a ser copiado por tantos outros. Depois de umas férias, a banda anunciou sua separação, deixando para trás uma carreira que não teve nenhum disco ruim no seu currículo.
Malkmus continua lançado projetos solos ou tocando com os The Jicks, sempre com qualidade, mas sem alcançar o ápice de tempos atrás. O Pavement era como uma espécie de anti-héroi que mesmo sem querer e sem saber ao certo porquê, encantava ouvidos ao redor do mundo com sua música e suas histórias.
segunda-feira, 16 de outubro de 2006
Putting The Days To Bed - The Long Winters
No meio de tantas e tantas bandas que estão fazendo o ano de 2006 valer a pena olhando pelo lado musical, destaca-se a banda de Seatlle, The Long Winters. Depois do bom “When I Pretend to Fall” de 2003, John Roderick retorna aos nossos ouvidos em 2006 com o excelente “Putting The Days to Bed”.
Nesse disco Roderick tira a mão um pouco da cartilha indie e/ou alternativa que dava a atmosfera do trabalho anterior e faz um punhado de canções mais ambientada no rock americano das bandas dos anos 70/80, como Tom Petty e R.E.M, privilegiando guitarras básicas, violões, teclados e a voz conduzindo a melodia.
O resultado disso são canções que grudam no ouvido e fazem girar o cd player a todo o momento. Desde “Pushover” que abre brilhantemente o álbum até o fechamento com a quase balada “Seven”, temos um disco coeso onde Roderick e seus comparsas Eric Corson no baixo, Mike Squires na guitarra, Sean Nelson nos teclados e os diversos amigos que tocaram na bateria criam uma atmosfera agradabilíssima.
Passando pelas guitarras de “Free Island, Ak” (que lembra até Strokes sem ser patético) e “Rich Wife”, pela belíssima “Sky Is Open”, ou pelo pop perfeito de “Hindsight” e “(It´s a) Departure”, com os backing vocals tendo um papel digno do nerd genial Mike Mills, tudo que sai do Long Winters convence. E muito.
Uma banda que corre o sério risco de passar despercebida em todos os melhores discos do ano e nem ser notada, mas que tem potencial de sobra para encher nossos ouvidos com canções pop de primeira linha, saídas da cabeça de um semi nerd americano chamado John Roderick.
Entre no site da banda e conheça um pouco mais: http://www.thelongwinters.com/
quinta-feira, 12 de outubro de 2006
O Diabo veste Prada
Quantas vezes no começo da nossa vida profissional não deparamos com um chefe mal humorado, abusado, descontrolado, perguntando se valia a pena estar ali, mas suportando porque era necessário? Ou em alguns casos isso não acontece até hoje?
Dentro deste universo é que está inserida Andréa Sachs (muito bem trabalhada pela atriz Anne Hattaway de “O Segredo de Brokeback Mountain”), na melhor comédia do ano até agora. Andréa acaba de se formar e procura emprego em Nova York, conseguindo o mesmo em uma das maiores revistas de moda do mundo, a Runway.
Esse emprego onde “um milhão de pessoas queriam estar” que no inicio se mostra espetacular, vai se contorcendo totalmente em desgraça quando Andréa começa a se “relacionar” com Miranda Priestly (a fabulosa Merly Streep, em uma atuação impecável que com certeza resultará em mais uma indicação ao Oscar), a toda poderosa do ramo.
Em meio a tantos pedidos de café, de guarda de roupas e de outras inúmeras atividades menores sempre com cobrança imensurável, Andréa vai se transformando em uma outra pessoa para poder vingar em um mundo totalmente fashion em que o glamour além de necessário, encobre toda a ganância, falsidade e traição que se esconde em roupas de grifes famosas.
Com um elenco de apoio com boas atuações (a de Adrian Grenier como “Nate” por exemplo) e uma direção sem muitas firulas, mas precisa de David Frankel, o filme diverte com muita acidez, umas doses de humor negro, algumas pitadas de sarcasmo e uma generosa contribuição de situações constrangedoras.
A adaptação do livro de Laureen Weisberger, “O Diabo Veste Prada” (que conta com uma pequena ponta da Gisele Bundchen) convence bem e se torna um dos bons filmes do ano. Totalmente indicado para todos aqueles que conhecem o prazer e os efeitos colaterais do primeiro emprego e porque não da própria vida. Boa diversão.