Porque comprar um DVD com apresentações de uma banda que voltou a ativa, mas que continua tocando músicas de 20 anos atrás?
Eis alguns motivos:
1 - A banda em questão se chama Pixies,
2 - O DVD conta a história de um show feito no lendário Festival Folk de Newport, de onde Bob Dylan desandou os puritanos com a inserção da guitarra elétrica,
3 - As músicas estão em formato acústico,
4 - Frank Black, Kim Deal, Joey Santiago e David Lovering estão de bem com a vida e mais entrosados que nunca,
5 - A banda em questão se chama Pixies (só isso devia bastar!).
"Nós somos o Pixies, somos uma banda de rock. Normalmente temos um monte de amplificadores atrás de nós, mas hoje não. Estamos um pouco nervosos", diz a baixista Kim Deal assim que o grupo sobe ao palco, quando o final da tarde se aproxima.
Desde a abertura com “Bone Machine” até o fechamento magistral com a dobradinha “Where´s Is My Mind” seguida de “Gigantic”, oriundas do álbum Surfer Rosa, o sorriso fica estampado no rosto.
Versões para clássicos da banda como “Velouria”, “I Bleed”, “Here Comes Your Man” e “Hey” posam ao lado de canções menos conhecidas como “Cactus” e “Is She Weird”.
A potência do Pixies mesmo em formato acústico se faz presente, com o vocal meio nervoso, meio melódico e as linhas de baixo de Mrs. Deal ditando o ritmo.
Presentaço de final de ano. Ou de qualquer outra data.
“Clitóris, clitóris, ah! Clitóris...” abre o novo disco de uma das grandes referências do rock nacional que alçara vôos rumo ao sucesso. Meio pesado, não? Claro que sim, ainda mais se estivermos em 1991, com uma crise total abatendo o mercado que só tinha ouvidos para a música sertaneja.
Os Titãs lançavam há quinze anos atrás, um dos grandes álbuns de sua carreira, entrecortado entre algumas brigas paralelas e desejos individuais. “Tudo ao Mesmo Tempo Agora” à época, soava como sujo, mal vestido e sem ser convidado. Hoje é quase um clássico perdido entre os lugares comuns de sua geração.
O disco que contava com um projeto gráfico excelente, entre outras coisas marcou a saída de Arnaldo Antunes. Era como se grande parte da porra louquice da banda estivesse indo embora, mesmo que ainda sobrassem Branco Mello e Paulo Miklos. As faixas aparecem desesperadas, urgentes, sem muita preoucupação com o que viria pela frente e paralelo a isso, tinham uma energia ímpar, permanecendo viscerais até hoje.
Da urgência matadora de “Clitóris”, aos devaneios existencialistas de “Cabeça”, ou as cacetadas poéticas (e sonoras) de “Isso Para Mim é Perfume” e “Flat – Cemitério – Apartamento”, os Titãs procriavam guitarras, esporros e palavrões com a naturalidade de que se come um pão no café da manhã.
Faixas como “Eu Vezes Eu”, “Saia de Mim”, “Agora” e “Não é Por Não Falar”, estão no rol das melhores de toda a carreira da banda. O minimalismo poético de “Uma Coisa de Cada Vez”, “Obrigado” e “Se Você Está Aqui”, tem seus recôncavos na urgência punk e influências na poesia concreta.
“Tudo ao Mesmo Tempo Agora” é um daqueles discos que quanto mais velhos ficam, mais você percebe e admira sua qualidade, mostrando uma banda que começava a se rachar e encontrar diversas dificuldades, mas que diferente dos seus tempos atuais, respondia a tudo isso com música de uma necessidade absurda.
Em 2003 no meio da revigorada do cenário rock que aconteceu em Belém do Pará, uma das bandas que mais chamou a atenção foi o Stereoscope, composta por Jack Nilson (guitarra/voz), Marcelo Nazareth (Guitarra/voz), Ricardo Maradei (Baixo/voz) e Ulysses Moreira (Bateria) que lançava o ótimo “Rádio 2000”
A banda começou a despertar amores, como o de Fernando Rosa do selo Senhor F que em entrevista ao Amazônia Hoje, conta: “O primeiro disco da Stereoscope, foi amor à primeira vista. Ouvi por semanas aquelas canções, e guardo o disco como uma espécie de relíquia”. Eis que esse amor resultou no segundo álbum da banda, lançado recentemente e intitulado “O Grande Passeio do Stereoscope”.
Nesse novo projeto a banda faz um trabalho bem bonito. Com uma produção bem melhor, que deixou o som mais limpo e organizado, dando preferência aos acordes e passagens vocais, tudo se encaixa perfeitamente. Mais do que nunca a aposta é na sonoridade dos anos 60, privilegiando as melodias.
O disco tem excelentes momentos como “A Garota de Ninguém”, “O Pequeno Super Herói”, “Infelizmente” e “Assunto Para um Domingo”. Na deliciosa “O Super Sabor do Chocolate”, Jack Nilson despeja “...quando eu ficar mais velho me aceita/liga a tv e me serve o jantar?/e seu eu chegar em terceiro, me beija?...”, sendo impossível não cantar junto.
As letras continuam falando do cotidiano e de amores juvenis, o que no entanto, não se caracteriza como um fato ruim, pois em momento algum soa piegas. Em “Novembro”, chegam as frases: “...penso que quero sumir/no espaço e no tempo/na lente do espelho...”. Outro bom momento é “Figadal II”, com seus versos, “...falta de ácido, falta de hábito...(...)eu vou me perder no carnaval...”, que já nasce com cara de hit.
O novo disco do Stereoscope traz todos os elementos para que a banda consiga romper as fronteiras do estado e alçar vôos maiores. É esperar a chuva cair, colocar as canções do disco para rodar e adentrar em um passeio prazeroso que não precisa de segurança nenhuma a não ser a do seu próprio coração.
No meio de toda onda retrô que vem se abatendo sobre o rock nos últimos anos, com bandas espocando nos quatro cantos saqueando os anos 80, algumas com mais inteligência e competência do que outras e quase todas divertindo, um quarteto londrino chamado Boy Kill Boy soltou no mercado no meio deste ano, o ótimo “Civilian”.
Não espere nada de novo, as bases ritmadas adicionam os refrões ganchudos, guitarras trocadas com teclados e influências que passeiam de The Cure a New Order do ínicio da carreira. Se você não liga para isso e quer só escutar um bom rock tocado em alto volume, não irá se arrepender em nenhum momento.
Passando pela música que abre o disco “Back Again’, pelas excelentes “On a On”, “Suzie” “Killer” e “Showdown”, ou pelo simples e puro desejo de dançar imposto por “Six Minutes” e “Civil Sin”, o prazer está garantido faixa a faixa, com Chris nos vocais e guitarras, Shaz na bateria, Pete nos teclados e Kev coordenando seu baixo e auxiliando nos vocais.
Esqueça as bandas que vão mudar o mundo e sua vida. O Boy Kill Boy não é uma dessas. Mas se você gosta de rock para tocar alto, cantar junto, dançar e encher a cara com uma boa cerveja, “Civilian” é uma das melhores pedidas do ano. Totalmente indicado contra o mau humor.
E se você não gostar da faixa que fecha o álbum, “Shoot Me Down”, é melhor passar a escutar outra coisa.
Leoni é um cara bacana. Essa é a primeira idéia que me vem a cabeça. Um cara que comeu o pão que o diabo amassou e conseguiu graças ao seu talento e um punhado de grandes canções dos anos 80, dar a volta por cima e voltar a fazer parte novamente do cenário pop nacional.
Leoni foi o cérebro do Kid Abelha dos primeiros álbuns, grandes álbuns, diga-se de passagem, com letras que versavam sobre relacionamentos e sonoridade pop por excelência, fez a fama da banda. Depois saiu, brigou, montou outros projetos, ficou no ostracismo, mas graças aos seus discos “Áudio Retrato” e “Leoni ao vivo”, basicamente com voz e violão, onde revisitava suas canções, apareceu novamente.
Dito isso, “Outro Futuro”, seu mais recente disco, mantém a mesma proposta de voz e violão, trazendo canções suas em parceria com Frejat, Paulinho Moska, Cris Braun, entre outros. “50 Receitas” e “40 dias no espaço” já estavam no seu ao vivo, no mais, as outras músicas estão novinhas em folha na sua voz.
“A Chave da Porta da Frente”, ganha uma bela roupagem e ambientação, “Lado Z” é uma grandíssima sacada, “Saudade de Você” chega a emocionar, mas no final fica aquele gosto de “mais do mesmo” e pela extensão do álbum algumas boas músicas como a faixa-titulo acabam não recebendo a devida atenção.
Por não apostar em nada novo e seguir o caminho que deu certo recentemente, Leoni fez um disco repleto de canções perfeitas, mas que não chegam a empolgar o ouvinte para uma segunda ouvida geral. Mesmo assim, ainda se faz interessante em algumas faixas e merece ser escutado.
Quanto as mesmas apostas que tentam buscar seu outro futuro, depois de tudo que o cara passou e conseguiu voltar, quem pode culpá-lo por isso?
Em 2003, o Rapture, banda de Nova York, apareceu para o mundo levado junto meio que na esteira do sucesso de outras bandas da cidade (apesar de ser mais velha que elas), e para as pistas de dança com o hit “House Of Jealours Lovers”, inserido no seu álbum “Echoes”, lançado no mesmo ano.
O Rapture já desde seu primeiro disco de 1999 imprimia sua música revisitada do pós-punk de bandas como The Cure, P.I.L, Talking Heads e Blondie, fazendo todos dançar e moldando a “quase-cena” que viria anos depois com bandas como Strokes, Radio 4 e Yeah, Yeah, Yeahs.
Em 2006, Luke Jenner nos vocais e guitarras, Mattie Safer no baixo, Vito Roccoforte na bateria e Gabriel Andruzzi responsável pelos teclados, saxophone e percussão, colocaram no mercado mais um trabalho da sua banda, intitulado “Pieces Of The People We Love”.
O álbum não arrisca muito em outras direções, não divergindo muito de “Echoes”, com o baixo de Mattie Seffer sempre saltando muito e Luke Jenner emulando Robert Smith do The Cure nos vocais. No entanto, o disco está um pouco menos soturno que seu antecessor. Ponto para ele.
Canções como a faixa titulo, “Don Gon Do It”, “Get Myself Into It”, “The Devil” e a indecifrável “Whoo! Alright-Yeah...Uh Huh” são de não deixar ninguém parado. Então esqueça as pretensões banais, os discursos politizados e apenas aumente o volume e dance com o rock oitentista do The Rapture. Apenas isso.
A história basicamente se repete em cada canto do mundo dia após dia. Alguns amigos resolvem começar a tocar músicas de suas bandas preferidas para passar o tempo, nesse caso bandas como Teenage Fanclub, Ride, Placebo, Flaming Lips e Pixies.
A cidade era o Rio de Janeiro e os amigos que também eram românticos inveterados, adicionaram a isso mais alguns toques de bossa nova e em 2003, lançaram “Amores, Melodias e Afins”. A banda em questão se chama Grandprix (não por acaso o nome de um disco do Teenage Fanclub) e está em processo de gravação do seu primeiro álbum.
No seu EP de estréia, disponível para download na Trama Virtual (clique aqui para baixar), Luiz Alberto (Guitarra e Voz), Filipe Dias (Guitarra e Voz), Rodrigo Belmonte (Baixo), Luiz Paulo (Bateria), Alex Martoni (Guitarra e Teclado) e Ricardo Falco (Teclado), fizeram bem bonito.
“(Nem ver) Você voltar”, traz os versos: “Eu só aceito se eu a tiver pra sempre/ quero para mim/ as lágrimas de um rosto que me fez tão feliz...”. Soa meio brega não? Não. Com um instrumental bebendo no power pop das suas influências soa muito bem.
Toques bem presentes de bossa nova em “A Menina”, dão uma quebrada gostosa no ritmo enquanto descreve-se que “A minha menina tem olhos negros/ e um sorriso capaz de degelar meu coração...”. Romantismo embalado para viagem ou para ser gravado em um cd acompanhando um buquê de flores em pleno dia dos namorados.
O EP ainda tem as faixas “Euforia” (com o lindo verso: “A solidão me cai tão bem...”), “Melhor Assim” e “Anna” (com um backing daqueles que grudam na cabeça), deixando no ar uma grande expectativa em cima do seu primeiro álbum que terá a mixagem e masterização de Gustavo Seabra do Pelv´s.
Enquanto o disco não vem, a (boa) saída é sair cantando junto, sem muito compromisso, no ouvido de alguém ou em casa mesmo, as canções do EP da banda.
O ano era 1989. A cidade era Glascow na Escócia. Três caras. Norman Blake (vocal e guitarra), Raymond McGinley (vocal e guitarra) e Gerard Love (vocal e baixo). E uma banda. Teenage Fanclub.
“A Catholic Education” foi o primeiro disco de uma banda que fundamentou o se chama de Power Pop, com influências de Big Star, Love e Beatles, onde guitarras densas e por vezes distorcidas dão lugar a estruturas melódicas das mais diversas, ambientando em sua grande maioria letras que versam sobre o amor.
O Teenage Fanclub contava com três vocalistas que se revezavam e contavam histórias sentimentais, mas nunca piegas. O seu disco de estréia lançado pelo selo Creation na Inglaterra e pela Matador nos USA rendeu boas criticas e mostrou a uma geração de fãs o som da banda, cultivando para essa galeria nomes do porte de Frank Black e Kurt Cobain.
Abrindo com as guitarras de “Everything Flows”, seguindo com o vocal de “Everbody´s fool”, passando pela faixa titulo e culminando em grandes canções pop como “Critical Mass”, “Too Involved”, “Eternal Light” e a sarcástica “Don´t Need a Drum”, o Teenage iniciava um caminho que até hoje tem pouquíssimos erros.
No seu “debut”, o TF pavimentava o que seria o terreno de seu melhor álbum, o clássico “Bandwagonesque” de 1992, uma das principais gravações da década. A banda continua produzindo grandes discos, provavelmente sem nunca ter lançado um álbum ruim e continuando a empolgar com seu rock melódico.
“A Catholic Education” mostra uma banda ainda tentando encontrar seu melhor som, mas em contrapartida fazendo dessa procura um trabalho de imensurável prazer para seus ouvintes. Como costumo dizer, beba Teenage Fanclub sempre que puder. E se embriague.
Bob Dylan não é um simples mortal. Não mais. Há tempos Bob passou a ocupar um lugar em cima de quase todos os outros quando se trata da música dos últimos 50 anos. Seja pelo lado da música, a qual carregou no colo e criou milhões de súditos e reverências no decorrer dos anos, seja pelo lado da cultura pop, onde se tornou mundialmente conhecido, mesmo quando alguns saibam somente algumas de suas músicas.
Não que ele ache isso tudo interessante, em recente entrevista para a Rolling Stone Brasil, Dylan chuta: “Na verdade, não tenho um bando de astrólogos me dizendo o que irá acontecer. Apenas dou um passo após o outro, uma coisa leva à outra”. Despretensão? Sim, mas também muita calma e certeza de que é um dos pilares fundamentais da música e do comportamento que se instalou em boa parte dos seus 65 anos.
Desde os idos da postura rebelde com seu folk e critica social, passando pelo efeito sex symbol dos anos 70, pelo certo ostracismo do meio dos 80 e 90 e pelo retorno as boas criticas (como se ele se preocupasse com isso) com os álbuns “Time Out Of Mind” de 1997 e “Love And The Thief” de 2001, Dylan sempre se manteve na frente de boa parte da mídia, certeza que se confere novamente nesse ano.
Com o lançamento do seu 31º álbum, intitulado com o instigante título “Modern Times”, Dylan completa sua não pretensa trilogia iniciada com os dois discos citados acima, de um mundo diferente, um mundo que se despedaçou, desvirtuou, mas que apesar de parecer cansado consegue ainda ter amor. Mesmo que escondido no meio de tudo.
“Thunder of the Mountain” que abre o disco com seu rock clássico de solos de guitarras e batida boogie-woogie aponta: “...investigue seu coração e você vai entender um pouco...”. O que o músico faz hoje é uma reflexão dos nossos tempos em que apesar de estarmos tão conectados a tudo e a todos, ainda carecemos basicamente de atenção, vivendo em um mundo solitário na maioria das vezes.
Não espere rocks engajados ou com ritmo forte, talvez você consiga levemente balançar a cabeça na já citada “Thunder of the Mountain” ou em “Someday Baby” e em “The Levee´s Gonna Break” além do magnífico blues de “Rollin´ And Tumblin´” que traz uma homenagem aos seus heróis blueseiros das décadas de 40 e 50.
No mais “Modern Times” traz apenas belas baladas folk, com pitadas de jazz e blues, com Dylan deixando seu sarcasmo espalhado pelo caminho, encoberto com uma certa melancolia. Como em “Spirit on The Water” que os contornos de jazz, abrem caminhos para reflexões obscuras do cantor, trabalhando em cima de pesadelos.
“When The Deal Goes Down” evoca a razão de se estar aqui vivendo e “Beyond The Horizon”, chega um pouco mais romântica e habitual. Os grandes destaques do disco ficam com “Working Man´s Blues #2”, continuação da original em que se destaca a corrupção das nossas individualidades e desejos perante toda a rotina dos dias atuais e a sombria “Ain´t Talkin” com versos como “...não há nenhum altar nessa estrada longa e solitária...”.
Dylan é eterno. E caso você não acredite nisso, simplesmente não ouça o disco e parta atrás das (boas) novidades como Radio 4, Dirty Pretty Things, Racounters e outras tantas efemeridades quase sempre passageiras (e que divertem nessas passagens).
Mas caso você tenha um pouquinho de bom senso nesse seu coração, escute “Modern Times” e se encante com toda a magia de alguém que para a música é como se fosse um Deus e que consegue depois de tantos anos, lançar um disco que faz pensar e emociona, ainda conseguindo soar relevante e atual.
Martin Scorsese é um dos poucos gênios da histórias do cinema que ainda estão vivos e produzindo. Desde os idos dos clássicos “Táxi Driver” e “Touro Indomável”, até seu último e injustiçado “O Aviador”, Scorsese é sempre relevante, focando a psique humana na violência e sobrevivência dentro de um mundo adverso ao dos personagens.
No seu novo filme “Os Infiltrados (The Departed)”, o diretor volta para o universo que se sente bem, deixando de lado os (bons) épicos do passado recente e mergulhando sua câmera de novo em meio à sordidez, traição e relações supra sociais do universo dos gangstêres que já havia abordado brilhantemente em “Os Bons Companheiros” e “Cassino”.
Na sua mais nova parceria com Leonardo DiCaprio, o clima todo leva a crer em uma reabilitação necessária ao seu trabalho apesar das últimas criticas recebidas, algumas até sem grande valia. A cidade deixa de ser Nova York e se transforma em Boston, onde o chefe do crime é um irlandês (interpretado pelo sempre magistral Jack Nicholson) que passeia ilegalmente entre a policia local e o FBI.
No seu universo próprio e repleto de idiossincrasias (leia-se drogas, violência e sexo) o chefão infiltra dentro da policia um agente seu (Matt Damon) para servir de suporte as suas transações, mas no entanto também tem dentro da sua “corporação” um agente infiltrado da policia (DiCaprio), que tenta desmascara-lo e prende-lo. Os dois personagens tem nas suas ambivalências, quase a formação de um carater único que se completa no decorrer do longa.
Com um elenco de apoio com nomes como Martin Sheen, Alec Baldwin (brilhante como coadjuvante) e Mark Whalberg (que sim, consegue trabalhar bem), o diretor recria a história que já fora filmada em 2002 em Hong Kong pela dupla Andrew Lau e Alan Mak, com uma competência peculiar.
Scorsese volta em grande estilo, dirigindo um dos grandes filmes do ano até agora, trabalhando mais uma vez naquilo que faz melhor, retratando toda a solidão que é própria do ser humano e que acaba por ficar na maioria das vezes encoberta no meio de tudo. E convence muito bem. Mais uma vez.