sábado, 9 de outubro de 2010

"Tropa de Elite 2" - 2010

“Tropa de Elite 2” carrega consigo o subtítulo “O Inimigo Agora é Outro”, o que já antecipa que o diretor José Padilha mirou sua metralhadora cinematográfica para outros alvos dessa vez. Se o primeiro filme era um chute forte na boca do estômago da polícia, do governo e da sociedade em geral, o segundo trabalho completa a surra nestas áreas e setores com uma seqüência ininterrupta de socos diretos na cara e pontapés certeiros nas partes baixas.
Ambientado nos dias atuais, ou seja, 13 anos depois do filme anterior, encontramos o Capitão Nascimento (Wagner Moura) agora como Coronel do BOPE, coordenando taticamente todas as ações do regimento. No seu lugar em campo está André Ramiro, que nada lembra o “Aspira” de antes. Em uma ação dentro de uma rebelião no presídio Bangu 1, as ações tomadas por Ramiro geram uma escala de acontecimentos que mudam a vida e o rumo de todos.
Para Nascimento, as facções podiam muito bem se matar que o BOPE pegaria só as migalhas. No entanto, as coisas não saem bem assim. Com o desastre em potencial concretizado, o personagem de Wagner Moura cai do seu posto, mas como afirma no longa: “cai para cima”. Devido à aprovação popular, o governo fluminense se vê obrigado a colocá-lo em uma posição melhor. Assim ele vira Sub-Secretário de Inteligência do Governo Estadual.
É lógico que como integrante do BOPE, a primeira coisa que Nascimento faz é armar até os dentes seus parceiros e partir com todo o gás para cima dos traficantes que reinam nos morros cariocas. A tática dá certo, morros são tomados, traficantes depostos e notícias de aprovação ecoam por todo o lado. No entanto, as ações de Nascimento abrem caminho para que as milícias policiais se instalem nas favelas e como a máfia passem a definir o bem e o mal.
“Tropa de Elite 2” é bem mais denso que seu antecessor. Está repleto de bons dramas pessoais e foca na corrupção em geral da polícia e governo juntos, que como é de conhecimento comum prefere as coisas como estão, pois assim permanece mais tempo no poder. Wagner Moura tem um desempenho que não pode receber adjetivos menores que brilhante. Consegue transpor para a tela todo o cansaço, raiva e desgaste emocional que o personagem precisa.
A direção de José Padilha está no ponto certo outra vez. Dosa cenas de ações e tiroteios com questionamentos pessoais e tramas conspiratórias governamentais. O roteiro do ótimo Bráulio Mantovani está preciso como de costume e erra muito pouco. A única forçação de barra é que o maior adversário de Nascimento, o deputado estadual Fraga (Irandhir Santos muito bem), seja também o homem que roubou sua mulher e exerce influência direta sobre o filho.
O discurso de “Tropa de Elite 2” não agradará novamente quem vê bandido como coitado ou “cria de um mundo desumano” e tampouco irá satisfazer a classe política e a polícia, que de tão enraizada de corrupção não consegue mais sair da lama. Em seu novo filme, José Padilha apresenta de novo as cartas certas para esse jogo mostrando um monstro com enormes tentáculos espalhados por tudo e que a cada vez que vê um rei derrubado, sobe outro no lugar.
Sobre o primeiro filme, passe aqui.

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