segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Literatura: "O Triturador" e "Belas Maldições"


Finn Maguire tem 17 anos. É disléxico, tomou algumas decisões equivocadas na vida e trabalha em uma unidade dessas de fast-food como atendente. Não há muita esperança de melhora pela frente, a verdade é essa. Mora com o pai, um ator aposentado e pretenso roteirista que não consegue finalizar nada, com quem tem um relacionamento bom e amoroso. Ao chegar em casa em um dia aparentemente como qualquer outro encontra o pai na sala em meio a uma poça de sangue. E então tudo muda. Com essas diretrizes iniciais é que se edifica “O Triturador” (Crusher, no original), livro publicado esse ano no Brasil pela editora Bertrand Brasil, com 320 páginas e tradução de Ronaldo Passarinho. Lançado lá fora em 2012 é o primeiro trabalho do norte-irlandês Niall Leonard a chegar aqui. Roteirista de televisão e cinema usa dessa experiência para deixar a obra com ritmo em capítulos curtos que tem como principal objetivo não deixar o leitor se cansar ou se aventurar em discussões mais elaboradas. A partir do assassinato do pai, Finn Maguire se mostra disposto a achar as razões e os responsáveis. Inteligente e longe de ser um santinho, se aventura por uma Londres menos efervescente e conta com um golpe de sorte para cair exatamente onde pretendia estar. Entra então em uma gangorra de emoções que lhe afetarão de maneira bem delicada com o retorno de familiares sumidos e um romance cheio de questões obscuras batendo na porta. “O Triturador” tem como grande vantagem ser lido rapidamente, com trama ágil e eficaz no suspense simples que expõe. No entanto, não difere em nada de centenas de outras publicações do mesmo estilo, não apresenta nada que o torne especial se consolidando na típica história que depois de uns dias será esquecida completamente por quem leu.

P.S:  Como curiosidade o autor é esposo da escritora E. L. James de “Cinquenta Tons de Cinza”.

Nota: 5,0

Leia um trecho no site da editora, aqui


Um dos livros mais bacanas do Neil Gaiman ganhou reedição revisada nacional esse ano. “Belas Maldições” (Good Omens, no original) foi escrito em parceria com o já falecido Terry Pratchett e exibe 350 páginas nesta nova edição da editora Bertrand Brasil com tradução de Fábio Fernandes. A obra virará série de tevê em 2018 e contará com David Tennant e Michael Sheen no elenco vivendo os protagonistas: o demônio Crowley e o anjo Aziraphale. Na trama, o fim do mundo está próximo, o apocalipse final já é daqui a alguns dias. Tanto o anjo quanto o demônio sabiam que um dia isso acontecer, que a contenda final entre bem e mal chegaria, mas eles não querem nada disso pois se habituaram a vida que levam e aos prazeres que tem na vida terrena. Por estarem a tanto tempo em solo defendendo os interesses de cada lado os dois acabaram por estabelecer uma relação de respeito, consideração e até mesmo amizade. Por isso se unem para impedir o anticristo de provocar o derradeiro ato. Um detalhe: o anticristo tem somente 11 anos, não sabe disso e foi criado na família errada. Nessa aventura contra o tempo recheada com muito bom humor, acidez, sátiras e críticas a tudo que é coisa, os autores inserem personagens coadjuvantes tão interessantes quanto os principais como o caçador de bruxas Newton Pulsifer, o sargento Shadwell e a jovem Anathema Device, descendente de uma antiga profeta da qual vive recitando passagens oriundas de um velho livro. Destaque também para os quatro cavaleiros do apocalipse e suas representações. A parceria de Gaiman e Pratchett em “Belas Maldições” publicada pela primeira vez em 1990 na Inglaterra ainda diverte bastante, contudo, algumas das piadas perderam o sentido com o decorrer do tempo e não funcionam mais tão bem. Mesmo assim é leitura bem recomendável.

Nota: 7,5

Leia um trecho no site da editora, aqui

sábado, 7 de outubro de 2017

Quadrinhos - Resenhas Curtas: Titãs, Finda-Cosmos, Capitão Feio e Projeto Manhattan



TITÃS – VOLUME 1

Encadernado lançado pela Panini com 164 páginas e capa cartonada inclui as primeiras edições do grupo dentro do “Renascimento” da DC iniciado no ano passado. Com Dan Abnett no comando do roteiro e arte de Brett Boot apresenta como principal chamariz o retorno do flash Wally West ao universo. Nesse retorno a missão principal é fazer com que todos lembrem dele, como da própria equipe e da relação de amizade existente. Aliás, a amizade entre os membros é o condutor da trama e faz superar as adversidades que surgem. História bem fraca que vale somente pela volta do Wally West mesmo.
Nota: 2,0

FINDA - COSMOS

O Bananazebra é um coletivo de quadrinhos formado em Ribeirão Preto no estado de São Paulo já com algumas revistas concebidas. “Finda-Cosmos” é uma delas e ganhou edição agora em 2017 depois de uma campanha de financiamento coletivo ano passado. Com roteiro de Nilton “Kuresto”, arte de Guilherme Nakashima, arte-final de Felipe Sato e cores de Guilherme “Inky”, as 40 páginas conta a história de detetives bem peculiares que trabalham em cima de um roubo ocorrido. Praticamente ambientada em um bar essa ficção científica diverte bem, sem maiores pretensões e tem como maior destaque os personagens concebidos e suas referências. Vale conferir.
Nota: 6,0

CAPITÃO FEIO - IDENTIDADE

O Capitão Feio é o único vilão permanente dentro da Turma da Mônica, criação-mor de Mauricio de Sousa. E é ele que estreia mais uma edição do projeto Graphic MSP, em trabalho dos irmãos paranaenses Magno e Marcelo Costa (de “Matinê”), com 98 páginas e lançamento da Panini. Como de costume dentro do projeto o personagem é reinventado sem perder as origens. Na trama, vemos uma espécie de história de origem, mostrando que às vezes um vilão começa o caminho por ser mal compreendido. Com boa ação e essa pegada de aceitação por ser diferente, a hq é mais um bom trabalho no selo.
Nota: 6,5

PROJETO MANHATTAN – VOLUME 5

A Devir publicou em junho desse ano outro volume de “Projeto Manhattan”, com 152 páginas e que compreende as edições originais 21 a 25.  A série criada por Jonathan Hickman na história (Guerras Secretas) e Nick Pitarra na arte, parte da premissa que o projeto que empresta o nome ao título era uma fachada para ambições maiores como a ida ao espaço atrás de espécies alienígenas entre outras coisas fantásticas. Loucura pouca é bobagem e tudo segue deliciosamente maluco nesse volume, com novas figuras históricas entrando no meio. Com as excelentes cores de Jordie Bellaire continua como uma das coisas mais interessantes publicadas no país.
Nota: 8,5


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Quadrinhos: “Pantera Negra - Uma Nação Sob Nossos Pés - Livro Um” e "Mensur"


Ta-Nehisi Coates é uma das vozes negras mais fortes nos EUA atualmente. Autor do ótimo livro “Entre o Mundo e Eu” (lançado aqui no ano passado), também é colaborador de diversos outros veículos. Aqui seus textos sempre vigorosos e emocionantes já saíram na Revista Piauí. Completando 40 anos em 2017 foi o responsável por moldar a nova fase do Pantera Negra na Marvel, próximo ao lançamento do filme do personagem no cinema no início do ano que vem. Nada mais coerente e acertada que essa escolha. Com arte de Brian Stelfreeze (Batman) e cores de Laura Martin (Planetary), Coates invadiu o mundo dos quadrinhos e aos poucos com a ajuda de Stelfreeze foi aprendendo os macetes e melhorando a formatação das ideias. O resultado inicial podemos ler agora. “Pantera Negra - Uma Nação Sob Nossos Pés - Livro Um” reúne as edições 1 a 4 de “Black Panther” publicadas nos EUA entre janeiro e setembro de 2016. A série convive com diversos atrasos e para engrossar a publicação de 148 páginas a Panini inclui nesse encadernado a primeira aparição do personagem na revista “Fantastic Four 52” de julho de 1966 feita pela dupla Stan Lee e Jack Kirby. Nessas novas aventuras temos o Pantera Negra inserido em uma Wakanda dividida. Seu reinado é questionado devido as últimas invasões sofridas e picos de descontentamento se transformam em sérias ameaças e revoltas prontas para explodir. O cenário é desesperador. O país nunca se viu tão frágil e seu rei não sabe que caminho tomar: o da força ou da diplomacia. No meio disso o autor explora tradições e lendas africanas em contraponto a tecnologia inserindo questões como orgulho, honra e dever na mistura. A arte de Stelfreeze é extremamente funcional e faz com que a Wakanda imaginada por Coates seja real e resulte num ótimo casamento entre personagem e equipe criativa.

Nota: 7,5


Mensur é o nome de uma luta de espadas que teve origem na Europa do século XV, apareceu em universidades durante o século XIX e que ainda conta com alguns praticantes espalhados pelo mundo. Também é o nome do novo trabalho de Rafael Coutinho com 208 páginas, formato grande (18,80 x 27cm), capa dura e lançamento pelo selo Quadrinhos na Cia. da Companhia das Letras, assim como foi “Cachalote” de 2010, parceria sua com o escritor Daniel Galera. Foi nessa época que o autor teve a ideia de “Mensur”, contudo um trabalho idealizado para ter término em um ano levou sete vezes mais para ganhar edição final. O personagem principal é Gringo, um cara na dele, que pula de trabalho em trabalho e de cidade a cidade com frequência. Percebe-se logo que está fugindo de algo, que em algum momento aconteceu um fato que o fez perder o rumo e o gosto pela vida e atualmente ele se preocupa somente em existir e olhe lá. A arte de Rafael Coutinho em preto e branco, às vezes com um proposital rabiscado com linhas se esticando na página, experimentando o que pode, e outras vezes com esmero e cuidado nas feições e pano de fundo, espelha justamente esses anseios guardados, essa inaptidão, esses fantasmas escondidos no fundo da alma. Ao voltar para Ouro Preto, cidade onde fez faculdade e participou da república onde conheceu a prática desse perigoso duelo, as coisas tomam um inesperado caminho. Na busca meio sem jeito do protagonista por qualquer tranquilidade que seja ou até mesmo para se redimir de um passado não resolvido, o autor enxerta além do gancho inusitado do mensur em si, coadjuvantes sujos e trambiqueiros, que contrastam diretamente com a retidão moral do Gringo, ainda que essa tenha caminhos bem próprios. “Mensur” é outra grande obra de Rafael Coutinho e tranquilamente uma das melhores do ano.

Nota: 9,0

Leia um trecho gratuitamente no site da editora, aqui.

Sobre “Cachalote”, veja o texto no blog, aqui.


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

"Damage And Joy" - The Jesus And Mary Chain


Aviso antes de prosseguir: esse é um texto com extremas doses de saudosismo e nostalgia. E isso não é necessariamente ruim. Pelo contrário.


Há um tempo nem tão distante assim era comum pegar um disco e dedicar dias e dias para ouvir, estabelecendo ligações entre a ordem em que as músicas estavam dispostas, e, caso gostasse, voltar esse álbum várias e várias vezes no som. Isso servia não somente para prestar atenção mais detalhada nas letras, como também descobrir sons ocultos aqui e ali que passaram batidos nas audições anteriores.

E isso não era feito somente na época que o vinil dominava, não precisa se exibir um saudosismo de boutique aqui. Isso foi feito nos cassetes, nos cd’s e até mesmo naqueles mp3’s baixados pela madrugada. Os trabalhos é que ditavam isso. Lógico que pode ser feito tranquilamente na época do streaming, mesmo sabendo que não é assim. Os discos cheios perderam o sentido, essa é verdade. Faixas são pinçadas aqui e ali, colocadas em playlists, em vídeos feitos para visualizações ou divulgados em redes sociais, mas o disco, o conceito em si, pobre coitado, quase não é apreciado mais.

E eis que em 2017 dois irmãos escoceses já veteranos da cena musical, que passaram por todas as fases acima citadas, lançam uma obra que reverte tudo isso e apresenta de novo o prazer de se escutar um álbum do início ao fim, saber o número de cada faixa, antecipar os acordes de cada canção que virá. Falo de Jim e William Reid e seu “Damage And Joy”, sétimo disco de inéditas de uma carreira que desde 1985 nunca foi palco de trabalho ruim e ainda jogou pequenos clássicos no caminho como “Psychocandy” de 1985 ou “Stoned & Dethroned” de 1994.

O Jesus And Mary Chain não lançava nada desde “Munky” de 1998 e “Damage And Joy” supre essa longa ausência com 14 faixas em pouco mais de 53 minutos. Logo na primeira canção já sabemos que se trata de um disco da banda. Impossível não perceber. É “Amputation” com suas guitarras, microfonias ao fundo, ritmo, backing vocals chicletudos e ótima melodia cantada por Jim de uma letra ácida e raivosa. Não é um disco que exala novidades, longe disso. É 100% do que se acostumou a ouvir da banda e isso é bom.

Após o término de “Amputation” temos um exemplo de cada faceta que o grupo ofereceu dentro do seu universo específico de sonoridade. Tudo em nível elevado que podia muito bem se ver contido em qualquer outra época em que estiveram na ativa. Se com “War on Peace” o ritmo cai um pouco remetendo ao ótimo “Darklands” de 1987, a dobradinha “All Thing Pass” e “Always Sad” resolve tudo em duas pequenas pérolas que já devem automaticamente constar em futuras coletâneas.

“Damage and Joy” também conta com uma produção extremamente azeitada e precisa. Como de costume nos últimos trabalhos há convidadas que dividem o vocal com Jim Reid. Bernadette Denning faz o dueto em “Always Sad”, Isobel Campbell engradece “Song For a Secret” e a formidável “The Two Of Us”, a irmã Linda Fox está em “Los Feliz (Blues And Greens)” e na mais dançante “Can´t Stop The Rock” que fecha o trabalho e Sky Ferreira surpreende na balada “Black And Blues”.

Com lançamento pela Artificial Plastic Records e todas as faixas compostas pelos irmãos Reid (em separado ou juntos), “Damage And Joy” é um disco que destoa completamente dos nossos dias. É um disco que faz o ouvinte se apegar, não querer deixar ele em nenhum momento, um disco para decorar as letras e cantar junto. E mais importante: funciona tão bem para os fãs antigos como tem potencial para angariar novos adeptos do som característico e tão copiado da banda.

Quem diria que em pleno 2017 o amor e a paixão por um disco específico e o prazer de escutá-lo inúmeras vezes fosse ressuscitado por dois irmãos briguentos que sempre andaram bem a margem do mainstream e do sucesso (e na verdade nunca fizeram questão nenhuma disso). Escute “Damage and Joy”. Escute e por mais ridículo e clichê que isso possa aparecer: Se apaixone. Simples e fácil assim.

Nota: 9,5

Assista “The Two Of Us” em uma execução ao vivo:


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Quadrinhos: "Exterminador - Volume 1" e "Billie Holiday"


O Exterminador (Deathstroke, no original) é um dos personagens mais bacanudos da DC Comics. Criado em 1980 pela dupla formada por Marv Wolfman e George Pérez, começou como antagonista dos Titãs, contudo foi além. Vilão, mercenário inescrupuloso e assassino mortal, é respeitado e temido. O que o transforma em tão interessante é que apesar de toda a vilania, vez ou outra ainda opera alguma coisa boa, dentro do seu distorcido senso de justiça. A Panini Comics coloca agora no mercado brasileiro um encadernado contendo a aclamada fase dentro do “Renascimento” da DC, que angariou indicação ao Prêmio Eisner. Com papel LWC, capa cartão, lombada quadrada e 140 páginas vemos o assassino entrando em uma espiral de traição atrás de traição para descobrir quem colocou a cabeça da sua filha a prêmio. Com roteiro de Christopher Priest (Lanterna Verde) e arte na mão de vários nomes como o brasileiro Joe Bennett (Arrow) e Mark Morales (Deadpool), a trama volta a diversos pontos da vida dele com o objetivo de contextualizar a aventura que desenvolve. A Panini lança várias publicações nesse formato, onde procura estabelecer um padrão gráfico que servirá para abarcar os personagens fora das revistas mensais com preços atrativos. Ideia bacana, mas que só sobreviverá se as histórias contadas forem boas, o que se tratando da DC é sempre uma grande incógnita nos últimos anos, mesmo sendo inegável o avanço mais recente dessa fase. Reunindo edições lançadas nos EUA entre outubro e dezembro de 2016, “Exterminador - Volume I” rende bons momentos, principalmente quando foca no passado do protagonista, no entanto a trama que ocorre no presente com a presença ilustre de Batman e Robin é confusa, mesmo com o potencial que oferece. Esse fato, somado a passagem variada de artistas que prejudica a unidade, deixa a série apenas como mediana.

Nota: 6,0


Entre tantas e tantas histórias trágicas no mundo da música a de Billie Holiday é uma das mais impactantes. A Lady Day (como ficou conhecida) foi uma das maiores vozes do jazz nos anos 30, 40 e 50, lançando dezenas de discos e falecendo precocemente aos 44 anos em 1959. Reverenciada (com muita razão) até hoje, nada foi fácil para ela. Filha de um casal adolescente, apanhava da família na infância, se prostituiu ainda garota para sobreviver, foi estuprada inúmeras vezes e presa outras tantas. Conheceu drogas e álcool desde cedo e levou os vícios durante a vida. Sofreu muito com o racismo e brigou contra ele do jeito que pode. Do outro lado de toda essa tragédia tinha o dom absoluto e magistral de cantar como poucas pessoas no mundo. Virou imortal dentro do jazz na mesma época de tantos monstros sagrados. A editora Mino em mais um trabalho editorial brilhante republica esse ano no país em capa dura a versão dessa história contada em quadrinhos pelos mestres argentinos José Muñoz (arte) e Carlos Sampayo (roteiro). Lançada originalmente como graphic novel nos anos 90 tem início em 1989, 30 anos após a morte da artista, quando um jornalista tem como missão elaborar um texto sobre esse fato, porém não conhece exatamente nada sobre o assunto. Ao ir pouco a pouco descobrindo a vida que retratará com palavras ele se depara com pinceladas fortes dos eventos que resumimos acima. A arte em preto e branco com intenso realce nos contrastes é um personagem próprio da edição, um estilo já utilizado pelos autores em obras anteriores como na premiada “Alack Sinner”, que angariou fãs como Frank Miller que usou disso na estupenda “Sin City”. “Billie Holiday” de Muñoz & Sampayo e suas 80 páginas não tem a mínima condição de ficar fora da sua estante. Seria algo imperdoável.

Nota: 9,0

P.S: A biografia “Lady Sing The Blues” é muito recomendável para quem quer se aprofundar na vida de Billie Holiday. Já foi lançada no Brasil. 


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Cinema: "Atômica" e "Planeta dos Macacos: A Guerra"


Charlize Theron é daquelas atrizes que não importa o tipo de papel que desenvolva, sempre teremos um trabalho de qualidade onde ela se dedicará com muito afinco a personagem. Isso não foi diferente em “Atômica” (Atomic Blonde, no original) que estreia agora nos nossos cinemas. Filme de ação ambientado no fim dos anos 80 traz a sul-africana lindíssima e sensual como de costume distribuindo socos e pontapés como uma agente secreta britânica na Alemanha embalada por músicas da época de nomes como Depeche Mode, New Order, Queen e David Bowie, The Clash, Eurythimics e George Michael. Aliás, a trilha faz muita diferença na película. Espécie de projeto pessoal da atriz, desenvolvido por meio da sua empresa de produção, o longa é uma adaptação da HQ “The Coldest City” de Anthony Johnston e Sam Hart dirigida com ferocidade e humor pelo ex-dublê e diretor de “John Wick”, David Leitch. Quando um agente britânico é assassinado em Berlim, Lorraine Broughton (Charlize Theron) é designada para descobrir o que houve e recuperar uma lista que contêm o nome de diversos agentes disfarçados e que não pode cair em mãos erradas. Ok, nada muito original, tudo bem, mas estamos em plena guerra fria e o muro que divide a Alemanha está prestes a sucumbir, o que faz com que não se preste muita atenção a isso. Chegando lá ela encontra David Percival (um ótimo James McAvoy), agente há muito residente na cidade e cheio de manias, que em teoria deverá lhe ajudar. Com elenco que conta ainda com Toby Jones, John Goodman e a estonteante Sofia Boutella, “Atômica” brilha junto com sua protagonista, mostrando que Charlize Theron sempre pode muito, mas muito mais, que o digam as vastas e incríveis cenas de ação que ela participa e que lhe renderam contusões e dentes quebrados nas gravações. Que mulher, que mulher.

Nota: 8,0


Quando “Planeta dos Macacos: A Origem” saiu em 2011 não se esperava que uma trilogia de nível tão alto viesse pela frente, verdade seja dita. O primeiro longa dirigido por Rupert Wyatt que contava a origem de César (Andy Serkis), no entanto, era tão bom que deixou as expectativas em cima. Expectativas que se confirmaram em “Planeta dos Macacos: O Confronto” de 2014 já com o diretor Matt Reeves no comando e que agora em 2017 com “Planeta dos Macacos: A Guerra” (War Of The Planet Of Apes) fecha com a chamada chave de ouro. O último capítulo da trajetória dos macacos para o comando da terra e de como os humanos sucumbiram como espécie dominante é aquele onde as analogias e metáforas se fazem mais fortes e tem mais peso devido ao conturbado momento em que vivemos no mundo, onde velhas e estúpidas ideologias ganham novamente voz e os sentimentos mais destrutivos da humanidade se projetam em redes sociais e em ruas de vários países. Na trama derradeira, César (Andy Serkis, novamente) busca um novo local para levar seu povo quando vê a esposa e o filho assassinados pelo Coronel (Woody Harrelson). A vingança invade a mente e com alguns escudeiros ele parte para o troco encontrando no caminho o engraçado macaco Bad Ape (Steve Zahn) e a criança Nova (Amiah Miller) que carrega outra variação do vírus símio. Com a tecnologia de captação de movimentos mais avançada a interação dos macacos é ainda mais crível e os efeitos especiais são um show à parte. Todavia, as cenas de ação de “Planeta dos Macacos: A Guerra” não são o ponto principal da obra, apesar do destaque. Esse ponto reside no trato entre humanos e macacos, relembrando as páginas mais tristes da história, como também no fato de que não há mocinhos, todos, inclusive aqueles com intenções mais nobres, estão dispostos a atos vis para a sobrevivência da espécie, o que faz o filme ir muito além do que propõe inicialmente.

Nota: 9,0

Assista a trailers legendados:



sábado, 2 de setembro de 2017

Cinema: "King: Uma História de Vingança" e "Como Nossos Pais"


Em “King: Uma História de Vingança” (Message From The King, no original) filme de 2016 que recentemente entrou na grade do Netflix por aqui, o Pantera Negra dos filmes da Marvel Chadwick Boseman interpreta Jacob King, um sul-africano que desembarca na cidade de Los Angeles atrás do paradeiro da irmã mais nova (Sibongile Mlambo da série “Black Sails”). Tudo é muito incerto, pois a única pista que tem é uma ligação falha e um endereço antigo, mas com alguma destreza para o motorista de táxi que diz ser na imigração do aeroporto, ele vai superando e montando o quebra-cabeça que se apresenta. Filme do diretor belga Fabrice Du Welz (de “Calvaire” e “Alléluia”), o trabalho conta com um elenco bastante interessante. Estão presentes nomes como Luke Evans, Alfred Molina, Teresa Palmer, Tom Felton, Dale Dickey e Chris Mulkey, alguns deles em papéis bem curtos. O roteiro escrito por Oliver Butcher (“Desconhecido”) e Stephen Cornwell (“O Homem Mais Procurado”), insere o protagonista em uma Los Angeles bem distante do glamour e dos holofotes e tapetes vermelhos, ainda que esses de certa maneira ainda façam parte da trama como pano de fundo. Ao ir atrás da vingança que o título nacional já entrega de antemão, Jacob King explode em ira não poupando quem aparece no caminho, mas não daquela maneira banal de entrar em um canto como um doido e sair atirando em todo mundo de qualquer jeito, mas sim usando medidas inteligentes e alguns ardis. Tentando ser o mais realista possível e conseguindo isso em certa escala, o longa apresenta uma boa exibição de Chadwick Boseman e mesmo sem muitas surpresas é um suspense de ação que cumpre com as prerrogativas básicas desse estilo, contando como bônus o já citado interessante elenco de apoio.

Nota: 6,0


Logo no início de “Como Nossos Pais” que estreou nos cinemas no final de agosto já se vê que a personagem Rosa está com sinais de cansaço no rosto. A partir do almoço na casa da mãe (Clarisse Abujamra, em trabalho inspirado), esses sinais só avançam e se agravam. Aos poucos a vida da protagonista de 38 anos vivida de maneira contundente pela atriz Maria Ribeiro, sai dos eixos e desanda. Ela descobre que o pai não é quem pensava, o casamento com Dado (Paulo Vilhena) está em queda livre, as pressões das filhas em crescimento são motivos de estresse diário, é demitida do trabalho do qual já não gostava muito, e ela, como mulher forte que sempre precisou ser tem que saber lidar com tudo isso, mesmo que não saiba como. Grande vencedor do festival de Gramado desse ano, o filme da diretora Laís Bodanzky (de “Bicho de Sete Cabeças” e “As Melhores Coisas do Mundo”), como é inerente ao seu trabalho, aposta na força dos diálogos e no dia a dia dos personagens que reagem as coisas que lhe acontecem, mas sem imprimir mudanças drásticas na trama. Essa proximidade maior com a vida que estamos acostumados a conhecer impulsiona esse drama com toques tragicômicos no meio em mais uma obra de qualidade dentro da carreira. Com atuações consistentes de Maria Ribeiro (entre a fragilidade, o medo e a dureza), de Clarisse Abujamra e a participação mais que especial de Jorge Mautner como o pai anterior de Rosa, até alguns deslizes são perdoáveis como os que se referem a busca pelo novo pai e ao relacionamento dentro do casamento. “Como Nossos Pais” é um filme alinhado aos nossos tempos de tecnologia e na pressão exercida sobre mulheres que precisam ser profissionais hábeis, mães, esposas, filhas, donas de casa e o que mais vier, sempre no tudo ao mesmo tempo agora, sem alívio aparente.

Nota: 8,0

Assista aos trailers dos filmes:


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Séries: "O Nevoeiro" e "Os Defensores"

 

Tudo corre mais ou menos dentro da normalidade em uma pequena e tradicional cidade do estado do Maine nos EUA. O espectador é apresentado a alguns personagens e a um pouco do cotidiano, quando no dia seguinte conhece o fato que a jovem Alex (Gus Birney), filha do casal Kevin (Morgan Spector) e Eve (Alyssa Sutherland) foi estuprada em uma festa na noite anterior, sendo que seu melhor amigo Adrian Garf (Russell Posner) afirma que o culpado é o capitão do time de futebol da escola e filho do xerife local, Jay Heisel (Luke Cosgrove). Enquanto o fato começa a ser apurado e as tensões se espalham, uma forte e dura névoa cobre a cidade. O que a princípio é visto como uma alteração climática, se altera e ganha transtornos dramáticos e sobrenaturais. Assim temos “O Nevoeiro” (The Mist, no original), série com 10 episódios na primeira temporada, disponibilizada agora em agosto no Netflix. É baseada em um conto de mesmo nome de Stephen King publicado pela primeira vez em 1980 e que já tinha virado filme em 2007 pelas mãos do diretor Frank Darabont. Nesta nova adaptação o criador é Christian Torperf (de “Rita”) que insere modificações ao texto original, mas mantêm a essência da obra. Com o fenômeno alastrado e angariando vítimas em sequência os habitantes passam a ficar em lugares fechados (como um shopping) o que não demora a suscitar conflitos internos. Junto a essa guerra de sobrevivência contra si mesmos e o terror desconhecido que espreita fora das portas fechadas, a série investe em uma trama paralela forte (a do estupro) e adiciona nas entrelinhas discussões sobre racismo, xenofobia e misoginia, que se mostram tão interessantes quanto o medo do fantástico. Se as atuações fossem melhores e não tão comuns o resultado final seria até mais empolgante.

Nota: 7,0


Dia 18 de agosto a Netflix disponibilizou a primeira temporada de “Os Defensores” na plataforma, estancando a ansiedade sobre como seria essa reunião dos heróis já mostrados em séries individuais. Grande aposta da Marvel com o canal de streaming, estão lá inseridos Demolidor (Charlie Cox), Jessica Jones (Krysten Ritter), Luke Cage (Mike Colter) e Danny Rand (Finn Jones), em conjunto com parte do elenco de apoio de cada um. O nome “Os Defensores”, na origem dos quadrinhos, começou nos anos 70 com uma equipe completamente maluca formada por nomes díspares e individualistas (Hulk, Dr. Estranho, Namor e Surfista Prateado, por exemplo). Nessa nova versão do nome que já ganhou transposição para os quadrinhos pelas mãos do craque Brian Michael Bendis, o grupo engloba uma roupagem mais urbana e menos fantástica, porém ainda com essa pegada individual dos integrantes. Concebida pela dupla Douglas Petrie e Marco Ramirez responsável pela controversa (e fraca) segunda temporada de “Demolidor”, o primeiro acerto fica por conta da quantidade de episódios, usando 8 ao invés de 13, o que não deixa as coisas ficarem maçantes. Para unir esses elos em um único objetivo, usa-se Claire Temple (Rosario Dawson) e adiciona-se como antagonista principal a sempre misteriosa associação do Tentáculo, representada pela enigmática Alexandra (Sigourney Weaver) que aos poucos abre os objetivos pretendidos. “Os Defensores” agrada, mas no placar geral fica aquém das empreitadas solo de Jessica Jones e Luke Cage na telinha. Conta com a reabilitação da personagem de Elodie Young como Elektra Natchios em atuação bem superior à que vimos antes, entretanto esbarra nas dezenas de dúvidas que continuam permeando o Demolidor e no desempenho novamente sofrível de Finn Jones como Punho de Ferro, o que só se agrava se levarmos em conta que ele é uma espécie de centro onde a trama gira.

Nota: 7,5

Assista aos trailers legendados:


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Séries: "Travelers" e "Designated Survivor"


Com todas as cagadas que a humanidade faz tanto ambientais quanto no próprio trato aos semelhantes é de imaginar que o futuro distante não reserve nada muito bom para quem lá chegar, não é mesmo? Bom, é com essa imagem de futuro que a série “Travelers” trabalha. Produção original da Netflix com o canal canadense Showcase teve a primeira temporada disponibilizada na plataforma em outubro do ano passado com 12 episódios (a segunda está prevista para estrear em outubro de 2017). Criação de Brad Wright (do universo “Stargate”) traz como personagem principal o experiente Erick McCormack (de “Will & Grace”), um agente do FBI chamado Grant MacLaren, mas que não é bem quem diz ser. Unindo policial, suspense e ficção científica, “Travelers” apresenta ao espectador uma trama onde o futuro está condenado e a forma de solução encontrada para ajustar isso é voltar no tempo para corrigir ou evitar os acontecimentos que levaram a esse colapso, de posse do conhecimento acumulado até então. Só que a maneira que esses viajantes retornam aos nossos dias não é fisicamente e sim tendo a memória suplantada em pessoas, segundos antes dessas falecerem. Isso faz com que não somente herdem a vida do hospedeiro e tenham que continuar com ela seja de que maneira for, como também tenham compartilhadas as memórias anteriores o que é prerrogativa suficiente para gerar uma gama de conflitos elevada. A equipe que vem do futuro junto ostenta suas próprias particularidades com mentes entrando em um viciado em heroína e em uma mãe recente com problemas com o esposo policial. Com atuações apenas razoáveis na totalidade e um enredo que toda vez que aparenta que vai engrenar não engrena, “Travelers” é uma série que agrada quem gosta de ficção científica e afins, divertindo sem compromisso nesse sentido, mas para por aí.

Nota: 6,0


O Estado da União é uma data tradicional onde geralmente em formato de discurso o Presidente dos EUA - em linhas gerais - presta contas ao congresso do ano e apresenta relatórios e propostas necessárias para o futuro. Por lei um integrante do governo é excluído do evento e deixado em local distante para que caso haja um atentado ou alguma catástrofe, o governo e o país possam seguir adiante. Bom, na série “Designated Survivor” da ABC esse desastre acontece e todos os integrantes do governo são mortos após um ataque fulminante. Criada por David Guggenheim (roteirista de “Protegendo o Inimigo”) traz Kiefer Sutherland de volta a televisão em um papel de destaque. Ele é Tom Kirkman, secretário de habitação do governo prestes a ser demitido, que foi o sobrevivente designado no dia da tragédia e acaba assumindo o comando da nação sem ter a mínima noção do que está fazendo. Mas, ao contrário de certos indivíduos que na vida real estão nessa situação, Kirkman é um homem justo, de bom coração e ideais nobres, um verdadeiro unicórnio dentro da política. Distribuída internacionalmente pela Netflix gradualmente de acordo com a liberação original, os 21 episódios da temporada inicial que terminou em maio de 2017 (uma segunda está a caminho) passam por uma verdadeira metamorfose. De início fraco, sem ritmo, repleto de clichês mil e com Sutherland mais uma vez emulando gestos e trejeitos de Jack Bauer de "24 Horas" na atuação, a série vai engatando lentamente. Dividida entre a condução da gestão política e o thriller de suspense que visa desmascarar a conspiração que causou o ataque (tinha que ter uma, lógico), se configura no seu terço final em boa pedida de entretenimento, com destaque para as atuações de Virginia Madsen (“Sideways - Entre Umas e Outras”) como uma deputada republicana e Kal Penn (“Madrugada Muito Louca”) como secretário de comunicação do governo.

Nota: 7,0

Assista a trailers legendados das séries:


domingo, 27 de agosto de 2017

Quadrinhos: "Arvorada" e "Aqui"


Dentro das criações de Mauricio de Sousa, Chico Bento é a maior depois do quarteto de ferro do autor formado por Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali (quando não ofusca um ou outro desse time). Criado em 1963 já tinha sido utilizado em uma edição do projeto Graphic MSP em 2013 pelo Gustavo Duarte em “Pavor Espaciar”. O trabalho tinha boa arte, mas era insossa e insípida no contexto geral, deixando bem a desejar. Agora em 2017 chegou a vez do paulista Orlandeli (de “Grump”) dar nova chance ao personagem e dessa vez o resultado atingido é completamente oposto. “Arvorada” tem 100 páginas, lançamento pela Panini Comics e apresenta o que Chico Bento tem de melhor, toda sua caipirice e bom coração ali entre as traquinagens e a inocência, a patetice e a molecagem, englobando tudo em uma história maior sobre coisas que não podemos deixar para depois sobre o risco de passarem e não termos mais, dos arrependimentos que podem surgir oriundos disso no futuro, de aproveitar ao máximo as pessoas quando elas ainda estão ao seu lado. Orlandeli, também nascido no interior, acerta em cheio ao contar essa história que apresenta a Vó Dita como personagem fundamental, além de incluir no texto outros nomes importantes como Zé Lelé e Rosinha. Quem nasceu e cresceu no interior com avós presentes na caminhada é impossível não sentir um leve aperto no coração na parte final. O visual de “Arvorada” está entre o que de melhor o Graphic MSP exibiu até agora ao lado de “Louco - Fuga”. A arte e a maneira encontrada por Orlandeli de relacionar as páginas não pode ser chamada de menos que bela, sendo que ainda assim, isso deve ser pouco. Leia, depois leia para o filho, sobrinho, o que for. E se der, aproveite e compre ou empreste para o filho do vizinho ou do melhor amigo. Eles vão gostar.

Nota: 8,0


O americano Richard Mcguire é daqueles que atuam com distinção em vários segmentos. É renomado designer gráfico, além de autor de livros infantis, músico e roteirista. É também quadrinhista, responsável por “Aqui” (Here, no original), que a Companhia das Letras lança esse ano no país pelo selo Quadrinhos na Cia. com 304 páginas e tradução de Érico Assis. O projeto inicial foi concebido no final dos anos 80 após uma aula com o grande Art Spiegelman (autor de “Maus”), que levou a história de 6 páginas para a revista independente Raw. Em 2014 a obra ganhou a versão estendida que temos o prazer de conhecer agora. Em “Aqui” o autor utiliza o mesmo espaço físico durante um vasto espaço de tempo que vai desde bilhões de anos A.C. até o futuro. Dentro desse espaço representado na maior parte do tempo por uma sala, mas também pelo terreno unicamente, esboços de uma mesma vida se repetem com outros personagens, talvez com laços entre si ou não, mas que praticam atos semelhantes como segurar um bebê, contar uma piada, dançar, brigar, discutir, brincar (de Twister, por exemplo). Como lemos em uma das páginas: a vida é propensa a essas correspondências. “Aqui” pratica poesia em arte ao usar o tempo como protagonista, a variação dos anos, as pessoas que passam pelo mesmo espaço e se vão e o tempo que segue lá, implacável, imparável. E vai muito além, experimenta na forma de contar sua história, aliás; história não, histórias. Sem ser linear em nenhum momento força o leitor a voltar as páginas a cada momento para uma visão melhor. Isso culmina em desenhos que mais parecem pinturas, com cores refletindo cada período apresentado e fazendo com que a maioria das páginas se retiradas, ampliadas e enquadradas sirvam de obra de arte em qualquer parede, porque é isso que “Aqui” é: uma obra de arte.

Nota: 10,0

Leia um trecho gratuitamente no site da editora: