A banda pernambucana Cascabulho surgiu em meados dos anos 90, no auge de uma cena rica e diversificada, apostando em ritmos regionais que tanto estavam em voga na nossa música nessa época. Usando referências que iam de Jackson do Pandeiro ao maracatu, produzia uma sonoridade interessante que lhe rendeu vários prêmios e viagens para o exterior a fim de mostrar a sua música.
Em 1998 a banda lançou “Fome Dá Dor De Cabeça” que traduzia toda a sua mistura de maneira bastante concisa. Depois desse álbum, Silvério Pessoa, talvez o integrante mais importante do time, decidiu sair para seguir seu caminho. O baque foi grande e a banda demorou a assimilar. O retorno só aconteceu em 2002 no bom “É Caco de Vidro Puro”, que tentava achar um novo caminho com a ajuda de várias participações especiais.
Depois de um bom tempo sem lançar nada, 2008 é o ano para o terceiro disco do Cascabulho, que conta apenas com Kléber Magrão da formação original. Mais do que nunca uma dura prova depois que a banda já foi sepultada diversas vezes. “Brincando De Coisa Séria” é completamente diferente dos trabalhos anteriores ao mesmo tempo em que não esquece suas origens e de onde veio.
A atual sonoridade investe em menos regionalismos e percussões (mesmo que eles ainda apareçam bem) e para isso contou com o trabalho de Leo D. e William P. do estúdio Mr. Mouse, onde foi feita a gravação. A formação tem o já citado Magrão, João Alencar (percussão), Jackson Rocha Jr.(baixo e vocal), Léo Lira (violão, guitarra e vocal), Alexandre Ferreira (saxofone, pífanos, violões e vocal) e Ebel Perrelli (bateria).
O disco abre com um texto de Braúlio Tavares feito em 1995 e que aqui é declamado pelo poeta Antônio Marinho. Depois tudo agrada bem, seja pelos metais de “Rua Do Hospício”, o suingue de “Sambada Boa”, a beleza de “Ciranda”, o samba à lá Novos Baianos de “A Parede” ou a funkeada “É Toma Lá Dá Cá”. Para fechar, uma versão poderosa de “Quebra Quilos” de Pedro Luís que vem ao mesmo tempo pesada e dançante.
O por assim dizer “novo” Cascabulho agrada muito bem e aponta para um futuro com grandes feitos. A ciranda, maracutu, samba de roda, frevo e coco que a banda explorava, agora ganham um tratamento mais pop e a companhia de outros ritmos como o funk, o jazz e o rock. Como diz o nome do poema que abre o disco, “tudo vai no cascabulho”. E mais do que nunca vai mesmo. E bem.
Site oficial: http://www.cascabulho.com.br
“Atemporal: o que transita no tempo sem necessariamente pertencer ao passado, futuro ou presente”. Vez ou outra costumo classificar algumas obras da cultura pop como atemporais, porque combinam com a definição que inicia esse texto. O nono disco do American Music Club, lançado em fevereiro deste ano e intitulado “The Golden Age”, pode carregar essa definição merecidamente.
A banda de São Francisco, sempre sob a batuta do cultuado e não tão conhecido Mark Eitzel, volta à ativa depois de quatro anos, após “Love Songs For Patriots” de 2004, que por sua vez rompia um hiato de quase dez anos sem lançamentos. A formação está diferente do último disco, contando agora com Sean Hoffman (baixo) e Steve Didelot (bateria), além do retorno do velho comparsa Vudi na guitarra.
O American Music Club começou sua caminhada em 1983, lançando seu primeiro trabalho em 1985, chamado “The Restless Stranger” e sempre ambientou sua sonoridade em uma melancolia carregada de fortes pinceladas de cinza. No campo das composições, quase sempre estas couberam a Mark Eitzel que além de cantá-las, preenchia as melodias com letras bem acima da média, produzindo bonitos esboços de poesia.
Em 2008, a banda esbanja maturidade e se não chega a igualar trabalhos anteriores como "San Francisco" de 1994 e “Mercury” de 1995, lança canções capazes de induzir a uma reflexão pessoal, recheada de melodias simples mais não menos cativantes. Mark Eitzel parece não se importar com nada além de mostrar um punhado de canções que podiam muito bem ser de outras épocas. Passadas ou quem sabe futuras.
Difícil não se apegar a faixas como “The Victory Choir”, “The Decibels And The Little Pills”, “All The Lost Souls Welcome You To San Francisco”, “Who You Are” e “The Dance”. Faixas que caem perfeitamente bem a noite ou em um fone de ouvido durante uma viagem ou na leitura de um livro. “The Golden Age” é um dos melhores discos do ano até agora. Atemporal e bonito.
Site Oficial: http://www.american-music-club.com
My Space: http://www.myspace.com/americanmusicclub
Em 1997, Stephen King originalmente lançou o quarto dos sete volumes da sua odisséia épica sobre um pistoleiro e uma torre. Sobre um mundo que correu e foi em frente. “A Torre Negra Vol. IV – Mago e Vidro”, retoma a saga de Roland De Gilead e seus parceiros Eddie, Susannah, Jake e Oi do ponto onde parou anteriormente, dentro do Monotrilho Blaine.
Depois de conseguir vencer o desafio e derrotar Blaine de maneira inusitada, o Ka-tet de Roland, desce em Topeka no Kansas, mas um Kansas de um outro quando e outro onde. Neste momento, Roland decide contar mais sobre sua vida aos seus companheiros, contar sobre os seus primórdios como pistoleiro e de um mundo completamente diferente do que aquele com que hoje se deparam.
A partir desse momento, Stephen King insere uma nova história dentro da sua, uma história repleta de emoção, amor e devoção. A partir disso constrói o melhor momento da serie até o momento, nos fazendo esquecer completamente da outra trama (no caso, a principal) em questão, atando algumas pontas soltas e abrindo outros caminhos.
Somos arremessados a adolescência do pistoleiro e apresentados aos seus grandes amigos Alain e Cuthbert, ao seu primeiro (e talvez único) amor Susan Delgado e a personagens importantes como a feiticeira Rhea de Cöös. Depois que a história termina e o fôlego ainda se recupera, voltamos aos dias atuais da trama e ao palácio de vidro com o mago Marten Broadcloak, com King usando e abusando das referências ao clássico Mágico de Oz.
Em “Mago e Vidro”, o escritor americano chega num momento de ápice nesse seu trabalho. E deixa o ar carregado de boas expectativas para o próximo volume “Lobos de Calla”.
Sobre os outros volumes I, II e III, siga o link.
Site Oficial: http://www.torrenegra.com.br
O combo canadense Broken Social Scene criado por Kevin Drew e Brendan Cannig em 1999, reúne uma grande quantidade de músicos. Dentre eles está Jason Collett, que lançou em fevereiro deste ano seu terceiro disco solo, chamado “Here´s To Being Here”. Os outros são “Motor Motel Love Songs” de 2003 e “Idols Of Exile” de 2005, que passaram despercebidos, sem badalação alguma.
O som de Collett que nos primeiros álbuns circulou na seara do folk mais moderno dos nossos tempos, ganha nesse novo trabalho o auxilio de mais guitarras (com direito a um belíssimo solo em “Henry´s Song) e a ajuda do comparsa de banda Andrew Whiteman. Se a devoção por Bob Dylan (até pelo vocal, meio parecido às vezes) ainda permanece lá, outras influências são visitadas.
As quatro primeiras faixas resumem bem isso, como em uma espécie de tributo pessoal. “Roll On Oblivion” é Bob Dylan. “Sorry Lori” é uma baladinha um pouco mais acelerada que em alguns momentos lembra George Harrison. “Out Of Time” é Lou Reed, seja pelo jeito de cantar, ou pelas paradinhas de guitarra ditando o ritmo. E ainda tem uns “uh, uh, uh...”, bem legais. “Papercut Hearts”, a quarta faixa, traz Bruce Springsteen pro jogo.
Bons momentos que são completados pelo balanço de “Charylin, Angel Of Kesington”, pelo ótimo folk de “No Redemption Song” (gostou do nome?), pelo cativante pop rock de “Trough The Night These Days” (que ganha o posto de melhor faixa) ou ainda por “Waiting For The World”, uma canção bem bonita, que traz Collett cantando suave e contemplativo.
Nada de novo no front, apenas boas canções para serem escutadas enquanto se trabalha, durante uma leitura ou naquelas noites passadas na frente do computador. Bom disco.
Site: http://www.arts-crafts.ca/jasoncollett
My Space: http://www.myspace.com/jasoncollettofficial
Segunda feira. Inicio de mais uma semana de muito trabalho pela frente. Aquela velha moleza tomando o corpo. Precisa-se de música urgente. Uma música leve, descompromissada e alegre para restaurar as forças e fazer os primeiros sorrisos da semana saírem do rosto. Uma boa pedida para tanto é “Alto Disco” do Airbag.
A banda de Málaga na Espanha, volta com um novo trabalho depois de três anos, lançado no último dia 4 de fevereiro. O trio formado por Adolfo (guitarra e vocal), Pepe (baixo) e José (bateria), investe na diversão em um punk pop, muito bem tocado com influências de Ramones, Beach Boys e Green Day além de um pouco de Weezer.
Das treze faixas, quase nenhuma música extrapola os três minutos (só duas fazem isso), o que permite que o disco desça redondo, redondo. Desde a dobradinha de abertura “Spoiler” e “Comics Y Posters” (primeira faixa a ser trabalhada) já se percebe o que vem pela frente, canções com boas melodias, poucos acordes, letras bem sacadas e um clima bem para cima.
Destaques ainda para “Golpe Al Sueño de Verano” com suas palmas, “De Um Verano A Outro”, com seus backing vocals, “Ahí Viene La Decepción” com seus “pa-pa-pa-pa...”. O maior momento no entanto, fica com a deliciosa “Salva Mi Domingo” em que o casamento de ritmo e letra saem numa perfeita e legitima canção pop, grudando na cabeça a partir do momento em que se encerra.
Revigore-se e divirta-se. Siga o link. :)
Site Oficial: http://www.airbag.tk
My Space: http://www.myspace.com/mondoairbag
Difícil não gostar do trabalho do alagoano Wado. Desde sua estréia em 2001 com “O Manifesto da Arte Periférica”, ele vem flertando entre o novo e o antigo, usando e abusando de melodias inteligentes, sonoridades distantes do lugar comum e letras muito bem sacadas. Em 2004, ao lado Realismo Fantástico lançou uma pequena obra prima, o indispensável “A Farsa do Samba Nublado”.
Ano passado juntou-se com alguns amigos e colocou no mercado o projeto Fino Coletivo, que lançou um dos melhores discos do ano e manteve o alto nível do seu trabalho. Em 2008, chega a hora desse alagoano nos surpreender com outro belo disco. “Terceiro Mundo Festivo” é o nome e traz as apostas de Wado em sonoridades das periferias de todo o mundo.
Contando com Dinho Zampier (teclados e violão), Pedro Ivo Euzébio (programações), Bruno Rodrigues (baixo) e Rodrigo Peixe (bateria), além de Cris Braun e Jan Aline nos backing vocals, Wado dá mais uns cinco passos a frente ao mesmo tempo em que reencontra parte da sonoridade proposta nos dois primeiros álbuns.
Se no disco anterior (já citado acima), os violões conduziam as canções, desvirtuando o samba e lhe dando novos contornos, neste “Terceiro Mundo Festivo”, eles são apenas bons coadjuvantes. As bonitas “Melhor” e “Recado” talvez sejam as que mais se assemelhem a esse passado recente. As demais canções são outro papo.
Temos quase um funk carioca, bem mais lento em “Teta”, que carrega a letra de sacanagem: “Está guardado pra você amor, aceite, aceite/Está guardado pra você amor, o leite”. “Fita Bruta” nos seus pouco mais de dois minutos, critica a indústria da arte em frases como: “Não entramos na comédia/E é preciso fazer média com o maldito diretor”. “Leva” circula por ritmos nordestinos e caribenhos, suave e pra cima.
“Reforma Agrária do Ar”, com vocal recheado de efeitos, critica “o latifúndio das ondas do rádio”, um tiro seco e certeiro contra todo esse cartel que vive de mesmice e jabá. “Pendurado”, “Faz-me Rir” e “Lucrécia” também não ficam atrás e mantêm o alto nível. O ponto máximo fica por conta de “Fortalece Aí”, um quase samba, com uma melodia grudenta dizendo: “Fortalece aí, meu coração...”. Pode deixar tocar seguidamente.
Mais uma vez Wado dá show, voltando seus olhos para a música que nasce a cada minuto nos mais diversos lugares, com poucos recursos e muitas idéias, sem o mínimo apoio. E continua cavalgando firme na montagem de uma sonoridade ímpar no cenário nacional. É o seguinte meu chapa, aperte o play e bote pra funcionar a reforma agrária do ar.
“Terceiro Mundo Festivo” está liberado para download no site oficial, assim como os discos anteriores. Não perde tempo, vai lá: http://www2.uol.com.br/wado
Resenha sobre “A Farsa do Samba Nublado”, aqui.
Tem dias em que a música que invade tua vida não é badalada, não é clássica, não é do seu artista preferido. Às vezes são somente canções de algum desconhecido que passam despercebidas pelo player, sem terem a mínima obrigação de soarem fundamentais ou essenciais. Sem a menor obrigação de te fazer buscar mais informações ou repassar para os amigos. Até que... você é fisgado por ela e decide escrever uma resenha.
Passeando por aí, me deparei com o primeiro álbum do americano Jason Anderson, que na verdade está mais para um EP extendido, pois são sete faixas e uma pequena introdução. O músico já fez parte da banda Wolf Colonel e tem o tom de voz e o estilo de cantar muito parecido com o do Craig Finn (The Hold Steady), apesar das suas canções passarem um pouco distante das do grupo que ele comanda.
“On The Street” é na sua essência pura e simplesmente rock n´roll, o típico rock americano de bandas como Buffalo Tom, Dinosaur Jr. e The Long Winters, no entanto buscando referências também no alt country. Começa com quase um indie pop da faixa titulo e depois entra no rockão básico e cheio de energia de “July 4, 2004”.
Depois temos “From Here To There”, outro rockão com um pé no alt country e “Omaha”, que também aposta suas fichas nisso. “This Will Never Be Our Town” chega com guitarras distorcidas e uma melodia bem bacana. Ótima melodia também em “We Will Bend, We Will Break, etc.”. “On Vacation” fecha o trabalho com violões, vocal repleto de efeitos e uma pequena melancolia pairando no ar.
“On The Street” é recomendado para escutar sem qualquer pretensão, deixando tocar relativamente alto no som. Sem alarmes e nem surpresas, apenas um punhado de boas canções de rock.
Baixe gratuitamente direto do site da gravadora do artista:
http://www.ecarecords.com/releases/jason-anderson/onthestreet/index.php
“Onde Os Fracos Não Tem Vez” novo trabalho dos irmãos Joel e Ethan Coen, é a produção mais indicada ao Oscar desse ano, ao lado de “Gangstêr”. Está concorrendo a 8 estatuetas, entre elas Direção, Melhor Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado e Fotografia. Os irmãos Coen, mais uma vez produzem uma pequena obra prima, que nada fica devendo a filmes anteriores, como “Fargo” ou “Arizona Nunca Mais”.
Seu mais recente trabalho é adaptado do livro “No Country For Old Men” de Cormac McCarthy e versa sobre um mundo que parece perdido, sem valores, entregue ao dinheiro, sucumbindo à violência e permeado pelo caos. Um mundo onde tudo parece permitido e a impunidade corre livre, leve e solta sem maiores preocupações.
Ambientado no Texas do começo dos anos 80, encontramos Llewelyn Moss (Josh Brolin), um típico sulista aposentando, que combateu na guerra do Vietnã e agora se finge de caçador. Em uma de suas caçadas, Moss se depara com algumas caminhonetes e pessoas mortas no meio do deserto. Uma transação de drogas que não deu certo e deixou uma maleta com 2 milhões de dólares.
Mesmo percebendo que pegar aquela maleta pode acabar com sua vida, pois com certeza alguém virá atrás dela, Moss a leva consigo e começa a sua fuga. Em seu encalço está Anton Chigurgh (uma atuação espetacular de Javier Bardem), um assassino frio e completamente psicótico. Suas falas estão entre as melhores coisas do filme.
No rol dos personagens principais ainda temos o xerife local Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones), que tenta resolver as coisas ao mesmo tempo em que se desilude com o rumo que o mundo vai tomando, um mundo em que ele parece cansado para acompanhar. Woody Harrelson ainda faz uma ponta como Carson Bells, outro no encalço da maleta com o dinheiro.
Com uma direção sempre correta e que esbanja vitalidade, “Onde Os Fracos Não Tem Vez” é daqueles filmes que fazem pensar. Nele vemos um mundo em que não há salvação e nem perdão. Um mundo em que as pessoas de bem estão em extinção e o restante são guiadas na sua grande maioria pelo poder do dinheiro (a cena em que Chigurgh compra uma camisa de um garoto exemplifica bem isso).
Cinema com C maiúsculo.
Na primeira vez que “Anormal”, o disco de estréia de Jonas Sá passa pelo player é impossível não fazer a associação com Lulu Santos. Não somente pelo tom da voz muito parecida, mas pela estética sonora que remete ao pop bem feito e trabalhado. Só essa comparação elogiosa já poderia ser suficiente para representar a qualidade desse disco. Mas “Anormal” vai bem além dela.
Jonas Sá passou quase seis anos maturando esse projeto e o traz ao mercado na aposta da Som Livre em novos talentos através do “Som Livre Apresenta”. Ok, já vimos esse filme antes e não deu certo, mas sempre representa uma melhor divulgação país afora. Um timaço de músicos participa do álbum, nomes como Rodrigo Amarante, Lucas Santtana, Thalma de Freitas e Rubinho Jacobina, que entre outros deixam também um pouco de si pelas faixas.
O trabalho abre com a faixa título, um grande e potencial hit, um pop absoluto que mais para frente se enche de barulho para todos os lados. Depois aparece uma linha de baixo inserindo “Tenha Um Bom Dia”, e os versos “pelo menos hoje lembre de quem amou você/antes de mim” para depois engatar um “vá viver sua vida/vá a merda”. As letras saem bastante do lugar comum, o que valoriza um pouco mais.
Outros momentos que merecem destaque são “Real Love, Real Player”, brincando com o soul em uma baladinha suave, “Looking For Joy”, completamente saborosa, um sambinha com toques de indie pop, “Melhor Assim” que com seus blips tem tudo para ganhar remixes e invadir as pistas e o encerramento com a dobradinha “Apenas Eu” e “Entre Nós 2”.
Unindo diversas influências como Mpb, Pop e rock só para ficar nas mais evidentes, Jonas Sá cavalga em diversos estilos com bastante classe produzindo não uma sonoridade única, mas uma sonoridade repleta de energia e com aura de novidade. Mal comparando poderia ser um Beck mais suave e menos maluco. “Anormal” é uma boa chance do pop brasileiro (de qualidade) sair da lona e recuperar o espaço na grande mídia perdido há algum tempo. Palmas para Jonas Sá.
Site oficial: http://www.jonassa.org
My Space: http://www.myspace.com/jonassah
O inglês Eric Patrick Clapton nascido na pequena cidade de Ripley em 30 de março de 1945 é um dos maiores nomes vivos do rock. No decorrer da sua vasta carreira lançou discos memoráveis, fez canções inesquecíveis, vendeu milhões de discos e passou por diversos baixos na carreira devido ao seu envolvimento com drogas e álcool, sendo que hoje desfruta de relativa paz na sua vida.
O próprio músico resolveu contar sua história em “Eric Clapton – A Autobiografia”, lançado ano passado e apresentado aqui pela Editora Planeta. O livro é daqueles que pedem para ser consumidos vorazmente, pois além de mostrar a vida do seu autor, envolve em registros anos e mais anos de boa música, tendo este como seu espectador em alguns momentos e peça chave em outros.
Clapton desmistifica parte dos seus mitos, enquanto escancara e demonstra outros. Desde a criança tímida que foi criada com os avós em sua introspecção até chegar à sua juventude e na descoberta da guitarra e do blues, do qual foi um defensor radical em seus trabalhos. Uma viagem saborosa que passa por momentos de grande criatividade do rock n´roll.
Temos tudo lá, do inicio indo em sequência pelos Yardbirds, o visceral disco gravado com John Mayall, a decepção com o Blind Faith, o Cream e o clássico “Disraeli Gears” de 1967, o disco gravado como Derek And The Dominos, uma obra prima atemporal, a queda por causa das drogas, a ressurgida com o excelente “Ocean Boulevard” em 1974, com a regravação de “I Shott The Sheriff” de Bob Marley, a nova queda por causa do álcool, a recuperação, a morte do seu filho Conor, o Unplugged MTV, os discos com BB King e o ídolo JJ Cale, até os dias atuais.
Historias é o que não faltam, como o relacionamento de Clapton com nomes como Jimi Hendrix e George Harrison, grandes e inseparáveis amigos. As mortes que sempre permearam sua vida e ainda assim ele conseguiu seguir em frente. O processo de criação de discos clássicos. O relacionamento peculiar com Bob Dylan e John Lennon. As milhares de mulheres (inclusive a de George Harrison) e sua imaturidade para conseguir fazer dar certo. Todo sua excentricidade e porra louquice em doses volumosas.
O criador de canções imortais como “Layla”, “Sunshine Of Your Love”, Wonderful Tonight” e “Tears In Heaven”, abre seu coração em uma narrativa suave e carregada de arrependimento por suas atitudes pessoais, mas quase nunca por seu trato em relação a música, a sua verdadeira paixão e salvação. Um mergulho sensacional na vida do “Slowhand” que já foi chamado de Deus. Essencial.