domingo, 20 de janeiro de 2008

"A Torre Negra Vol. III - As Terras Devastadas" - Stephen King

No final de “A Escolha dos Três”, o segundo livro dos sete que compõem a saga “A Torre Negra” de Stephen King, o pistoleiro Roland de Gilead fica junto com seus mais novos companheiros Eddie e Susannah, estes dois apaixonados e seus aprendizes, que vão ajudá-lo na sua saga em busca da Torre que pode solucionar os problemas do seu mundo. No entanto, ainda falta o terceiro escolhido, um menino chamado Jake que precisa ser resgatado de um outro mundo.
No terceiro volume da sua saga, escrito originalmente em 1991, Stephen King finalmente consegue dar um ritmo bom e convencer o leitor a não largar mais o livro. Apesar de metade de um capítulo um pouco maçante, “As Terras Devastadas”, responde algumas perguntas (enquanto coloca outras no ar) e finalmente nos faz entender como o mundo de Roland “...seguiu adiante...”.
Em busca da Torre, Jake, o menino que aparentemente havia morrido no primeiro livro, ressurge como um dos escolhidos e embarca em uma aventura fantástica que mistura diversos ângulos em uma única visão. A ambientação das passagens pelas cidades de River Crossing e Lud são simplesmente fantásticas e não nos fazem soltar o livro antes do final.
As premissas construídas nos dois primeiros volumes ganham corpo neste terceiro (o melhor até esse momento) e invadem o imaginário fantástico de cada um. Esse volume vem recheado de diversas citações pop que passeiam pelo livro “Ardil 22” de Joseph Heller e por canções como “Velcro Fly” do ZZ Top e “Paint It Black” dos Stones.
“As Terras Devastadas” fecha em um clímax que deixa somente as melhores esperanças para o quarto volume “Mago e Vidro” que posteriormente colocamos aqui. Agora sim, todo o alarde em torno da obra de King, começa a se justificar com seu Ka, Ka-Tet e Khef.
Veja o que dissemos do Volume I – “O Pistoleiro”, clique aqui.
E sobre o Volume II – “A Escolha dos Três”, clique aqui.
Site oficial:
http://www.torrenegra.com.br

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

“Um Olho No Fósforo, Outro Na Fagulha” - Pata De Elefante - 2007


“Música instrumental é muito chato, ainda mais se tratando de rock!”. Tal premissa ainda se ouve constantemente pelos quatro cantos do nosso país. É verdade que tem muita coisa pretensiosa nesse sentido, mas bandas como o Macaco Bong, Retrofoquetes, Hurtmold e principalmente a banda gaúcha Pata de Elefante estão no jogo para mudar o cenário.
O grupo formado por Gustavo Telles na bateria e Daniel Mossmann e Gabriel Guedes se revezando no baixo e na guitarra (além de alguns convidados), está na ativa desde 2002 e no final de 2004 lançou um ótimo registro homônimo mostrando uma forte veia pop aliada ao que de melhor aconteceu nas décadas de 60 e 70, como Beatles, Cream, The Band e The Who.
Em 2007, essa fórmula se vê melhorada no seu segundo registro, lançado pela Monstro Discos, “Um Olho No Fósforo, Outro Na Fagulha”, que dá uns três passos a frente e coloca a banda bem mais pop. Aí é nessa hora que o sujeito pergunta: “Música instrumental pop?”. Sim senhor. Tente não se apegar ao ritmo da faixa de abertura “Carpeto Volatare” ou a sessentista “Solitário”.
São 18 faixas em meio a vinhetas e canções mais compridas como “Bang Bang”, passando pelos anos 70, referência de sempre em “Dorothy”, viajando em psicodelia com “Gigante”, desembarcando na surf music pirada de “Satuanograso”, saindo na loucura progressiva de “Don Genaro” e sorrindo com os metais em último volume na faixa título e em “Até Mais Ver!”.
E para entrar naquele seu disquinho de hits, pode colocar a certeira “Hey!”. Deleite total. O Pata de Elefante volta com um novo disco que vale a pena ser escutado frequentemente. Não tem letra? Não meu caro, não tem. E quer saber? Não faz a mínima falta.
Blog: http://www.bandapatadeelefante.blogspot.com
Na Trama: http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=13632

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Melhores do Ano Scream & Yell - 2007


Salve, salve minha gente amiga...

O Scream & Yell do chapa Marcelo Costa colocou no ar o seu tradicional especial com os melhores do ano. Tive o prazer de participar pela quarta vez (desde 2004). Dessa vez foram 91 votantes entre músicos e jornalistas.

Dá uma passada lá e confere:

Tambem dá uma conferida voto a voto, pois as listinhas são beeeem interessantes. Acessa lá:

E dá uma olhada na minha também:

Listinha bem bacana de todos os lados, refletindo bem o ano de 2007. A nossa aqui do Coisapop publico no dia 31 deste mês.

Abraços a todos, fiquem em paz...

sábado, 12 de janeiro de 2008

“It's Not How Far You Fall It's The Way You Land” - Soulsavers - 2007

O cantor americano Mark Lanegan é um daqueles artistas que merece toda a admiração que se cria em torno dele. Além de ex-vocalista da seminal Screaming Trees (onde lançou discos memoráveis), foi colaborador do Queens Of The Stone Age, fez um belo disco em parceira com a Isobel Campbell do Gentle Waves, entre outras peripécias e discos solos.
Ano passado junto com o duo britânico formado por Richard Machin e Ian Glover, intitulado Soulsavers, Lanegan adicionou mais um excelente trabalho a sua carrerira. O duo já tem um disco anterior “Tough Guys Don't Dance” (que fui atrás de escutar), completamente superado neste “It's Not How Far You Fall It's The Way You Land”, com extremo louvor.
Recheado de climas, efeitos, distorções e teclados, o Soulsavers prepara um belo terreno para que Lanegan possa brilhar. “Revival” abre o disco de forma assustadoramente bela. “Ghosts Of You And Me” vem sombria em seguida com uns efeitos destorcidos, em cima da camada sonora em que Lanegan despeja os vocais, lembrando bastante o Tv On The Radio.
“Spiritual” tem um clima mais calmo e uma das melhores letras do trabalho, com versos como: “Jesus não quero morrer sozinho/Meu amor era falso/agora tudo que tenho é você”, implorados por Lanegan. As covers são outro ponto forte do trabalho, temos “No Expectations” dos Stones, “Trough My Sails” do Neil Young e a regravação de “Kingdom Of Rain” do próprio Lanegan, oriunda de um grande trabalho solo seu, o “Whiskey For The Holy Ghost”.
Um dos grandes álbuns de 2007. Descubra essa pequena maravilha e se encante.
My Space: http://www.myspace.com/soulsavers
Mais Mark Lanegan aqui.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

"Satolep Sambatown" - Vitor Ramil e Marcos Suzano - 2007

Há bastante tempo o gaúcho Vitor Ramil é um dos melhores nomes da nossa MPB, sempre a margem da mídia, mas com uma legião de fãs espalhados pelo país que cultivam seus espaçosos discos (considerando o tempo de carreira) vorazmente. Marcos Suzano está entre os grandes instrumentistas do país, tendo tocado com quase todas as feras da MPB ao longo da carreira.
Em 2007, esses dois artistas resolveram se unir. A primeira vista, duas características tão dispares, poderiam sugerir que não ia dar certo. Mas o talento venceu no final e produziu “Satolep Sambatown”, uma pequena obra prima. O intimista e o expansivo. O frio e o calor. A poesia e o ritmo. Tudo aqui vem coreografado como um pequeno balé.
Desde os idos da sua estréia lá no comecinho dos anos 80 com “Estrela, Estrela”, Vitor Ramil explorava o que chama de “Estética do Frio”, uma música própria gerada no sul do país, distante de todos aqueles oba-obas de quem sempre tinha sol e vivia cantando canções pra cima. Com a união com Marcos Suzano, Vitor Ramil se reinventa e descobre novas facetas.
Temos canções como “Livro Aberto” que abre o disco já dizendo para o que veio, os dois meio que duelando em suas áreas. “Viajei” tem uma bela estrutura melódica e retrata um pouco da vida de Ramil, perambulando país afora, em shows e mais shows. “Que Horas Não São” conta com a participação de Kátia B, e traz um clima mais carioca, falando de sol, nem de perto lembrando alguns antigos poemas de Ramil.
Marcos Suzano aparece com grande destaque em “O Copo e a Tempestade”, um samba quebrado e sincopado com um verdadeiro show seu no pandeiro, como também nas baladas “Café da Manhã”, um Chico Buarque destorcido na percussão e nos efeitos e em “A Word Is Dead”. “Astronauta Lírico” é outra que merece ser mencionada, fechando o disco.
Os melhores momentos ficam por conta de “A Zero Por Hora” com o competente Jorge Drexler em parceria, cantando em português. Muito bonito. Uma canção sobre se encontrar, achar o caminho. E “Ilusão da Casa”, uma baladaça, com os violões em primeiro plano, com Ramil versando sobre a vida que passa na sua frente, versando sobre o tempo (“...o tempo é minha casa...”).
“Satolep Sambatown” foi um dos discos que mais escutei em 2007, sendo um dos que mais me cativaram e comoveram. Não sei se pelo fato de ser admirador do trabalho de Ramil há muito tempo, mas acredito que seja mais pela excelente união de dois cracaços da música nacional em um disco que honram suas características, mas não esquecem em momento nenhum de flertar com o novo.
Alta qualidade.
Site do Ramil: http://www.vitorramil.com.br
Site do Suzano: http://www.entrecantos.com/suzano.htm

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

“Night Falls Over Kortedalla” - Jens Lekman - 2007

Uma bateria começa marcando o ritmo, um teclado gira antes de entrar na canção, que agora tem uma orquestração fazendo um riff absurdamente simples e bonito, fazendo cama para entrar uma voz com ar de crooner, que parece recém saída dos anos 50, abrindo espaço para que o refrão dividido com uma mulher conquiste de vez tua alma e teu pobre coração.
A faixa em questão é “The Opposite of Hallelujah”, terceira do novo álbum do sueco Jens Lekman chamado “Night Falls Over Kortedalla” e é daquelas que por si só já valem um disco. Mas tem muito mais, o cantor passeia no indie pop, mas remete um jeitão que sai lembrando Bryan Ferry, Belle And Sebastian, Weeping Willows e ainda o mestre Frank Sinatra em algumas orquestrações.
É sinceramente difícil ficar indiferente a canções como “Sipping On The Sweet Nectar”, “A Postcard To Nina”, “If i Could Cry (It Would Feel Like This”, “Your Arms Around Me” (perfeitinha) ou “Kanske Ar Jag Kar I Dig”. Pop bem feito com extrema classe e bom gosto, com nuances que conquistam e arremessam a outras épocas.
Canções que na sua grande maioria falam de amor, sim, o tal do amor, mas que ao mesmo tempo não soam banais e pedem para ser repetidas exaustivamente. Se tudo ainda não funcionar, tente a faixa que fecha o álbum, “Friday Night At The Drive-In Bingo” e se renda de uma vez. E mais uma vez nos deliciamos com as canções vindas da Suécia.
Escute completamente sem moderação.
Site Oficial: http://www.jenslekman.com

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

"Good Bad Not Evil" - Black Lips - 2007

Música é diversão. Essa sempre foi e sempre será uma das suas funções primordiais. E é isso que quatro cidadãos meio malucos vindos da Georgia, USA, colocam no seu som. Cole Alexander (vocal, guitarra), Ian St. Pe´ (guitarra), Jared Swilley (baixo), Joe Bradley (bateria) tocam o Black Lips que em 2007 chega ao seu quarto trabalho de estúdio.
“Good Bad Not Evil” é daqueles discos meio toscos (intencionalmente toscos, na verdade) e repleto de energia para você escutar e ter garantido bons momentos de alegria. A mistura carrega fortes doses de punk, algumas pitadas de country e cobertura surf music.
Para ter uma noção da sonoridade, imagine o Violent Femmes encontrando o The Cramps para tocar em algum bar na Londres do final dos anos 70, com abertura do The Ventures (isso mesmo, viaje sem medo...). Seria aproximadamente isso.
E pode segurar petardos sonoros como “Katrina”, “Good Bad Not Evil”, “Bad Kids” ou “Cold Hands”. Depois é só colocar um bom sorriso no rosto, pois a diversão estámais que garantida.
Visite o my space dos caras:
http://www.myspace.com/theblacklips

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

"Fome De Tudo" - Nação Zumbi - 2007

Como estamos começando 2008 a primeira postagem deve ser escolhida a dedo. Nada melhor do que começar com “Fome de Tudo” da Nação Zumbi, sétimo disco do combo pernambucano que sobreviveu a morte do seu líder e gênio Chico Science, mantendo uma carreira sólida que insere maestria com o excelente “Futura” de 2005 e deságua no seu melhor registro (pós Science).
Não por acaso “Fome De Tudo” é o disco mais “pop” da banda. Mas não me entendam mal, o “pop” da Nação ainda é absurdamente inovador perante a maioria do que vemos por aí. Tudo que fez sua história está aqui nesse disco, os tambores, o groove, o baixo de Dengue ditando o ritmo, a guitarra de Lúcio Maia cortando e inserindo riffs matadores, o peso invadindo as caixas de som.
Desde que assumiu os vocais, Jorge Du Peixe nunca cantou tão bem e a Nação foi tão melódica. São doze petardos de própria autoria e produzidas pelo mago Mário Caldato Jr. de maneira perfeita. A entrada já traz uma das músicas nacionais do ano, “Bossa Nostra”, tem aquele riff de Lúcio que parece ter saído de alguma sessão do “Da Lama Ao Caos”.
Seguindo em frente é só deleite, passa pela trilogia “Infeste”, “Carnaval” e “Inferno” (com bela participação de Céu), esbarra nos metais e no clima “Futura” de “Nascedouro”, é “...dá-lhe viver...”, passa pela ótima letra e cozinha poderosa de “Onde Tenho Que Ir”, chegando em “Assustado” que tem a participação de Money Mark (que toca com os Beastie Boys).
A dilaceração sonora continua com a porrada da faixa titulo, viaja por “Toda Surdez Será Castigada” (com participação de Júnior Barreto), uma canção que lembra bastante o “Afrociberdelia”, mergulha nos efeitos e nos tambores de Gilmar Bola 8 e Toca Ogum pontuando a ótima “A Culpa”, engata no vocal mastigado e no groove de “Originais do Sonho” e desembarca na loucura pós tropicalista e viajandona de “No Olimpo”, a melhor letra do disco.
Os pernambucanos que ajudaram junto com Science e Zero 04 a chacoalhar a música nacional há pouco mais de uma década, continuam relevantes e despejam no mercado um daqueles discos para escutar por dias e dias, uma pequena obra prima repleta de criatividade, desejo, poder e mais do que nunca, de canções.
Passe pelo site e escute antes de comprar: http://www.fomedetudo.com

domingo, 30 de dezembro de 2007

E que venha 2008...

E mais um ano se vai, na esperança daquele que vem.
A todos os amigos e frequentadores do Coisapop, desejamos um 2008 do Caralho!!
Que tudo dê certo e que possamos repensar a nossa vida e guiá-la sempre por um caminho melhor.
Paz!!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

"Bitter" - Jupiter Apple & Bibmo - 2007

Essa semana que passou um bom amigo me repassou o mais recente trabalho do gaúcho Jupiter Apple ou Maçã, intitulado “Bitter”, feito em duo com sua nova parceira (em casa e também no trabalho Bibmo) que assumiu a co-autoria de algumas faias, toca guitarra em outras e faz backing vocals em mais algumas. Apesar do resultado um pouco irregular é sempre bom passar um disco do artista pelo player.
“Bitter” é totalmente em inglês e deixa um pouco de lado a bossa nova e a tropicália que tanto renderam bons momentos a Jupiter em outros discos (como “A Sétima Efervescência” de 1997) e cai de cabeça nas demais influências do músico, como os anos 70, punk, folk e psicodelia. Gravado praticamente todo em primeiro take, o disco tem aquele caráter tosco, saboroso de ser apreciado.
As faixas remetem a várias outros artistas como “Golden Light”, que emula David Bowie, “Clows” (The Kinks), “(Sometimes) Fire-Headin Man”( Rolling Stones), “Seventy Man”(The Stooges) e “Exactly” (novamente Stones). Faixas para serem escutadas em último volume. Dispense algumas como a chata “Deep”, ou as bem mais ou menos “Lovely Riverside” e “Down Myth Girl” que a festa estará pronta para ser feita.
Como diria aquela velha canção: “It´s only rock n´roll but i like it...”
My Space: http://www.myspace.com/jupiterapple