terça-feira, 3 de novembro de 2009

"Millennium - A Rainha do Castelo de Ar" - Stieg Larsson

Quando acompanha-se uma trilogia, seja ela no cinema ou na literatura, na hora em que o terceiro volume é disponibilizado consideramos como normal que já exista certa intimidade com os personagens e conseqüentemente uma torcida por um resultado desejado. Normal. O envolvimento acontece mesmo. Na trilogia “Millennium” do escritor sueco Stieg Larsson isso não foi diferente na chegada do seu derradeiro momento.
Em “A Rainha do Castelo de Ar”, que chegou as lojas recentemente pela Companhia das Letras em um conjunto de 688 páginas, a trama continua no instante imediato ao fim do segundo livro, com o jornalista Mikael Blomqvist nas mãos da polícia explicando os fatos que haviam ocorrido. A anti heroína (e bote “anti” nisso) Lisbeth Salander está sendo encaminhada para tratamento urgente em um hospital, pois está oscilando entre a vida e a morte.
Ao partir diretamente do final da trama do segundo livro e não explicar muito bem os fatos anteriores, o autor meio que exclui os leitores que se interessarem só pelo novo volume. Se faz necessário conhecer bem o terreno que está se pisando para curtir a história. O ritmo que se mostrou dinâmico e surpreendente em “A Menina Que Brincava Com Fogo”, aqui dá uma diminuída, inclusive com demasiadas descrições que poderiam muito bem ter sido suprimidas.
Para acabar com grande parte das dúvidas que ficaram pairando no ar, novos personagens são envolvidos e outros ganham mais espaço, sendo subdivididos em histórias paralelas. Nesse ponto, mérito para Stieg Larsson que consegue amarrar todas as pontas sem deixar lapsos relevantes jogados pelo caminho. A mescla de estilos neste último volume também é interessante. Enquanto Lisbeth Salander busca provar sua inocência, agora perante o tribunal, esses estilos se convergem de maneira bem funcional.
A trilogia “Millennium” nas suas 1.820 páginas totais, tem o grande poder de quase sempre deixar o leitor na espera do que irá acontecer, preocupado com os caminhos que irão ser projetados. Não é uma obra perfeita ou que mereça a alcunha de primordial ou clássica, no entanto somente o fato acima, mais a simples categoria de seu autor de mexer em vários temas espinhosos ao mesmo tempo, já lhe sustenta a indicação para quem gosta do gênero policial de suspense. Agora é esperar pelo filme que virá.
Falamos sobre os volumes I e II, aqui e aqui.
Site oficial:
http://www.trilogiamillennium.com.br

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