terça-feira, 8 de junho de 2010

"Afluentes do Rio Silencioso" - John Wray

De acordo com a descrição do Wikipédia a esquizofrenia “é um transtorno psíquico severo que se caracteriza classicamente pelos seguintes sintomas: alterações do pensamento, alucinações (visuais, sinestésicas, e sobretudo auditivas); delírios e alterações no contato da realidade.” Estima-se que 1% da população mundial sofra com esse transtorno mental. O escritor John Wray mergulha literalmente de cabeça nesse universo para desenvolver um livro espetacular.
John Wray vem sendo aclamado pela crítica especializada norte americana como um dos melhores escritores da sua geração. Nascido em 1971 e caminhando para os 40 anos, já lançou três livros (os dois primeiros ainda inéditos por aqui), sendo o último o excelente “Afluentes do Rio Silencioso” (originalmente “Lowboy”). Chegando as livrarias nesse ano com 303 páginas pela Companhia das Letras, John Wray escreve com competência e destreza.
Na sua trama, Lowboy é um jovem de 16 anos que sofre de esquizofrenia paranoide e acaba de fugir do hospital onde ficou por um ano e meio. Na verdade seu nome é William Heller, o apelido de Lowboy é um trocadilho com “garoto para baixo” pela sua depressão e “garoto de baixo”, por gostar muito dos espaços subterrâneos do metrô de Nova York. Não é surpresa então que ao fugir se encaminhe diretamente para o querido destino abaixo do solo.
Na sua cabeça, Lowboy tem uma missão dificílima: Precisa salvar o mundo que está aquecendo até chegar o ponto em que vai incendiar todo. Para realizar a proeza precisa urgentemente fazer sexo pela primeira vez, libertando assim algo dentro de si que vai parar tudo. No maior metrô do mundo (com mais de 360 quilômetros de rota), o jovem se mete em pequenas aventuras regadas a delírios e convivência com habitantes nada comuns ou normais.
Fora disso, o outro lado da história se desenvolve tendo como pilares a mãe de William Heller, a qual chama carinhosamente de “Violet”, apesar de o seu nome verdadeiro ser Yda. No encalço do garoto perdido está também um detetive especializado da polícia, que começa seguro das suas forças, mas vai vendo estas se esvaírem pouco a pouco, quando começa a montar o surpreendente quebra cabeça familiar de tragédia, dor e culpa que está no meio.
Ao escrever sobre o ponto de vista das coisas de “Lowboy”, era necessário muito tato e zelo para não descambar para o drama comum ou mesmo ofender os portadores do transtorno. John Wray consegue fugir de ambos os caminhos de maneira singular e ainda cria um romance extremamente sensível e bem acabado, com toques de humor, dor e emoção quase que na mesma proporção, fazendo nascer um desenrolar final forte e poderoso.

Um comentário:

Gustavo disse...

foi o melhor resumo que eu achei desse livro

valeu