Em 2007 o Fino Coletivo lançava um dos melhores discos do ano, com uma mistura interessantíssima de música brasileira e outros ritmos. Passado alguns anos e vários elogios da imprensa e do público, o combo volta em 2010 com seu segundo trabalho, intitulado “Copacabana”. Mesmo sem contar mais com a participação do Wado dentro do time, o Fino Coletivo mantém a pegada e a categoria marcante que caracterizou seu registro anterior.
Hoje o grupo é um sexteto, que conta com os compositores Alvinho Cabral (violão, guitarra, percussão e vocal), Adriano Siri (vocal) e Alvinho Lancellotti (vocal), mais os competentes Daniel Medeiros (baixo e vocal), Donatinho (teclados) e Marcus Cesar (bateria). “Copacabana” ganha o mundo pelas mãos do selo Oi Música e está disponível para audição no site do grupo. É um disco para cima, para alegrar a vida e o nosso dia a dia.
O samba ainda se apresenta como o alicerce em que as canções vão se construindo, mas se mistura com o funk, soul e com o reggae. As guitarras aparecem funkeadas e cheias de efeitos, o baixo é um balanço só, os teclados conduzem os temas, o vocal é dobrado e bem feito e a bateria segue precisa costurando tudo. Todo o disco é bom. Desde a ensolarada “Batida de Trovão” até o fechamento com “Amor Meu”, um suingue eletrônico para o amor.
Das 14 canções, 3 já foram gravadas pelo Wado. “A Coisa Mais Linda do Mundo” (do Alvinho Cabral) que aqui ganha metais e vira um reggaezinho, “Beijou Você” (parceria com Alvinho Cabral) e a ótima e sempre deliciosa “Se Vacilar o Jacaré Abraça” (esta junto com Thiago Nistal e Alvinho Cabral). Outras duas são covers: “Swing de Campo Grande” excelente releitura dos Novos Baianos e “Nhem Nhem Nhem” do Totonho & Os Cabra.
Ainda tem o balanço meio Paralamas do Sucesso de “Ai De Mim”, a psicodelia moderna da instrumental “Doce Em Madrid”, o reggae a lá Gilberto Gil de “Minha Menina Bonita”, a parceria com o rapper De Leve na história da mulher espetacular de “Abalando Geral” e uma ode a dedicação exclusiva ao amor em “Fidelidade”, que busca “levantar a bandeira da fidelidade, porque é coisa da antiga ser malandro traidor”. Ótimo disco. Corra atrás rapidinho.
Sobre a estréia da banda, passe aqui.
Site Oficial: http://www.finocoletivo.com.br
My Space: http://www.myspace.com/finocoletivo quinta-feira, 29 de abril de 2010
"Copacabana" - Fino Coletivo - 2010
Em 2007 o Fino Coletivo lançava um dos melhores discos do ano, com uma mistura interessantíssima de música brasileira e outros ritmos. Passado alguns anos e vários elogios da imprensa e do público, o combo volta em 2010 com seu segundo trabalho, intitulado “Copacabana”. Mesmo sem contar mais com a participação do Wado dentro do time, o Fino Coletivo mantém a pegada e a categoria marcante que caracterizou seu registro anterior.
Hoje o grupo é um sexteto, que conta com os compositores Alvinho Cabral (violão, guitarra, percussão e vocal), Adriano Siri (vocal) e Alvinho Lancellotti (vocal), mais os competentes Daniel Medeiros (baixo e vocal), Donatinho (teclados) e Marcus Cesar (bateria). “Copacabana” ganha o mundo pelas mãos do selo Oi Música e está disponível para audição no site do grupo. É um disco para cima, para alegrar a vida e o nosso dia a dia.
O samba ainda se apresenta como o alicerce em que as canções vão se construindo, mas se mistura com o funk, soul e com o reggae. As guitarras aparecem funkeadas e cheias de efeitos, o baixo é um balanço só, os teclados conduzem os temas, o vocal é dobrado e bem feito e a bateria segue precisa costurando tudo. Todo o disco é bom. Desde a ensolarada “Batida de Trovão” até o fechamento com “Amor Meu”, um suingue eletrônico para o amor.
Das 14 canções, 3 já foram gravadas pelo Wado. “A Coisa Mais Linda do Mundo” (do Alvinho Cabral) que aqui ganha metais e vira um reggaezinho, “Beijou Você” (parceria com Alvinho Cabral) e a ótima e sempre deliciosa “Se Vacilar o Jacaré Abraça” (esta junto com Thiago Nistal e Alvinho Cabral). Outras duas são covers: “Swing de Campo Grande” excelente releitura dos Novos Baianos e “Nhem Nhem Nhem” do Totonho & Os Cabra.
Ainda tem o balanço meio Paralamas do Sucesso de “Ai De Mim”, a psicodelia moderna da instrumental “Doce Em Madrid”, o reggae a lá Gilberto Gil de “Minha Menina Bonita”, a parceria com o rapper De Leve na história da mulher espetacular de “Abalando Geral” e uma ode a dedicação exclusiva ao amor em “Fidelidade”, que busca “levantar a bandeira da fidelidade, porque é coisa da antiga ser malandro traidor”. Ótimo disco. Corra atrás rapidinho.
Sobre a estréia da banda, passe aqui.
Site Oficial: http://www.finocoletivo.com.br
My Space: http://www.myspace.com/finocoletivo terça-feira, 27 de abril de 2010
"Greve Das Navalhas" - Violins - 2010
Nos primeiros meses do ano passado os goianos do Violins anunciaram seu fim. A banda ia partir para novos projetos, buscar novos caminhos. Menos de um ano depois desse anunciado término, Beto Cupertino (vocal, guitarras e violões), Thiago Ricco (baixo), Pedro Saddi (teclados) e Pierre Alcanfôr (bateria) resolveram se juntar novamente. O resultado é “Greve Das Navalhas” que apareceu faixa a faixa no site da banda em março e ganhará edição física pela Monstro Discos.
O Violins tem pelo menos uma obra prima na carreira, o extraordinário “Tribunal Surdo” de 2007 (outros consideram o “Grandes Infiéis” de 2005) e os rumores exagerados de sua “morte” deixavam um grande vazio no rock nacional. “Greve Das Navalhas” foi definido em entrevista recente por Beto Cupertino com um álbum de clima “dançando feliz no fim do mundo”. É mesmo por aí. Mesmo sem deixar de versar sobre tragédias, o retrato é bem mais otimista.
As canções do grupo de Goiânia são daquelas que trazem as melodias diretamente associadas as letras. Uma não faria tão sentido sem a outra. No novo trabalho, os versos continuam com um olhar seco, irônico e mordaz, viajando por temas como política e comportamento social, mas dessa vez focando também nos efeitos ambientais que vem refletindo no planeta. “Greve Das Navalhas” foi produzido novamente por Gustavo Diniz no estúdio RockLab.
Na primeira faixa “Um Só Fato”, saca-se logo a frase: “De fato o mundo perdeu o som?”. Se não perdeu, os sinais indicam o início. “Comercial de Papelaria” traz uma grande letra, ambientada com a tradicional calmaria antecedendo as guitarras fortes. Em “A Fila”, temos quase um conto, um realismo fantástico egoísta por si só. “Tsunami” é pesada e densa, o retrato de uma tragédia com final feliz. “A Morte da Chuva” impressiona com seus andamentos diferentes.
“Reinvenção da Roda” mergulha o vocal em efeitos e com um clima meio Radiohead, afirma que “Tudo está melhor agora que o mundo acabou lá fora”. “Sinais de Trânsito” traz o habitual cinismo comportamental de Beto Cupertino, enquanto “Mapa Incerto” é cética e cheia de desesperança, com bateria forte e vocal gritado. “Do tempo” apresenta a melhor letra do álbum, profetizando que “Pouca gente vai morrer de velho/ um entra e sai no mundo sem critério”.
Para finalizar o trabalho temos “Fluorescente”, usando o sol como narrador e “Roda da História” com seus violões trazendo uma visão final para um ótimo disco: “Se o mundo acabar/ Ninguém tem o direito de se entristecer aqui/ pra tudo se chega o tempo de se decretar um fim/ vamos só sair de cena como os dinossauros/ e depois outro animal vai prosseguir”. Em seu sexto disco, o Violins continua esbanjando qualidade e maestria nas suas músicas. Longa vida.
Site Oficial: http://www.violins.com.br
My Space: http://www.myspace.com/violinsbr
Sobre o Tribunal Surdo, passe aqui.
domingo, 25 de abril de 2010
"Anvil! The Story Of Anvil" - 2009
O rock n’ roll desde seus primórdios sempre foi um enorme palco para gerar sonhos. Quantos e quantos adolescentes não fizeram pactos de montar uma banda e tocar pelo resto de suas vidas? De seguir empunhando a bandeira do rock aconteça o que acontecer? Muitos fizeram isso sem dúvida, mas poucos conseguiram honrar esse trato utópico da juventude. Os canadenses Steve “Lips” Kudlow e Robb Reiner foram dois desses adolescentes.
Em 1973, então com 14 anos, resolveram montar uma banda que anos depois receberia o reforço de Dave Allison e Ian Dickson. O Anvil (que confesso nunca ter ouvido falar) teve seus minutos de sucesso no começo dos anos 80 quando lançaram discos cultuados dentro do metal como “Hard ’N’Heavy” de 1981 e “Metal On Metal” de 1982. Depois desse parco e modesto sucesso cairam na vala do ostracismo, no entanto, sem nunca deixar de gravar ou tocar.
“Anvil! The Story Of Anvil”, documentário produzido em 2009 pela aba cinematográfica do canal VH1 e dirigido por Sacha Gervasi, mostra os fundadores da banda (agora com 50 anos) ainda perseguindo o sonho de ser rockstars. O filme viaja para o Canadá para acompanhar Steve “Lips” Kudlow e Robb Reiner nas suas vidas atuais. Com trabalhos “comuns” para poder sobreviver financeiramente, a dupla ainda procura cumprir as promessas de anos atrás.
O documentário traz depoimentos de Lars Ulrich (Metallica), Scott Ian (Anthrax), Lemmy Kilmister (Motörhead), Tom Araya (Slayer) e Slash (ex-Guns And Roses), falando da importância que o Anvil teve no inicio das suas carreiras. Tudo bem sincero e sem forçar a barra. A câmera acompanha também os familiares dos fundadores, os fãs mais ardorosos (pouquíssimos na verdade) e os shows junto com a formação dos últimos anos com Gleen Five e Ivan Hurd.
Numa das passagens mais comoventes, a banda consegue uma turnê na Europa por mais de um mês. O que no começo era pura alegria e esperança se torna um pesadelo com shows em espeluncas na Romênia, Ucrânia, República Tcheca e outros mais. Sem desistir nunca, o Anvil ainda batalha para lançar um novo disco, gravado em Londres, mas que depois também se transforma em frustração quando não conseguem um contrato para fazer a distribuição.
O filme pode parecer ingênuo, sonhador e até ridículo para alguns em certos momentos, mas na verdade é um quadro bonito sobre amizade e esperança. Quando os amigos trocam insultos, farpas, abraços e pedidos de desculpas é impossível não se render a força da amizade e do poder da música. No final, Steve “Lips” diz que o que vale na vida são os relacionamentos e as experiências que tivemos. Ingênuo? Talvez. Mas um pouco mais disso no mundo não faria mal.
Sites oficiais: http://www.anvilthemovie.com e http://www.anvilmetal.com sexta-feira, 23 de abril de 2010
"A Estrada" - 2010
Dentre os filmes já produzidos sobre a destruição do mundo como conhecemos e a posterior sobrevivência nele, apenas uma pequena parcela se direciona sobre a ótica das pessoas e as dificuldades de viver nesse apocalíptico novo cotidiano. A maioria se preocupa em jogar na tela imagens sensacionais de monumentos e cidades importantes sendo quebradas, alagadas e destruídas, enquanto um pequeno grupo procura a salvação para o caos.
“A Estrada”, novo trabalho do diretor John Hillcoat se enquadra nessa pequena parcela descrita acima. O roteiro assinado por Joe Penhall é baseado no livro de Cormac McCarthy, vencedor do Pullitzer em 2007 e autor de “Onde Os Velhos Não Tem Vez”. O filme opta por contar um drama sobre pai e filho tentando sobreviver em um mundo que foi destruído, sem que eles mesmos saibam as causas disso, o que na verdade pouco importa.
Ao excluir da trama as divagações sobre possíveis causas do fim do mundo, tão comuns nos nossos dias atuais, John Hilcoat constrói um filme intenso e cheio de ótimos momentos. Em meio a paisagens desertas e um céu de costumeiro cinza, um homem (Viggo Mortensen) tenta ir para o sul, mais para a costa do EUA, onde acredita ser mais fácil proteger seu filho (Kodi Smit-McPhee) dos ataques canibalistas das gangues predominantes.
Aos poucos vão sendo apresentados alguns outros detalhes, como a esposa falecida (Charlize Theron). Na caminhada para o sul, pai e filho se deparam com um mundo destroçado, em busca de comida e abrigo, sendo que tudo o mais se torna supérfluo. Nessa caminhada não há tempo de distinguir entre bons e maus, todos são possíveis perigos a sobrevivência. O encontro com um velho (Robert Duvall) torna essa premissa mais acentuada.
Embaixo das imagens visuais muito fortes que a fotografia do filme distribui, o drama retrata de maneira intensa a relação entre pai e filho, com a proteção sempre em primeiro plano do primeiro e o reconhecimento e respeito (por mais que nem sempre concordem) que o filho vai demonstrando para o pai. Também versa sobre a perda da nossa pretensa humanidade quando o desespero bate, mostrando o quanto animalescos podemos ser se necessário.
“A Estrada” traz instrumentos que transformam um filme em algo mais. Direção precisa, atores inspirados, roteiro forte e bem costurado, ambientação brilhante e figurino impecável. A trilha sonora (a cargo de Nick Cave) é outro destaque, conduzida levemente, de maneira subliminar, como a história requisita. “A Estrada” aponta que se o fim do mundo realmente acontecer, não será muito diferente do caos social e cotidiano que ela retrata. quarta-feira, 21 de abril de 2010
"O Símbolo Perdido" - Dan Brown
O escritor norte americano Dan Brown já vendeu com “O Código da Vinci” mais de 80 milhões de cópias mundo afora. Isso sem contar seus outros livros. Um verdadeiro fenômeno. Na grande maioria dos casos, um sucesso estrondoroso como esse não reflete basicamente em qualidade. Dan Brown conseguiu equilibrar essa balança, principalmente com “Anjos e Demônios”, o livro que antecedeu seu maior sucesso, contando uma história envolvente e rica em detalhes.
“O Código da Vinci” apesar de manter o mesmo ritmo já apontava para uma repetição de fórmulas e caracterizações, mas ainda assim é uma literatura agradável, mesmo longe de ser espetacular. No novo livro da série que traz o catedrático Robert Langdon à tona, Dan Brown, no entanto, perdeu completamente a rédea do trabalho. “O Símbolo Perdido” lançado ano passado aqui pela Editora Sextante é uma gravura desbotada e sem graça dos seus livros anteriores.
Em “O Símbolo Perdido” Robert Langdon sai de Paris e do Vaticano, para entrar em Washington, capital dos EUA, outra cidade repleta de mistérios antigos. No lugar do Museu do Louvre, entra o Capitólio. Ele continua acompanhado de uma bonita mulher na correria para descobrir e desvendar teorias conspiratórias. A nova Vittoria Vetra e/ou Sophie Neveu é Katherine Solomon. Até o vilão guarda semelhanças com personagens anteriores, devido à estranheza.
Dessa vez, Robert Langdon se envolve com os segredos da Maçonaria (que fica no lugar do Priorado de Sião e dos Illuminati como antiga instituição misteriosa), o que pode acarretar na morte de uma grande amigo seu, Peter Solomon, assim como em um imenso perigo para os EUA. Para evitar esses desastres, o professor vestido com seu paletó de tweed, relógio do Mickey Mouse no pulso e fobia por espaços fechados, precisa usar todo seu brilhantismo e sagacidade.
Nas aventuras anteriores de Robert Langdon, Dan Brown conseguiu construir um mosaico que unia aventura, história antiga e um roteiro que guardava bem suas surpresas. As tramas por mais que trouxessem mistérios antigos não se distanciavam tanto assim de uma pretensa aplicabilidade na vida real. Em “O Símbolo Perdido” isso não ocorre. As artes (arquitetura, pintura, escultura,etc.) por mais que ainda sejam interessantes, se perdem na trama fantasiosa e confusa.
São raros os autores que conseguem manter o mesmo personagem no decorrer dos anos sem perder o dom de surpreender, aliando assim apaziguar a avidez dos fãs por novas histórias e a qualidade literária desses escritos. Dan Brown ao que tudo indica não será um destes casos. Talvez até por conta da inúmera quantidade de obras genéricas que apareceram “inspiradas” na esfera explorada em seus livros, a sua literatura já mostra sinais fortes de cansaço e repetição.
Sobre o filme “O Código da Vinci”, passe aqui. segunda-feira, 19 de abril de 2010
"Travellers In Space And Time" - The Apples In Stereo - 2010
O Apples In Stereo está de volta. Depois de uma coletânea lançada ano passado, a banda comandada por Robert Schneider retorna. O nome do novo trabalho (o sétimo da carreira) é “Travellers In Space And Time” e traz novamente tudo que a banda faz de melhor, ou seja, pop retrô influenciado pelos anos 60, com o vocal cheio de efeitos em vários momentos e backing vocals doces e melódicos acompanhando melodias bonitas e assobiáveis.
O grupo americano que já fez ótimos discos como “Tone Soul Evolution” de 1997, “Velocity Of Sound” de 2002 e “New Magnetic Wonder” de 2007, volta mais pop do que nunca em 2010. É o primeiro disco sem o baterista Hilarie Sidney (no seu lugar entra John Dufilho), mas traz ainda os velhos combatentes, John Hill (guitarra), Eric Allen (baixo), Bill Doss (teclados) e John Ferguson (teclados) na eterna batalha por canções pop perfeitas.
O primeiro single é “Dance Floor”, que une disco, dance music e anos 60 em uma canção para balançar qualquer parte do corpo. No clipe dentro do My Space da banda, Elijah Wood (o sempre Frodo) participa dando uma canja. Ele pode, já que é um dos donos da Simian Records, uma das gravadoras que distribuem o novo trabalho. Bem divertido. Nas outras 15 faixas do álbum (com apenas três vinhetas dessa vez!), a alegria também é garantida.
“Dream About The Future” chega encharcada de sintetizadores e teclados, enquanto “Hey Elevator” é dançante, anos 80 total. “C.P.U.” é futurista e mistura Super Furry Animals, Flaming Lips e psicodelia. “Dignified Dignitary” é um rockinho via anos 90, com backing vocal marcante e “No Vacation” convoca space rock, Beatles e group girls para conviverem na mesma faixa. Estamos um pouquinho além da metade do álbum e o astral já é elevado.
“Told You Once” cativa com seus versos trocados em repetição, envoltos numa camada sonora com clima futurista. “It's All Right” é uma espécie de R&B flertando com o dancing e estampando um sorriso descarado. “Next Year At About The Same Time” dá o prazer de um rock sessentista e “Nobody But You” é como se fosse uma “discoteca nonsense”, com harmonias vocais de deixarem Brian Wilson satisfeito. A viagem vai chegando ao final.
“Travellers In Space And Time” traz novamente um Robert Schneider inspirado na frente do Apples In Stereo, com canções para alegrar o dia de qualquer um. Um disco dançante mas não menos elegante, pop, mas exibindo um toque de classe refinado, divertido mas sem ser banal ou fútil. Típico álbum que não traz na contracapa nenhuma contra-indicação ou restrição. Música para alegrar a mente, para cantar e se divertir enquanto o mundo corre.
Sobre o “New Magnetic Wonder” de 2007, passe aqui.
Site Oficial: http://www.applesinstereo.com
My Space: http://www.myspace.com/theapplesinstereo sábado, 17 de abril de 2010
"Adam" - 2009
A Síndrome de Asperger traz ao seu portador problemas como dificuldade na interação social, desenvolvimento de padrões repetitivos, atenção exclusiva para um determinado tema e a não compreensão do que as outras pessoas esperam ou desejam. Geralmente quem sofre com essa Síndrome exibe uma inteligência acima da média. Esse é o caso do protagonista de “Adam”, filme norte americano do ano passado que chega agora em DVD.
Escrito e dirigido por Max Mayer, que estréia na direção e tinha no currículo somente alguns episódios de seriados como “The West Thing” e “Alias”, “Adam” emociona e foge do lugar comum utilizado na grande maioria das comédias românticas. Interpretado com muita intensidade e sutileza por Hugh Dancy, “Adam” insere o telespectador em um mundo paralelo, que tem regras e rotinas próprias, onde coisas fáceis são bem mais complicadas.
Após a morte de seu pai, com o qual dividia o apartamento, Adam se vê sozinho em um mundo que necessita de uma certa habilidade que ele infelizmente não dispõe. Sua única companhia é Harlan (Frankie Faison, perfeito nas curtas aparições), um velho amigo de seu pai desde a época do exército. No trabalho como engenheiro elétrico de uma empresa de brinquedos, não tem nenhum relacionamento mais acentuado até o dia em que é demitido.
No seu caminho aparece Beth (Rose Byrne), uma linda mulher que trabalha em uma escola para crianças e planeja escrever livros infantis no futuro. Vinda de uma família rica, Beth vê seu mundo e suas concepções serem confrontadas quando inicia um relacionamento com Adam, que muitas vezes se confunde com outros sentimentos. Os pais de Beth, interpretados por Frank Faison e Amy Irving, servem na medida certa para o história fluir.
“Adam” é um filme bem construído e bonito, demonstrando que às vezes um bom roteiro (também assinado por Max Mayer) envolvido com simplicidade e emoção funciona bem mais do que millhares de efeitos especiais. A poesia de “Adam” passa pelo amor e o veste com roupas nobres como companheirismo e compreensão, contando assim um romance de modo algum convencional, que ainda versa sobre conhecimento próprio e superação. quinta-feira, 15 de abril de 2010
"Se Você Gostou da Escola, Vai Adorar Trabalhar" - Irvine Welsh
Irvine Welsh caminha pela sua literatura seguindo os passos da contracultura dos anos 60 e 70, com influência de autores como William Borroughs e Hunter S. Thompson, para ficar somente em alguns exemplos. Nos seus livros as histórias são construídas por uma rede de marginalizados, loucos e desajustados. A presença de sexo, álcool e drogas em quantidade demasiada são uma constante fixa, que servem de combustível para mover as situações mais inusitadas.
Seu mais recente trabalho é um apanhado de histórias curtas, ao todo são quatro contos e uma novela. “Se Você Gostou da Escola, Vai Adorar Trabalhar” demonstra um resultado bem irregular ao final da leitura. A maior causa desse resultado está na repetição em alta rotação do universo já explorado anteriormente pelo autor, não fisicamente, pois viaja pelos EUA, Inglaterra, Ilhas Canárias (Espanha) e Escócia, mas sim no estilo e construção dos personagens.
O livro começa bem com o ótimo e surpreendente “Cascavéis”, onde dois homens e uma mulher viajam pelo deserto americano provando drogas e álcool sem restrições, até se envolverem em uma situação extraordinária, junto com um mexicano armado, tarado e louco. O conto que empresta seu nome ao livro também agrada, é ácido e mordaz, explorando um inglês que tenta contornar sua vida em torno das mulheres. Os melhores diálogos estão aqui.
Em “CÃES de Lincoln Park” e “Miss Arizona” as coisas já não fluem tão bem. Apesar de não poder serem acusados de ruins, os dois deixam a desejar. São previsíveis no seu desenrolar e não tão empolgantes. Parecem um sub-produto da literatura do próprio Welsh. Para finalizar tem a novela “Reino de Fife”, ambientada na Escócia em um pequeno condado, onde os párias estão espalhados por todo lado. Mesmo sem ser espetacular, acaba divertindo.
Autores que tem uma obra-prima no currículo (nesse caso o já citado “Trainspotting”) tendem a ficar marcados pelo resto da carreira com comparações. Irvine Welsh parece não se incomodar muito com isso, já que continua explorando basicamente a mesma caracterização de modo regular em seus livros. “Se Você Gostou da Escola, Vai Adorar Trabalhar” é mediano e indica mesmo que ainda suavemente, um esgotamento da fonte criativa do seu autor.
terça-feira, 13 de abril de 2010
"Women And Country" - Jakob Dylan - 2010
Ser filho de uma lenda viva da música mundial não deve ser tarefa das mais fáceis. Por mais que isso abra inúmeros caminhos e portas, as cobranças e comparações devem ser imensas. Jakob Dylan, hoje com 40 anos, sabe muito bem disso. O músico sempre caminhou com a sombra do pai nas costas, desde o tempo que tocava o Wallflowers entre 1989 e 2006. Apesar disso montou um trabalho de boa qualidade e alcançou certo sucesso por méritos próprios.
Sua ex-banda (mesmo não confirmando seu final) fez bons discos, entre eles “Bringing Down The Horse” de 1996 que trazia faixas como “One Headlight”, “6th Avenue Heartache” e “Invisible City”. A produção desse antigo trabalho foi feita por T-Bone Burnett, um reconhecido músico e produtor norte americano de country e folk. No seu segundo trabalho solo que chega as lojas agora em abril, a produção novamente esteve nas mãos dele.
No seu primeiro registro, “Seeing Things” de 2008, Jakob Dylan tocou praticamente de modo acústico, sem maiores instrumentações, provocando um resultado bem razoável. Em “Women And Country” essa vertente acústica ainda se mostra o fio condutor, mas ganha a companhia de diversos instrumentos como teclado, trombone, guitarra, bateria, baixo, trompete, violino e bandolim. Uma banda extremamente competente é responsável por conduzi-los.
“Women And Country” traz onze faixas, nas quais em oito, o músico conta com os backing vocals das cantoras Neko Case e Kelly Hogan, que ajudam e muito a construir a beleza do trabalho. Mesmo não podendo comparar as letras do filho com as do pai (o que seria uma tremenda covardia), temos um retrato amplo de desesperança em cima de um país e de uma vida que parece que vem perdendo o sentido na sua visão particular. Nem o amor salva.
Em “Everybody's Hurting”, Jakob canta: “Apenas uma coisa é certa. Que todo mundo, todo mundo está sofrendo”. Em “Holy Rollers For Love” constata tristemente que “agora temos mais funerais que feiras” e em “Standing Eight Count”, meio perdido em questionamentos, pergunta: “Em que direção estamos indo?”. Em termos gerais, todas as canções trazem esse mesmo clima, ancorados em bases de folk e country, com pinçadas de jazz e blues.
“Women And Country” ainda tem entre outras coisas a beleza de “Nothing But The Whole Wide World” e “Truth For A Truth”. No seu segundo disco, até pela participação de Neko Case e Kelly Hogan nos vocais, Jakob Dylan se aproxima muito de um grande disco dos últimos anos, o “Raising Sand” de Robert Plant e Alison Krauss lançado em 2007 (não gratuitamente também produzido por T-Bone Burnett). O filho do homem está mandando muito bem.
Site oficial: http://www.jakobdylan.com
My Space: http://www.myspace.com/jakobdylan segunda-feira, 12 de abril de 2010
"Festa Scream & Yell #2" - Casa Dissenso (SP) - 16.04.2010
Se liga no serviço:
Festa Scream & Yell #2
Sexta: 16/04
Abertura da casa: 22h
Show: Cérebro Eletrônico às 00h (transmitido via web)
Discotecagem: DJ Set ScreamYell (Marcelo Costa e Tiago Agostini) $15
Local: Casa Dissenso, Rua dos Pinheiros, 747, São Paulo, SP
Informações: http://www.screamyell.com.br
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