quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

"Bafafá de Natal" - Centro Cultural Cidade Velha (PA) - 19.12.2009

Salve, salve minha gente amiga...
Final de ano sabe como é né? Festa atrás de festa. Neste sábado, no Centro Cultural Cidade Velha (antiga Saravejo) em frente a Praça do Carmo, aqui em Belém, rola uma ótima pedida para entrar nesse ritmo de final de ano.
É o "Bafafá de Natal" com as bandas Clepsidra, Norman Bates e Suzana Flag (que tá com o disco novo saindo do forno já, já...). Ingressos apenas a R$ 10,00 e na lista amiga (mande email para: asoociaprorock@gmail.com) só cincão. Vale muito. Vê se não perde.
Paz Sempre!!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"Aconteceu em Woodstock" - 2009

Os famosos três dias de paz, amor e música do festival de Woodstock ganham uma nova cara nos cinemas. Uma cara divertida e despretensiosa pelas mãos do diretor Ang Lee (de “O Tigre e O Dragão” e “O Segredo de Brokeback Mountain”). Baseado no livro homônimo de Elliot Tiber (também recém lançado por aqui), “Aconteceu em Woodstock” mostra um lado do festival em que os shows que deram fama ao evento são apenas coadjuvantes.

Ang Lee conta como um jovem (Elliot Tiber, vivido por Demetri Martin) conseguiu “salvar” aquele que se tornaria o maior festival de música de todos os tempos. Um ponto interessante é que o livro onde o filme se baseia é bastante forçado no seu início, onde narra a vida do autor e o vínculo com a cena gay de Nova York da época. Essa parte foi totalmente limada do longa, o que já contribui e muito para o bom desenrolar da película.

Indo para a história em si, vemos um jovem vendo o futuro indo embora enquanto enterra esforços e dinheiro em um falido hotel dos pais, interpretados muito bem por Imelda Stauton e Henry Goodman. Quando o festival de Woodstock perde a licença para acontecer em uma cidade vizinha, Elliot entra em contato com Michael Lang (Jonathan Groff), o organizador da amalucada viagem, oferecendo sua área para que as coisas rolem por lá.

O local da família acaba não agradando, mas ele coloca no circuito o vizinho, o já lendário Max Yasgur (vivido por um ótimo Eugene Levy) que acaba alugando seu espaço. O resto, meus caros, virou história. Ang Lee se baseia então na onda de construção para que tudo acontecesse e surpreende ao deixar um ritmo descompromissado, usufruindo de todas as chances que as situações absurdas envolvendo sexo e drogas podem sugerir de engraçado.

O filme também mexe bem na estrutura do livro, acerta ao cortar a vida pessoal de Elliot Tiber, mas talvez erre em suprimir outras partes engraçadas e criar alguns novos personagens. Outros personagens como a segurança Vilma (vivida por um surpreendente Liev Schreiber) ganham um destaque bem maior. O lado mais sujo também fica de fora, como as negociatas e a falta de comida e condições de higiene pessoal. Aceitável, afinal trata-se de uma comédia.

Outro ponto é a trilha sonora que podia aparecer mais, mesmo assim traz nomes como The Doors, Grateful Dead e Tim Hardin (e calma... “Freedom” do Richie Havens toca nos créditos finais). Com “Aconteceu Em Woodstock”, Ang Lee atesta parcialmente sua versatilidade e competência, passeando agora pelo campo da comédia. Seu novo filme vale a sessão, mesmo sendo um pouco superficial. No final é uma tremenda e saborosa bobagem.

A resenha do livro em que o filme foi baseado, está bem aqui.

domingo, 13 de dezembro de 2009

"Umbigo Sem Fundo" - Dash Shaw

David e Maggie Loony são um casal comum de americanos. Tiveram uma vida razoavelmente tranquila e criaram seus três filhos sem maiores atropelos e de acordo com a doutrina que o seu país reza. Os filhos cresceram e lhe deram netos, nada mais normal. O que não é muito normal, é que depois de 40 anos de casados e com mais de 70 de idade, David e Maggie resolvem se separar. E o que é pior, sem nenhum motivo aparente a não ser o simples cansaço.
“Umbigo Sem Fundo” de Dash Shaw é mais um título lançado no país pela Companhia das Letras, através do selo “Quadrinhos na Cia”, no qual vem fazendo um ótimo trabalho. A história ganhou uma roupagem bonita e vem contada em mais de 700 páginas. A arte de Dash Shaw apesar de não ser a mais bela de todas, traz um traço bem peculiar com o qual o leitor acaba se acostumando. Com um tom de sépia envolvendo a arte em preto e branco, cria-se um efeito bem bacana.
“Umbigo Sem Fundo” é mais um trabalho dos quadrinhos que explora temas do cotidiano, sem super heróis ou tramas policiais como pano de fundo. Dash Shaw usa uma tradicional família americana para expor vários defeitos e disfuncionalidades de toda família. Os três filhos do casal, Dennis, Claire e Peter, são pequenos universos que funcionam de maneira diferente em relação aos pais e sem muita comunicação fraterna. Peter se acha tão excluído que é retratado com cara de Sapo na obra.
Ao saber do divórcio dos pais, os três filhos vão passar uns dias na casa em que foram criados para entender e assimilar o processo. Cada um reage de maneira diferente e espelhada pelo tratamento recebido quando criança. Dennis não entende, procura explicações a toda hora. Claire fica passiva, enquanto Peter, bom, Peter tem um mundo só dele para cuidar e não liga muito. No meio disso ainda tem Jill, a filha de Claire, que parece ser o único oásis de sabedoria no grupo.
Os quadrinhos estão caminhando a passos largos para um novo nível. Em obras como “Umbigo Sem Fundo” a coisa fica bem clara. O roteiro desta graphic novel podia muito bem ganhar os cinemas pelas mãos de diretores como Mike Leigh, sem fazer feio. Para ajudar sua narrativa Dash Shaw vai subvertendo os quadros de tamanho conforme a intensidade do momento, ou simplesmente opta por passar vários deles mostrando apenas paisagens. Vale a leitura.
Outras resenhas sobre lançamentos do selo “Quadrinhos na Cia”? Passe aqui e aqui.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

"Julie & Julia" - 2009

Julia Child e Julie Powell. As duas são americanas e casaram com um homem companheiro, que lhes ajuda a tocar a vida em frente. As duas se perdem no meio do caminho e precisam se reencontrar. E para ambas esse reencontro se dá graças a culinária. A diretora Nora Ephron usa essas duas histórias, ambas reais, para criar um dos filmes mais deliciosos (em todos os sentidos) do ano. “Julie & Julia” consegue divertir, emocionar e fazer pensar sobre a vida.
Baseado em fatos reais, “Julie & Julia” conta a história de duas mulheres em anos distintos que acharam uma razão de viver na culinária. Julia Child revolucionou a cozinha americana em 1961 com um livro (junto com Louise Bertholle e Simone Beck) que trazia 524 receitas francesas para serem feitas por donas de casas comuns. Um tremendo sucesso depois de sua autora ter amargado preconceito e desconfiança quanto sua habilidade nessa área.
Julie Powell, vive nos dias atuais de maneira ordinária. Tenta se encontrar enquanto amarga um trabalho sem grandes alegrias e a mudança para um novo bairro. Suas amigas parecem bem melhor de vida se comparadas a ela. Julie Powell está perdida. Decide então se dedicar a um projeto pessoal que lhe dará prazer. Como adora cozinhar, resolve fazer as 524 receitas do livro de Julia Child em 365 dias. Para tanto, usa um blog como ferramenta de controle.
Julia Child é interpretada de maneira magnífica por Meryl Streep. Julie Powell é cheia de graça e desespero sem sentido nas mãos de Amy Adams. A dobradinha que dá nome ao filme tem como suporte um elenco extremamente competente. Stanley Tucci vive Paul Child, o marido de Julia. Chris Messina vive Eric Powell, o marido de Julie. Os dois maridos são na verdade o alicerce por trás do sucesso das esposas, revertendo a máxima de que atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher.
Tendo como base principal, dois livros: “Minha Vida Na França” de Julia Child e Alex Prud’homme e principalmente “Julie & Julia” de Julie Powell, o filme se constitui em uma prazerosa viagem pela vida de duas mulheres tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo. Mulheres repletas de garra, força, sonhos e medos agarrados a eles. Um filme forte do inicio ao fim. Do roteiro aos personagens, da direção a montagem. Um filme literalmente para dar água na boca.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"Os 40 Melhores Discos da Década" - Scream & Yell

Salve, salve minha gente amiga...
O Scream & Yell (http://www.screamyell.com.br) do chapa Marcelo Costa, fez uma eleição para eleger os 40 melhores discos da última década. Foram 68 participantes, entre os quais tive o prazer de estar incluso no meio de muita gente boa.
O resultado final está aqui: http://screamyell.com.br/site/2009/12/09/os-ultimos-dez-anos-na-musica-pop
Aqui a listinha individual de cada um dos 68 votantes, que é bem interessante de ser vista: http://screamyell.com.br/site/2009/12/09/melhores-da-decada-os-68-votantes
A minha particular está aqui: http://screamyell.com.br/site/2009/12/09/melhores-da-decada-adriano-mello-costa
Na boa, essa lista final ficou bem melhor do que as últimas sobre o mesmo tema que andaram saindo por aí nas últimas semanas. :)
Divirtam-se!
Paz Sempre!!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

"MTV Apresenta: Autoramas Desplugado" - Autoramas - 2009

Diversão. Essa é primeira palavra que me vem na cabeça quando alguém cita o Autoramas. A banda de Gabriel Thomaz e Bacalhau, conta agora com Flavia Couri no baixo e lança mais um disco para que o termo “diversão” continue vindo quando citam seu nome. “MTV Apresenta: Autoramas Desplugado” é uma produção da MTV no velho formato de seus programas, mas nesse caso específico com um grande plus, a parceria com a Trama, que disponibilizou o registro para download gratuito dentro do projeto Álbum Virtual.
No seu disco desplugado, evidente que os Autoramas não usam instrumentos elétricos, mas a postura é basicamente a mesma de costume. Sempre em pé, sem maiores cenários ou arranjos de cordas passando pelas músicas, o grupo de Gabriel Thomaz senta a mão na maior alegria. Melhor ainda, não regravam nenhum de seus maiores sucessos (pelo menos no cd) como “Você Sabe”, “Fale Mal de Mim” ou “Carinha Triste”. A mistura de anos 60, jovem guarda, surf music, ironia e bom humor está mais afiada do que nunca.
Temos duas músicas novas, a bacana “Gente Boa” e a para cima “Samba Rock do Bacalhau”, uma homenagem ao baterista, junto com três covers: “I Saw You Saying (That You Say That You Saw), que fez um tremendo sucesso com o Raimundos e é de Gabriel com Rodolfo, “Galera do Fundão” dos tempos do Little Quail And The Mad Birds e a poderosa “Eu Vou Vivendo” dos gaúchos do Walverdes. No Dvd ainda tem mais uma: “No Claro e No Escuro”, música do impagável Reginaldo Rossi, lançada nos anos 60.
As participações especiais que sempre são inerentes a esse tipo de trabalho, também se fazem presente. Frejat dá nova vida a “Sonhador” do “Vida Real” de 2001, Humberto Barros e Jane DeLuc (“A Mulher Misteriosa”) dão um toque meio flamenco a “Hotel Cervantes”, Big Gilson espalha uma saborosa slide guitar pela ótima “A 300 Km/H”, a melhor faixa do último disco “Teletransporte” de 2007 e Erika Martins (Ex-Penélope) esbanja doçura em “Música de Amor” do “Nada Pode Parar os Autoramas” de 2003.
E tem outras faixas como “Muito Mais”, “Copersucar” e “A História da Vida de Cada Um” para deixar o negócio mais azeitado. O Autoramas fez mais ou menos tudo que se esperava deles em um projeto como esse. Nada de apelações comerciais, instrumentos e mais instrumentos no palco, ou participações de artistas com destaque na atualidade nas faixas. Simplesmente fez o que faz melhor. Rock n’ roll da melhor qualidade para você levar no carro, no celular ou na bolsa, a fim de despejar bom humor e diversão para qualquer dia do ano.
Link do Álbum Virtual da Trama onde o disco está disponível gratuitamente para download, aqui.
Site Oficial: http://autoramas.uol.com.br My Space: http://www.myspace.com/autoramas

domingo, 6 de dezembro de 2009

"Tudo Pode Dar Certo" - 2009

“Tudo Pode Dar Certo” (“Wathever Works”) é o mais recente trabalho do diretor Woody Allen e vem após o seu melhor filme nos últimos anos, o bonito “Vicky Cristina Barcelona”. Nesse novo trabalho, que tinha o roteiro engavetado desde os anos 70, Allen volta para sua querida Nova York depois de alguns anos para contar uma história leve, uma comédia romântica sem grandes surpresas, mas bem divertida e repleta das ótimas frases e sacadas que sempre podemos esperar em um filme com a marca do diretor.
Boris Yellnikoff (interpretado por Larry David, um dos criadores de Seinfeld) é um senhor nada simpático ou alegre. Mora em Nova York e leva a vida ensinando xadrez para crianças desde que abandonou sua vaga de professor de universidade, onde dava aulas de física e “quase foi indicado para um prêmio Nobel”, nas suas próprias palavras. Sempre reclamando e resmungado aos quatro cantos, tem uma imagem pessimista da vida (e as vezes muito, mas muito real) e destila seu veneno para os amigos que ainda o aturam.
É interessante citar que Boris já tentou se matar, o que o deixou manco para o resto da vida. Contando sua história para o espectador e interagindo com este em certos momentos, Boris vai contando parte da sua vida recente. Certo dia quando chega em casa, encontra uma jovem linda do interior, Melodie Celestine (a sempre bela Evan Rachel Wood), pedindo abrigo na soleira da porta. Apesar de relutar por alguns minutos, resolve deixar a garota passar uns poucos dias na sua casa, enquanto ela tenta se ajustar na cidade grande.
E é claro que Boris se envolve com Melodie. Desse ponto em diante, Allen dá algumas escorregadas no roteiro e deixa passar certos aspectos, mas as boas piadas e a interpretação de Larry David (mesmo quanto tenta copiar o jeitão do diretor quando este atua) vão valendo o filme. Quando os pais de Melodie, interpretados por Patrícia Clarkson e Ed Begley Jr. entram no jogo, o filme ganha novamente em ritmo e dá uma boa melhorada. É interessante ver como a amada Nova York do diretor, atua novamente bem como coadjuvante.
Em “Tudo Pode Dar Certo”, Allen não cria um daqueles filmes em que ligamos de modo entusiasta para os amigos recomendando ao sair do cinema (como em “Vicky Cristina Barcelona”, por exemplo), mas consegue divertir. O personagem principal, Boris Yellnikoff, é um tradicional neurótico do diretor e com seu sarcasmo e chatice vale boa parte do filme. Apesar de não tão inspirado em “Tudo Pode Dar Certo”, a fase do diretor é tão boa que mesmo quando faz algo mais ou menos, ainda é melhor do que a grande maioria.
Mais sobre Woody Allen no Coisapop: “Match Point”, “O Sonho de Cassandra” e “Vicky Cristina Barcelona”.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

"Banda Gentileza" - Banda Gentileza - 2009

A pluralidade da música pode ser encontrada em cada esquina do mundo de hoje. Um mundo que mais do que nunca abre as portas para que estilos se misturem e criem uma sonoridade diferenciada. Os curitibanos da Banda Gentileza enveredam por esse caminho desde a sua formação, que já traz na bagagem dois Ep’s gravados ao vivo. Com a estréia que carrega o mesmo nome do grupo nesse ano, demonstra uma mistura interessante e bem feita de vários estilos e concepções, vestidos com uma faceta pop e plenamente consumível.
O sexteto é formado por Heitor Humberto (vocal, guitarra e cavaquinho), Emílio Mercuri (guitarra, viola caipira, violões e bandolim), Artur Lipori (trompete, guitarra e baixo), Diego Perin (baixo), Tetê Fontoura (saxofone e teclados) e Diogo Fernandes (bateria e percussão). Por algum tempo carregou o nome de Heitor, seu principal compositor no nome, mas optou pela simplificação para a estréia, que contou com a produção de Plínio Profeta, de trabalhos anteriores com Lucas Santtana, Lenine e Pedro Luis e a Parede.
A abertura com as faixas “Coracion” e “O Indecifrável Mistério de Jorge Tadeu” (essa já valeria só pelo nome) é matadora. Para sair cantando junto. A lembrança com Los Hermanos nessa dobradinha se faz presente, no entanto, no decorrer do disco se extingue e avança por muitos outros lados. A Banda Gentileza é tudo ao mesmo tempo agora. Cake, Arcade Fire e Frank Zappa se envolvem e se relacionam com Fellini, Mutantes, Mpb, música caipira e marchinhas de carnaval. Até Reginaldo Rossi é citado com “Garçom”
Depois da citada dobradinha inicial, as três próximas faixas dão uma pequena caída e o disco só volta a brilhar com a balada irônica e pungente “Teu Capricho, Meu Despacho”. Daí para frente o registro ganha em força e assim segue até o final, seja pelo samba maneiro de “Preguiça” (da ótima passagem: “ao longo de todos esses anos/eu já tracei muitos planos/mas em prática eu não coloquei nenhum”), do brega rock de “33 B”, do nonsense de “Sempre Quase” ou do samba pesado e grooveado de “Maior Com Sétima”.
As letras são outro bom destaque. Com boas doses de ironia e sarcasmo fogem do habitual lugar comum. Na sua estréia a Banda Gentileza arruma, desarruma e depois desarruma mais ainda suas influências para construir uma sonoridade própria, uma identidade pessoal. O grupo acerta muito mais do que erra e consegue cravar agora um dos discos da música nacional no ano que passa. Duvida? Bote a já citada “O Indecifrável Mistério de Jorge Tadeu” para tocar, deixe acabar e tente não repetir ou sair cantando seus “lá-lá-lás”.
Site oficial, com disco gratuito para download: http://www.bandagentileza.com.br .

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"Quando Chegar o Natal" - Ataque Fantasma

Salve, salve...
O chapa Elder Effe do Ataque Fantasma, avisa que a banda acaba de gravar uma música para as festas de final de ano a convite do clássico programa Balanço do Rock, aqui da Cultura FM de Belém.
Com a participação de Ulysses Moreira na bateria, o grupo está disponibilizando gratuitamente no seu espaço na Trama Virtual, aqui ó:
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=76875
Clica lá para baixar. Ficou bonitona a música.
Mais sobre o Ataque: My Space: http://www.myspace.com/ataquefantasma Fotolog: http://www.fotolog.com.br/ataquefantasma

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

"Anticristo" - 2009

O diretor dinamarquês Lars Von Trier sempre causa barulho com seus filmes. Com “Anticristo”, o seu mais novo rebento não foi diferente. O longa já recebeu vaias e aplausos e foi bastante comentado e discutido. Particularmente gosto muito do trabalho do diretor. Filmes como “Dançando no Escuro” de 2000 e principalmente a dobradinha “Dogville” (2003) e “Manderlay” (2005), tem um mérito indiscutível, não sendo obras de fácil acesso, mas de uma incrível inteligência no que tange ao seu conteúdo e forma.
No entanto, nem esse gosto pessoal pelo trabalho do diretor é capaz de fazer “Anticristo” agradar. No seu novo filme, Lars Von Trier parece perdido em um roteiro falho e pretensioso e tenta se ancorar em cenas fortes de violência, sexo e mutilação, que por mais que causem extremo desconforto, só agravam o problema, pois é um desconforto que não nasce de uma arte que instiga e perturba, mas sim de um acúmulo de equívocos. Somente em poucos momentos as cenas se sobressaem e o talento retorna.
A trama gira em torno de um casal sem nome interpretado por Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg. Os atores são o único ponto positivo. As duas atuações são intensas e repletas de coragem e força. Ela é uma escritora famosa e ele é um psicanalista. Enquanto os dois estão fazendo sexo, seu pequeno filho acaba por cair (ou se jogar) de uma janela direto para a morte. Desse ponto em diante cria-se uma história em que o drama psicológico pela culpa vai consumindo pouco a pouco, até ganhar contornos de desespero, medo e loucura.
Para conseguir superar o problema os dois viajam para uma cabana no meio de uma floresta, onde ele tenta ajudá-la a superar a morte do filho. Ela na verdade culpa tanto ele quanto a si mesma pelo acontecido e só consegue achar algum conforto no sexo, que está longe de ser algo natural para os dois nessa fase. O clima fica cada vez mais pesado, ganha em tensão e o roteiro passa a adicionar diversos pontos subjetivos, que além de não possuir explicação aparente, ajudam e muito para o tremendo desencontro que acaba sendo o filme.
A culpa realmente corrói se não for bem administrada e que se siga em frente apesar dela. Citando Shakespeare: “não há culpados, o que há são desgraçados”. A vida do casal de “Anticristo” se resume mesmo a isso: uma desgraça. Tremenda e infernal desgraça. Nas entrevistas sobre o filme, o próprio Lars Von Trier acha que as coisas não saíram muito bem em certos aspectos. “Anticristo” é o tipo de filme para ser esquecido. Suas idéias (ou a falta delas) e pretensões devem ser colocadas em uma caixa para ser jogada fora sem nenhuma pena.
Sobre "Manderlay", passe aqui.