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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Melhores Quadrinhos de 2018

Salve, salve, minha gente amiga.

Segue a listinha do que teve de melhor de quadrinhos em 2018 por aqui.  A única regra é ter sido lançado no país em 2018 seja pela primeira vez ou em reedições. Para ficar claro, me baseei no lançamento nacional e não do original em outro país, quando for o caso.

Novamente foi um grande ano e a maioria das obras citadas tem resenha aqui no blog:

MELHORES HQ’S DE 2018 - NACIONAL

1 – Teocrasília – Denis Mello (Editora Caligari)
2 – O Outro Lado da Bola – Alvaro Campos, Alê Braga e Jean Diaz (Editora Record)
3 – Ar Condicionado – Gustavo Piqueira (Editora Veneta)
4 – Jeremias: Pele – Rafael Calça e Jefferson Costa (Panini)
5 – Cadafalso – Alcimar Frazão (Editora Mino)
6 – Até Aqui Tudo Bem – Rafael Corrêa (Independente)
7 – Garotos do Reservatório – Celio Cecare e Fábio Cobiaco (Editora Mino)
8 – Silas – Raphael Pinheiro (AVEC Editora)
9 – Bipolar – Renan Rivero, Diogo Torres e Ramon Saroldi (Independente)
10 – Todos Os Santos – Marcelo Quintanilha (Editora Veneta)

Menção honrosa:  “Hell No - 2” do Leo Finocchi. Publicação da Balão Editorial.

MELHORES HQ’S DE 2018 – INTERNACIONAL

1 – A Marcha: Livro 1 – John Lewis, Andrew Yadin e Nate Powell (Editora Nemo)
2 –  Nada a Perder – Jeff Lemire (Editora Nemo)
3 –  Sem Volta – Charles Burns (Companhia das Letras)
4 – Uma Irmã – Bastien VIVÉS (Editora Nemo)
5 – Blacksad, Vol. 4: O Inferno, O Silêncio – Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido (SESI-SP Editora).
6 – Sala Imaculada – Gail Simone e Vários (Panini Comics)
7 – Black Hammer: O Evento – Jeff Lemire, Dean Ormston, David Rubín e Dave Stewart (Intrínseca)
8 – Orks – Nicolas Tackian e Nicolas Guénet (Mythos Books)
9 – Flinch: Horror e Desespero – Vol. 1 e 2 – Vários (Panini)
10 – Ragemoor – Jan Strnad e Richard Corben (Editora Mino)

Menção honrosa:  “Gavião Arqueiro: Rio Bravo”, último encadernado do Matt Fraction e David Aja pela Panini.

MELHORES SÉRIES CONTÍNUAS DE 2018

1 – Batman: Cavaleiro Branco – Sean Murphy e Matt Hollingsworth (Panini)
2 – Demolidor – Charles Soule e Vários (Panini)
3 -  Exterminador – Christopher Priest e Vários (Panini)
4 – Império Secreto – Vários (Panini)
5 – Homem-Aranha e Os Campeões – Mark Waid, Brian Michael Bendis e outros (Panini)

É isso. Paz sempre.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Quadrinhos - "Sweet Tooth - Depois do Apocalipse" e "O Inescrito"

 

Desde que a Editora Panini assumiu a publicação das linhas da DC e da Marvel no Brasil, é inegável o bom trabalho que vem sendo feito. Há de se discordar de alguns pontos como o tempo de atraso ainda vigente nas publicações maiores, ou a equivocada junção de títulos para formar o mix das revistas, resultando às vezes em boas séries esquecidas. No entanto, isso são detalhes dentro de um todo. No geral, o trabalho é bem realizado e cada vez está mais amplo.

O selo Vertigo da DC é um dos que vem recebendo os melhores cuidados e a prova disso são dois recentes lançamentos inéditos por aqui. O primeiro é “Sweet Tooth – Depois do Apocalipse” de Jeff Lemire, e o segundo é “O Inescrito” de Mike Carey e Peter Gross. Os dois encadernados apresentam as cinco primeiras edições de cada, originalmente publicadas no decorrer de 2009 inicialmente. “O Inescrito” ainda ganha alguns textos e mais extras de esboços como bônus.

O primeiro volume de “Sweet Tooth” é “Saindo da Mata”. Nele, Jeff Lemire conta a história de uma terra sofrida, após quase todos os humanos serem extintos devido a uma infecção generalizada. As crianças que agora nascem no planeta são híbridos de humanos e animais. O foco está no jovem Gus (que carrega traços de cervo na anatomia), que depois de ver o pai falecer começa a ser caçado, pois a espécie dele é altamente valorizada nesse mundo novo. É quando entra o velho Jepperd.

Jepperd é um homem forte, que por razões bem próprias, resolve salvaguardar a vida de Gus e conduzi-lo a uma reserva para sua espécie. Nessas primeiras edições a série ainda se apresenta e exibe cores escuras e boas passagens de ação, tratando praticamente de sobrevivência e busca de identidade. Quem já leu mais (através de importados ou dos sites de scan da rede), sabe que tudo engrena a partir dessas primeiras revistas, ganhando contornos mais dramáticos. Vale a espera.


“O Inescrito”, por sua vez, já começa apoderando-se do leitor. Mike Carey e Peter Gross apresentam Tommy Taylor, um jovem que vive do sucesso do desaparecido pai, um escritor responsável por uma franquia de extremo sucesso com um jovem bruxo, onde o filho foi o molde para a criação. A história do jovem bruxo é uma alusão direta a Harry Potter, e rende algumas tiradas inspiradas, enquanto também é usada para uma crítica das adorações extremas da sociedade.

Viajando pelo universo da literatura e fazendo desse universo a afiada faca que corta a linha entre fantasia e realidade, “O Inescrito” é original dentro da prerrogativa a que se propõe. Com direito as fantásticas capas de Yuko Shimizu abrindo as edições, viajamos por um mundo onde até o falecido escritor inglês Rudyard Kipling (mais aqui) serve como alavanca para o desenvolvimento da trama. E entre todas essas citações, temos um dos grandes trabalhos dos quadrinhos da atualidade. 


P.S: “Sweet Tooth – Depois do Apocalipse” tem 132 páginas e custa R$ 15,90. Já “O Inescrito” tem 148 páginas e custa R$ 18,90. Ambas primeiras edições podem ser encontradas em bancas de revistas.

Site da Panini direcionado ao selo Vertigo: http://hotsitepanini.com.br/vertigo

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Melhores Quadrinhos de 2017


Salve, salve.

Como os quadrinhos aparecem cada vez mais aqui no blog resolvi colocar uma listinha do que teve de melhor em 2017 na minha opinião. A única regra é ter sido lançado no país em 2017 seja pela primeira vez ou em reedições, então, para ficar claro, me baseei no lançamento nacional e não do original em outro país, quando for o caso.

Foi um ano e tanto e a maioria das obras citadas tem resenha aqui no blog. Vamos a lista então:


MELHORES HQ’S DE 2017 - NACIONAL

1 – Angola Janga – Uma História de Palmares – Marcelo D’Salete (Editora Veneta)
2 – Olimpo Tropical – André Diniz e Laudo Ferreira (Jupati Books)
3 – Super-Ego – Caio Oliveira (Independente)
4 – Mensur – Rafael Coutinho (Companhia das Letras)
5 – Tabloide – L. M. Melite (Editora Veneta)
6 – Anuí – Lelis (Independente)
7 – Planta – Um Bípede Entre Plantas – Gustavo Ravaglio (Independente)
8 – Arvorada – Orlandelli (Panini Comics)
9 – Escolhas – Gustavo Borges, Felipe Cagno e Cris Peter (Geektopia)
10 – Gatilho – Carlos Estefan e Pedro Mauro (independente)

Menção honrosa:  O Monstro – A Casa no Fim da Rua – Fabio Coala (Independente)


MELHORES HQ’S DE 2017 – INTERNACIONAL

1 – Condado de Essex – Jeff Lemire (Editora Mino)
2 – Black Hole – Charles Burns (Darkside Books)
3 – Aqui – Richard McGuire (Companhia das Letras)
4 – Billie Holiday – Muñoz e Sampayo (Editora Mino)
5 – Valerian – Integral  - Volume 1 – Christin e Mézières (Sesi SP- Editora)
6 – Wytches – Scott Snyder, Jock e Matt Hollingsworth (Darkside Books)
7 – Império – Mark Waid e Barry Kitson (Mythos Books)
8 – Projeto Manhattan – Volume 5 – Jonathan Hickman e Nick Pitarra (Devir)
9 – Meu Amigo Dahmer – Derf BackDerf (Darkside Books)
10 – Suicidas – Volume 1 – Lee Bermejo e Matt Hollingsworth (Panini Comics)

Menção honrosa:  A Diferença Invisível – Julie Dachez e Mademoiselle Caroline (Editora Nemo)


MELHORES SÉRIES CONTÍNUAS DE 2017

1 – Dr. Estranho – Jason Aaron e Chris Bachalo (Panini)
2 -  Batman – Renascimento – Tom King e Mikel Janín (Panini)
3 – Thor – Jason Aaron e Russell Dauterman (Panini)
4 – Asa Noturna – Tim Seeley e Javier Fernández (Panini)
5 – O Velho Logan – Jeff Lemire e Andrea Sorrentino (Panini)

Paz sempre.


P.S: Os melhores discos serão colocados no dia 31 de janeiro, como acontece todo ano.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Quadrinhos: "The Last Of Us: Sonhos Americanos" e "O Soldador Subaquático"


“The Last Of Us” é um jogo de ação e sobrevivência desenvolvido pela Naughty Dog (de “Uncharted”). Com o sucesso na esfera dos games é comum que se invada outras mídias como os quadrinhos. Isso acontece em “The Last Of Us: Sonhos Americanos” que reúne as quatro edições publicadas originalmente pela Dark Horse em uma única revista, lançada aqui pela NewPOP Editora com 104 páginas. A casa mais acostumada com a publicação de mangás se aventura por outro estilo com bom cuidado editorial nessa trama desenvolvida em parceria pelo diretor criativo do jogo Neil Druckmann com Faith Erin Hicks, que também assume a arte do volume e conta com Rachelle Rosenberg nas cores. Optou-se por contar uma história de origem nessa hq, então ela ocorre antes dos eventos vividos no game (19 anos antes para ser mais exato), com foco na personagem Ellie, que ainda adolescente aqui convive com o início do surto que mata uma quantia considerável da população global. Ellie acaba de chegar a uma escola militar que representa um dos poucos lugares seguros das redondezas. Lá conhece outra garota chamada Riley e além de conquistar uma suada amizade com ela, passa a enxergar as coisas de modo um pouco mais ampliado. Isso somado a sua inconsequência juvenil, sua inquietação constante e a dificuldade de aceitar ordens prove bons momentos de ação na revista. A arte de Faith Erin Hicks incomoda um pouco na entrada mas depois serve bem aos propósitos de uma obra voltada ao público jovem. E aí reside o principal problema de “The Last Of Us: Sonhos Americanos”, que é funcionar somente para o público a que se destina. No mais, consegue agradar como expansão do universo do jogo, deixando os fãs felizes, o que deve ser a missão principal de franquias que se expõem para outras mídias.

Nota: 6,0


Jeff Lemire é um nome que dentro dos quadrinhos quase sempre é sinônimo de boa qualidade. Principalmente nas suas obras autorais, já que o trabalho dele na Marvel e na DC Comics tem alternado bons momentos e outros apenas razoáveis. Esse canadense que logo de estreia produziu “Essex County” (ainda inédita no Brasil infelizmente) engatou na sequencia a ótima “Sweet Tooth” (publicada totalmente aqui pela Panini). Em 2016 temos a oportunidade de ver mais uma criação dele chamada “O Soldador Subaquático” (The Underwater Welder, no original), que chega aqui no Brasil pela editora Mino com 224 páginas. Em preto e branco o autor conta a história de Jack que mora em uma região remota do Canadá onde exerce a profissão que dá nome a graphic novel em plataformas petrolíferas. Em um dos mergulhos ele tem de ser resgatado pelos companheiros que o salvam da morte e o encaminham para casa para ficar ao lado da mulher que está grávida de 9 meses. Só que Jack não consegue ficar quieto e parece ausente, distraído e preocupado com questões que nem mesmo sabe ao certo quais são. Apesar de não entender bem o que está acontecendo parte novamente para o mar deixando uma esposa furiosa para trás e nesse momento tem uma aventura pessoal intrigante e complexa. Jeff Lemire cria em “O Soldador Subaquático” uma história sobre paternidade, casamento, dor e culpa. Uma história sobre o amor de um filho para o pai, ao mesmo tempo em que descobre que existem imperfeições nessa figura e busca não cometer os mesmos erros. Um assunto delicado, mas tocado com extrema sutileza pelo autor com o traço meio caricato que já nos habituamos, olhares expressivos e precisos enquadramentos, adicionando assim mais um belo trabalho a carreira.

Nota: 8,0


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Quadrinhos: "Cosmogonias", "O Guia do Pai Sem Noção" e "Condado de Essex - Completo"


Cadu Simões é paulista da cidade de Osasco. Produz quadrinhos já tem um bom tempo e no ano passado se aventurou em uma campanha de financiamento coletivo para reunir em uma única revista algumas das histórias já feitas no decorrer desses anos. O financiamento obteve êxito e “Cosmogonias” foi lançado no início de 2017 contendo cinco histórias em 30 páginas. É uma edição curtinha, mas que apresenta bem o autor para quem não o conhece ainda com as tramas tendo o bom humor e a criação de mundos e de seres como alicerces principais. Os artistas que desenham essas histórias, cada um ao seu estilo próprio, contribuem para o bom funcionamento da compilação com maior destaque para Jazz em “Cosmogonia” e Camila Torrano em “Onde Estão os Tatus-Bolinha?”. O autor está com projetos de uma aventura maior em andamento e pelo que foi “Cosmogonias” deixa uma boa expectativa no ar.

Saiba mais em seu site: http://cadusimoes.com

Nota: 6,0


As aventuras de Guy Delisle na China, Coréia do Norte e Myanmar renderam álbuns como “Shenzhen”, “Pyongyang” e “Crônicas Birmanesas”, onde de maneira bem humorada ilustrava sua estadia nesses países distintos da terra natal (Canadá), como também aproveitava para retratar sucintamente o modo de vida da população onde o governo infere diretamente na vida de cada um, na maioria das vezes com resultados ruins. Em 2017 a Zarabatana Books coloca outra obra do autor no mercado nacional, chamada “O Guia do Pai Sem Noção” com 192 páginas em preto e branco e formato pequenino (14x20cm). Nesse novo projeto que já está no terceiro volume na França e aqui estreia, Delisle dá uma relaxada geral nos temas mais densos e conta somente passagens engraçadas e inusitadas no trato e convivência com os dois filhos, Louis e Alice. Divertido e familiar em maior escala, serve bem para horas em que a leveza é suficiente.


Nota: 6,0


Jeff Lemire é dos nomes mais representativos dos quadrinhos atuais. Além de obras pessoais poderosas como “Sweet Tooth” e “O Soldador Subaquático” é responsável por títulos da Marvel como “O Velho Logan” e “X-Men”, que mesmo oscilando vez ou outra carregam seu toque. Porém, seu melhor trabalho remonta a estreia entre 2008 e 2009 quando os três capítulos que formam “Condado de Essex” foram lançados. É essa obra que podemos conhecer agora em edição caprichada da editora Mino com 512 páginas e vários extras. Em preto e branco constrói um pequeno épico sobre uma determinada região do Canadá e usa de lembranças para construir personagens fascinantes que logo caem no gosto do leitor. Com lirismo e boa dose de drama elabora uma trama que atravessa gerações para versar sobre dor, arrependimentos e algumas alegrias, sem nunca esquecer a finitude da vida. “Condado de Essex – Completo” é daquelas obras que tornam os quadrinhos algo sublime.

Nota: 10,0


- Mais sobre Jeff Lemire no blog, aqui



quinta-feira, 14 de maio de 2020

Quadrinhos: "Segunda-Feira Eu Paro", "Berserker Unbound", "Mjadra" e "A Gangue da Margem Esquerda"


Ninguém entra e segue na vida adulta sem vícios, essa é verdade. Esses vícios podem ser disfarçados ou evidentes, podem prejudicar ou servir de alívio, podem destruir ou alavancar, mas estão presentes na jornada de cada um. E é sobre vícios que a antologia de quadrinhos “Segunda-Feira Eu Paro” se baseia e engendra as 14 histórias em preto e branco que compõem o volume de 132 páginas publicado de maneira independente no final de 2019. Com organização de Carlos Jenisch temos nomes conhecidos da cena nacional como Aline Zouvi, Luiza Nasser, Dieferson Trindade, Edson Bortolotte e Gabriel Dantas, entre outros autores. Das histórias as que se destacam mais são “Lama” da Diana Salu e “Café e Cigarros” do Bruno Guma, contudo como um todo o trabalho agrada bem, mesmo que falte uma coesão maior em torno do tema explorado que em algumas tramas acaba não sendo utilizado de modo eficaz.

Nota: 6,0



Juntar Jeff Lemire e o brasileiro Mike Deodato Jr. em um projeto é algo positivo de antemão. Foi o que fez a Dark Horse Comics em “Berserker Unbound” unindo novamente a dupla que fez sucesso em série recente do Thanos com mais as cores de Frank Martin. Lançado nos USA em 2019 em quatro meses ganhou edição brazuca caprichada em 2020 pela editora Mino com 136 páginas. A história apresenta um guerreiro que é arremessado do seu reino de magia para uma grande cidade dos nossos dias. Fala de vingança, dor, culpa, perda e amizade, por mais improvável que essa seja. No cerne é uma trama simples e meio óbvia, mas que por conta da maneira que Lemire constrói o texto acaba deslanchando. No entanto, o destaque é a arte do Deodato, que beira o sublime. É por ela que o trabalho consegue amplitude e ofusca o parceiro igualmente famoso.

Nota: 7,0



Thiago Ossostortos tem trabalhos interessantes na carreira como o jovial “Kombi 95” e o lírico “Os Últimos Dias do Xerife”. Em 2019 publicou outro quadrinho de maneira independente chamado “Mjadra”, uma história que retoma bases queridas como a música e a nostalgia. O protagonista é Derick, um ex-VJ da MTV que ninguém lembra mais. Com a derrocada do casamento ele retorna para morar no mesmo lugar de quando jovem, um retorno típico de quem busca uma sobrevida ou algum tipo de redenção, mas que acaba não surtindo efeito. Derick é um cara amargurado, cheio de bagagem ruim nas costas e acaba interferindo na vida de outras pessoas de maneira contundente. Com 144 páginas e magnificamente pintada a guache, “Mjadra” é sobre não saber seguir em frente e sobre não aceitar que a vida não foi como se sonhou, sendo regada a ótimas cores, canções e uma dose satisfatória de psicodelia.

Nota: 7,5



Paris, anos 20. A cidade luz ferve nas esquinas, bares e cafés. Nessa época o norueguês Jason transforma Ezra Pound, James Joyce, F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway em quadrinistas que procuram sobreviver entre um trabalho e outro, uma cobrança familiar e um desespero para pagar as contas, entre um bate papo e uma crise emocional. Desgostosos com os rumos da carreira resolvem fazer um assalto, que nesse entendimento seria a maneira de descolar uma grana e salvar o dia, o mês, o ano. Vencedor do prêmio Eisner de Melhor Título Estrangeiro em 2007, “A Gangue da Margem Esquerda” é provavelmente o trabalho mais conhecido de Jason e agora em 2020 desembarca no país pela editora Minio com 48 páginas. Unindo diversão, o uso de referências inteligentes, resoluções gráficas certeiras, reviravoltas inesperadas e aquele toque diferente que sempre o autor demonstra é um título que não tem como dar errado.

Nota: 9,0



domingo, 29 de julho de 2018

Quadrinhos: "Crononautas", "Hell, No!" e "Nada a Perder"


Olha essa escalação: Mark Millar (Kick-Ass) no roteiro e criação, Sean Gordon Murphy (Punk Rock Jesus) na arte e criação e o mestre Matt Hollingsworth responsável pelas cores. Não tem como dar errado, correto? Pois é, é difícil de acreditar mas deu em “Crononautas”. Se deu. Lançado nos EUA em 4 edições entre março e junho de 2015 ganhou edição nacional em 2018 pela Panini Books com capa dura, 120 páginas e tradução de Eric Novello. A história é uma ficção científica que não ambiciona detalhamento ou expandir conceitos, o que passa longe de ser um problema, diga-se aqui, porém a caracterização e condução da trama é rasa demais até para esse tipo de modelo, parecendo ter sido feita com pressa e com certa preguiça. Bancados pelo governo os amigos Corbin Quinn e Danny Reilly conseguem desvendar a viagem do tempo e depois do sucesso das primeiras tentativas partem para uma missão tripulada. Seus trajes lhe permitem passear por qualquer momento da história e isso causa um problema danado depois que a dupla simplesmente resolve mandar o governo às favas e viver a própria vida. Para dizer que não tem nada que se salve, a arte de Sean Murphy rende bons momentos. E só.

Nota: 3,0


Lúcio é um garoto no mínimo peculiar. Ele é filho do Diabo com uma humana. Sim, o Diabo mesmo. O próprio. Como ele é - por assim dizer – mestiço, tem que aguentar a convivência nada tranquila com os dois irmãos enquanto frequenta a escola que logicamente fica no inferno. Para complicar mais as coisas, seu melhor amigo é um pequeno demônio que curte Deus e só anda com a bíblia. Esse é o mote de “Hell No!”, criação do quadrinista brasileiro Leo Finocchi (de “Nem Morto”) que já tem duas edições (uma de 2017 e outra de 2018), ambas viabilizadas através de financiamento coletivo em conjunto com a Balão Editorial. Cada uma tem 30 e poucas páginas e com uma pegada bem jovem, tem no humor a grande força. A história é bem divertida explorando tanto a parte visual quanto piadas do cotidiano e quando os irmãos se colocam no meio de um diabólico (ok, não me controlei, foi mal) plano que visa destituir o Diabo do comando e são enviados a Terra para viver no meio dos humanos a coisa passa a render mais ainda. Publicado também de modo online no site Tapastic, “Hell No!” é uma aventura despretensiosa no melhor sentido e bem bacana.

Nota: 7,0


Nascido em 1976 o canadense Jeff Lemire é provavelmente o quadrinista mais interessante da atualidade. Com grandes trabalhos autorais no currículo como a obra-prima “Condado de Essex”, exibe também passagens relevantes nas editoras maiores como DC, Marvel e Dark Horse. Tudo (ou quase tudo) que carrega o seu nome é digno de nota e não é diferente com “Nada a Perder” (Roughneck, no original), publicação nacional desse ano da editora Nemo com 272 páginas e tradução de Jim Anotsu. Com o habitual traço e dessa vez se utilizando de tons mais azuis aliados ao preto e branco, Lemire conta a história de Derek Ouelette, um ex-jogador profissional de hóquei que tinha um futuro promissor, mas que ferrou com tudo devido ao temperamento. Hoje vive na pequena cidade que nasceu, mora em um buraco e trabalha na cozinha de uma lanchonete. É um cara difícil, amargurado e violento que tem o álcool como melhor amigo. Um babaca brigão, em resumo. Porém, quando alguém que já parecia perdida reaparece, as coisas tomam um inesperado caminho. Explorando recursos já usados anteriormente como frio, neve, dor, arrependimento e culpa, o autor constrói um triste e silencioso balé que tem origens profundas e parece não oferecer nenhum tipo de redenção ou esperança.

Nota: 9,0



domingo, 21 de outubro de 2018

Quadrinhos: "Trillium", "Batman: Gotham 1889", "Uma Irmã" e "A Vida de Jonas".

A quantidade de trabalhos disponíveis do canadense Jeff Lemire no país só vem aumentado, o que é sempre interessante. Outra obra do autor que chegou aqui esse ano foi “Trillium”, uma ficção científica ancorada em dois polos bem distintos: os anos de 1921 e o de 3797. No primeiro ponto temos o soldado William Pike atordoado com os efeitos da primeira guerra mundial, no segundo conhecemos Nika Temsmith uma cientista em busca da cura para um vírus capaz de acabar de vez com a humanidade. A edição da Panini Comics tem 208 páginas em capa cartonada reunindo a história originalmente lançada entre outubro de 2013 e junho de 2014 nos EUA pelo selo Vertigo da DC Comics. Lemire constrói uma ponte para unir esses lados e no meio fala sobre amor, medo, xenofobia, preconceito e a inesgotável estupidez humana.

Nota: 7,0


Mantendo a toada das republicações de materiais dos anos 80 e 90 da DC, a Panini Books lança “Batman: Gotham 1889” em álbum de luxo com capa dura e 120 páginas. Apresentam-se duas histórias: a primeira que dá nome ao título lançada em 1989 e a sequência chamada “Mestre do Futuro” original de 1991. Ambas já haviam sido publicadas aqui pela editora Abril no início dos anos 90, mas agora estão juntas nessa viagem do roteirista Brian Augustyn dentro da linha Elseworlds que permite essas repaginações meio malucas. O destaque fica por conta da primeira história que conta com os desenhos do grande Mike Mignola e arte final de P. Craig Russell, onde o cavaleiro das trevas se depara com Jack, o Estripador em Gotham. Com uma toada detetivesca e sem muitas invenções temos uma trama contundente e divertida.

Nota: 7,0


No que parece ser umas férias como outra qualquer, o adolescente Antoine embarca com os pais e o irmão mais novo rumo ao litoral. Mas, dessa vez as férias serão inesquecíveis, com direito a aqueles dias que para sempre irão pontuar a memória devido a presença de Hélène, a filha de uma amiga dos pais um pouco mais velha que ele. Esse é o mote de “Uma Irmã”, novo trabalho do francês Bastien VIVÈS de “O Gosto do Cloro” com lançamento nacional no primeiro semestre 2018 pela editora Nemo com 216 páginas. O autor forja um enredo ao mesmo tempo crua e terna, com o despertar do desejo como força motriz e responsável por suplantar problemas pessoais e familiares. VIVÈS usa de grande habilidade para contar a história desses dois jovens em meio a descobertas, inadequação e crescimento. Bem bonito.

Uma amostra: https://grupoautentica.com.br/nemo/amostra/1564 


Nota: 7,5



“A Vida de Jonas” dos irmãos Magno e Marcelo Costa saiu em 2014, contudo ganhou reedição em 2017 pela Zarabatana Books com 64 páginas. O protagonista que dá nome ao título é um ex-alcoólatra (e a duras penas busca ficar assim) que por conta do vício perdeu a mulher e o emprego, está com a vida ainda jogada para cima e tenta se reerguer como pode. Com o apoio de reuniões do AA e de um amigo, a esperança volta ao peito até ser novamente destroçada em um encontro com o atual namorado da ex-mulher. A partir disso temos uma sequência de acontecimentos que vão definir não somente a vida de Jonas como também daqueles a sua volta. Usando fantoches na arte (como Muppets), a dupla alivia e amplifica ao mesmo tempo questões sérias em uma história pesada e muitíssimo bem construída.

Nota: 9,0



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Quadrinhos: "Bloodshoot Renascido Vol. 1", "Devaneios: A Estrada Até Aqui", “Como Uma Luva de Veludo Moldada em Ferro” e "Os Últimos Dias do Xerife"


Bloodshot foi criado nos anos 90 por Kevin VanHook, Don Perlin e Bob Layton. Inserido no universo da Valiant Comics é uma “arma” criada por um projeto privado que ao despejar vários nanites no sangue o tornaram super-humano com diversos poderes como o da regeneração.  “Bloodshoot Renascido Vol. 1 – Colorado” que a editora Jambô publicou no final de 2018 com 144 páginas apresenta as cinco primeiras edições lançadas em 2015 nos EUA com roteiro do Jeff Lemire e arte do Mico Suayan e Raúl Allén, trazendo o personagem escondido em uma cidade pequena onde tenta levar uma vida normal depois que os nanites saíram da corrente sanguínea. Lógico que isso não dura e ele volta a caçada com toda a violência que tem direito. É um reinício mediano comandado por Lemire que serve para quem não conhece e preparar para o filme do ano que vem com Vin Diesel estrelando.

Nota: 6,0


Yorhán Araújo é carioca de Volta Redonda e desde 2015 faz a tirinha “Devaneios com Sigmund e Freud” onde um cachorro, um raposo, uma capivara e um gato muito diferentes entre si conversam em poucos quadros sobre questões cotidianas, de comportamento e existenciais, indo também para outras esferas de vez em quando. Com quase 500 mil seguidores espalhados entre Facebook e Instagram o autor promoveu uma bem-sucedida campanha de financiamento coletivo no ano passado para publicar a primeira coletânea física do trabalho. O resultado foi “Devaneios: A Estrada Até Aqui” com 140 páginas que reúne conversas humoradas sobre as nossas neuroses diárias e pequenos e simples prazeres da vida como comer e dormir. A diferença das personalidades dos personagens é que transforma a dinâmica em algo bacana, contrastando de modo interessante o cachorro meio preguiçoso, o raposo intelectual, o gato mal-humorado e irônico e a simpática e prestativa capivara.


Nota: 6,5


Daniel Clowes publicou na revista Eightball entre os anos de 1989 e 1993 os 10 capítulos de “Como Uma Luva de Veludo Moldada em Ferro” que a editora Nemo lançou aqui no ano passado com tradução de Jin Anotsu e 144 páginas. A obra do conceituado autor de “Ghost World”, “Wilson” e “Paciência” já tinha recebido uma edição nacional anteriormente pela Conrad. Na trama, Clay Loudermilk assiste a um filme sado-masoquista no cinema com uma ex-namorada como atriz, o que o deixa intrigado para saber mais sobre a produção. Essa busca envolve o protagonista em situações estranhas e bizarras ao extremo, com figuras excêntricas ao seu redor. Underground e nonsense até a alma com o surrealismo ditando as ações sem qualquer tipo de pudor ou controle, a obra até hoje é citada como influência por diversos autores no meio dos quadrinhos alternativos e só por isso já vale a conferida.


Nota: 7,0


“Os Últimos Dias do Xerife” traz o quadrinista e músico paulista Thiago Ossostortos se debruçando sobre o relacionamento com o pai seja no decorrer da vida ou nos últimos momentos passados com ele antes do seu falecimento. Bem diferente do clima de “Kombi 95” de 2017 que trazia o humor como carro-chefe, o novo trabalho publicado de maneira independente por financiamento coletivo no finalzinho de 2018 tem a contemplação e o lirismo como condutores de uma história pautada por silêncios, pequenas brigas, diferenças de pensamento, mas com o amor sempre por trás. Nas 200 páginas em preto e branco o autor analisa uma relação que exibia poucos pontos em comuns com o pai como o gosto por filmes e questiona a validade de tudo até ali. É uma obra poética que encontrará identificação em vários e vários leitores com o poder de fazer algumas lágrimas caírem no meio da leitura.


Nota: 8,5