sexta-feira, 24 de abril de 2009

"Koctus" - Ricardo Koctus - 2009

O centro criativo do Pato Fu sempre residiu no casal John Ulhoa e Fernanda Takai, o que poucos sabiam é que no comando do baixo da banda também residia um bom compositor. Ricardo Koctus já tinha colocado uma ou outra canção nos discos da sua banda, uma das maiores representantes do pop rock nacional dos últimos 15 anos, mas é na sua estréia solo que ele mostra todo seu potencial.
“Koctus” ganha o mundo esse ano, com produção de Gerson Barral e Carlos Eduardo Miranda e um bonito projeto visual. O músico já vinha soltando a voz desde 2007 no projeto Let´s Presley, que engloba só canções do Rei do Rock, para ir se acostumando com a nova postura. Apesar de seu desempenho vocal não ser a oitava maravilha do mundo, acaba por funcionar bem, não ensejando demérito em nenhum momento.
As canções de “Koctus” são algumas sobras de discos do Pato Fu, mas a grande maioria vem de produção mais ou menos recente. Começa com “Recado” um pop leve, que depois descamba para a jovem guarda. Em seguida “Você não Quer” traz guitarras do britpop em versos bem sacados como “eu peço para não rir de mim/você chora de gargalhar” e ainda brinca com “Anyone Can Player Guitar” do Radiohead no final.
“Metade” é sobra de “Isopor” de 1999 e podia muito bem estar nele, casaria perfeitamente. “Metade” ainda fornece um belo solo de guitarra no seu andamento. “Clara” é simplesmente bela. Uma das músicas do ano. Um piano conduz o vocal com letra cotidiana: “levantar mais cedo/um belo dia/ tomar café/eu e ela”(...)“ir com ela/ver nosso time jogar/ficar rouco de gritar/ônibus lotado/Chico Buarque cantar”.
“Querida, Por Favor” traz uma melodia bonita com direito até a uns “tchu, tchu, tchu...” pelo caminho. “Amores Perdidos” mistura Roberto Carlos com Pato Fu. “Seja o Que For” é uma baladaça e emociona com os versos: “desde então venho esperando que algo aconteça/a cura para o mal desapareça/ aliviar a dor/seja o que for”. “Casa Vazia” chega ao piano e vai crescendo, bem rock inglês, resultando talvez no ponto mais baixo do trabalho.
“Quero” é dona de uma das melhores letras do disco, uma canção sobre desejo, sobre jogar tudo para cima, sobre buscar outra vida, uma nova vida. “Se Sorri Ou Se Chorei” é mais uma sobra do Pato Fu, desta vez do álbum “Ruído Rosa” de 2001, bem ao estilo de Roberto Carlos, ainda mais quando o trecho: “você não sabe/se sorri ou se chorei/e que ainda pode voltar” começa a ser cantado.
“Por Você e Ninguém Mais” é um blues leve e tranqüilo, lembrando mais uma vez o Robertão dos anos 70. “Um Dia Mais Belo” envereda um pouco para o lado da mpb e de maneira bastante calma e singela, fecha o disco. “Koctus” é bem trabalhado e produzido, com as canções em primeiro plano e revela um talentoso compositor, que ao sair do comando do baixo e assumir os violões e vocais, se torna responsável por um belo registro.
My Space: http://www.myspace.com/ricardokoctus

3 comentários:

Laura disse...

*Sabes que nunca escutarei o "Koctus" na minha vida, né? Se bem que o mais em incomoda é a tal da Takai mesmo, mas o preconceito ultrapassa limites, hihihi
*Quanto ao Noel: Adoro! O engraçado é que assisti à esse filme durante a estreia nacional dele, em SP. E tenho certeza que isso foi em 2007, no final do ano inclusive. O mais bizarro é que tenha demorado tanto assim, né? Fui até fazer uma pesquisa virtual e é mesmo de 2006 o filme, aff.
*Tu gostas de "The Dresden Dolls"? Peguei o disco mais novo hoje, de 2008, e já curti. =D
Beijão, cara de mamão

Adriano Mello Costa disse...

Ehehe...preconceito..esse "koctus" é muito bom, tente escutar "Clara". :)
Quanto ao Dresden eu ja tenho o disco. Thanks. Bjos.

Anônimo disse...

Obrigado pelos comentários!
Só vi agora em 2011...infelizmente!
Abraço,
Koctus