quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

"Forrest Gump" - Winston Groom


Quando “Forrest Gump” estreou nos cinemas em 1994 o sucesso foi imediato. O filme dirigido por Robert Zemeckis (da trilogia “De Volta Para o Futuro”) fez 480 milhões de dólares de bilheteria no mundo e de quebra levou 6 Oscars, entre eles melhor filme, diretor, ator e roteiro adaptado. O roteiro construído por Eric Roth (de “O Curioso Caso de Benjamin Button”) teve como material o livro de Winston Groom lançado em 1986, que tinha vendagem razoável até então e viu tudo se transformar depois do longa, alcançando a marca de mais de um milhão de cópias vendidas.

Ano passado o livro completou 30 anos e a editora Aleph publicou uma edição belíssima da obra que merece um lugar de destaque na biblioteca de qualquer um. Com 394 páginas e tradução caprichada de Aline Storto Pereira a edição ainda é abrilhantada por diversas ilustrações do gaúcho Rafael Albuquerque (de “Vampiro Americano”), um dos quadrinistas de maior destaque do país e conta com textos adicionais, incluindo um excelente ao final que compara livro e filme com muito mérito.

Isso é válido porque depois de ler “Forrest Gump” é impossível não compará-lo ao filme, visto que as diferenças são gritantes (e na maioria dos casos para pior). Lógico que literatura e cinema são coisas distintas e o que funciona em um campo pode não funcionar bem em outro. Realmente, se fosse para imaginar a transição das histórias do personagem principal para a sétima arte o roteiro deveria ajustar todos os excessos que Winston Groom se dá ao luxo de cometer no livro.

No livro, Forrest é um idiota como no filme, mas um idiota completamente diferente, consciente dos seus atos e que sabe bem onde está pisando. Além disso, carrega consigo uma carga satírica e crítica (ao seu modo) para o país e suas instituições como Exército e NASA. Ressalte-se também que o Forrest do livro é um cara com habilidade intelectual em certos segmentos e não aquele virgem pueril e sortudo que o filme de Zemeckis fez cravar na memória de todos.

Essa edição da Aleph é extremamente bem-vinda porque traz a uma gama nova de leitores o texto ácido e repleto de desconstrução que o autor imaginou para o protagonista. Mesmo considerando algumas forçadas além do ponto (principalmente na parte final), “Forrest Gump” ainda é um livro saborosíssimo de ser degustado, que deixa o leitor constantemente rindo sozinho no contraste provocado entre o absurdo e o ingênuo, como instiga pelas cutucadas que distribui para todos os lados.

Na construção que fizeram para o cinema além de adocicarem e amansarem o texto até não poder mais, praticamente todo o cunho político da obra foi retirado para agradar o americano médio, já que em determinada análise o filme nada mais é do que uma representação do “american way of life”, onde até mesmo um idiota sem muito conhecimento pode vencer na vida e virar um milionário. É de imaginar até que o Forrest do filme fosse por exemplo um dedicado eleitor de Donald Trump, enquanto o do livro iria pelo caminho inverso.

Mesmo que a decisão cinematográfica tenha obviamente rendido muitos frutos e o filme seja hoje um clássico com uma trilha sonora esplendorosa, o livro mostra o verdadeiro Forrest Gump imaginado pelo autor, um personagem que carrega até semelhanças com ícones da contracultura como Sal Paradise (de “On The Road” do Jack Kerouac) e passa distante do herói bobo que a maioria conhece. Então, leia o livro, pois vale muito a pena ainda mais nessa caprichada edição.

Nota: 9,0

sábado, 31 de dezembro de 2016

E que venha 2017!



Salve, salve minha gente amiga,

O ano que hoje termina não foi nada fácil. Passamos por um período extremamente delicado no campo político com um golpe disfarçado passando por um congresso repleto de interesses próprios (mais do que de costume) e eleições municipais que acenderam de vez a chama da intolerância não somente mais nas redes sociais como no nosso dia a dia. Parece que tudo que foi conquistado no campo da redução da desigualdade, dos direitos iguais, do racismo e da tolerância de qualquer tipo foi jogado no lixo em questão de meses. É um sentimento ruim que se crava lá no peito e parece não querer mais sair.

Para piorar tudo foi um ano que muitos mitos deixaram este mundo. Lógico, que todos um dia vão morrer, mas 2016 podia ter aliviado um pouco a dose. Esse ano partiram seres do porte de David Bowie, Prince, Leonard Cohen, Naná Vasconcelos, Umberto Eco, Alan Rickman, Ettore Scola, Gene Wilder e Carrie Fisher, entre outros. Nosso mundo fica mais pobre culturalmente, isso é mais que certo.

Contudo, vida que segue.

Continuei atualizando o blog do jeito que deu, da maneira que o trabalho permite, mas até que foi mantido uma constante nesse espaço que fez 11 anos em 2016 e tivemos um novo crescimento de visitas. Muito obrigado a todos que por aqui passaram e se somente uma pessoa leu um texto aqui e foi atrás da obra, já valeu a pena ter escrito. Quadrinhos e literatura continuaram sendo o foco por aqui durante 2016, mas sem esquecer das séries e do cinema, assim como da música que não sobrevivo sem.

Que 2017 seja mais leve, porém sabemos que dificilmente será. Os comentários e atos reacionários estão se alastrando como uma peste seja na sua rede social preferida, na mesa do bar ou na próxima esquina. Mas, a esperança ainda existe, mesmo que pequena, e nesse momento é por ela que devemos brigar. Sempre tentando fazer o melhor e transformando o mundo do jeito que podemos em um lugar de mais amor, tolerância, compaixão, diversidade, criatividade e generosidade. E que a cultura sempre sirva para aplacar as dores, criticar tudo que não presta e iluminar o globo com obras em todos os setores como foram as do ano que se encerra.

No mais, não dá para fugir. 2017 está aí e cabe a cada um de nós fazer daqui um lugar melhor. Vamos em frente. Um grande ano a todos.

Paz Sempre.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Quadrinhos: "The Last Of Us: Sonhos Americanos" e "O Soldador Subaquático"


“The Last Of Us” é um jogo de ação e sobrevivência desenvolvido pela Naughty Dog (de “Uncharted”). Com o sucesso na esfera dos games é comum que se invada outras mídias como os quadrinhos. Isso acontece em “The Last Of Us: Sonhos Americanos” que reúne as quatro edições publicadas originalmente pela Dark Horse em uma única revista, lançada aqui pela NewPOP Editora com 104 páginas. A casa mais acostumada com a publicação de mangás se aventura por outro estilo com bom cuidado editorial nessa trama desenvolvida em parceria pelo diretor criativo do jogo Neil Druckmann com Faith Erin Hicks, que também assume a arte do volume e conta com Rachelle Rosenberg nas cores. Optou-se por contar uma história de origem nessa hq, então ela ocorre antes dos eventos vividos no game (19 anos antes para ser mais exato), com foco na personagem Ellie, que ainda adolescente aqui convive com o início do surto que mata uma quantia considerável da população global. Ellie acaba de chegar a uma escola militar que representa um dos poucos lugares seguros das redondezas. Lá conhece outra garota chamada Riley e além de conquistar uma suada amizade com ela, passa a enxergar as coisas de modo um pouco mais ampliado. Isso somado a sua inconsequência juvenil, sua inquietação constante e a dificuldade de aceitar ordens prove bons momentos de ação na revista. A arte de Faith Erin Hicks incomoda um pouco na entrada mas depois serve bem aos propósitos de uma obra voltada ao público jovem. E aí reside o principal problema de “The Last Of Us: Sonhos Americanos”, que é funcionar somente para o público a que se destina. No mais, consegue agradar como expansão do universo do jogo, deixando os fãs felizes, o que deve ser a missão principal de franquias que se expõem para outras mídias.

Nota: 6,0


Jeff Lemire é um nome que dentro dos quadrinhos quase sempre é sinônimo de boa qualidade. Principalmente nas suas obras autorais, já que o trabalho dele na Marvel e na DC Comics tem alternado bons momentos e outros apenas razoáveis. Esse canadense que logo de estreia produziu “Essex County” (ainda inédita no Brasil infelizmente) engatou na sequencia a ótima “Sweet Tooth” (publicada totalmente aqui pela Panini). Em 2016 temos a oportunidade de ver mais uma criação dele chamada “O Soldador Subaquático” (The Underwater Welder, no original), que chega aqui no Brasil pela editora Mino com 224 páginas. Em preto e branco o autor conta a história de Jack que mora em uma região remota do Canadá onde exerce a profissão que dá nome a graphic novel em plataformas petrolíferas. Em um dos mergulhos ele tem de ser resgatado pelos companheiros que o salvam da morte e o encaminham para casa para ficar ao lado da mulher que está grávida de 9 meses. Só que Jack não consegue ficar quieto e parece ausente, distraído e preocupado com questões que nem mesmo sabe ao certo quais são. Apesar de não entender bem o que está acontecendo parte novamente para o mar deixando uma esposa furiosa para trás e nesse momento tem uma aventura pessoal intrigante e complexa. Jeff Lemire cria em “O Soldador Subaquático” uma história sobre paternidade, casamento, dor e culpa. Uma história sobre o amor de um filho para o pai, ao mesmo tempo em que descobre que existem imperfeições nessa figura e busca não cometer os mesmos erros. Um assunto delicado, mas tocado com extrema sutileza pelo autor com o traço meio caricato que já nos habituamos, olhares expressivos e precisos enquadramentos, adicionando assim mais um belo trabalho a carreira.

Nota: 8,0


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Cinema: "A Chegada" (2016)


Extraterrestres chegam ao nosso mundo. Espalham-se com várias naves ao longo do globo e deixam a população alarmada e os governos mais ainda. O clima de tensão e pavor está no ar, mas também certa ideia de se aproveitar da tecnologia dos aliens para benefícios próprios. Militares de vários países ficam a postos para se defender do provável inimigo, enquanto algumas pessoas conseguem ir mais além e se colocam no papel de salvadores de toda a humanidade.

Em filmes com esse tipo de enredo é normal se deparar com um improvável herói que surge para dar fim na invasão e deixar novamente o planeta em paz. Diversas vezes esse herói dá a volta por cima quando menos se espera ou faz um sacrifício danado mostrando uma nobreza suprema, além daquilo que a maioria seria capaz. Geralmente essas invasões são recheadas por explosões, naves voando para lá e para cá e tiros sendo dados de todos os lados.

Esse não é bem o ponto de “A Chegada” (Arrival, no original), novo filme do diretor Denis Villeneuve (de “Incêndios” e “Sicario”). O longa de 116 minutos que estreou nesse final de ano aqui no Brasil tem várias das situações citadas acima, todavia consegue trilhar um caminho totalmente diferente na execução, graças a condução afiada de um diretor em plena ascensão, o roteiro repleto de acertos e a edição perfeita de Joe Walker (de “12 Anos de Escravidão”).

O livro é baseado em um conto do americano Ted Chiang (Story Of Your Life, o nome), publicado aqui no país este ano junto com outros do autor no ótimo “História da Sua Vida e Outros Contos” da editora Intrínseca. O conto original que já era bom conseguiu ser repaginado de maneira exuberante por Eric Heisserer, roteirista até então de filmes ruins como “Premonição 5” e “Quando as Luzes Se Apagam”. Assim, temos uma coisa difícil de ver que é o filme ser melhor do que o texto que lhe serviu de base.

Na trama meio que já contada no primeiro parágrafo, aliens estão na terra. Mas não se mexem. Não se comunicam. Então, ninguém sabe quais as motivações. O exército americano representado pelo Coronel Weber (Forest Whitaker, na única atuação mediana do filme) monta uma equipe de especialistas de várias áreas para interagir com os visitantes. Nesse ponto que entram a professora e linguista Louise Banks (Amy Adams, deslumbrante) e o físico Ian Donnelly (Jeremy Renner), que trabalham em conjunto com a CIA e os militares.

Ao mesmo tempo em que esse time trabalha para entender o que está acontecendo, outras equipes são montadas pelo mundo, como na China e Rússia. Um painel de comunicação e de pretensa cooperação é montado e com desconfiança e temor isso vai ocorrendo. Em paralelo, vemos na tela um pouco da história pessoal de Louise Banks e isso vai se relacionando devagarinho com os fatos principais, em um controle absurdo de Villeneuve no comando das cenas.

“A Chegada” é ficção científica das boas, digna de figurar entre as melhores do gênero nesse século. Com atuações exuberantes em sua maioria e um ritmo que vai conduzindo o espectador a um ápice até as revelações finais, versa em segundo plano sobre a necessidade de cooperação, a urgência da humanidade em andar de mãos dadas, o poder da linguagem e da escrita em tempos tão fúteis em relação a isso, e, principalmente, no peso das nossas escolhas, em saber desfrutar as alegrias e aguentar as dores nessa vida tão passageira.

Nota: 9,0

Assista a um trailer legendado:

domingo, 18 de dezembro de 2016

Quadrinhos: "Espiga" e “American Flagg! – Vol. 1”


Histórias em quadrinhos com tons de autobiografia já renderam obras magníficas no decorrer dos anos, exemplos não faltam disso. Mesmo que tenha virado uma espécie de “febre” e por conta da quantidade apareçam coisas com nível bem baixo, vez ou outra nos surpreendemos com álbuns interessantes nesse quesito como é o caso de “Espiga” do brazuca Felipe Portugal. O autor que tem várias tiras publicadas na página do Facebook chamada “Quadrinhos Insones” (do Diego Sanchez), se aventura em uma história mais longa, usando fatos da própria vida como material. “Espiga” teve lançamento no final de 2015, conta com 64 páginas e foi feito de maneira independente. Mostra o autor tendo que lidar com questões rotineiras da vida enquanto tenta assimilar o fim de um namoro e voltar a ser produtivo no trabalho. No meio disso surge uma “visita” inesperada que passa a habitar o mesmo espaço físico e serve para redirecionar algumas questões, como também dar uma revigorada no ar. O protagonista está naquele momento da vida que falta ambição, vontade, coragem, falta tudo. Em menor ou maior proporção todos já passamos por algo assim em determinado momento da vida, aquela falta de querer que assume e fica difícil ir em frente já que você acaba não vendo sentido em coisa nenhuma. Com uma paleta de cores e formato dos quadros que remete diretamente a excelente “Asterios Polyp” de David Mazzucchelli (lançada aqui no Brasil em 2011), Felipe Portugal esquiva-se dos habituais lugares comuns e cria uma obra divertida, mas que também discute a solidão da vida urbana e o peso do mundo sobre as costas.

Nota: 7,0


Tem artistas que são inconfundíveis, basta ver um desenho que já se sabe quem é o responsável por aquele traço. Howard Chaykin é um desses. O norte-americano nascido em Newark tem anos e mais anos de labuta e bons serviços prestados aos quadrinhos. No final de 2015 a Mythos decidiu publicar o início de um dos seus maiores trabalhos novamente por aqui. “American Flagg! – Vol. 1” tem capa dura, aparato requintado e 392 páginas. Reúne as 12 primeiras edições originais da série lançadas entre os anos de 1983 e 1984, além de uma nova história escrita em 2008 para o lançamento dessa coletânea nos EUA. A edição nacional aparece devidamente restaurada e conta com uma bela introdução do escritor vencedor do prêmio Pulitzer, Michael Chabon. O personagem principal é Reuben Flagg, um ator nascido na colônia americana do planeta Marte, que volta para ser um Ranger, membro da força mantenedora da paz comandada por governos e empresas. Ao chegar à Terra, ele se depara com um planeta onde os céus estão cobertos de fuligem e as planícies frutíferas estão apodrecidas. Além disso, o espírito de solidariedade, honra e honestidade que tanto ouvira falar está castrado da população em geral, com grandes empresas usando o povo como bem entende e a mídia se divertindo em jogos diários de manipulação. Nessa distopia iniciada no ano de 2030, Howard Chaykin promove ficção científica exemplar (com um pé no cyberpunk) e convida o leitor para entrar em um mundo vil, sem escrúpulos, onde até mocinhos cometem graves erros e tem decisões não muito distintas. “American Flagg! – Vol. 1” é daquelas obras que valem completamente o investimento, apresentando um dos ases da nona arte em um voo brilhante, sagaz, ácido e crítico. 

Nota: 9,0


domingo, 11 de dezembro de 2016

Comic Con Experience - São Paulo Expo (SP) - 01 a 04 de Dezembro de 2016


Em outubro conversando com um amigo meu em São Paulo comentei que voltaria para a Comic Con Experience no final do ano com o meu sobrinho. Ele logo na sequência falou: “Sério? Boa sorte, vais precisar”. Como ele já tinha ido, fiquei naquela de: “bom, já que está tudo pago e comprado, tomara que eu tenha essa sorte então”. Sorte, que na verdade acredito que nem precisei tanto assim, acho eu.

E conto as razões mais abaixo.

A edição 2016 da CCXP aconteceu de 1 a 4 de dezembro na São Paulo Expo, um local bem grande na Rodovia dos Imigrantes a mais ou menos uns 40 minutos da região da Avenida Paulista. Com o metrô como opção e uma boa quantidade de táxis disponíveis (tanto para ir quanto para voltar), o acesso não foi dos mais complicados, já passei perrengues muito piores indo para shows e festivais de música na capital paulista. Pelo contrário, estava até tranquilo chegar ao local apesar da distância e da grande quantidade de pessoas que passaram por lá (mais de 196 mil de acordo com os dados dos realizadores). E tudo pareceu bem seguro.

Não fui no dia de abertura, somente a partir de sexta, chegando por volta de umas 16:00hs. Como já tinha adquirido os ingressos/credenciais para o evento, o acesso foi calmo, apesar do longo caminho da chegada até a entrada propriamente dita. Nada demais. Na sexta havia um bom público, mas nada comparado ao mar de gente que encontrei no sábado e domingo, onde comecei a entender um pouco mais o “boa sorte” lá de outubro. Contudo, mesmo com bastante gente, o espaço ainda era trafegável, com mínimos esbarrões e apertos. Por ser um evento diário de 10 horas de duração, o movimento é cíclico, muitos vão embora enquanto outros chegam e isso ajuda bem.

Primeira tática adotada por mim e meu parceiro de jornada geek foi a de não perder tempo em filas enormes, a fim de explorar a maior quantidade possível de estandes e conversar com diversas pessoas e artistas no decorrer disso. Então, nada de encarar filas de várias horas para ver painéis disputados e sim focar naqueles com menor apelo para o grande público, que também são interessantes. E essa foi uma tática mais que acertada. Claro que como fã do Frank Miller e de Star Wars, por exemplo, queria estar nas apresentações, mas isso exigiria uma dedicação e um sacrifício de tempo que não entendo como necessário, mesmo respeitando fãs mais ardorosos que se empenham dessa maneira.

Essa decisão fez com que a Comic Con fosse extremamente válida e prazerosa. Estandes e mesas de artistas que estavam cheias em um dia ou um determinado horário, no outro estavam menores e dava para encarar. Essa alternância e quantidade de opções fez com que às 5 horas diárias passadas no evento (mais do que isso é complicado devido ao cansaço) fossem proveitosas e divertidas. Por exemplo: Na sexta não dava nem para entrar para ver as fantásticas armaduras dos Cavaleiros dos Zodíacos, mas no sábado entramos tranquilamente perto da hora do almoço. Almoço que nos leva a outra questão a ser avaliada: a alimentação.

Eram várias as opções de alimentação no decorrer do espaço. Espalhavam-se por toda a estrutura e tinham espaços próprios vinculados somente para isso. Tinha filas? Claro que tinha. É impossível ir para um evento desse porte e não se deparar com filas para alimentação, acredito eu. Contudo, eram filas “administráveis”. O máximo que passei em uma foi uns 20 minutos. Quem já foi para festival sabe que isso é razoável. Lógico, que o ideal era não ter fila alguma, mas não dá para sonhar com isso. Quanto aos preços, bom, esses estavam salgados para caramba, todavia nada muito diferente do que é praticado nesse tipo de evento.

Como estamos falando em preço aí vai uma crítica para os estandes. Entendo que todo mundo está ali para ter lucro e a coisa tem que ser viável e tal, mas podia se ter descontos maiores principalmente nas lojas maiores. Dava para encontrar coisa mais em conta, mas em vários casos o preço praticado era o mesmo da loja física ou virtual, com uma redução quase insignificante. Lógico e evidente que isso se relaciona com aquilo que vi e presenciei. Já na área do “Artist’s Alley”, onde passaram mais 450 artistas e editoras de quadrinhos, as coisas estavam um pouco melhores nesse quesito e dava para sair com a mochila repleta de obras adquiridas direto com os autores.

Dentro da pluralidade que é a CCXP, o “Artist’s Alley” foi minha área preferida. Lá estavam desde autores consagrados como Alan Davis, Simon Bisley, Peter Kuper, Eduardo Risso e Bill Sienkiewicz a feras nacionais como Gustavo Duarte, Fábio Moon, Gabriel Bá, Cris Peter, Roger Cruz e Vitor Cafaggi, entre tantos outros. Além disso, foi um prazer chegar com autores novos e menos conhecidos e conversar sobre seu trabalho e processo criativo, mesmo que rapidamente. Certeza de que os quadrinhos nacionais passam por um ótimo momento e estão em processo contínuo de crescimento não só quantitativo, mas primordialmente qualitativo.

E essa pluralidade que é a grande sacada e atrativo da CCXP. E por isso ela vale a pena. Agrega diversos universos em um único espaço. Lá estão quadrinhos de todas as espécies, literatura jovem, televisão e séries, cinema, games, animes, enxertado com questões profissionais de cada área em painéis e estandes como o do Senac, além de uma vasta gama de produtos relacionados a disposição.

Fui, me diverti vendo os cosplayers, vibrei pela primeira vez em uma partida de League of Legends (mesmo sem saber até agora os motivos certos), conversei com algumas pessoas que admiro o trabalho, conheci coisas novas, revi amigos, voltei a juventude na parte dos animes e relacionados em um ambiente totalmente alegre e com alto astral. Ao sair de lá no domingo, ficaram duas certezas: a primeira de que o mundo geek nunca esteve tão em alta e a segunda de que em 2017 eu volto, aliás, voltamos, meu sobrinho não vai deixar encarar essa sozinho de jeito nenhum.

Site oficial do evento: http://www.ccxp.com.br 


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Literatura: "Neuromancer" e "Deuses Americanos"


Ao chegar às livrarias em 1983, “Neuromancer” desembarcava em outro mundo, bem outro. Se a tecnologia atual não alcançou tudo que fora previsto em obras de ficção científica nesses mais de 30 anos, a intensidade que essa tecnologia exerce hoje em cima da sociedade e as facilidades que dispões são poderosas. William Gibson é uma espécie de pai do que se chamou de cyberpunk e o ápice maior disso é “Neuromancer”, livro inicial da chamada Trilogia de Sprawl que ainda tem “Count Zero” e “Mona Lisa Overdrive”. A obra que (merecidamente) ganhou fama e hoje é respeitada e citada como influência nas mais diversas mídias é uma aventura de ficção científica que explora temas como pós-humanidade, poder demasiado de corporações empresariais, fusão entre orgânico e sintético, bestificação do consumo, tecnologia como arma e imersão virtual. Pode-se dizer que sem ela, obras como “Matrix” dos irmãos Wachowski jamais teria existido. Para quem se depara com a história somente agora, ainda assim, o impacto é grande. Tanto pela linguagem criada, quanto pela interligação com coisas exploradas somente anos depois, “Neuromancer” é um livro feroz, que não deixa o leitor baixar a guarda por nenhum momento que seja e o faz entrar em uma espiral caótica de real e artificial que parece não ter fim. A editora Aleph publica esse ano uma nova edição do livro, com tratamento cuidadoso em 320 páginas e tradução de Fábio Fernandes. Aliás, traduzir algo como essa obra é um trabalho extremamente complexo para que se faça funcionar, o que aqui se consegue. O protagonista é Case, um jovem cowboy hacker doidão que vive em uma cidade tão louca quanto ele. Ao ser convidado (ou intimado) a fazer parte de uma missão que só se revela gradualmente acaba entrando em algo infinitamente maior do que imaginava e essa jornada não será nada fácil. Ainda que hoje algumas coisas pareçam datadas, a viagem concebida por William Gibson ainda merece e muito ser desfrutada. Embarque nela.

Nota: 8,0

Site oficial do autor: http://www.williamgibsonbooks.com 


Quando Neil Gaiman imaginou “Deuses Americanos” não sabia muito bem o que estava fazendo. Tinha o esboço da ideia geral na mente, contudo possuía várias ressalvas de como abordar uma história que tivesse tanto vínculo com os EUA e que usa o país como matéria-prima, sendo ele um inglês de Hampshire. Mas não é a toa que o escritor é um dos grandes da sua geração e a trama foi tomando forma e chegou muito além do que ele mesmo esperava. Quando da publicação original em 2001, “American Gods” teve muitas passagens cortadas pelos editores, mas depois de alguns anos uma “edição preferida do autor” chegou às lojas. É essa edição que a Intrínseca (que vem fazendo um trabalho de destaque nas obras do escritor) publica agora no Brasil com 576 páginas, tradução de Leonardo Alves e vários textos extras anexados. Em “Deuses Americanos” conhecemos Shadow, um presidiário que está prestes a ganhar liberdade e voltar para os braços da esposa amada, depois de uma decisão ruim ter atravessado o caminho. Quando está próximo a obter essa conquista, uma reviravolta tremenda ocorre e após isso o misterioso Wednesday aparece para mudar sua vida como ele nunca passou nem perto de imaginar. Essa nova edição da Intrínseca tem 128 páginas a mais que aquela lançada pela Conrad em 2011 e isso faz com a trama seja mais profunda, dando espaço para que Gaiman explore ainda mais as situações que apresenta. No livro, versa sobre a formação da maior potência do mundo e sua relação com aqueles responsáveis por isso que para lá migraram levando as crenças e deuses escondidos na sacola. Mesmo depois de 15 anos do lançamento a obra continua intensa, desnudando divindades, inserindo novas e transformando humanos enquanto mescla realidade e fantasia ao conversar sobre crenças, alma, ambição, desejo e traição.

Nota: 9,0

Leia um trecho no site da editora, aqui.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Quadrinhos: "Drop Dead" e "A Gigantesca Barba do Mal"


Perder alguém da família passa longe de ser uma coisa fácil de assimilar. Perder um pai ou uma mãe então é dureza demais. É isso que acontece com William, protagonista de “Drop Dead”, novo projeto em quadrinhos do paulista Aluísio C. Santos (Rockstar, Grim Leaper), uma das quatro cabeças criadoras do selo Quad Comics junto com Diego Sanches, Eduardo Ferigato e Eduardo Schaal. O álbum que tem 82 páginas foi aprovado pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC) ano passado e chega às bancas e revistas especializadas do ramo agora em 2016. Enquanto busca entender o acontecido, o jovem William alivia a pressão escutando música e andando de skate pela cidade, uma das suas paixões. Porém, do nada, ele começa a enxergar pessoas falecidas na sua frente e interagindo com ele. Enquanto se esforça para não pirar tem que lidar com a mãe nessa nova dinâmica de vida familiar e correr atrás de explicações. “Drop Dead” insere uma temática mais distante dos trabalhos publicados pela Quad Comics, mesmo que flerte diretamente com o sobrenatural. Tem bom uso de cores e arte harmonizada com a história que se pretende contar, mas não deslumbra e fica apenas no correto, assim como o roteiro que caminha sem chegar a lugar nenhum, o que acaba por ser o grande problema da obra. Da interessante concepção de apresentar um jovem abatido por uma perda de tamanho imensurável e, além disso, ter que descobrir como se posicionar perante relações delicadas e fora do comum, temos uma história que não prende o leitor plenamente. Aluísio C. Santos insere boas situações, sendo uma delas a playlist no Spotify que serve como trilha sonora e tem canções do Offspring, Nirvana, Suicidal Tendencies e Faith No More, mas fica apenas nisso, em um tratado de boas ideias, que infelizmente não atinge um resultado melhor.

Nota: 5,0

Site da Quad Comics: http://www.quadcomics.com.br 



O sentimento de rechaçar tudo aquilo que não se entende, tudo aquilo que não faz parte do que se exibe como “normal” acompanha a humanidade desde o início dos tempos. Nos últimos anos vemos toda essa intolerância e discriminação chegando a patamares elevados e se alastrando como uma peste pelo mundo. Esse é o principal foco de “A Gigantesca Barba do Mal” (The Gigantic Beard That Was Evil, no original), graphic novel de 2013 que há pouco ganhou publicação nacional pela editora Nemo, com 240 páginas e tradução de Eduardo Soares. Primeiro trabalho extenso do ilustrador e cartunista britânico Stephen Collins, o álbum é uma fábula moderna que usa a sátira e o humor como combustível para nos contar uma história cada vez mais atual. Dave é o personagem principal, habitante de uma ilha chamada Aqui onde tudo anda extremamente igual todo dia. Tudo é organizado, limpo e rotineiro. Mesmo sem entender o seu trabalho (e os demais também não) segue satisfeito por apresentar resultados em reuniões monótonas, ter um lar e poder desenhar a rua da sua casa enquanto escuta “Eternal Flame” das Bangles. Tudo fora de Aqui é conhecido pelos moradores como Lá, e esse Lá enche de medo a todos, o medo do desconhecido, do diferente, e a rejeição que brota disso. Esse receio todo se agrava ainda mais quando a barba de Dave não para de crescer e transtorna a todos. Vizinhos, governo, imprensa, todos começam a lhe tratar diferente, como um pária, um mal a ser erradicado. Ele mesmo se desespera, porque a barba cresce do nada, sem que ele queira ou tenha controle sobre isso. Em preto e branco e com foco nos enquadramentos, Stephen Collins é responsável por um dos trabalhos mais interessantes publicados esse ano aqui no Brasil.

Nota: 9,0


Leia um trecho no site da editora: http://grupoautentica.com.br/nemo/amostra/1401 


sábado, 12 de novembro de 2016

Música: Green Day e Descendents


Depois do insucesso do projeto triplo que envolveu os discos ¡Uno!, ¡Dos! e ¡Tré! lançados entre setembro e dezembro de 2012, Billie Joe Armstrong, Tré Cool e Mike Dirnt retornam em 2016 com “Revolution Radio”. Novamente distribuído pela Reprise Records, o trio deixou o velho amigo e produto Rob Cavallo e fez tudo sozinho no disco. O resultado é um álbum cru, sem grandes invencionices, que aponta para os primeiros registros sem esquecer coisas posteriores como o “American Idiot” de 2004, o que é normal para uma banda com os anos de vida que o Green Day ostenta. A banda nunca foi de deixar problemas atuais ficarem longe das músicas e isso novamente aparece como na enérgica faixa-título e em “Troubled Times” (e vem se alongando ao vivo devido ao momento ainda mais crítico do país). Os 44 minutos de “Revolution Radio” não exibem nenhuma canção estupenda e as que ficam mais próximas disso são o primeiro single “Bang Bang”, com as paradas características do grupo, e a pra cima “Youngblood”, mas pode ser entendido como um disco de transição, com o trio novamente tomando as rédeas da carreira, saindo em turnê, sentido em prazer em tocar. O grande problema do Green Day e isso vêm desde o já citado “American Idiot” de 2004 é querer se alinhar entre o punk e o rock mais de arena, o que gerou bons trabalhos, mas tudo indica ter chegado a um limite de saturação. Isso fica claro em faixas como “Somewhere Now”, “Outlaws” e “Still Breathing”. Já que a banda pensou nesse “Revolution Radio” como uma retomada de origens (e é isso mesmo algumas vezes), seria interessante no futuro retomar com tudo para esse caminho, pois aparenta ainda ter fôlego para tanto, basta só deixar de vez de lado as pretensões construídas em outro momento da carreira. A conferir.

Nota: 6,0

Site oficial: http://www.greenday.com  


Banda essencial do punk rock e influência para diversos grupos, os californianos do Descendents voltaram em 2016 com um novo registro chamado “Hypercaffium Spazzinate”. A banda que não gravava nada desde 2004 com o bom “Cool To Be You” retorna com um álbum que rememora seus melhores momentos. Lançado pela gravadora Epitaph apresenta 16 músicas na versão principal e mais 5 em uma versão deluxe que ao invés de ser apenas uma encheção de linguiça traz canções do mesmo nível do disco como “Days of Desperation”, “Business A.U” e “Unchaged”. Formado no final dos anos 70 e com discos na bagagem do porte de “I Don’t Want to Grow Up” (1985) e “Everything Sucks (1996)” (sem contar a seminal estreia com “Miles Goes to College” de 1982), o grupo já cinquentão exibe uma obra com a mesma pegada que fez tantos e tantos fãs. As faixas são elaboradas por todos os integrantes, a saber: Stephen Egerton (guitarra), Milo Aukerman (vocal), Karl Alvarez (baixo) e Bill Stevenson (bateria), e apresentam as temáticas cotidianas e bem humoradas já conhecidas de outrora, com algumas mais sérias como “Feel This” que fala sobre perda. Apesar de tanto tempo de estrada “Hypercaffium Spazzinate” é apenas o sétimo registro de estúdio, o que mostra que fazer música sempre foi coisa importante para todos os integrantes, sem lançamentos banais pelo meio. Com faixas como “Victim Of Me”, “Shameless Halo”, “Comeback Kid”, “Beyond The Music” e principalmente a chicletuda “Without Love”, o Descendents compôs um dos grandes discos desse ano e deixa mais ansiedade ainda no ar para a apresentação que faz em solo brasileiro no início de dezembro e que já pode ser chamada de imperdível para os amantes do punk. Escute alto.

Nota: 8,5


Assista a apresentações ao vivo abaixo. O Green Day com "Bang Bang" e o Descendents com “Shameless Halo”:


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Literatura: “1965: o ano mais revolucionário da música” e "Cidade dos Etéreos"


É comum achar que tal ano ou tal década foi mais importante para a música ou para um determinado estilo. O escritor, crítico e diretor de cinema Andrew Grant Jackson também tem uma opinião em relação a isso e apoiado em uma extensa pesquisa que alcançou diversas fontes colocou o resultado disso no livro “1965: o ano mais revolucionário da música” que a editora Leya lança esse ano aqui. Originalmente publicado em 2015 nos EUA, “1965 – The most revolutionary year in music” tem tradução nacional de Edmundo Barreiros e 384 páginas incluindo notas, bibliografia e índices. O livro extrai da década de 60 esse mítico ano onde entre outras coisas os Beatles lançaram o disco “Rubber Soul”, os Rolling Stones cravaram “(I Can´t Get No) Satisfaction” nas paradas e nas mentes, o The Who apareceu com o hino “My Generation” e Bob Dylan cunhou a soberba “Like a Rolling Stone” e assombrou convenções inserindo a guitarra elétrica nos seus shows. Some-se a isso criação de várias outras pérolas do soul, do pop e do folk e passos importantes para artistas como Beach Boys, Velvet Underground, The Byrds, John Coltrane, James Brown, Sam Cooke, Them, Jefferson Airplane e Simon & Garfunkel, entre tantos outros. O autor consegue com relativo sucesso conectar esses atos a situação geral daqueles anos, conjecturando um pouco sobre o cenário político, econômico e social levando em conta tanto as revoluções em andamento, quanto a luta pela conquista dos direitos civis nos EUA e a guerra do Vietnã. A obra expõe um trabalho jornalístico cuidadoso e serve como bom instrumento de consulta para a época seja nos casos já amplamente conhecidos ou em algumas surpresas que o texto reserva. Todavia, falha quando o autor tenta guiar os fatos para dentro da sua lógica pessoal de mundo e isso acaba por diminuir o resultado final.

Nota: 6,5 


No primeiro semestre desse ano a editora Intrínseca deu continuidade a trilogia de Ransom Riggs chamada “O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares” e lançou o segundo livro (o primeiro teve lançamento da editora Leya no ano passado) da pequena saga. O bom primeiro livro rendeu também um bom filme esse ano nas mãos do diretor Tim Burton e com Eva Green, Asa Butterfield e Samuel L. Jackson no elenco. O livro II lançado originalmente em 2014 tem capa dura na edição nacional, tradução de Fernando Carvalho e 386 páginas, incluindo um pequeno trecho do terceiro trabalho no final. “Cidade dos Etéreos” (Hollow City, no original) tem início exatamente no ponto onde o exemplar anterior terminou com Jacob Portman, Emma Bloom e os demais integrantes da trupe de crianças especiais em fuga depois da destruição da ilha onde moravam. Com destino a Londres e tendo por objetivo salvar sua querida tutora e professora da atual condição que se encontra (mesmo sem saber como), o intrépido grupo vai se deparar com aventuras intensas e desconhecidas pela frente. Utilizando um pouco de história como pano de fundo, Ransom Riggs cria mais uma dezena de singulares personagens que apoia em outras fotografias antigas que espalha pelo texto. Mantêm o mesmo modo de operação do primeiro livro, mas enxerta pontos que dão mais vigor ao texto como viagens no tempo e o romance mais vívido entre o casal de protagonistas. Com isso, Jacob Portman sai da insegurança de antes para se tornar um jovem obstinado que tenta a todo custo superar as dúvidas que lhe aparecem e achar o próprio caminho. “Cidade dos Etéreos” chega com um trabalho editorial luxuoso da Intrínseca e está no mesmo nível que seu antecessor, deixando uma boa expectativa para a conclusão e se consolidando como uma das narrativas mais interessantes voltadas para o público jovem atualmente.

Nota: 8,0