terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

"Fade" - Yo La Tengo - 2013


“Às vezes os bandidos saem por cima, às vezes os bons perdem. Nós tentamos não perder nossos corações, para não perder nossas mentes”. Com esse tom de desânimo e um pouco de descrença é que se inicia o novo álbum dos norte-americanos do Yo La Tengo. Lançado em janeiro desse ano, o 13º disco da carreira foi gravado no Soma Studios em Chicago e traz pela primeira vez John McEntire (de Tortoise e Teenage Fanclub) na produção.

Sob a batuta dos velhos amigos do selo Matador Records, o casal Ira Kaplan e Georgia Hubley, junto com James McNew, continuam na ativa sem se entregar e sem ceder ao óbvio e ao fácil. “Fade” é o sucessor de “Popular Songs” de 2009, uma espécie de brincadeira séria onde a banda flertava com vários estilos e que apesar de mostrar bons momentos como “Nothing To Hide” e “More Stars Than There Are In Heaven” era bem inconsistente.

Essa inconsistência não aflige “Fade”. Com 10 faixas é um daqueles raros álbuns que hoje em dia podem ser escutados completamente e depois repetidos. Depois dos quase sete minutos de abertura da quase extraordinária “Ohm”, o disco flui para a doce e amorosa “Is That Enough” onde Ira Kaplan despeja a melodia conversando suavemente com o ouvinte, para depois com direito a orquestrações levar a canção rumo aos anos 60.

As frequentes guitarras sujas da banda aparecem discretamente no registro. Não que elas tenham sumido, pelo contrário, apenas estão em volume reduzido, exceção feita as distorções de “Paddle Forward” que fazem lembrar o trabalho de estreia de 1986 chamado “Ride The Tiger”. Já na dobradinha “Cornelia and Jane” e “Two Trains”, a lembrança recai para outro álbum, dessa vez o calmo “And Then Nothing Turned Itself Inside-Out” de 2000.

Com quase 30 de anos de carreira (a primeira formação é de 1984), o Yo La Tengo não consegue fugir da comparação com registros anteriores, sendo que “Fade” é uma espécie de resumo de todas as fases da banda. Mal comparando, é para eles o que foi o “New Adventures in Hi-Fi” para o R.E.M, uma junção de características antigas forjadas em um caldeirão novo e com canções com poder para entrar no seleto rol de melhores da discografia.

“Fade” ainda exibe, entre outras canções, os leves toques de Sonic Youth na melodia de “Stupid Things” e o medo e fuga de “Before We Run”, que fecha absurdamente bem o registro. Em pleno ano de 2013, o Yo La Tengo apresenta um disco para ficar apenas um degrau abaixo de álbuns como “Electr-O-Pura” de 1995 ou a já citada estreia de 1986 e ao contrário do que o título possa indicar, o trio continua forte e parece longe de enfraquecer.

Nota: 9,0

Site oficial: http://www.yolatengo.com

Assista ao clipe de “I'll Be Around”:

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

"Lincoln" - 2013


A escravidão estava no patamar dos piores crimes possíveis para o 16º Presidente dos Estados Unidos. Para acabar com essa abominação, ele entrou em uma guerra que consumiu quase um milhão de vidas. O buraco era bem mais embaixo e os estados do sul usavam a mão de obra escrava como sustentáculo dos seus ganhos e lucros, assim como fizeram durante tanto tempo. Além da luta armada foi preciso muita conversa, quebra de princípios e jogadas pouco nobres para que a 13ª emenda fosse aprovada e adicionasse na Constituição a proibição da escravatura em todas as suas formas e procedimentos.

“Lincoln” que estreou no Brasil recentemente e está concorrendo a 12 estatuetas no Oscar desse ano é o novo filme do diretor Steven Spielberg. É um testemunho pesado e longo (são duas horas e meia de duração) sobre alguns meses entre o final de 1864 e o começo de 1865, justamente o período de aprovação da referida emenda. Abraham Lincoln havia acabado de se reeleger e os Estados Confederados do Sul começavam a ceder, logo o final da guerra se aproximava. Todavia, isso não era o bastante. Ele queria fechar para sempre as portas que culminavam nesse tipo tão vil de conduta.

Usando muitos e muitos diálogos e com raríssimas cenas de ação ou de aventura, Spielberg provoca um mergulho em um mundo escuro e denso, onde navegam lado a lado outras questões. Questões como a ética, questões como os limites do poder, questões como a crueldade do ser humano para com seus pares. Quem gosta de história e/ou conhece um pouco dessa parte da trajetória dos Estados Unidos, irá se sentir bem mais a vontade, isso é certo, porém, não somente para esse tipo de público “Lincoln” foi idealizado, a questão política tem um fiel endosso de atualidade no seu foco.

Com toda a licença para o uso de clichês, o elenco é estelar. Daniel Day-Lewis está soberbo como Abraham Lincoln, Sally Field une desespero e força para Mary Todd, a esposa do Presidente, David Strathairn aparece como o amigo e braço-direito William Seward, o Secretário de Estado do país, Tommy Lee Jones impressiona como Thaddeus Stevens, um importante político do partido conservador e James Spader coloca no balcão um pouco de riso como o negociante de votos W. N. Bilbo. Isso tudo amarrado com o roteiro categórico de Tony Kusher, responsável pelo estupendo “Angels In America”.

A parte técnica é outra invasão de nomes experientes e habilidosos, conhecedores de suas respectivas searas. Steven Spielberg repete a dobradinha que rendeu estatuetas do Oscar em 1994 e 1999 (com “A Lista de Schindler” e “O Resgate do Soldado Ryan”, respectivamente) e coloca Michael Kahn na montagem e Janusz Kaminiski na fotografia. Preciso nestes dois pilares, a direção se preocupa assim em controlar a vasta gama de personagens com papel de destaque, uma quantidade bem acima dos filmes habituais. E é nos atores que o filme se desenvolve de maneira exemplar.

Contudo, “Lincoln” ainda esbarra em duas situações. A primeira é a impressão que deixa de que os fins justificam os meios. Sim, esses meios sempre foram utilizados e provavelmente sempre serão e os objetivos aqui em questão são mais que nobres, mas pode ter uma extensão de compreensão a ser usada como desculpa para absurdos diversos. Isso já foi visto em inúmeras ocasiões. Uma das falas de Thaddeus Stevens depois da votação resume bem onde o Presidente teve que ir para conseguir seu desejo: “esta é a maior lei do século e foi conseguida à base da corrupção por um dos homens mais puros que eu conheço”.

A outra situação que prejudica um pouco o resultado final é que somente em esparsas passagens o filme realmente apresenta um clímax. Um desses momentos é a defesa que Lincoln (com Daniel Day-Lewis sobrenatural) faz das razões para aprovar a 13ª emenda. Mas, cenas assim são raras e apesar de todo o brilhantismo dos atores e a eficiência da área técnica, as emoções são contidas, comedidas, controladas. Mesmo assim, “Lincoln” é um ótimo trabalho para o diretor depois do fraco “Cavalo de Guerra”, como também para esse importante personagem que vê sua história contada longe de caçadores e de vampiros.

Nota: 8,0

Assista ao trailer legendado:

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"O Lado Bom Da Vida" - Matthew Quick


Ver a vida mudar radicalmente e não se lembrar dos motivos e ações que fizeram isso acontecer. Complicado, né? Pois é, bota complicado nisso. É nesta situação que Pat Peoples, o personagem principal do livro “O Lado Bom da Vida” se encontra. Depois de um tempo internado em um hospital psiquiátrico, ele retorna ao cotidiano para com 30 e poucos anos morar novamente com os pais e tocar a vida sem a sua esposa Nikki e sem o emprego de professor de história.

“O Lado Bom da Vida” (“The Silver Linings Playbook”, no original) foi escrito pelo norte-americano Matthew Quick. Lançado nos EUA em 2008, tem a primeira edição no país agora em 2013 através da Editora Intrínseca. Com 256 páginas e tradução de Alexandre Raposo, a obra se transformou em um filme de sucesso pelas mãos do diretor David O. Russell (de “O Vencedor”), com Bradley Cooper, Jennifer Lawrence e Robert De Niro, e concorrerá a 8 estatuetas no Oscar desse ano.

É claro que o livro de estreia de Matthew Quick (outros três já foram publicados, mas permanecem inéditos no Brasil) chega na esteira da adaptação cinematográfica, mas nem por isso deixa de ser bem-vindo. De escrita fácil e usando referências da música, literatura, cinema e esportes, “O Lado Bom da Vida” é um trabalho que passa de maneira suave, porém sem ser ausente, por temas espinhosos como perda, raiva, doenças, violência e culpa, sem deixar de divertir o leitor.

Depois de passar alguns anos internado e imaginar que são apenas alguns meses, Pat Peoples sofre para se reajustar ao mundo. Uma das maneiras que encontra para suportar essa nova vida reside na extrema carga de exercícios físicos que se habituou a cumprir, o que resulta em um corpo completamente diferente daquele que ostentava outrora. Além disso, conta com o amor incondicional da mãe e a paixão pelo tradicional time de futebol americano do Philadelphia Eagles.

O Philadelphia Eagles, aliás, é um coadjuvante fundamental para que a trama se desenvolva e produza ótimas passagens. O time do estado da Pensilvânia faz parte da divisão leste, a mais valiosa da NFC (National Football Conference), que é uma das metades da NFL. Com uma torcida apaixonada serve para conduzir Pat de volta a um estado de normalidade, apesar da tristeza que lhe aflige por não lembrar da segunda ida ao Superbowl em 2004 e a construção de um novo estádio em 2003.

É bom ressaltar que o livro se passa nos anos de 2006 e 2007, logo nesse período citado acima o personagem ainda estava no “lugar ruim”, como ele se refere ao hospital. Esse retorno a sociedade, por assim dizer, esbarra na complexa relação com o pai, que é de poucas palavras e de difícil convivência e nas lembranças que vão surgindo pouco a pouco e fazendo o passado doer com muita potência, por mais que o simpático e carinhoso psiquiatra Cliff Patel, tente amenizá-las.

Pat Peoples tem um medo tremendo correndo nas veias, um medo de sair do lugar imaginário que criou e se apega com tanto afinco e dedicação. É quando Tiffany entra na sua vida, uma cunhada do melhor amigo que passou por uma situação tão difícil quanto a dele. De maneira silenciosa e repleta de passagens incomuns, para não dizer estranhas, Matthew Quick realmente forma nesse ponto a dupla de personagens que de modo desajeitado se apoiará mutuamente.

“O Lado Bom Da Vida” usa diversas fontes para criar uma gangorra delirante de emoções. Indo da canção “Songbird” de Kenny G ao livro “Adeus Às Armas” de Ernest Hemingway ou de “Gonna Fly Now” (tema do filme “Rocky”) ao livro “A Redoma de Vidro” de Sylvia Plath, tudo serve para este fim. E Matthew Quick conduz essa peça de amor e dor com desenvoltura e capricho, utilizando a dualidade do seu personagem principal como fonte para um emocionante livro.

Nota: 8,0


Leia uma entrevista com o autor, aqui.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

"Sunken Condos" - Donald Fagen - 2012


Ao buscar por uma definição de sofisticação no dicionário depara-se com termos como complexidade, bom gosto, requinte, excesso de sutileza. Essa definição também poderia apresentar outras correspondências indiretas, como a música de Donald Fagen, nascido em 10 de janeiro de 1948 em Nova Jersey nos Estados Unidos e que desde o começo dos anos 70 esbanja essas qualidades enquanto elabora com calma e esmero as suas canções.

Desde o início da década de 70 sendo uma das partes do Steely Dan (a outra é Walter Becker), Donald Fagen esteve envolvido no processo de criação de primorosas joias como os álbuns “Aja” de 1977 e “Gaucho” de 1980. Em 1982 optou por se aventurar em carreira solo e lançou “The Nightfly”. Posteriormente vieram mais dois discos (“Kamakiriad” de 1998 e “Morph, The Cat” de 2006), que receberam pelo próprio músico a alcunha de “Nightfly Trilogy”.

Ano passado, Donald Fagen rompeu o silêncio de seis anos e a seu modo reapareceu com um novo trabalho. “Sunken Condos” teve lançamento pela Reprise Records e expõe em 9 faixas, a mistura que o músico sabe tão bem fazer com o cuidado e refinamento já conhecidos. A união de rock, jazz, blues, soul, funk, R&B e pop está azeitada como de costume e apesar de não apresentar nada de propriamente novo no horizonte, seduz e atrai totalmente o ouvinte.

O registro abre com “Slinky Thing”, um groove estiloso destacando um belo solo de guitarra. Depois é a vez de “I'm Not The Same Without You”, um pop dançante, com ecos dos anos 80 e bem funkeado. Na sequência aparece “Memorabilia”, uma canção tão perfeita que artistas como Jay Kay do Jamiroquai dariam um dedo para fazer algo parecido. Já “Weather In My Head” é um blues leve, mas bem encardido nas guitarras nos mais de 5 minutos de duração.

“Sunken Condos” ainda tem mais variações sobre a mesma base, como o clima soft com levada jazz ao fundo e metais se alternando de “The New Breed”, além da inusitada (e competente) versão de “Out Of The Ghetto” do Isaac Hayes e a balada com guitarra bluesy e leves toques de soul music de “Miss Marlene”. O som mais funkeado e dançante volta a aparecer em “Good Stuff”, a penúltima faixa, e o álbum termina com o soul charmoso de “Planet D'Rhonda”.

Tocando teclados, piano e órgão, e apresentando uma habilidade vocal ainda de alto nível apesar da idade, Donald Fagen conta com a ajuda de velhos conhecidos como o produtor Michael Leonhart, o guitarrista e baixista Jon Herigton, o baterista Earl Cooke Jr. e o saxofonista e flautista Charlie Pillow. Merecem igual reconhecimento, os backing vocais coordenados na maioria das faixas pelo trio Catherine Russell, Cindy Mizelle e Jamie Leonhart.

Uma das críticas que se podem direcionar a “Sunken Condos” vai ao encontro da sua maior qualidade, que é justamente manifestar a mesma antiga sonoridade do seu criador. Porém, em determinados casos (e aqui é um deles) não inovar se torna o maior mérito. Com bem escreveu o crítico Martin Aston da BBC, criticar Donald Fagen por fazer novamente o mesmo registro é como criticar Van Gogh por seus repetidos autorretratos. É mais ou menos por aí.

Nota: 9,0

Site oficial: http://donaldfagen.com

Assista a uma apresentação ao vivo de “Weather In My Head”:

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Top Top - Os Melhores de 2012


Salve, salve minha gente amiga...

2012 foi embora. Chegou ao fim exatamente um mês atrás e como de costume publicamos nossa listinha de melhores discos e músicas nesse dia. O nosso tradicional “Top Top” parte para o 7º ano seguido, sempre com o objetivo de dar um panorama geral (na nossa opinião, evidentemente) do que aconteceu no ano que se encerrou.

Sem mais delongas, eis a nossa listinha:

TOP 25 – DISCO NACIONAL

1 – E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando a Sua Fuga, Cavando o Chão com as Próprias Unhas – Jair Naves
2 – Claridão – SILVA
3 – Sintoniza Lá – B Negão & Os Seletores de Frequência
4 – Tatá Aeroplano – Tatá Aeroplano
5 – Caravana Sereia Bloom – Céu
6 - Aleluia – Cascadura
7 – As Crônicas do Bandido – Elder Effe
8 – Tudo Tanto – Tulipa Ruiz
9 – Eles São Assim. E Assim Por Diante – Bidê ou Balde
10 – Molho Negro – Molho Negro
11 – A Mágica Deriva dos Elefantes - Supercordas
12 – História Universal do Esquecimento - Lestics
13 – No Dust Stuck On You – Black Drawing Chalks
14 – A Vida Secreta das Referências – Giancarlo Ruffato
15 – Nobody Can Live Forever The Existential Soul of Tim Maia – Tim Maia
16 – Arrocha - Curumin
17 – A Trip To Forget Someone – A Trip To Forget Someone
18 – Enfim Terra Firme – André Mendes
19 – Fábula – Cris Braun
20 – Tropicália Lixo Lógico – Tom Zé
21 – Próxima Estação - Volver
22 – A Máquina de Retratos - Novanguarda
23 – Inspire – Sonic Junior
24 – Todo Futuro É Fabuloso – Bazar Pamplona
25 – Violins – Violins

TOP 25 – MÚSICA NACIONAL

1 – Par de Tapas que Doeu em Mim - Tatá Aeroplano
2 – Enquanto a Noite Puder Fingir um Sorriso - Giancarlo Ruffato
3 – Aparelhagem de Apartamento - Molho Negro
4 – Carmem, Todos Falam Por Você? - Jair Naves
5 – Essa é Pra Tocar no Baile - B Negão & Os Seletores de Frequência
6 – Fator X – Elder Effe
7 – Me Deixa Desafinar – Bidê ou Balde
8 – Mamãe no Face – Zeca Baleiro
9 – Tão Sós – André Mendes
10 – O Rei do Olhar - Cascadura
11 – Passarinho - Curumin
12 – Chegar em Mim – Céu
13 - Inflamável – Sonic Junior
14 – London – A Trip To Forget Someone
15 – Dois Cafés – Tulipa Ruiz
16 – O Céu Sobre as Cabeças - Supercordas
17 – Dedo de Zombie – Macaco Bong
18 – 2012 - SILVA
19 – Pronto Para Morrer (O Poder De Uma Mentira Dita Mil Vezes) – Jair Naves
20 – Se Ela Não é Lésbica, Tem Namorado – Molho Negro
21 – Meu Jeans – Lê Almeida
22 – Capítulo IV – La Orquestra Invisível
23 – Tanto Faz Para o Amor – Cris Braun
24 – Ela Falava - Otto
25 – Radio Cabeça – Los Bife

TOP 25 – DISCO INTERNACIONAL

1 – New Multitudes – Jay Farrar, Will Johnson, Anders Parker & Yim Yames
2 – Blunderbuss – Jack White
3 – Psychedelic Pill – Neil Young & Crazy Horse
4 – Sweet Heart Sweet Light – Spiritualized
5 – Between The Times And The Tides – Lee Ranaldo 
6 – Wrecking Ball – Bruce Springsteen
7 – Sunken Condos – Donald Fagen
8 – Silver Age – Bob Mould
9 – Sonik Kicks – Paul Weller
10 – Head Down – Rival Sons
11 – Boys & Girls – Alabama Shakes
12 – That’s Why God Made The Radio – The Beach Boys
13 – Big Moon Ritual – Chris Robinson Brotherhood
14 –  King Tuff – King Tuff
15 – Old Ideas – Leonard Cohen
16 – Delta Time – Hans Theessink & Terry Evans
17 – Researching The Blues – Redd Kross
18 – The Seer – Swans
19 – Home Again – Michael Kiwanuka
20 – Electric Cables - Lightships
21 – Channel Orange – Frank Ocean
22 – Blues Funeral – Mark Lanegan Band
23 – The Stars are Indifferent to Astronomy – Nada Surf
24 – Rebirth – Jimmy Cliff
25 – I Bet On Sky – Dinousar Jr.

TOP 25 – MÚSICA INTERNACIONAL

1 – So Long You Pretty Thing - Spiritualized
2 – You Don't Have To Love Me - Blues Traveler
3 – Walk Like a Giant - Neil Young & Crazy Horse
4 – I'll Get Along - Michael Kiwanuka
5 – Sky High - Ben Folds Five
6 – Memorabilia – Donald Fagen
7 – Delta Time – Hans Theessink & Terry Evans
8 – Careless Reckless Love - Jay Farrar, Will Johnson, Anders Parker & Yim Yames
9 – Love Interruption – Jack White
10 – Spring Vacation – The Beach Boys
11 – Hold On – Alabama Shakes
12 – My Valentine – Paul McCartney
13 - Waiting for Something – Nada Surf
14 – Off The Wall – Lee Ranaldo
15 – Tattoo – Van Halen
16 – Amerigo – Patti Smith
17 – Black Betty – Dinousaur Jr.
18 – Hollywood Forever Cemetery Sings – Father John Misty
19 – Bleeding Muddy Waters – Mark Lanegan Band
20 – You Want To – Rival Sons
21 – Briefest Moment – Bob Mould
22 – V.A.L.I.S – Bloc Party
23 – Outsider – Jimmy Cliff
24 – Drifters – Paul Weller
25 – Alone & Stoned – King Tuff

Paz sempre!!

P.S: Para ver como fechou o “Top Top” de 2006 para cá, é só clicar aqui.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

"Banksy - Guerra e Spray" - Banksy

O falecido arquiteto mexicano Luis Barragán Morfin escreveu em determinada ocasião que “a arte é feita pelos anônimos para os anônimos”. Tal afirmativa pode muito bem ser direcionada a obra de Banksy, o artista inglês que ninguém sabe quem é verdadeiramente, mas que a cada dia que passa conquista mais admiradores pelo mundo. Porém, considerando que a arte tem como tradição sempre exigir doses complementares de amor e ódio, a quantidade de hostis também cresce relativamente.

Aqui no Brasil, a produção deste oculto grafiteiro ganhou um livro no ano passado. “Banksy – Guerra e Spray” foi originalmente publicado no Reino Unido em 2005 e depois de ter sido um sucesso de vendas, só agora desembarcou no país. Com lançamento da Editora Intrínseca em formato grande (26x21cm), conta com 240 páginas e tradução de Rogério Durst. Com uma leve introdução e seis capítulos posteriores, são retratadas algumas intervenções feitas até aquela data, aliadas com pequenas histórias.

Durante os anos muito se especulou sobre a verdadeira identidade de Banksy. O tabloide inglês Daily Mail chegou a cravar que ele é Robert Banks, nascido em 1973 na região de Bristol na Inglaterra. Outros especulam que Thierry Guetta, o protagonista do documentário que concorreu ao Oscar de 2011, “Exit Through The Gift Shop” (com Banksy destacado como diretor) seja quem se procura, e outros ainda consideram que o nome seja na realidade um conjunto de artistas de vários países.

No entanto, independente de quem seja, a verdade é que o trabalho de Banksy oferece impacto e colisões constantes. O anonimato causa mais interesse, é lógico, mas isso é apenas mais um adendo sobre o cenário geral e aquilo que mais importa, que é o cutucão que a sociedade como um todo recebe. Utilizando seu spray e praticando estêncil (uma espécie de desenho feito com buracos na superfície), as tintas usadas não isentam ninguém. Governos, religiões, cotidianos, polícia. Todos são alvos.

Um dos trechos do livro diz que “é preciso muita coragem para, numa democracia ocidental, se erguer anonimamente e clamar por coisas em que ninguém mais acredita – como paz, justiça e liberdade.” A assertiva que pode parecer ingênua em um mundo que sucumbe cada vez mais a aceitação de ideias prontas e do lema do “isso não é comigo”, funciona mais do que o esperado, pois incomoda e perturba um pouco a mente de conservadores, reacionários e omissos de quaisquer estirpes.

É fato que o discurso de Banksy extrapola alguns pontos, como em relação a invasão de propriedade privada e as máculas em monumentos históricos, mas mesmo isso não chega a ser exatamente ofensivo. Outras questões como a arte com alcance gratuito, copyright e lucro também são inerentes perante alguns produtos gerados pela marca cada vez maior do artista, no entanto, esses questionamentos acabam por expirar perante o significado das manifestações assinadas pela alcunha.

Tratando o grafite como uma “das mais honestas formas de arte disponíveis”, ele consegue contrapor de modo inteligente a “sujeira” provocada pelas suas pinturas com aquelas que as empresas e governos fazem legalmente e que enchem as ruas de propagandas e coisas do tipo. O ferrão irônico e provocador produz situações como a de policiais se beijando ou a menina Phan Kim Phúc sendo acompanhada pelo Mickey e Ronald McDonald na famosa foto da Guerra do Vietnã tirada no ano de 1972. 


E quando trata de situações em que governo, guerra e política são explorados, é que o livro se abrilhanta mais, porém sem esquecer das injustiças sociais. Em uma das passagens temos:

“A raça humana promove o tipo mais estúpido e injusto de corrida. Muitos dos corredores não calçam um tênis decente nem têm acesso a água potável. Alguns já nascem largando muito na frente, recebem toda a ajuda possível ao longo do trajeto e ainda assim os fiscais de prova parecem estar do lado deles. Não surpreende que muitos desistam de competir, preferindo se sentar na arquibancada, comer porcarias e gritar que foi tudo marmelada. O que a corrida humana precisa é de muito mais nudistas invadindo a pista.”

As criações de Banksy invadiram outros países como Estados Unidos, Israel, Japão e Espanha e entre pegadinhas com transeuntes e críticas repletas de humor negro e ironia, serviram para sacudir um pouco a apatia e a falsa sensação de conforto que se espalha como um vírus no ar. Como ele mesmo afirma que “é sempre mais fácil conseguir perdão do que permissão”, podemos esperar muito mais pela frente, além daquilo que já está retratado nesse ótimo “Guerra e Spray”.

Nota: 9,5

Site oficial: http://www.banksy.co.uk

Assista abaixo (completo e legendado) o documentário “Exit Through The Gift Shop”:


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

"Homem-máquina" - Max Barry


Em 2009, o escritor australiano Max Barry estava com um indesejado bloqueio criativo. Nada que ele começava a escrever conseguia se desenvolver. Ideias iam para a lixeira, roteiros de filmes não eram lidos e manuscritos entravam em gavetas para nunca mais ver alguma luz. Foi quando resolveu postar pedaços de uma nova história chamada “Homem-máquina” no seu site. A coisa foi fluindo, gerou interesse e recebeu vários pitacos de leitores que foram considerados no decorrer da trama.

A investida deu tão certo que em 2011 “Homem-máquina” ganhou edição física lá fora (com várias diferenças em relação a versão online) e no ano passado a Editora Intrínseca publicou aqui no Brasil. Com 288 páginas e tradução de Fábio Fernandes é o terceiro dos quatro livros do escritor a ser lançado em terras brazucas (os outros são “A Companhia” e “Eu S/a”). Nele, o autor cria um romance que usa a ficção científica como base em paralelo com um bem-humorado thriller de conspiração.

O personagem principal é o Doutor Charles Neumann, um engenheiro que trabalha na conceituada empresa de ciências Futuro Melhor. Na verdade, ele não sabe muito bem o que constrói na empresa e nem onde essas invenções são aplicadas. Mas, isso não o impede de ter uma posição de destaque dentro do laboratório que mais parece uma prisão. Sem qualquer vestígio de vida social, ou seja, sem nenhum amigo, contato com família ou namorada, tem como companheiro o moderno celular.

É esse celular que em uma passagem inicial divertidíssima leva ao acidente de trabalho que lhe custa uma das pernas. Ao invés de olhar para isso como uma tragédia, o Dr. Neumann vê uma grande janela de oportunidades a partir do envolvimento da especialista em próteses Lola Shanks. Fascinado por máquinas e pela ideia de aprimoramento contínuo, ele dá partida a uma busca tresloucada e sem limites pela perfeição, pela ideia de um corpo funcionando com partes melhores e menos frágeis.

É meio óbvio que essa busca vai resultar em um tremendo desastre. Como afirmava o filósofo francês Voltaire, “toda perfeição é um defeito” e isso fica bastante claro para o leitor, mesmo que para o Dr. Neumann isso não seja assim tão visível. Enquanto encaminha seu personagem para um destino praticamente sem retorno, Max Barry faz uma zombaria inteligente sobre o apego exercido nos nossos tempos com a tecnologia, o que gera vícios e neuroses e resulta em pensamentos malucos de poder e necessidade.

Na segunda metade, “Homem-máquina” amplifica essas neuroses e é conduzido por outros caminhos, como a relação entre o personagem principal e os interesses da empresa com um olhar mais focado na área militar governamental para as invenções que vão surgindo. O escritor ítalo-americano Felice Buscaglia dizia que a “ideia da perfeição o assustava”, já para Max Barry a caça por essa perfeição gerou um livro interessantíssimo, que consegue ser crítico e divertido ao mesmo tempo.

Tem uma pequena parte inicial para leitura (em inglês) aqui.

Nota: 8,5

Site oficial do autor: http://maxbarry.com       

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

"Essa Tal de Bossa Nova" - Bruna Fonte e Roberto Menescal


Em 2010 a escritora e fotógrafa Bruna Fonte publicou um livro sobre um dos fundadores da bossa nova intitulado “O Barquinho Vai... Roberto Menescal e suas histórias”. De leitura rápida e prazerosa continha alguns causos de um dos participantes mais importantes do movimento, além de simpáticos depoimentos. A iniciativa gerou em 2012 uma espécie de irmão. “Essa Tal de Bossa Nova” exibe novamente a parceria e se ambienta mais ou menos nos mesmos moldes de antes.

Com 160 páginas e lançamento pela Editora Prumo, o livro serve para comemorar os 50 anos do histórico show da turma da bossa nova no Carnegie Hall em Nova York, assim como os 75 anos de vida de Roberto Menescal. A obra é dividida basicamente em duas partes, onde a primeira conta histórias do nascimento e crescimento da música que tomou conta do mundo, enquanto a segunda traz fatos da época em que o homenageado era diretor artístico da gravadora Polygram.

O livro tem como objetivo ser leve e descontraído, e consegue isso, apesar de às vezes parecer pueril e ingênuo demais, o que acaba atrapalhando um pouco. Têm pequenas seções dentro dos capítulos e vários “top five”, contendo tópicos como “O Rio de Janeiro em cinco músicas” ou “Tom Jobim em cinco duetos”, não se preocupando somente com a bossa nova e expandindo horizontes para gêneros como o tango, por exemplo, além de indicar álbuns para serem escutados.

Uma das coisas mais latentes do livro é que entre notas divertidas e curiosas sobre artistas tão díspares como Raul Seixas e Sidney Magal, fica demonstrado a alienação parcial de uma parte (da qual Menescal é integrante) da bossa nova com fatos alheios ao seu mundo de praia, música, mar, sol e alegria. A mostra mais clara disso fica quando a ditadura tem início no país e as coisas começam radicalmente a mudar e versos como “dia de luz, festa de sol” não tem mais como existir.

“Essa Tal De Bossa Nova” é um livro sem pretensões maiores e acaba funcionando justamente por isso, não devendo ser encarado como uma obra ampla ou essencial. É livro para ler em uma tarde ensolarada. As cores geralmente são as mais risonhas possíveis e coisas pesadas passam longe de ser colocadas no papel. Isso reflete bem a personalidade de Roberto Menescal, um músico e produtor importante da história nacional, que sempre levou a vida com um sorriso no rosto.

P.S: O livro ainda traz textos de nomes como Nelson Motta, Paulo Coelho, Stacey Kent e Ivan Lins.

Nota: 6,5

Site oficial de Roberto Menescal: http://www.robertomenescal.com.br

domingo, 6 de janeiro de 2013

"A Terrível Intimidade de Maxwell Sim" - Jonathan Coe


Enlouquecer. Estourar. Explodir. Dar um tremendo de um chute na própria vida quando ela saiu completamente do eixo. Tem momentos que pensamos seriamente em fazer isso. Ou fazemos mesmo, vá saber. A verdade é que é praticamente impossível passar imune a um momento desses enquanto andamos cheios de preocupações bestas pelo mundo. É o que acontece, por exemplo, com Maxwell Sim, o comportado e normal personagem do mais recente livro do inglês Jonathan Coe a ser publicado por aqui.

“A Terrível Intimidade de Maxwell Sim” foi originalmente lançado em 2010 no Reino Unido, mas só chegou ao Brasil no final de 2012. Tem 416 páginas e conta com tradução de Christian Schwartz. Nele, um dos escritores mais interessantes da atualidade faz um retorno à boa forma de livros anteriores como “O Legado da Família Winshaw” e a dobradinha “Bem-vindo Ao Clube/Círculo Fechado”, mantendo alguns temas já utilizados antes, mas também adicionando novas visões a habitual narrativa crítica e ácida.

O protagonista que dá nome ao livro é um sujeito comum, de inteligência mediana, sem maiores planos para a vida que não seja as coisas do dia a dia. Trabalha em uma loja de departamentos no setor de atendimento ao cliente e vive sem maiores surpresas. No entanto, quando a esposa e a filha adolescente resolvem ir embora para uma vida nova, esse pequeno mundo que ele construiu desmorona completamente, o que causa uma depressão aguda seguida da saída do emprego e uma viagem para reencontrar o pai na Austrália.

Maxwell Sim está com 48 anos, sua mãe já morreu e lhe sobrou apenas o pai, com quem sempre teve uma relação repleta de ausência e medo. Essa viagem para reencontrá-lo é onde o livro realmente tem partida, pois ele vê em um restaurante uma desconhecida jantando com a filha e exibindo uma assustadora intimidade, coisa que na verdade ele nunca teve. Isso provoca um sentimento de se conectar novamente as pessoas, de começar a conversar, de ser mais social, de sair das sombras que o mundo moderno lhe reservou.

Para tanto, depois de alguns fatos inusitados pelo caminho, ele aceita uma proposta de trabalho do único amigo que tem (apesar de no Facebook esses amigos serem 74). Uma proposta que consiste em fazer uma viagem para um dos pontos mais distantes do Reino Unido na Escócia, que servirá como estratégia de marketing para o lançamento de uma revolucionária escova de dente com conotações ambientais.  Nessa viagem (que daria um ótimo road-movie) ele tenta reatar alguns laços, mas acaba por sucumbir a própria história.

Com descobertas sobre seu passado e da sua família cada vez mais avassaladoras, Maxwell Sim se envolve em um casulo solitário, onde os melhores momentos são quando conversa com o GPS do carro. Nesse ponto, Jonathan Coe amarra a história real de Donald Crowhurst junto com a do seu personagem. Crowhurst foi um navegador solitário que no final dos anos 60 se aventurou a dar a volta ao mundo e no fim ajoelhou perante a loucura (mais sobre essa história, passe aqui). Essa junção funciona muito bem e provoca passagens interessantes.

“A Terrível Intimidade de Maxwell Sim” mostra alguns temas já explorados pelo autor, como uma família constituída a base de segredos, mentiras e silêncios, assim como a solidão em sua forma mais dolorosa. O personagem principal tem uma inadequação extraordinária para a vida, e isso é que o transforma em algo mais e dá a possibilidade para que seja forjado um retrato bastante curioso sobre a vida nos dias atuais, onde quando mais parece que estamos perto de tudo e de todos, mas distantes nos colocamos uns dos outros e das relações pessoais.

Nota: 8,5

Site oficial do autor: http://www.jonathancoewriter.com

Textos relacionados no blog:
- Literatura: “A Chuva Antes de Cair” – Jonathan Coe

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

"As Aventuras de Pi" - 2012


O que pode fazer a vida ser realmente fantástica? As experiências que acumulamos durante os anos? A dificuldade dos obstáculos que temos que ultrapassar para seguir em frente? As ousadias a que nos permitimos durante o caminho? Sem dúvida, tudo isso e mais um monte de outras coisas são responsáveis por transformar a vida em uma experiência realmente interessante, que fuja do banal, que fuja do comum.

O diretor Ang Lee usa os questionamentos acima como uma das partes que compõem seu mais recente filme. “Aventuras de Pi” é baseado em um livro do escritor canadense Yann Martel, que por sua vez se inspirou na obra “Max e Os Felinos” do falecido brasileiro Moacyr Scliar publicada originalmente no início dos anos 80 (mais sobre isso, aqui). É o trabalho que marca a volta do peculiar cineasta aos holofotes.

Ang Lee apareceu para valer com “Razão e Sensibilidade” de 1995. De lá para cá alternou bons filmes como “O Tigre e o Dragão” de 2000 com outros apenas razoáveis, vide o superestimado “O Segredo de Brokeback Mountain” de 2005, e até mesmo uns bem ruins, como o chatíssimo “Hulk” de 2003. É o típico diretor que se situa entre os extremos das paixões dos fãs e da raiva (ou descaso) dos detratores que lhe apedrejam.

Com “As Aventuras de Pi”, isso não será diferente. Com roteiro de David Magee (“Em Busca da Terra do Nunca”), o longa mistura as aventuras do título com filosofia e religião distribuídas em pequenas alegorias e parábolas. Todavia, isso nem chega próximo de ser o principal atrativo. Essa primazia fica por conta do visual que dá vida aos pensamentos do diretor. Extremamente belo aos olhos, praticamente carrega o filme nas costas.

Não que o roteiro seja horrível, apenas está um patamar abaixo das realizações visuais que inundam a história de Pi (Suraj Sharma), um indiano que depois de buscar alívio (e não encontrar de modo geral) em deuses e na própria família, se vê à deriva depois do naufrágio do navio que o levava para uma nova vida no Canadá. Isso, em conjunto com uma hiena, uma zebra, um orangotango e um tigre dentro do bote salva-vidas.

É Pi quem narra essa parte da vida para um escritor (Rafe Spall) que vem atrás de ouvir essa extraordinária história. Já casado e com filhos (e nesse momento interpretado pelo tarimbado Irrfan Khan), o indiano - que agora é professor no Canadá - retorna a infância, passando pela origem do seu nome e a relação conflituosa com o pai, até chegar onde realmente as pouco mais de duas horas de duração começam a valer a pena.

O naufrágio e as consequências são um verdadeiro deleite para os olhos (e funciona muito bem em 3D). Da “relação” com o tigre até o desembarque em uma ilha bem diferente, todos os momentos causam encanto. Se a história em si tem buracos e deixa a desejar enquanto busca amarrar as pontas, isso acaba sendo o de menos. Como disse Alfred Hitchcock certa vez, “há algo mais importante que a lógica: a imaginação”. Confie nisso.

Nota: 7,5

Textos relacionados no blog:

- Cinema: “Aconteceu em Woodstock” de Ang Lee.

Assista ao trailer legendado: