“As loucuras de Dick e Jane” é a nova empreitada do ator Jim Carrey, que estrela essa comédia romântica - dramática ao lado de Téa Leoni ( de “Um Homem de Família”), sobre a produção executiva do próprio Carrey e a direção de Dean Parisot (do ridículo “Heróis Fora de Órbita). Na verdade, o diretor não faz nenhuma diferença, essa é a verdade, Carrey é o nome do filme, para quem é fã do trabalho do ator (como este humilde escriba) vai gostar bastante da sua atuação. Carrey dá um tempo nas suas caretas e facetas, ambientando-se muito bem entre a comédia e o desespero que o seu personagem precisa. Ele vive Dick Harper, que depois de anos e anos de trabalho duro recebe uma promoção para vice-presidente da Globodyne, uma empresa líder de mercado no seu segmento de comunicação. Mas depois de um dia tudo começa a ruir, depois de um escândalo na empresa que forjava resultados financeiros disfarçando prejuízos em lucros, com ele fazendo papel de bobo em rede nacional de televisão. O objetivo da sátira é claramente as empresas Enron (gigante do setor de energia) e World.com que utilizaram de tal artimanha contábil para forjar resultados e elevar o preço de suas ações na vida real, realizando uma verdadeira calamidade nos USA, há pouco tempo atras, quando quebraram deixando acionistas e funcionários desesperados. Quando a empresa cai e seu CEO Frank Bascome (Richard Jenkins da série “A Sete Palmos) vai preso, todos os funcionários entram em parafuso, pois tinham todas as suas economias em títulos da Globodyne. O diretor da empresa e responsável por tudo, Jack Macllister (Alec Baldwin, excelente no papel), fica com milhões, pois havia vendido todas as suas ações antes da bomba explodir. Quando Dick chega em casa para dar a noticia percebe que a mulher pediu demissão e começaram a cavar a piscina na casa, que tal? A partir desse ponto, o filme critica de forma aberta, mas abusando do humor trágico e até as vezes negro. Da luta para se encontrar um emprego (em um país onde o desemprego só cresce), da relação dos mexicanos, das aparências superficiais da vida em sociedade, dos sonhos de consumo e não menos obstante da própria globalização em si. Quando tudo vai indo para o buraco, Dick resolve começar a roubar, contando com a ajuda da sua esposa Jane (grande coadjuvante!), voltando a ter seus bens dessa forma. O resto deixo para vocês verem no cinema. Carrey fez um filme engraçado mas com critica social, sem apelar para suas manias, realizando um bom filme para se ver no fim de tarde e dar bastante risada. Obs: Preste atenção nos agradecimentos finais,ok?
quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
Monsieur Batignole
Tem uma frase que diz mais ou menos assim: “Quando os bons não fazem nada, o mal prevalece”. Pode-se dizer que essa é a premissa básica que o diretor francês Gérard Jugnot partiu para construir o seu “Monsier Batignole” que aqui desembarcou depois de três anos e recebeu o ridículo título de “Herói Por Acaso” (queria saber quem são os gênios atrás dessas traduções), estando disponível nas locadoras. No verão de 1942, a França se encontrava totalmente ocupada pela Alemanha no desenvolvimento da 2ª Guerra Mundial. Seus exércitos já haviam sido derrotados e a população vivia sobre medo, obedecendo ordens e não questionando em nenhum momento os oficiais alemães, que se preocupavam nesse momento em mandar judeus para o campo de concentração e se apossar dos bens deles. Nisso, alguns franceses se tornaram “colaboracionistas”, ou seja, deduravam judeus para os alemães. Alguns faziam isso por medo, outros por omissão e outros ainda por ganância e maldade. Nesse contexto é que se desenvolve o filme. Edmond Batignole (Gérard Jugnot) tem uma salsicharia em Paris, tendo como vizinho uma família de judeus que acaba denunciando sem querer para os nazistas, mais por obra de seu genro e candidato a “escritor” Jean Pierre Lamour (Jean Paul Rouve). Quando a família vai presa, seu genro e sua esposa se posicionam junto ao Coronel Spreich (Gotz Burger), comandante alemão em Paris, para adquirirem a casa. Em um processo de cobiça e ganância desvairados, tomam posse desse lar. Em determinado momento do filme, o menino Simon (Jules Sitruk em grande atuação) consegue fugir dos alemãs e retorna a antiga casa dos pais, onde já nada existe. A partir disso, Edmond começa a cuidar escondido do garoto e se vê envolvido no meio da guerra, que tanto quis ficar indiferente. Baseado em uma história real, “Monsieur Batignole” tem grandes momentos, apesar de ser bastante piegas às vezes e cometer algumas semelhanças com “A Vida é Bela” do italiano Roberto Benigni. Jugnot mostra seu filme sobre a segunda guerra de uma maneira leve e despretensiosa, colocando alguns dos males do ser humano a mostra e enaltecendo outros que vez ou outra precisam desabrochar. Com um toque de humor bastante aguçado e cenas emocionantes, o diretor constrói um belo filme, daqueles para se ver em casa, enquanto a chuva cai na cidade, lembrando que no final das contas como diria o poeta, “Ser bom é tudo que nos resta”.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2006
Unplugged MTV - Neil Young
Ando escutando muita coisa antiga, andam até me sacaneando com isso, mas a verdade é que andei mexendo na cdteca e fui retirando alguns discos que fazia muito tempo que não ouvia. Ok, estou ficando velho, mas grandes músicas serão sempre grandes, isso é vero. Esse fim de semana o que andou rolando por aqui foi o bom e velho Senhor Rock n´Roll, Neil Young. O Unplugged MTV de 1993 reúne boa parte da obra do músico, e que apesar de não ter clássicos como "Hey, Hey, My, My" (regravada pelo Oasis) e "Keep Rockin´ in the Free World" (regravada pelo Pearl Jam), vale muito a pena. Contando com uma excelente banda de apoio, Neil começa com "The Old Laughing Lady" de 1968, passando por clássicos como "Mr. Soul" e "Stringman", embarcando na estupenda "Like a Hurricane" (que retratou bem sua geração) e por coisas mais recentes como "From Hank to Hendrix" e "Harvest Moon" do belo disco homônimo de 1992. O álbum culmina na belíssima "Helpless", mostrando o quanto Neil Young é o cara, melodia singela, letra de redenção, simplesmente perfeita. Para ratificar sua relevância, fico com um comentário do Noel Gallagher do Oasis, que assistindo a um show de Neil na Argentina ao lado do Mike Mills do R.E.M, olhou e disse : “Tinha que ter um motivo para eu fazer rock, Neil Young é esse motivo”. Assino embaixo.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2006
“Whenever You´re Read” - Flop - 1993
Existem aqueles discos que você compra, passa um monte de tempo divulgando aos quatro ventos que se trata de uma banda que todos precisam descobrir, ninguém acredita em você, o disco não vende, a banda some e você automaticamente vai arrumando novas paixões musicais.
Depois de uma daquelas arrumações na cdteca para tirar o pó, eis que você o vê quase que dizendo “Você lembra de mim?”. Isso aconteceu essa semana com “Whenever You´re Read” da banda americana Flop. Lançado em 1993 pela EPIC, esse segundo trabalho (a banda acabou em 1995 depois de mais um registro) é uma obra prima do rock dos anos 90.
Entenda-se o momento. Estávamos em 1993, o Nirvana tinha bagunçado com a música mostrando depois de muito tempo que podia se fazer barulho com pop e alcançar milhões de discos vendidos, trazendo consigo todo o movimento do grunge e a trupe de Seatlle com bandas como Pearl Jam, Soundgarden, Mudhoney, Alice In Chains e muitas outras. As gravadoras estavam correndo atrás do “novo” Nirvana a todo momento, a toda hora.
O Flop era dos arredores de Seatlle, existia desde 1989, já tinha produzido algumas músicas legais e foram contratados pela EPIC para o lançamento do segundo álbum. Nisso, Rusty Willoughby (vocalista e guitarrista responsável por 95% das músicas), Nate Johnson (Bateria), Bill Campell (Guitarra) e Paul Schurk (Baixo), embarcaram na idéia e lançaram o excelente “Whenever You´re Ready”.
Fugindo de tudo aquilo que se convencionou chamar de grunge, sua música ia mais para o lado do punk-pop do Husker Dü, com pitadas de powerpop, de bandas dos anos 60 e do som garageiro dos anos 70. Utilizavam muito bom humor (músicas com títulos como “A Popular Donkey”, “En Route To The Unified Field Theory" e “Z2 + C”), letras sarcásticas e certo humor negro, além de imbecialidades juvenis e comportamentos amorosos (o projeto gráfico meio nonsense do disco que o diga).
Seja pelo punk de “A. Wylie” (hit pessoal dessa época, constava em todas as minhas fitas, sim... fitas), pelo vocal distorcido e as palmas de “A Fixed Point”, o hard rock quebrado de “Night of The Hunter”, o punk-hardcore de “Eat”, ou a entrada circense que antecede o rock cru de “The Great Valediction”, tudo é puro deleite sonoro.
A banda podia ter conquistado o sucesso que nunca viu, canções de qualidade para isso não faltavam como “Port Angels”, onde um baixo de jazz salta para guitarras de um quase heavy metal, o pop puro e descartável de “Woolworth”, a mini ópera rock de “Parts I e II” ou a melancolia recheada de sarcasmo de “Regrets” onde Rusty canta “I have got a car/ I no have got a opinion/ I don´t have regrets baby/..../ I have got no friends...” terça-feira, 3 de janeiro de 2006
Clean
“Clean” é uma produção franco inglesa de 2004, disponível em DVD. Dirigido por Olivier Assayas (de “Água Fria”), esse drama de reconquista e redenção, me chamou muito a atenção nesse último fim de semana. É certo que histórias desse tipo sempre ganham ponto comigo, ainda mais se bem realizadas. O enredo consiste na busca de Emily Wang (uma ótima atuação da chinesa Maggie Cheung, que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz em Cannes), em recuperar sua vida perdida após a morte de seu marido, Lee Hauser (James Johnston), um rockstar que não consegue mais lançar nada importante e sucumbe no meio de drogas e decepções. Lee sofre uma overdose depois de uma briga com Wang e morre, enquanto sua esposa passa seis meses na cadeia por porte ilegal de heroína. Quando sai da prisão, Emily encontra o seu sogro Albrecht Hauser (Nick Nolte em uma interpretação simples, cheia de timidez e amarguras), que havia cuidado de seu filho Jay (o bom James Dennis) durante sua prisão e que visto a deficiência emocional de sua nora, ele avisa que vai continuar com a criança. A partir daí a busca da personagem principal consiste em conseguir se reerguer, se livrando do vicio onipresente das drogas, para conquistar o filho. Maggie Cheung é um caso a parte no filme, atriz muito popular de filmes de ação em Hong Kong, ela consegue em seu segundo trabalho com o diretor, extrair uma mistura de esperança e desespero, que emociona nessa sua busca por paz. A direção é precisa, explora bem os temas que se desenvolvem paralelamente e sem muitas firulas, guiam um drama humano atrás de todo o glamour do mundo da música, atestando sua superficialidade e inconstância. Sem apontar culpados ou soluções Olivier Assayas expõe a busca por sonhos que a droga sacia, posteriormente solicitando o pagamento dessas pobres ilusões, com valores muito altos. Um bom filme, bem produzido e dirigido, com atuações convincentes e de um mundo não tão distante, mas ao mesmo tempo nem tão perto de todos nós. Um mundo onde a fragilidade do ser humano é tudo que temos de mais assustador, mais ao mesmo tempo é que nos motiva a seguir.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2006
E-m@il - Matt Beaumont
Faz um certo tempinho já que li em algum site por ai pelos arremedos da internet (não me lembro qual), sobre um livro chamado “E-m@il”, lançada pela Bertrand Russel , 392 paginas de um autor inglês chamado Matt Beaumont. Como as coisas aqui em Belém demoram um pouco para chegar (ainda mais quando não são mainstream) só pude saciar minha curiosidade há alguns poucos dias. Matt Beaumont pode ser incluso nessa lista de autores pop ingleses como Tony Parsons e Nick Hornby, só que sem ser famoso como ambos. Em seu livro de estréia produziu uma leitura rápida, seca, acida, sarcástica e cruel sobre o mundo da publicidade e das empresas de um modo geral, vistos do olhar de quem conhece (o cara é publicitário), moldados por aquilo que passamos a chamar de cultura pop e descrito através de emails. Dessa forma, constrói-se um universo dinâmico e mais atual que nunca, uma vez que a impessoalidade ganhou novos contornos com a internet e sua proliferação. Claro que isso já foi feito outrora, em livros que contam historias através de cartas, mas essa não é a idéia do autor, originalidade não é sua busca, e sim detonar com o glamour e fascinação de um mundo repleto de fantasias, mas tão carente de princípios e criatividade como tantos outros. Por meio de emails, conhece –se a empresa de publicidade Miller-Shanks, que esta em um processo a todo vapor para uma concorrência da Coca-Cola, cliente tão sonhada por todos, necessitando para a sua conquista, o desenvolvimento de uma campanha genial, alem do fato da manutenção das outras contas. A crueldade com que o livro acontece é sublime. Um retrato puro e verdadeiro de grande parte das empresas e suas políticas. Ate Dilbert ficaria emocionado. Um mundo onde o CEO da empresa não sabe nada, o diretor de criação não tem criatividade alguma, vivendo de nome e malandragem, o Diretor de Atendimento (quem?) não manda nada, mas pensa que manda, secretarias belas e gentis que na penumbra se tornam cobras venenosas, um contador nerd e imbecil, entre outros. Um mundo repleto de falta de escrúpulos, puxa – sacos, falsidade, incompetência, cinismo e claro muito, mas muito charme. Se você é publicitário, com certeza vai gostar mais ainda, e se não é vai se divertir muito, com essa comedia da vida moderna e suas caracterizações tão próprias desse nosso cotidiano cibernético. Impossível não vibrar com as derrocadas dos personagens ou a estilização de outros, aliada a toques nada sutis de falhas convencionais do dia a dia. Um dos melhores de 2005, sem duvida.
E que venha 2006...
Mais um final de ano. Reveillon mais tranqüilo dos últimos 13 anos, com certeza. Não fui para o litoral dessa vez, costume tão normal em boa parte da minha vida. Parte por causa do meu estomago, que resolveu dar sinais de cansaço e também porque não tava muito a fim. Fiquei em casa com a família. Fazia tempo pacas que não fazia isso. Mas saiu melhor do que esperava, é sempre bom estar no aconchego do lar. Claro que rolou umas cervas na sexta, sábado e domingo, mas tudo muito light. No mais loquei uma porrada de filmes, revi o magistral “Sin City” e o competente “A Queda”. Completei algumas lacunas, como “A Vida Marinha com Steve Zissou” do Wes Anderson e “Melinda e Melinda” do Woody Allen. Tive boas surpresas com o canadense “Clean”, e o excelente “Monsieur Batignole”, filme francês de Gerard Jugnot, alem de um pouco de diversão com “Meu Jantar com Jimi”, longa que conta a historia da banda sessentista “The Turtles”. Legalzinho. Li o “Email” do Matt Beaumont (cara, muito divertido, depois escrevo mais) e decifrei a nova compilação do Sandman, “Terra dos Sonhos” (tem uma historia chamada “Sonho de Mil Gatos” que é de uma imaginação espetacular, que explica porque Neil Gaiman é o cara). Fora isso, muito desenho animado com meu sobrinho, sem sombra de duvida aos seus 4 anos, um ser humano muito mais esperto do que eu fui a vida toda. Considerações do ano: Em um breve resumo: 2005 foi um ano de transição. Um ano de limpeza. Nesse sentido foi mais que perfeito. Feliz ano velho. Para 2006. Seguir em paz, mais calmo, livre de todos os fantasmas do passado. To pronto para outra podes crer. Estudar muito, fazer um MBA. Trabalhar, trabalhar, trabalhar, Capitão de Industria total. No mais é tocar em frente... Tim-tim.....Feliz 2006 a todos....!!
quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
Feliz Ano Velho - Marcelo Rubens Paiva
King Kong
Sinceramente eu não tava a fim de ver “King Kong”, sei lá, quando saísse em DVD, dava uma espiada, mas não tava com muito tesão de ir para o cinema conferir a nova refilmagem do Gorilão, que faz de tudo por um amor e que virou um ícone pop. Acho que clássicos não devem ser mexidos e na maioria das vezes o remake sai bem pior que o original. Ok, tá certo que dessa vez era um remake de responsa, pois ficou nas mãos do diretor Peter Jackson, o mesmo que mostrou ao mundo que pode se unir fantasia, bilheteria e arte quando contou a trilogia de um certo anel. Jackson sempre quis essa refilmagem, pois segundo ele, foi o original de 1933 que o levou a decidir fazer cinema. Ponto para ele então. Mas mesmo assim só fui ao cinema, pois tava perto e tava começando uma sessão. Jackson convidou uma grande equipe, colocou Naomi Watts de “21 Gramas” para viver a atriz e paixão de Kong, Ann Darrow, Adrien Brody de “O Pianista” como o roteirista Jack Driscoll e Jack Black de “Alta Fidelidade” no papel do insano e obcecado diretor Carl Denham que faz de tudo para se mandar para a Ilha da Caveira, gravar seu filme que é a última saída para seus consecutivos fracassos. Daí o resto da história acho que todo mundo sabe, eles encontram um mundo primitivo, brigam pra burro, Kong se apaixona por Ann, é aprisionado, levado para Nova York, onde termina o filme em cima do Empire State. Primeiro os méritos de Jackson. A paixão com que o filme se desenvolve realmente impressiona. Os efeitos especiais e a produção sonora estão impecáveis, nota 10 com louvor para a parte técnica. O Kong foi muito mais realista e fiel aos seus ancestrais símios por assim dizer. O filme se passa no mesmo ano do original, ou seja, em 1933, sendo que a reconstituição de época ficou exemplar, digna de parabéns. Até a grave depressão que o mundo vivia depois da Crise de 29 (lembram da aula de história?) está bem retratada, vinculando bem o desespero do período e até mesmo justificando alguns atos. As cenas de ação são muito mais bem feitas (é lógico também né!) e deixam o telespectador na melhor parte do filme, que é quando estão na selva descobrindo esse novo mundo, no meio de um triller de terror e suspense, regado a muita aventura. As locações também são até um pouco surreais, Jackson utilizou de novo sua amada Nova Zelândia, escolha que foi mais do acertada dentro do resultado final. Adrien Brody como uma espécie de anti-herói se saiu muito bem. Dito isso, vamos as inúmeras falhas da película do Sr. Jackson. Jack Black no papel de Carl Denham até que acerta às vezes, mas na maioria seus braços, gestos e sobrancelhas, não dão a dimensão necessária, sendo um caricato de si mesmo como nos piores momentos de Jim Carrey. Naomi Watts não convence com Ann Darrow, apesar de ser linda, não me parece ser o tipo de mulher que faria um gorilão perder a cabeça, sem contar o enredo que faz em determinado momento do filme parecer que ela quer levar Kong para casa, ter um monte de Kongzinhos e ser felizes para sempre, simplesmente não dá, a mulher ta um xarope só. A briga de Kong com os T. Rex é simplesmente fantástica, isso não dá para negar, agora que em certas horas ele parece o Neo de Matrix, ah, isso parece. O passeio que Kong faz com Ann em pleno gelo, dançando como em um balé é no mínimo, insuperável em termos de besteirol dentro dos últimos anos de cinema. A Ilha da Caveira parece uma mistura da cidade de Itu (onde tudo é grande) com A Fantástica Ilha do Dr. Moreau, onde toda desgraça pouca é bobagem, ficando até divertido de tão azarados que parecem os personagens. No mais, não se preocupem. Tem a cena do Empire State, Kong batendo no peito, nativos na Ilha da Caveira e tudo que se tem direito. Sinceramente? Essa refilmagem só vale mesmo para Peter Jackson satisfazer seu ego (e hoje ele pode) e encher mais a conta bancária dos envolvidos, pois a original apesar de tosca, continua essencial. Ah, vale ir para o cinema? Hum.....sei lá, vá lá, vá..
domingo, 25 de dezembro de 2005
"E hoje o dia da alegria e a tristeza..."
25 de dezembro de 2005. Quase um ano de blog e ainda não sei o que fazer com ele, estranho? Para mim isso é absolutamente normal, dentro das minhas percepções. Hoje é Natal. Apesar da leve melancolia, gosto da data. Dia normal, tranqüilo, passei o dia em casa lendo, vendo tv, ouvindo musica, dormindo. Não necessariamente nessa ordem. Ontem teve a ceia em casa, depois fui para uma festa de amigo invisível com amigos, nada demais, tudo na paz, tomei umas cervas, poucas na verdade. Esses dias têm servido mesmo é para me deixar descansado, principalmente diminuir o ritmo do corpo, que tava precisando mais do que as habituais seis, sete horas de sono. Dia começando, família chegando, em casa sempre tem parte da família no dia 25, virou meio que rotina, todas minhas tias, primas e primos que passo boa parte do ano sem ver, reencontro nessa data, o natal deve ser isso também eu acho, reencontro. Se bem que nesse ano a maioria não veio. No mais tudo indo, a mãe fazendo comida, as manas limpando a casa, a doce rotina de um lar, como preciso disso, para me tirar um pouco do corre corre e pressões do dia a dia. Entre telefonemas de feliz natal, nada melhor para começar do que o DVD do Erasmo no talo, todos cantando juntos, enquanto o tremendao emenda antigas e novas como a bela “Sou mais um na multidão”, depois nada melhor que dar uma agitada, ganhei um DVD chamado “Time Capsule 1982-1993” do 10.000 Maniacs, fase da Natalie Merchant, pows...como isso é bom, tinha me esquecido daquela voz maravilhosa e de canções como “Candy Everbody Wants” e “These Are Days”, boas recordações invadem a mente. Depois minha irmã coloca o “MTV Especial – Aborto Elétrico” do Capital Inicial, nada demais, mas é natal, então canto junto. Hora do almoço. Lasanha, peru, salada, farofa, tudo que se tem direito, para o merecido sono da tarde, acordando com uma priminha quebrando tudo, como é bom à inconseqüência das crianças, podes crer. Mais alguns filmes na tv, como “Simplesmente Amor”, “Aconteceu no Natal”, alguns desenhos ao lado do meu sobrinho e o dia vai passando entre uma castanha e outra e um abraço aqui, acolá. Dou um tempo e começo a reler “Feliz Ano Velho” do Marcelo Rubens Paiva que comprei a alguns poucos dias, esse livro que tanto me fez a cabeça na adolescência desce um pouco diferente depois de tantos anos, mas ainda continua cativante. Fecho a noite com “Cidade dos Anjos” a versão que Hollywood fez para “Asas do Desejo” do mestre Win Wenders. O filme é legalzinho, o que me faz ate ter uma certa lembrança de amores e vidas passadas, que ainda bem não chegam a perturbar muito. Sabe aqueles caras que não acreditam mais no amor? Muito prazer, eu sou um deles. Enfim, mais um pouco de sono, não antes de um forte abraço na minha mãe, obrigado por existir sempre minha velha. E que venha o ano novo. Paz. ;)

Personagem Principal: Garoto meio gordinho, tímido com 12 anos, cursando a 7ª série do primeiro grau em um colégio de freiras, católico, fascinado por futebol e que desde pequeno fora habituado ao mundo da música e da literatura, seja ela um livro de Milan Kundera ou um simples disco da Legião, por causa das suas irmãs e amigos delas.
Personagem coadjuvante: O livro "Feliz Ano Velho" de um cara chamado Marcelo Rubens Paiva, na qual narrava as desventuras de um acidente que o deixara paraplégico, assim como todas suas inquietações e dúvidas passadas em um momento delicado da nossa história, que me foi entregue com a seguinte frase "Esse é o livro que vai mudar tua vida, garoto!"
Foi desse jeito que descobri "Feliz Ano Velho" meio na surpresa, meio na desconfiança. Confesso que não fiquei lá muito empolgado, me perguntava "O que esse cara tem para me apresentar que eu não conheça?", de acordo com a minha frágil e precoce posse besta de intelectual chato. Me achava o tal pois já tinha lido "Vidas sem rumo" de SE Hilton e "On The Road" do Jack Keroauc, entre outros, e não sabia o que esse livro podia me acrescentar. Mas acrescentou muito.
Foi pelo livro do Marcelo Rubens Paiva, que identifiquei algo de político em mim, é claro que já sabia um pouco das sacanagens que a ditadura cometeu com o povo, mas quando eu li a história do desaparecimento do Deputado Federal Rubens Paiva, pai do autor, aquilo mexeu comigo. Como todos os amigos das minhas irmãs eram do PT, logo ficou estipulado que eu também seria e brigaria por um país melhor, sendo que essa idéia só teve um sério abalo quase 14 anos depois, no meio do governo Lula.
Foi quando eu percebi que a rebeldia que eu tanto adorava e sonhava, às vezes podia vir de outra forma, podia ser uma rebeldia própria, contra o mundo e as limitações que ele lhe impõe e não somente contra nada em particular. Quando lia o livro imaginava qual o sentido que Deus havia de ter para deixar um jovem com tanto talento, paraplégico de forma tão boba e quando o autor bradava no livro seus desesperos, eu silenciosamente repetia na minha cama "É isso ái!! Tô contigo!! Só tem filho da puta nesse mundo!!".
Lembro ainda que nessa época cheguei a reler muito esse livro e apesar de não ter acontecido como a profecia de que ia mudar minha vida, me tocou de uma maneira diferente, por um outro lado, de que a tragédia e as coisas difíceis também acontecem aos jovens, por mais besta que seja e que é preciso ter força para seguir em frente e principalmente não nos tornarmos imbecis. Era essa a lição que eu tirava.
Conforme o tempo vai passando, esse livro ficou para trás assim como tantos outros e os sonhos dessa época foram transformados em novos sonhos possíveis, como em um eterno balé de camaleões. Eis que semana passada comprando os presentes de natal, encontro 14 anos depois o tal livro na prateleira. É lógico que comprei. E vorazmente me conduzi para a sua leitura.
Evidente que hoje, anos depois e com alguns fracassos e decepções espalhados no caminho, as percepções são totalmente diferentes. Mas o essencial continua lá. Não seria clichê dizer que o livro hoje ainda continua fundamental ou talvez isso seja pretensão demais, mas sua leitura continua tão saborosa e contestadora quanto antes.
Marcelo Rubens Paiva contou sua vida, expôs suas duvidas, seus sentimentos, que eram os mesmos de toda uma geração, que brigava por um mundo melhor, mas que não deixava nunca de lado a diversão, o amor, as brincadeiras, a alegria. Na teia de "personagens", impossível ficar indiferente ainda hoje pelo brio da mãe do cara, pela sexualidade da Nana, pelo companheirismo do Neguinho ou pelas rodas de violão da turna e suas aventuras.