sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Quadrinhos: "Pato Donald: Perdidos nos Andes" e “Shade, o Homem Mutável: O Grito Americano”

 

A editora Abril começou a publicar aqui no país há alguns meses edições de luxo com seus famosos personagens como Pato Donald, Tio Patinhas, Mickey, Pateta e afins. Essas edições pegam histórias clássicas e apresentam para um novo público, além de ser indicada para quem aprendeu a ler pelos gibizinhos antigos. A diferença dessa para republicações anteriores é o processo de restauração que a obra passou, incluindo a arte-final, cores e letras. Dentre os volumes disponíveis até aqui um dos mais interessantes é “Pato Donald: Perdidos Nos Andes”, que reúne histórias do grande Carl Barks, artista responsável por moldar boa parte da aura da empresa. São 20 histórias compiladas em formato pequeno (16 x 23cm) e 240 páginas abrangendo a produção do artista entre os anos de 1948 e 1949. Elas já haviam sido publicadas aqui antes, algumas até diversas vezes, mas esse compêndio de agora traz novo sabor por conta do formato e disposição apresentando as tramas longas primeiro, depois as mais curtas e por fim as gags, como também por todo o arcabouço de informações contidas em textos separados e notas escritas por especialistas. Histórias como “Perdidos nos Andes” de abril de 1949 mostra um artista diferente para a época, se preocupando até excessivamente para aqueles padrões com detalhes, cenários e quadros maiores, o que não era tão comum. Lógico, que estamos falando de algo lançado há mais de 70 anos então é normal que um ou outro detalhe do roteiro soe hoje datado, ou ainda alguma concepção temática soe esdrúxula, porém são retratos de uma determinada passagem do tempo e até por isso devem ser analisadas com calma. Mesmo com o preço salgado essas novas edições da Disney são interessantíssimas e para quem gosta do Pato esquentado que se tornou conhecido no mundo todo e até hoje gera discussões (algumas até irracionais) é sempre bacana vê-lo pelas mãos do seu mais festejado artista.

Nota: 8,0


O britânico Peter Milligan produziu trabalhos pulsantes e vigorosos na carreira. Fez isso com John Constantine (principalmente), Homem-Animal e até mesmo Batman. Entre essas marcantes passagens está a de Shade, o Homem Mutável, obra que produziu logo no início da sua relação com a DC Comics em 1990 para o selo Vertigo. A Panini Comics republica aqui esse ano esses primórdios dentro da ideia de revisitar obras pouco conhecidas do grande público e disponibilizá-las no mercado novamente, o que é extremamente louvável. “Shade, o Homem Mutável: O Grito Americano” tem 170 páginas, capa cartonada e infelizmente papel Pisa Brite (assim como nas edições da Patrulha do Destino). Junta as revistas publicadas originalmente nos EUA entre julho e dezembro de 1990. Criado pelo baluarte Steve Ditko na segunda metade dos anos 70, Shade figurava em um panteão bem baixo dentro da editora. Depois da repaginação oriunda da “Crise nas Infinitas Terras” de 1985 ganhou mais algum destaque, mas foi nas mãos de Milligan que teve sua melhor fase até então (talvez até hoje). Como se tratava de um personagem pouco ou nada conhecido, o autor teve a liberdade para fazer praticamente o que bem entendesse. Com desenhos de Chris Bachalo e arte-final de Mark Pennigton foi estruturada uma série que unia magia e ficção científica e trazia tanto críticas comportamentais quanto mais amplas no que se refere aos Estados Unidos e seu modo de vida. Shade é um habitante de outra dimensão que ao desembarcar na terra para salvar os mundos de uma onda de insanidade e loucura habita o corpo de um assassino perto de ser morto na cadeira elétrica. Sua principal relação se dá logo com a filha das pessoas assassinadas, o que só deixa a relação mais estranha. Em um roteiro repleto de boas tiradas e cutucadas, além da arte fulgurante (que merecia papel melhor), Milligan abusa da psicodelia para criar uma trama que ainda hoje vale a pena ser lida.

Nota: 8,5


sábado, 24 de setembro de 2016

Quadrinhos: "Batman: Faces da Morte" e "Uma Noite em L´enfer"


Personagens antigos e icônicos como o Batman sempre trazem consigo o problema das novas histórias soarem relevantes, o que acaba sendo um peso e tanto para quem as escreve. O que contar do Morcego que ainda não foi contado? Qual aspecto ainda não foi abordado? Qual psique ainda não foi explorada? No decorrer dos anos, diversas histórias patinam apenas no mediano quando tratam de aventuras do vigilante de Gotham City dentro das inúmeras repaginações da DC Comics. No que se refere aos “Novos 52” essa missão coube a Tony S. Daniel, artista já conhecedor dos meandros da vida do Batman de outras incursões. O primeiro arco desse trabalho é republicado agora pela Panini Books em uma edição de capa dura com 164 páginas reunindo as edições de 1 a 7 de Detective Comics originalmente lançadas entre novembro de 2011 e maio de 2012. No roteiro encontramos o Cavaleiro das Trevas se deparando com um novo vilão chamado Criador de Bonecas. Paralelo a isso precisa lidar com o desaparecimento do Coringa do Asilo Arkham (pela enésima vez) e com alguns integrantes da fauna peculiar da sua cidade como o Pinguim e outros vilões pouco memoráveis. A trama flutua no tradicional e não explora nada de novo, nada que já não se tenha visto várias vezes anteriormente. O roteiro apresenta conflitos, principalmente no que tange a adequar todas as questões coadjuvantes que apresenta e falha nisso. A arte de Tony S. Daniel com o auxílio de Joel Gomez e Szymon Kudransky é concisa e funciona bem nas cenas de ação, contudo, assim como o roteiro, fica apenas no correto, não indo além disso. “Batman: Faces da Morte” tem como principal destaque somente um aspecto do desaparecimento do Coringa que repercutiu em outras revistas da editora como o Esquadrão Suicida. Fora isso, não consegue fugir do mediano que foi comentado acima.

Nota: 5,0


Foram três anos que o artista, pintor e ilustrador Davi Calil dedicou a produção de “Uma Noite em L’enfer”. Conhecido pela arte de “Quaisqualigundum” e pelas cores de “Turma da Mata - Muralha” esse paulista fez uma graphic novel onde tem por intuito homenagear seus heróis da pintura, mas foi muito além disso. Com formato grande (21 x 28cm) e 192 páginas o álbum é mais um excelente lançamento da editora Mino, um dos melhores do ano por aqui em terras tupiniquins. Na trama estamos na França no ano de 1891, quando o holandês Vincent Van Gogh recuperado de uma tentativa de suicídio (que na vida real foi além de mera tentativa) chega na cidade a procura de uma antiga musa inspiradora. Lá encontra o francês Paul Gauguin que o encaminha para o cabaré L´enfer no bairro de Montmartre, onde estão os contemporâneos Toulouse-Lautrec e Gustav Kimt, além de um enigmático Francisco de Goya, o único que não viveu na mesma época que os demais. Durante a conversa regada a muito álcool e drogas, os integrantes dessa excêntrica mesa se dispõem a contar causos pessoais que envolvem sexo, terror, mistério e decisões bem questionáveis. Essas histórias servem para definir o futuro de cada um mais adiante. Davi Calil usa como referências tanto a produção de cada um dos artistas que homenageia, como também a biografia deles, e em cada caso individual utiliza cores que remetem ao que cada um produziu na carreira. Inspirado em “Uma Noite na Taverna” do escritor Álvares de Azevedo (falecido em 1852 aos 21 anos), Davi Calil edifica um trabalho em que tanto roteiro quanto arte estão em nível de excelência, ainda que a arte prevaleça um pouco mais. “Uma Noite em L´enfer” valeu toda a dedicação do autor e brinda o leitor não somente com a obra em si, mas como instiga este a saber mais sobre os personagens retratados.

Nota: 9,5


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Música: Bob Mould e Dinosaur Jr.


Em 2012 Bob Mould reapareceu de fôlego renovado com “Silver Age”. Não que o antecessor “Life and Times” de 2009 fosse um disco ruim, porém não exibia nada além do (bom) mais do mesmo já conhecido. Após o álbum de 2012 foi a vez de “Beaty & Ruin” em 2014, outro belo trabalho, alimentado em grande parte por brigas internas do artista e o falecimento do pai. Depois do lançamento do disco foi a vez da mãe partir para vislumbrar melhores paisagens e esse é um dos assuntos que dão força para “Patch The Sky”, registro que completa uma espécie de tríade de raiva e fúria que o músico elaborou depois dos 50 anos. Lançado pela Merge Records em março deste ano tem 12 faixas espalhadas em 41 minutos. Todas as músicas são de autoria de Bob Mould que se trancou sozinho por seis meses para compor. O trio formado já algum tempo por ele na guitarra, teclados e vocal, Jason Narducy no baixo e Jon Wurster na bateria está cada vez mais entrosado e o resultado disso é visível e extremamente avassalador. Do início potente de “Voices In My Head”, uma canção que remete a sua antiga banda Sugar, com versos de medo, vazio e solidão, até o final com a escuridão e arrependimento de “Monument” temos o trabalho mais nervoso desses já citados, apesar de estar um pouquinho abaixo em termos mais gerais. Durante o percurso o ouvinte se depara com letras nada fáceis, sem felicidade aparente surgindo no horizonte, recheado com questionamentos dos mais diversos. Destaques ainda para as envenenadas guitarras de “The End Of Things”, os ecos de Hüsker Dü em “You Say You” e “Pray For Ruin” e a urgência juvenil de “Hands Are Tried”. Aos 55 anos, Bob Mould mostra com “Patch The Sky” que ainda tem muita lenha para queimar e muitas questões para serem exorcizadas através da música.

Nota: 8,0

Site oficial: http://bobmould.com 


Namore com alguém que nunca te decepcione, assim como o Dinosaur Jr. Sim, utilizando o meme da internet, dá para descrever de modo simplificado a banda de J. Mascis, Lou Barlow e Emmett Murph, que desde a estreia em 1985 lança discos no mínimo bons, independente dos integrantes a época. A formação original que voltou com “Beyond” em 2007 apresenta um novo trabalho agora em 2016. “Give a Glimpse Of What Yer Not” tem lançamento pela gravadora Jagjaguwar, casa da banda desde 2009 e apresenta 11 faixas em 46 minutos com mixagem do grande John Agnello que já havia cuidado do “Farm” de 2009 e tem no currículo álbuns com Sonic Youth, The Breeders e Buffalo Tom. O décimo-primeiro registro de estúdio da carreira abre com a distorção alta de “Goin Down”, de pegada precisa e vocal de Mascis adocicando a letra repleta de dúvidas e perguntas. “Tiny” vem na sequência - uma das grandes músicas do ano - e até o final do disco com “Left/Rigth” cantada por Barlow com o uso de violões em uma canção que quebra e retorna de modo constante, o Dinosaur Jr. prova que está em grande forma. Barlow canta mais outra sua (“Love is...”) e Mascis vai intercalando grandes momentos seja na guitarra caótica de “I Told Everyone”, no flerte com o metal de “I Walk For Miles”, no pop raro de “Lost All Day” ou na densa “Mirror". Em uma carreira que tem obras como “You´re Living All Over Me” (1987), “Where You Been” (1993) e “Beyond” (2007), esse “Give a Glimpse Of What Yer Not” não fica devendo em nada e faz bonito com canções mais curtas e com melodia e ferocidade se alinhando em uma intensa relação de amor, fazendo assim com que depois de tantos anos o Dinosaur Jr. ainda consiga manter sua chama muito acesa.

Nota: 9,0

Site oficial: http://www.dinosaurjr.com 

Textos relacionados no blog:

- Música: “Farm” de Dinosaur Jr. (2009)
- Música: “Several Shades Of Why” de J Mascis (2011)
- Música: “District Line” de Bob Mould (2008)
- Musica: “Silver Age” de Bob Mould (2012)

Assista Bob Mould ao vivo com "The End Of Things" na KEXP:


Assista o Dinosaur Jr. com "Tiny" ao vivo no programa do Jools Holland:


sábado, 20 de agosto de 2016

Quadrinhos: “Esquadrão Suicida: Chute na Cara” e “Tom Strong: A Origem”


Como é de costume quando um filme que tem os quadrinhos como matéria-prima chega a telona, as bancas recebem novas edições com esses personagens em destaque. Não seria diferente com o Esquadrão Suicida que estreou filme no Brasil no início de agosto. Um pouco antes disso a Panini Comics colocou no mercado o encadernado “Esquadrão Suicida: Chute na Cara”, com 160 páginas e capa dura que reúne as edições originais de 1 a 7 do grupo publicadas nos EUA entre novembro de 2011 e maio de 2012. Essas histórias já haviam sido lançadas aqui em revistas anteriores, mas agora aparecem juntas e dão uma amplitude maior para as ações e dilemas dos vilões que são forçados a serem heróis para diminuir um pouco a pena. O Esquadrão Suicida teve origem no final dos anos 50, mas a roupagem que ficou conhecida é a da metade dos anos 80 quando o quadrinhista John Ostrander resolveu utilizar supervilões para ingressar na Força-Tarefa X sobre o comando de Amanda Waller. É essa roupagem que é recontada nesse volume que engloba o time dentro do projeto “Novos 52” da DC Comics e conta com roteiro de Adam Glass (da série televisiva “Supernatural”). Nesse novo início lá estão Pistoleiro, Arlequina, El Diablo, Voltaico, Aranha Negra e Tubarão-Rei, recrutados a duras provas para um resgate no meio de uma multidão ensandecida. Depois outros vilões entram e dão sequência para que ainda exista um controle de rebelião e uma caçada a um dos seus. Um dos pontos altos do Esquadrão Suicida sempre foi o confronto de personalidades e desejos dos integrantes e Adam Glass faz isso muito bem, deixando a trama com bons picos de ação e drama intercalados. Único ponto a se questionar dessa edição é a arte, que por passar na mão de vários desenhistas como Federico Dallocchio, Scott Hanna e Clayton Henry, acaba sendo inconstante e não ajuda muito.

Nota: 7,5


Alan Moore criou Tom Strong em 1999 junto com Chris Sprouse durante o tempo em que ficou na WildStorm, uma espécie de selo alternativo da DC Comics. O autor de obras como “Watchmen” e “V de Vingança” concebeu um personagem de aventura com a ciência em nível de igualdade com as habilidades físicas. Criado dentro de um silo pelos pais em uma ilha distante e obscura, pois assim não teria contato com os males da humanidade antes de ser forte o suficiente e não teria dessa maneira o julgamento comprometido, ele emerge depois de um acidente na ilha e com a ajuda dos habitantes locais e seu alto nível de inteligência realiza várias proezas técnicas antes de partir para o mundo de verdade, mais precisamente para a ficcional Millenium City na costa oeste dos EUA. A série que já havia sido publicada aqui no Brasil antes pela Devir e pela Pixel (mas nunca de maneira completa), agora ganha novo lançamento pela Panini Comics, com a promessa de ir até o final. “Tom Strong: A Origem” é um encadernado com 212 páginas de capa cartonada e alguns esboços como extras, reunindo as edições 1 a 7 que chegaram nas bancas dos EUA entre junho de 1999 e março de 2000.  A história começa com um garotinho lendo a história do nascimento de Tom Strong em uma revista e vai alternando entre fatos do passado e do presente, conduzidos ricamente por Alan Moore que joga diversas referências das épocas de ouro e prata dos quadrinhos, assim como da literatura pulp do começo do século passado. Os desenhos de Sprouse auxiliados pela arte final de Alan Gordon são limpos e claros e comungam dessas mesmas referências. Nos relançamentos que a Panini vem apresentando nos últimos anos, Tom Strong é um dos mais interessantes. As aventuras e confrontos do protagonista em conjunto com a esposa, a filha, um esperto robô e um gorila com alto nível de inteligência, remetem a missão pioneira dos quadrinhos que é divertir a quem lê.

Nota: 8,0 


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Quadrinhos: “Elektra: Linhagem Assassina” e “The Shaolin Cowboy: Buffet de Shemp”


Na metade de 2014 a Marvel resolveu novamente dedicar uma revista mensal para a personagem Elektra, criada pelas mãos de Frank Miller no início dos anos 80. A assassina que coleciona idas e vindas nos quadrinhos desde que foi criada, dessa vez teve o recomeço através do roteirista W. Haden Blackman (Batwoman) e do artista Michael Del Mundo (Hulk). Essa nova inserção não foi bem sucedida e não chegou a durar nem um ano (foram só 11 edições), sendo que a Panini Comics juntou as 5 primeiras revistas em um encadernado com capa cartonada de 116 páginas agora em 2016. “Elektra: Linhagem Assassina” apresenta a Sra. Natchios tentando seguir em frente finalmente assumindo aquilo que faz de melhor que é matar pessoas. Para tanto procura uma contratante chamada Casamenteira que lhe encaminha um serviço nada simples: encontrar um lendário assassino de nome Corvo Encapuzado. Elektra aceita a missão e parte atrás desse fantasma enquanto procura acalmar os próprios sentimentos e os seus problemas de cabeceira que ainda lhe atormentam muito. No meio dessa busca se depara com vários outros assassinos, mas principalmente um australiano que ao comer pedaços de pessoas e animais ganha os poderes e lembranças da vítima. “Elektra: Linhagem Assassina” pode ser considerada uma tentativa válida de reativar a personagem que agora deu as caras na segunda temporada da série do Demolidor na Netflix (ainda que bem diferente da tradicional) depois de aparecer no filme do personagem lá de 2003. Contudo, fica somente nisso, em uma tentativa. O roteiro que flerta com o sobrenatural é raso e não empolga e o real mérito da história fica apenas na bela arte do filipino Michael Del Mundo, o que ainda assim é bem pouco.

Nota: 5,0


Geoff Darrow nasceu no estado de Iowa nos Estados Unidos em 1955. Na carreira como designer e artista gráfico, além de quadrinhista, tem trabalhos na Hanna-Barbera e na trilogia “Matrix”, assim como parcerias com os craques da nona arte Moebius e Frank Miller. Em 2004 criou o personagem Shaolin Cowboy, um monge que é expulso do templo porque armaram contra ele em “questões nutricionais”. De porte avantajado com uma barriga que salta aos olhos e sem o menor estilo de lutador, mas com ensinamentos também de um velho cowboy dentro da cabeça além do kung-fu, essa ímpar figura se mete quase que sem querer no meio de estapafúrdias confusões. A Editora Mino lançou recentemente um belíssimo encadernado de capa dura, com papel couchê e vários mimos contando uma história desse singelo protagonista. “The Shaolin Cowboy: Buffet de Shemp” tem 136 páginas e é a versão nacional da publicação da Dark Horse de 2015. Antes de entrar na história o leitor é apresentado aos fatos até ali, que envolvem além do nonsense e surreal que permeia o personagem, a uma vasta gama de trocadilhos e sátiras com nomes variados, principalmente políticos como Donald Trump, Sarah Palin e Dick Cheney, essas vergonhosas personalidades. A trama é simplíssima e quase não tem diálogos. Depois de mais uma aventura impossível, ele escapa e acaba no meio de um deserto e para sua surpresa se depara com uma multidão de zumbis que precisa enfrentar usando apenas duas serras elétricas amarradas a um pedaço de bambu. O primordial do álbum é a arte de Darrow, e esta é fenomenal. Com o auxílio das cores do premiado Dave Stewart, o autor esbanja detalhamento e humor em cenas de ação que mais parecem uma dança coreografada. Autores do porte de Frank Quitely, Mike Mignola, Walter Simonson e Sergio Aragonés são fãs confessos de Geoff Darrow e com essa publicação da Mino finalmente dá para se entender mais a razão disso.

Nota: 9,0

Site oficial do autor: http://geofdarrow.com 



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Séries: "Stranger Things"


Ano: 1983. Local: Hawkins, uma pacata cidade dos Estados Unidos sem muita coisa diferente de tantas outras iguais espalhadas pelo país. Hormônios em ebulição nos adolescentes, crianças brincando de RPG e lendo quadrinhos, pais querendo ter o mínimo possível de mudança na vida, nada muito longe do comum e rotineiro. A única situação distinta é que nos arredores da cidade, perto de uma grande floresta há uma instalação governamental que supostamente tem como foco o trabalho com energia. Supostamente.

Dia 15 de julho estreou no Netflix a série “Stranger Things” idealizada e concebida pelos irmãos Ross e Matt Duffer, os Duffer Brothers. Os 8 episódios dessa primeira temporada (ainda não há confirmação de uma segunda, mas provavelmente acontecerá) caíram no gosto de milhares de espectadores e o boca a boca em cima da produção, fez só crescer mais o interesse. Ou seja, virou hype de uma hora para outra. Os criadores, apaixonados pelos anos 80, fizeram um trabalho alinhado com o que acontecia na época não só do lado cultural, mas do lado político e social.

Olhar para os anos 80 com nostalgia não é algo intrínseco somente aos irmãos Duffer. Tanto no cinema, quanto em outras searas, vez ou outra aparece alguma obra que se inspire na época. Exemplos recentes disso são o ótimo filme “Super 8” de J.J. Abrams de 2011 ou o livro “Jogador No. 1” de Ernest Cline. A trama tem início quando o jovem Will Byers (Noah Schnapp) some misteriosamente a caminho de casa depois de uma partida de RPG com os amigos e enquanto a cidade inteira se posiciona na busca pequenos mistérios vão pingando aqui e ali, dando a deixa para os criadores usarem vastas referências.

A lista de referências é tão extensa que algumas não se consegue pescar logo de saída. Lá estão desde filmes leves como “Os Goonies”, “E.T - o Extraterrestre” e “Conta Comigo” a outros de terror e ficção científica como “Alien, o 8º Passageiro” e “Poltergeist”. A trilha sonora é outra grande sacada, mesmo tendo uma baba ou outra no meio como Toto e Foreigner, enfileira sons de Joy Division, The Smiths, Echo And The Bunnymen, The Clash e David Bowie. Inclusive, uma das boas falas é quando Jonathan Byers (Charlie Helton) fala para o irmão que essas músicas podem mudar a vida dele (lembrou de “Hora de Voltar”?).

Pelo hype em cima da série engana-se quem pensa que ela seja somente um pastiche saudosista e prazeroso, ou ainda resida somente nas homenagens dos criadores para obras que tenham afinco. “Stranger Things” se sustenta acima disso. Claro que essas correlações são importantes e geram discussões pela internet, aumentando o interesse, contudo mesmo se deixarmos essas questões de lado temos uma série muito superior à média nessa primeira temporada, mesclando humor, terror, fantasia, aventura e suspense de modo singular.

Os blocos separados funcionam sozinhos ou em função do todo. Temos o trio de garotos que acha a garota especial, temos os irmãos mais velhos passando pela adolescência e tudo que isso acarreta, temos o xerife angustiado que vê o passado lhe assombrar, temos a mãe a flor da pele que vê o mundo ruir ainda mais do que imaginava, além de outros focos menores. Todos, sem exceção, não apresentam excessos que deixe a trama insossa, ainda mais com as exuberantes interpretações para Joyce Byers (Winona Ryder), Eleven (Millie Bobby Brown) e Dustin Henderson (Gaten Matarazzo).

Na sequência de acertos que o Netflix vem enfileirando um atrás do outro, talvez “Stranger Things” seja o maior. Série razoavelmente curta, que assim não tem episódios para encher linguiça ou passagens demasiadamente arrastadas, e, ponto principal, com potencial para agradar todo e qualquer tipo de público. De criança a velho, passando por adolescentes e jovens adultos, homem ou mulher, alienado ou crítico, moderninho ou velho nerd. “Stranger Things” crava a Netflix como a grande casa das boas séries atuais e, mais importante que isso, mostra que qualidade e aceitação pública podem sim andar de mãos dadas.

Nota: 9,5

Textos relacionados no blog:


Assista a um trailer legendado:

domingo, 31 de julho de 2016

Quadrinhos: "O Diabo e Eu" e "Patrulha do Destino: Rastejando dos Escombros"


Robert Johnson faz parte daquele seleto grupo de músicos que quando você ouve dá para perceber os sentimentos em volta da composição e execução, transparece ali na hora. No caso dele toda a dor, o sofrimento, a angústia, a tristeza, a tenacidade, o orgulho, a coragem, o álcool. É complicado passar imune a execução das suas canções. Ao escutá-lo pela primeira vez, o quadrinhista e também músico Alcimar Frazão deve ter sentido tudo isso, o que o levou a anos depois prestar uma homenagem a esse ícone do blues que faleceu ainda moço aos 27 anos, mas com muitas histórias e lendas circulando ao redor. “O Diabo e Eu” ganha nova edição caprichada da editora Mino com 64 páginas em preto e branco, lembrando que já havia sido lançada anteriormente em 2013, mas a pequena tiragem inicial foi esgotada. A Mino estendeu a obra, deu um visual mais bonito e ainda preencheu o final com páginas extras sobre o assunto do álbum pelas mãos de artistas como Lourenço Mutarelli, Diego Sanchez, Shiko e Fábio Cobiaco. Mas, que assunto seria esse? Bom, o tema de “O Diabo e Eu” é a lenda mais forte que circunda Robert Johnson. Diz ela que o músico teria feito um acordo com o próprio tinhoso em uma encruzilhada do Mississipi oferecendo a alma em troca da habilidade musical. Essa história que já foi contada mil vezes, além de recortada, ampliada, desvirtuada e travestida em várias mídias é o mote que Alcimar Frazão usa para fazer um trabalho mudo, de arte extremamente cuidadosa e impactante. Fora isso ousa suscitar novas visões em torno de Johnson, o inserindo mais dentro da briga contra o racismo além de sugerir que o capiroto teve participação maior na vida dele do que só na música. Será?

Nota: 7,0


A Patrulha do Destino é uma criação de Arnold Drake, Bob Haney e Bruno Premiani em meados dos anos 60. Um grupo de potenciais heróis que desvirtuavam absurdamente do cenário da época. Seus membros são desajustados, renegados ou estão a um passo de cair em um precipício. Para melhorar, o chefe do time é um cientista irascível, de difícil conversa e preso a uma cadeira de rodas, o que o deixa mais bruto ainda. O grupo era o lado b da DC Comics (apesar do sucesso inicial). No entanto, nem que fosse pela estranheza ou pelo fato de não ser igual os demais heróis da editora, a Patrulha angariou fãs e um deles foi Grant Morrison. Em 1988 ainda distante do status (merecido) de mestre que hoje lhe direcionam, aceitou cuidar das edições mensais da revista, mesmo assoberbado. O primeiro arco dessas histórias a Panini Comics publicou por aqui no início do ano em um encadernado com 196 páginas chamado “Patrulha do Destino: Rastejando dos Escombros” contendo as edições 19 a 25 publicadas em 1989. Com arte de Richard Case e Scott Hana, Morrison conseguiu não só revitalizar a trupe como cravar uma fase que até hoje pode ser considerada como uma das melhores. Com todo o arcabouço de referências que costuma utilizar, o escocês maluco se aproveitou de uma saga da época chamada “Invasão” e pediu que vários membros fossem mortos, voltando assim basicamente aos personagens iniciais. A primeira das edições contida no encadernado se passa principalmente em alas de hospitais e aí já vemos todas as peculiaridades que irão se apresentar enquanto brigam com vilões bem diferentes do usual. Entre um homem que para não morrer teve o cérebro aprisionado em um robô e não consegue viver com isso, um jovem que é fundido a uma doutora para gerar um ser de energia, um herói que não quer ser herói e uma mulher que sofre com 64 múltiplas personalidades, não dá para se esperar histórias comuns realmente. Isso na mão de um autor como Morrison é mais que prato cheio e “Patrulha do Destino: Rastejando dos Escombros” é o tipo de quadrinho que desmonta qualquer teoria ridícula sobre a qualidade desse tipo de arte, resultando em um compêndio de histórias inteligentes e retumbantes.

P.S: Só a qualidade do papel que podia ser melhor.

P.S: A Panini já lançou dois outros volumes com a sequência dessas histórias que são tão recomendáveis quanto o primeiro.

Nota: 9,0


quinta-feira, 28 de julho de 2016

"O Gigante Enterrado" - Kazuo Ishiguro


Kazuo Ishiguro nasceu em Nagasaka no Japão no ano de 1954, ainda com a segunda guerra mundial recente e exercendo extremo impacto na região. Mudou-se para a Inglaterra aos 5 anos onde depois virou escritor e abocanhou prêmios importantes como o Booker Price em 1989. Entre seus livros mais conhecidos estão “Os Vestígios do Dia”, “Noturnos” e “Não Me Abandone Jamais”. A obra mais recente é do ano passado, se chama “O Gigante Enterrado” (The Buried Giant, no original) e recebeu edição nacional também em 2015 pela Companhia das Letras.

Com 400 páginas, tradução de Sonia Moreira e um belo projeto gráfico a obra é o primeiro trabalho elaborado nos últimos dez anos e apresenta o autor se aventurando com coragem e ambição para caminhos novos na sua literatura. Alguns temas recorrentes marcam presença em “O Gigante Enterrado” como a relação de medo e receio dos personagens com o passado, o amor vinculado como importante moeda e a relação de cada um com a própria memória. Contudo, isso é embebido de muita fantasia e recursos fantásticos.

Situado na Inglaterra, provavelmente entre os séculos V e VI, anos após a época arturiana e os confrontos entre bretões e saxões, o livro apresenta Axl e Beatrice, um casal de velhinhos que mora em uma aldeia como tantas outras, mas que nos últimos tempos tem sofrido nas mãos dos próprios vizinhos e das regras da comunidade. Isso só alimenta mais a vontade que o casal possui de sair da aldeia em busca do lar do filho que não veem há muito tempo. E é isso que ocorre.

Só que nem tudo é simples e fácil, uma vez que uma estranha névoa permeia os céus e faz com que os habitantes não consigam lembrar do passado e esqueçam rapidamente até coisas feitas horas antes. Adentrar o percurso correto então vira uma intrincada tarefa que durante o desenrolar faz com que o casal se depare com criaturas lendárias, assim como outras pessoas que acabam sendo inseridas na jornada como um jovem e um hábil guerreiro, além do sobrevivente cavaleiro da Távola Redonda, Sir Gaiwan.

Depois de paquerar um pouco com a ficção científica em “Não Me Abandone Jamais”, Ishiguro agora assume um namoro com a fantasia e a usa como escape para fazer delicadas e sutis analogias e metáforas sobre memória, amor e morte. No bojo da trama temos um dragão e alguns ogros, fadas, duendes e magos, porém a correlação com obras famosas que exploram as mesmas coisas como as de Tolkien e George R. R. Martin fica somente na ambientação, já que os temas explorados e o tom da narrativa são inteiramente distintos.

“O Gigante Enterrado” além de um livro enternecedor e extraordinário, talvez o melhor da carreira do autor até aqui, é um trabalho construído com audácia e ousadia por Kazuo Ishiguro, que sai bastante da seara que está acostumado a trabalhar. Como seria bom se isso ocorresse com mais escritores por aí, que abdicassem do conforto e buscassem novos rumos, novas ideias, novas sensações. “O Gigante Enterrado” é o tipo de livro que merece ficar com destaque na sua biblioteca, nada é mais justo que isso.

Nota: 9,5

Facebook do autor: http://www.facebook.com/KazuoIshiguro 

A Companhia das Letras disponibilizou um trecho para leitura, aqui.

sábado, 23 de julho de 2016

Séries - "The Blacklist"


Elizabeth Keen (Megan Boone) é uma agente do FBI que foi treinada para a construção de perfis. Tem uma vida até certo ponto tranquila e com as mesmas aspirações da maior parte da sociedade. É casada com Tom Keen (Ryan Eggold), um carismático e doce professor, com o qual tem planos de adotar uma criança em um futuro próximo. Terminado o treinamento, ela vai sair para o primeiro dia de trabalho quando helicópteros e carros param na frente da sua casa para uma missão especial. E a partir daí a vida nunca mais será a mesma.

“The Blacklist” é uma série policial que mistura drama e ação em doses iguais. Produzida pela NBC e criada por Jon Bokenkamp (roteirista dos medianos filmes “Roubando Vidas” e “Chamada de Emergência”) já chegou a três temporadas (uma quarta inicia agora em setembro) angariando boas críticas e recepção afetuosa do público. Ao todo até agora são 67 episódios. Aqui no Brasil a série já foi exibida pelo Canal Sony, começou a passar na Globo e hoje está no AXN e no Netflix (todas as temporadas).

Quando Elizabeth Keen parte em direção a uma força-tarefa especial, ela nunca imaginaria o tanto que a vida como conhecia não passava de uma farsa. Isso tudo é iniciado quando Raymond “Red” Reddington (James Spader de “Sexo, Mentiras e Videotape) aparece na sua frente dentro de uma espécie de prisão. Ele é um dos criminosos mais procurados do mundo que do nada se jogou nos braços do FBI oferecendo ajuda para construir casos sobre assuntos pesados e importantes, desde que pudesse trabalhar com Keen.

Os interesses de Raymond são completamente obscuros nesse momento e só vão se revelando parcialmente no decorrer da série. Qual a relação com a agente Keen é o questionamento que guia a trama adiante e vai oferecendo recortes de outros dramas de pessoas ligadas a eles. Funcional no quesito ação e com saídas inteligentes e não tão óbvias como a maioria das séries policiais, “The Blacklist” apresenta um James Spader em uma forma que há tempos não víamos, resgatando uma carreira que parecia já acabada e ganhando até indicações para prêmios como o Globo de Ouro.

Com diretores acostumados a televisão como Michael W. Watkins (“Arquivo X”), Steven A. Adelson (“Helix”) e o também ator Andrew McCarthy (“Orange Is The New Black”), a série apresenta participações especiais de atores conhecidos ao longo das três temporadas como Ron Perlman e Famke Janssen e conta com um elenco de apoio em sua maioria bem entrosado e com brilho próprio. Tendo a atuação de James Spader como esteio e alicerce geral, “The Blacklist” consegue chegar com muito fôlego ao final da terceira temporada e ainda com boa promessa para mais uma.

P.S: Outra coisa que vale bem na série é a trilha sonora. Corra atrás.

Nota: 7,5

Assista a um trailer legendado:

sábado, 16 de julho de 2016

Literatura: "Selva de Gafanhotos" e "Autoridade"


Uma pequena cidade do estado de Iowa nos Estados Unidos pode ser a responsável por desencadear o final do mundo como conhecemos. Aliás, pequena não, seria elogio chamar Ealing de pequena. É uma cidade que desde que uma antiga empresa cessou as atividades está só sumindo cada vez mais. É lá que mora o jovem Austin Szerba, descendente de poloneses, que tenta suportar a vida andando de skate e com a companhia do melhor amigo Robby Brees e da namorada Shannon Collins. Porém, tudo ganha outros contornos quando os dois amigos se deparam com vários objetos esquisitos dentro da sala de uma loja de antiguidades. Junte-se isso a uma desavença com outros garotos, um bom tanto de estupidez e algum azar, que o fim do mundo tem seu início. Esse é o argumento geral de “Selva de Gafanhotos” (Grassopper Jungle, no original), livro de Andrew Smith que a editora Intrínseca colocou no mercado nacional no ano passado com 352 páginas e tradução de Edmundo Barreiros. O autor tem vários romances juvenis como “A Cura Invisível” e “A Lente de Marbury” e navega tranquilamente por esses mares. O incidente resulta na liberação de uma cepa que transforma seres humanos em insetos parecidos com Louva-a-deus, mas de 1,80m cada. O que se desenrola a partir daí é a luta pela sobrevivência e o caminhar de ações cada vez mais surreais, enquanto Austin e Robby vão descobrindo pouco a pouco mais sobre os fatos que envolvem cientistas malucos, experimentos para o governo e muito narcisismo. No pano de fundo estão todas as dúvidas adolescentes em relação a amor e sexo, embalados com bom humor e Rolling Stones. “Selva de Gafanhotos” apresenta um autor que sabe muito bem onde pisa e utiliza todas as ferramentas a disposição para agradar ao público que se direciona. Contudo, não consegue ir além do razoável e não acrescenta nada de novo a essa categoria de literatura.

Nota: 5,5

Site do livro com capítulo para leitura:


Quando se termina a leitura de “Aniquilação”, o primeiro livro da trilogia “Comando Sul” do escritor Jeff Vandermeer, a expectativa para a continuação é bem boa. “Autoridade” (Authority, no original) é essa sequência. Originalmente publicado em 2014, ganhou edição tupiniquim no ano passado pela editora Intrínseca com 384 páginas e tradução de Braulio Tavares. Os fatos narrados no livro são diretamente posteriores ao fracasso da expedição de número 12 contado antes. O desastre com que resulta mais essa missão dentro da área explorada pelo governo com o intuito de descobrir razões e porquês é o suficiente para que um novo diretor seja indicado para a instalação. John Rodriguez (mais conhecido como “Controle”) é esse agente. Com uma missão no mínimo indigesta, sem contar com a colaboração dos seus subordinados e um passado pesado dentro da mochila que carrega nos ombros, as chances de sucesso não são nada animadoras. Se em “Aniquilação” a aventura guiava a trama dentro dos aspectos da ficção científica, em “Autoridade” o drama e o terror psicológico é que tomam a frente. Jeff Vandermeer vai aos poucos soltando novas revelações sobre o que realmente representa a Área X ao mesmo tempo que insere novos questionamentos e receios dentro do jogo. O autor cria uma atmosfera psicológica tão pesada que o medo e o terror daquilo não anunciado servem como combustível suficiente para tocar a trama, apesar de isso acontecer em um ritmo menor e mais cadenciado. Nesse novo volume da trilogia temos uma guinada importante não somente de caminhos propostos pelo roteiro como também de estilo, sem deixar que o leitor perca o interesse. Porém, a qualidade total da série fica condicionada ao seu término com “Aceitação” (já lançado por aqui), já que esta não consegue funcionar bem individualmente como percebe-se agora em “Autoridade”. A conferir.

Nota: 7,0

Site do livro com capítulo para leitura:
http://www.intrinseca.com.br/comandosul/autoridade