terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Top Top - Os Melhores de 2016


Salve, Salve minha gente amiga..

Abaixo, como de costume, coloco uma listinha simples dos melhores 23 discos nacionais e internacionais que passaram por aqui no ano que terminou. São eles:


MELHOR DISCO NACIONAL

01 - “Tropix” – Céu
02 – “Brutown” – The Baggios
03 – “Overseas” – Justine Never Knew The Rules
04 – “Mamba” – Sammliz
05 – “Eu, Você e a Manga” – Eu, Você e a Manga
06 - "Forte" - Bruno Souto
07 – “O Futuro do Autoramas” – Autoramas
08 – “Em Cada Verso um Contra-Ataque” – Aíla
09 - "1991" - Infante
10 – “Boogie Naipe” – Mano Brown
11 – “Ivete” – Wado
12 – “Atlas” – Baleia
13 - "Paraíso" - Fernando Temporão
14 – “Mahmundi” – Mahmundi
15 – “Melhor do Que Parece” – O Terno
16 – “Em Uma Missão de Satanás” – Zumbis do Espaço
17 – “Crocodilo” – Jonnata Doll e os Garotos Solventes
18 - "Outra Esfera" - Tassia Reis
19 - "A Coragem da Luz" - Rashid
20 - "Morte & Vida" - Paula Cavalciuk
21 - "Monstro" - DeFalla
22 - "Nada Sem Ela" - Academia da Berlinda
23 - "Zeromou" - Zeromou

MELHOR DISCO INTERNACIONAL

01 - “Give a Glimpse Of What Yer Not” – Dinosaur Jr.
02 - “Here” – Teenage Fanclub
03 - “You Know Who You Are” – Nada Surf
04 - “Head Carrier” – Pixies
05 - “Hypercaffium Spazzinate” – Descendents
06 – “Songs From The Pale Escape” – The Warlocks
07 – “The Psychedelic Swamp” – Dr. Dog
08 – “Tens Of Denial” – Car Seat Headrest
09 – “an the Anonymous Nobody…” – De La Soul
10 – “Blackstar” – David Bowie
11 – “Ellipsis” – Biffy Clyro
12 – “Shape Shift With Me” – Against Me!
13 – “Patch The Sky” – Bob Mould
14 – “Post Pop Depression” – Iggy Pop
15 – “Love And Hate” – Michael Kiwanuka
16 - "Wild Pendulum" - Trashcan Sinatras
17 - "Everything At Once" - Travis
18 - "Pussy's Dead" - Autolux
19 - "A Moon Shaped Pool" - Radiohead 
20 - "Man About Town" - Mayer Hawthorne
21 - "Tired Of Tomorrow" - Nothing
22 - "Paging Mr. Proust" - The Jayhawks
23 - "The Dream Is Over" - PUP

P.S: A arte do post é de Amandine Van Ray. 

domingo, 29 de janeiro de 2017

Literatura: “História da Sua Vida e Outros Contos” e “Rita Lee - Uma Autobiografia”


Ted Chiang nasceu em Nova York em 1967 é formado em ciência da computação e escreve hábeis contos sobre ficção científica, o que já lhe rendeu prêmios literários desejados como o Nebula e o Hugo. Ano passado sua obra ganhou maior amplitude porque um conto seu foi adaptado para gerar o ótimo filme “A Chegada” de Denis Villeneuve o que fez a editora Intrínseca lançar no país em novembro de 2016 o livro “História da Sua Vida e Outros Contos” (Stories of Your Life and Others, no original) com 368 páginas e tradução de Edmundo Barreiros. O livro agrupa 8 contos publicados entre 1990 e 2002 em veículos diversos, além de uma pequena nota explicativa sobre cada um deles no final. De produção esporádica (ainda não escreveu duas dezenas de contos no total), Ted Chiang passeia com cuidado e muito garbo pelas histórias que propõe contar, seja nos questionamentos religiosos de “Torre de Babilônia” e “O Inferno é a Ausência de Deus”, seja em temas mais matemáticos como em “Divisão por Zero” ou na essência pura da ficção científica de “Gostando Do Que Vê: Um Documentário” e “História da Sua Vida” que dá nome ao livro e foi o conto adaptado para o já citado filme. O texto de Chiang por mais técnico que se apresente em determinados momentos é plenamente inteligível, ainda que careça de uma atenção mais dedicada do leitor. Fascinado por matemática e física quase sempre usa como personagem meio oculto, mas primordial, a linguagem, a comunicação entre nós e entre aquilo que nos rodeia no mundo, o que deixa os textos ainda mais intrigantes.  Exibe o que a ficção científica pode apresentar de melhor com tramas emblemáticas e surpreendentes, que como acontece com obras desse segmento fazem o leitor questionar sobre como estamos caminhando aqui neste pequeno planeta azul.

Nota: 8,0

Leia um trecho direto do site da editora, aqui.


Rita Lee Jones faz 70 anos agora em 2017. A artista fundamental para a música brasileira hoje curte a aposentadoria de forma tranquila e sem alardes. No ano passado resolveu enfim escrever e lançar sua autobiografia, esperada não somente pelos fãs mais ardorosos (que não são poucos), mas por todos amantes da música nacional. “Rita Lee – Uma Autobiografia” chegou às livrarias pela Globo Livros com 296 páginas escritas pela própria sem recorrer a ghost-writer e sem amansar para o próprio lado deixando os podres de fora. Para contar essa história usou capítulos curtos em uma ordem cronológica não muito rígida. O tom escolhido foi completamente informal com gírias e vez ou outra até parecendo uma adolescente, peralta como de costume. A metralhadora verbal atira de modo constante e com ironia perdoa pouquíssima gente, já que afirma que conta os amigos na palma da mão. Sobra para governos de todas as cores, para a crítica, para os Mutantes Arnaldo e Sérgio, para os amigos de profissão, para quase todo mundo. A ovelha negra volta à infância e lembra diabruras e traquinagens, não deixando de relatar fatos pesados como o abuso sexual que sofreu ainda criança dentro de casa por um cara que foi consertar algo lá. Conforme avança expõe a relação incessante com drogas e depois o álcool, além de todo o bundalelê que esteve presente, sendo quase uma Keith Richards do nosso cenário musical. Para quem espera detalhes sobre gravações ou relatos sobre criações e composições isso passa muito de raspão, mas na verdade não era de se esperar que a artista se debruçasse com afinco sobre isso. O livro invade mais a vida pessoal, a relação com aqueles a sua volta, as loucuras que cometeu e as coisas que sofreu (como as duas prisões, sendo uma grávida na ditadura). “Rita Lee – Uma Autobiografia” pode não ser o livro que tantos esperavam, contudo é a cara de sua autora, uma artista que vendeu mais de 50 milhões de discos na carreira e está entre as maiores de todos os tempos nesse quesito no Brasil.

Nota: 8,0

sábado, 21 de janeiro de 2017

Quadrinhos: "Mulher-Maravilha: Terra Um" e "Xampu - Volume I e II"


Depois de Superman e Batman aparecem na linha “Terra Um” da DC Comics em que autores podem escrever tramas fora do emaranhado que é a cronologia da editora, chegou a vez da Mulher-Maravilha completar a trindade dentro do projeto. Criada em 1941 por William Moulton Marston, a heroína bela e guerreira ganha uma repaginada nas origens através de roteiro de Grant Morrison (Sete Soldados da Vitória) e arte de Yanick Paquette (Monstro do Pântano). A Panini publicou aqui no final do ano passado toda a trama que originalmente saiu nos EUA também em 2016 para comemorar os 75 anos da princesa amazona. Com capa dura, lombada quadrada e 154 páginas, incluindo vários esboços de extras, temos a história de Diana imaginada pelo abade escocês que como de costume aborda as coisas de maneira diferente do usual. “Mulher-Maravilha: Terra Um” mostra a princesa não se contentando com o mundo a que está acostumada e deseja sair da Ilha Paraíso a qualquer custo, para desgosto da sua mãe e as habitantes do local. Ela recebe a oportunidade quando Steve Trevor (agora negro) despenca com seu avião e precisa urgentemente de ajuda para não morrer. É quando Diana aproveita a deixa e monta um plano para fugir ao mundo exterior e se deparar com cultura e pessoas totalmente diferentes. O autor não deixa de lado a mitologia que cerca a origem, mas tenta caminhar por outras ruas preenchidas por poder feminino, família, liberdade, respeito e uma sexualidade até então vista com rara frequência nas histórias da personagem, que tem reflexo na arte de Paquette que apresenta uma Diana extraordinariamente linda. Na proximidade da estreia do filme com Gal Gadot no papel da heroína prevista para junho desse ano, essa edição do Grant Morrison é mais que oportuna, ainda que com alguma inconsistência geral.

Nota: 7,0


O paulistano Roger Cruz é um dos artistas nacionais mais talentosos dentro dos quadrinhos já tem algum tempo com trabalhos de respeito na Marvel em revistas do X-Men e Hulk, entre outros. Em 2010 publicou pela editora Devir uma obra autoral onde assumia roteiro e arte para contar uma história com tons biográficos intitulada “Xampu: Lovely Losers”. No segundo semestre do ano passado a Panini Comics em parceria com o Stout Club decidiu (ainda bem) relançar a obra, parte inicial de uma trilogia. Ainda em 2016 a mesma dupla colocou no mercado o segundo volume da narrativa com lançamento na Comic Con Experience. “Xampu – Volume I” e “Xampu – Volume II” tem 80 páginas cada uma e são ambientadas no final dos anos 80 e início dos 90 retratando jovens preocupados em curtir a vida, bater papo, escutar rock, montar uma banda e descolar leves paixões no decorrer dessa jornada. Do outro lado dessa farra estão os anseios, sonhos e receios não só inerentes a idade, como também ao aumento de responsabilidades, a busca por grana e o tão assustador futuro que se apresenta nessas horas, ainda mais em um período de transformações sociais e culturais. Tanto na arte em preto e branco que insere drama e humor com a mesma competência, quanto na forma de contar a história que ora opta por ser mais individualizada, ora mais ampla, Roger Cruz comete um acerto atrás do outro. A obra apresenta um indubitável cheiro de nostalgia, contudo não se resume a isso, sendo que qualquer grupo de jovens que viveu em qualquer época pode ver a sua turma refletida em alguma das linhas dali em personagens como Max, Raquel, Sombra e Nicole, além dos causos e histórias como a ida ao primeiro grande festival de música. Mas é lógico que para quem viveu nesses anos o sabor é ainda mais doce e aprazível. Não deixe de ler.

Nota: 9,0



domingo, 15 de janeiro de 2017

Quadrinhos: "Bear - Volume 3" e "Sopa de Lágrimas"


Uma menininha de uns seis anos mais ou menos se perde dos pais e com sorte encontra alguém mais velho e pede ajuda para encontrá-los novamente. A bronca é que esse alguém é um urso meio rabugento que ela tem a estupenda ideia de despertar em uma caverna e que surpreendentemente comovido assume a incumbência. Essa é trama básica de “Bear” da quadrinhista curitibana Bianca Pinheiro, que publicada originalmente como uma webcomic ganhou versão impressa pela editora Nemo e já está no terceiro volume lançado no ano passado. “Bear – Volume 3” dá continuidade a jornada dos dois e dessa vez muda o local da aventura para dentro da água. Com 88 páginas e o mesmo formato dos anteriores (20x32cm), personagens já conhecidos retornam enquanto a dupla vai produzindo o bem enquanto tenta achar os pais de Raven. Bianca Pinheiro é dotada de um senso extremo de sensibilidade que espalha pelas páginas do álbum e que também podemos ver em outro lançamento seu chamado “Dora” e na Graphic MSP “Mônica: Força”. A fantasia infanto-juvenil que ela elabora nesta obra consegue ir além do público esperado e agrada com seus traços limpos e cores bem usadas. Além disso, brinda o leitor com diversas referências aqui e ali, umas bem óbvias e outras nem tanto que gera uma repentina satisfação ao se perceber, como também expande as formas de linguagem inserindo até a si mesmo como uma espécie de “oráculo”. Leve, descompromissada e divertida, mas sem ser boba demais, “Bear” mostra uma autora com completo domínio da história que conta e é leitura certeira para seu filho, sobrinho ou afilhado, que irão se encantar com as peripécias de Raven e Dimas.

Só uma dica: antes de passar a eles dê uma lida também. Não te arrependerás.

Nota: 7,0

Site de “Bear”: http://bear-pt.tumblr.com 


Pegue a literatura de Gabriel Garcia Márquez, José J. Veiga e Manuel Scorza e adicione obras de cunho juvenil daquelas que trazem humor, pirraças e descobertas. No meio coloque uma farta dose de sensualidade latina, sem muito pudor ou reserva disso para no final completar com acentuadas pitadas de escárnio e crítica social. O resultado de tudo é “Sopa de Lágrimas” (Heartbreak Soup, no original) do quadrinhista Gilbert Hernandez, mais conhecido por seu trabalho na necessária “Love And Rockets” feita junto com os irmãos. A editora Veneta resolveu relançar em 2016 a história no Brasil e o primeiro volume (outros dois estão previstos) tem 288 páginas, tradução de Marina Della Valle e cobre o período de publicação de 1983 a 1986. A obra que já recebeu elogios de nomes do porte de Robert Crumb, Howard Chaykin e Neil Gaiman se situa na fictícia Palomar, uma pequena (mas nada pacata) cidade situada em algum país da América do Sul. Para criar tão fielmente a ambientação e seus personagens o autor se valeu também das histórias que ouvia em casa de avós e tias que moraram no México antes de partirem para os EUA, sendo que boa parte desses causos foi repassado ao papel. Em preto e branco, com desenhos privilegiando formas e rostos e capítulos que vão e voltam no tempo sem ordem determinada, Gilbert Hernandez criou em “Sopa de Lágrimas” uma obra poderosa, visceral e divertida ao mesmo tempo. Com destaque para mulheres de personalidade forte como a fantástica Luba e a musculosa Chelo, o autor insere diversos outros personagens que pouco a pouco ganham a simpatia do leitor como Pipo, Carmem e o memorável Tip e sua relação nada fácil com amores não correspondidos. “Sopa de Lágrimas” é o tipo de obra altamente recomendável, o tipo de obra que faz dos quadrinhos uma arte mais rica e exuberante.

Nota: 9,5


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

"Forrest Gump" - Winston Groom


Quando “Forrest Gump” estreou nos cinemas em 1994 o sucesso foi imediato. O filme dirigido por Robert Zemeckis (da trilogia “De Volta Para o Futuro”) fez 480 milhões de dólares de bilheteria no mundo e de quebra levou 6 Oscars, entre eles melhor filme, diretor, ator e roteiro adaptado. O roteiro construído por Eric Roth (de “O Curioso Caso de Benjamin Button”) teve como material o livro de Winston Groom lançado em 1986, que tinha vendagem razoável até então e viu tudo se transformar depois do longa, alcançando a marca de mais de um milhão de cópias vendidas.

Ano passado o livro completou 30 anos e a editora Aleph publicou uma edição belíssima da obra que merece um lugar de destaque na biblioteca de qualquer um. Com 394 páginas e tradução caprichada de Aline Storto Pereira a edição ainda é abrilhantada por diversas ilustrações do gaúcho Rafael Albuquerque (de “Vampiro Americano”), um dos quadrinistas de maior destaque do país e conta com textos adicionais, incluindo um excelente ao final que compara livro e filme com muito mérito.

Isso é válido porque depois de ler “Forrest Gump” é impossível não compará-lo ao filme, visto que as diferenças são gritantes (e na maioria dos casos para pior). Lógico que literatura e cinema são coisas distintas e o que funciona em um campo pode não funcionar bem em outro. Realmente, se fosse para imaginar a transição das histórias do personagem principal para a sétima arte o roteiro deveria ajustar todos os excessos que Winston Groom se dá ao luxo de cometer no livro.

No livro, Forrest é um idiota como no filme, mas um idiota completamente diferente, consciente dos seus atos e que sabe bem onde está pisando. Além disso, carrega consigo uma carga satírica e crítica (ao seu modo) para o país e suas instituições como Exército e NASA. Ressalte-se também que o Forrest do livro é um cara com habilidade intelectual em certos segmentos e não aquele virgem pueril e sortudo que o filme de Zemeckis fez cravar na memória de todos.

Essa edição da Aleph é extremamente bem-vinda porque traz a uma gama nova de leitores o texto ácido e repleto de desconstrução que o autor imaginou para o protagonista. Mesmo considerando algumas forçadas além do ponto (principalmente na parte final), “Forrest Gump” ainda é um livro saborosíssimo de ser degustado, que deixa o leitor constantemente rindo sozinho no contraste provocado entre o absurdo e o ingênuo, como instiga pelas cutucadas que distribui para todos os lados.

Na construção que fizeram para o cinema além de adocicarem e amansarem o texto até não poder mais, praticamente todo o cunho político da obra foi retirado para agradar o americano médio, já que em determinada análise o filme nada mais é do que uma representação do “american way of life”, onde até mesmo um idiota sem muito conhecimento pode vencer na vida e virar um milionário. É de imaginar até que o Forrest do filme fosse por exemplo um dedicado eleitor de Donald Trump, enquanto o do livro iria pelo caminho inverso.

Mesmo que a decisão cinematográfica tenha obviamente rendido muitos frutos e o filme seja hoje um clássico com uma trilha sonora esplendorosa, o livro mostra o verdadeiro Forrest Gump imaginado pelo autor, um personagem que carrega até semelhanças com ícones da contracultura como Sal Paradise (de “On The Road” do Jack Kerouac) e passa distante do herói bobo que a maioria conhece. Então, leia o livro, pois vale muito a pena ainda mais nessa caprichada edição.

Nota: 9,0