quinta-feira, 30 de outubro de 2008

"Life As a Sinner" - Grenade - 2008

Rodrigo Guedes parece ser o tipo de cara que não desiste nunca. Enquanto o rock brasileiro passava por maus momentos nos anos 90, ele tocava o Killing Chainsaw, banda cultuada até hoje no cenário independente. Quando a banda acabou, montou o Grenade e manteve a excelência no disco de estréia homônimo de 2004. Rodrigo Guedes é um daqueles caras que tocam seus projetos cantando em inglês e fazem bonito.
O Grenade que atualmente está se preparando para um novo disco (sem data confirmada), colocou de maneira gratuita na web esse ano, “Life As a Sinner”, o sucessor do primeiro trabalho que foi gravado em 2005 e deveria ter dado luz em 2006, mas por problemas diversos, só chega agora aos nossos ouvidos. “Life As a Sinner”, abraça de vez o rock americano de maneira geral, esquece um pouco os improvisos e enche o ar de guitarras e boas melodias.
Tudo passa para cima e envolvente, com influências do rock americano safra 80, com toques dos anos 90. Pode escolher entre faixas como “You Know”, “The Laws”, “Something Is Gonna Change Now”, “Babe You Have No Faith On Me”, “Something Between Me And You Will Break” ou “Secretly” que tudo desce redondo, redondo, sem qualquer efeito colateral.
Rodrigo e seus comparsas, Paulo Gutierrez (baixo), Vitor Gorni (bateria) e nesse disco ainda o Eric (guitarra), promovem um rock competentíssimo, sem data de validade para consumo. Longa vida ao Grenade!
Site Oficial: http://www.grenade.com.br
Blog: http://www.grenadeband.blogspot.com
Para baixar “Life As a Sinner”, disponibilizado pela banda, passe aqui.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

"Soul" - Seal - 2008

Ficar marcado para o resto da vida por causa de uma só coisa deve ser frustrante. Isso no mundo da música é bem pior. Vários artistas ou bandas serão sempre lembrados apenas por uma música, limitando suas carreiras a isso. Algumas vezes isso pode ser justo, mas em outras é completamente injusto. O cantor inglês Seal, cabe muito bem nesse segundo grupo.
Muitos lembram dele apenas como o cantor dos sucessos “Kiss From A Rose” e “Crazy”, como se sua carreira fosse somente isso. Desde 1991 lançando discos, o cantor sempre fez uma mistura bem azeitada de dance music com o soul. Apesar de alguns deslizes durante os anos, resultando em discos bem mais ou menos, o saldo de sua vida artística pode ser considerado bom.
Após lançar o apenas mediano “System” no ano passado, o cantor volta em 2008, com o álbum “Soul”, em que revisita onze grandes canções do genêro, passando por nomes como Sam Cooke, James Brown, Otis Redding e Al Green. Sobre o trabalho o músico falou: “esse é um disco atemporal e que agrega muito do que sempre ouvi. Era inevitável gravar algo disso”.
Em “Soul”, Seal dá um verdadeiro show, canta com paixão um repertório muito bem escolhido variando entre estandartes e canções menos conhecidas, destilando todo o seu talento vocal. O libelo sessentista “A Change Is Gonna Come” de Sam Cooke abre os trabalhos em arranjos inspirados, para ser seguido por uma bela sequência de canções que merecem ser escutadas diariamente.
Destaques maiores para as versões de “I've Been Loving You Too Long” de Otis Reding, a ensolarada “It´s Alright” dos Impressions, a balada “If You Don't Know Me By Now” (já gravada pelo Simply Red) do Harold Melvin and the Blue Notes, aqui em versão inspiradíssima e uma bonita e emocionante releitura do clássico “Stand By Me” de Ben E. King, imortalizada por John Lennon.
Vale bem a pena.
Site Oficial: http://www.seal.com

domingo, 26 de outubro de 2008

"Bella" - 2006

O que fazer quando sua vida desanda? Seja por um pequeno detalhe, um capricho do destino ou por culpa de decisões que você tenha tomado. O que fazer para seguir em frente? Como consertar um pedaço de tudo? Essas perguntas são apresentadas durante a vida em menores ou maiores escalas, dentro de pequenos frascos ou em embalagens de 2 litros, mas sempre se fazem presentes e como respondemos a elas, podem definir uma parte do futuro.
Em “Bella”, filme do diretor Alejandro Gomez Monteverde, essas perguntas se fazem presentes a todo momento. Originalmente produzido em 2006, somente este ano desembarcou no país, sina de grande parte dos filmes independentes produzidos mundo afora. “Bella” carrega em seus personagens o sentimento de perda, de incapacidade de reagir e de tristeza, que precisam ser suprimidos em busca de redenção ou de uma nova vida.
No longa, somos apresentados a José (Eduardo Verástegui) um jogador de futebol que acaba de acertar sua transferência para um grande clube da europa, quando um acidente muda toda sua vida. Nina (Tammy Blanchard) é uma garçonete que já não tem uma vida muito fácil e vê tudo girar quando descobre que está grávida e acaba de perder seu emprego no restaurante em que José, agora longe do futebol, é o chef da cozinha.
Em meio a isso, Nina se vê amparada por José e pela primeira vez parece ter algum conforto. José por sua vez encontra em Nina uma maneira de erradicar todos os pequenos conflitos e culpas que carrega em si. Com uma direção bem competente, trazendo a cidade de Nova York em alguns momentos como coadjuvante e com um bom trabalho dos atores, principalmente da dupla principal, “Bella” consegue com simplicidade ser um ótimo filme.
“Bella” é um filme que versa sobre a vida, sobre família, sobre seguir em frente, ultrapassar obstáculos, espantar nossos demônios e culpas e achar novos caminhos. Um filme que não vende ilusões (apesar de elas estarem presentes) e centra seu foco na força dos seres humanos em não pararem, mesmo que estejam um pouco feridos e mal tratados. Um filme assim faz muito bem de vez em quando.
Site Oficial: http://www.bellamoviesite.com

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

"Última Parada 174" - 2008

A história do carioca Sandro Nascimento e o seu sequestro ao ônibus da linha 174 em 12 de junho de 2000, já rendeu um ótimo filme, o documentário “Ônibus 174” do diretor José Padilha, feito em 2002. Ao ver esse documentário, o calejado diretor brasileiro Bruno Barreto, decidiu trabalhar a história de Sandro desde a sua infância até o fátidico dia, com a ajuda do sempre competente Bráulio Mantovani no roteiro.
A história nas mãos de Barreto e Mantovani ganha fortes tons ficcionais, sem perder no entanto a base verídica que dá força ao enredo. Em “Última Parada 174”, somos (re)apresentados a Sandro Nascimento (Michel de Souza) desde a sua infância e o assassinato da sua mãe, ainda quando criança. A partir disso o órfão passa a viver na rua, sobrevive ao massacre da Candelária em 23 de julho de 1993, até morrer no dia do desastrado sequestro do ônibus.
Bruno Barreto explora em seu mais novo filme, a temática que se faz tão presente, principalmente desde “Cidade de Deus”, narrar histórias de um cotidiano que a grande maioria dos brasileiros fecha os olhos. Um cotidiano repleto de violência, drogas, falta de opções, mortes e de poucas histórias bonitas para contar. Um cotidiano que agride aqueles que não estão lá ou aqueles que preferem não saber.
“Última Parada 174” não é um excelente filme, mas é bem costurado e apresentado, trazendo uma história dificil de não se envolver. Com um trabalho bem entrosado entre direção, roteiro e elenco, carrega uma trama forte e tenta não tomar partido (apesar de não conseguir) no seu desenrolar. O longa foi escolhido para representar o Brasil no Oscar 2009.
No entanto, apesar de ser um filme bom, “Ônibus 174” do José Padilha ainda funciona melhor para contar a história de Sandro Nascimento e a refém que faleceu em 12 de junho de 2000, dentro de um ônibus no Rio de Janeiro.
Site do filme: http://www.ultimaparada174.com.br

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

"Pareço Virtual" (EP) - Cerébro Eletrônico - 2008

Salve, salve...
Mais Cérebro Eletrônico por aqui. A Phonobase (através do Juliano Polimeno) empresa que lançou o disco “Pareço Moderno”, está disponibilizando na faixa uma versão bacanuda do disco como se fosse um EP, com direito a encarte e tudo.
São oito faixas, contendo a música que dá nome ao disco, mais “Dê”, “Mar Morro” e “Sérgio Sampaio Volta”, além de uma versão ao vivo para “Os Astronautas” e três remixes, com destaque para inserção de “Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua” do Sérgio Sampaio ao final do remix de “Pareço Moderno”.
Iniciativa bem bacana, que leva o ouvinte a conhecer, gostar e posteriormente adquirir o disco completo nas mídias disponiveis.
Para baixar o EP “Pareço Virtual”, siga o link.
Para pegar um release bem legal sobre o EP, passe aqui.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

"Pareço Moderno" - Cerébro Eletrônico - 2008

Quando em meados de 2004, o Cerébro Eletrônico estreava com o disco “Onda Híbrida Dissonante”, não causou tanto furor. O disco era bom, recheado de boas idéias, mas nada muito demais. Esse ano o combo paulistano volta com a continuação da estréia, deixando mais de lado as eletronices e abraçando outros sonoridades, com uma maior adição de pop na mistura.
“Pareço Moderno” é um dos melhores trabalhos de 2008. Tatá Aeroplano (voz e barulhos), Isidoro Cobra (baixo), Fernando Maranho (guitarra), Dudu Tsuda (teclado) e Gustavo Souza (bateria) escancaram influências que passam por música brega, Mutantes, Tropicália, pop, Roberto Carlos, Raul Seixas e Sérgio Sampaio, fazendo tudo converter em uma sonoridade que apesar de “parecer moderna”, aponta totalmente para o passado.
A banda que possui diversos outros projetos paralelos como o Jumbo Elektro, Dona Zica e Junio Barreto, só para ficar em alguns, explora nas suas canções temas satíricos, bem humorados e pretensas canções de amor. “Pareço Moderno”, traz uma enormidade de participações que o engradecem, como André Abujamra, Helena Rosenthal (que faz o vocal em “Portal Dos Sonhos”), Tulipa Ruiz (vocal em “Mar Morro”), Marcelo Monteiro, Moisés Santana e Gustavo Ruiz entre outros.
A abertura com a canção que dá o nome ao disco é deliciosa, te envolvendo e fazendo cantar junto sem pensar porquê, frases como: “caio na balada, admito/alimento meu espírito/com litros de café/e saio para dançar”. A releitura da balada sexy “Dê” do primeiro trabalho ficou muito melhor sem as batidas. “Talentoso” de Júpiter Maçã ganha contornos bem bacanas. A oitentista “Me Atirar Na Orgia” é satisfação só.
“Pareço Moderno” está disponivel em quatro formatos: disco físico, MP3, cartão para download e até em box especial., apontando um caminho para o Cerébro Eletrônico seguir, que carrega grande esperança. Com a magia do pop e da boa música na mão, o grupo comanda a festa enquanto lembramos de um trecho da famosa música de Gilberto Gil, “o cérebro eletrônico comanda, manda e desmanda”. Assim parece ser. Seja bem vindo.
Site Oficial:
http://www.cerebrais.com.br
My Space:
http://www.myspace.com/cerebroeletronico

domingo, 19 de outubro de 2008

“By-The-Numbers” - The Postmarks - 2008

Era fevereiro do ano passado e as seguintes frases foram tecidas por aqui sobre a banda de Miami, The Postmarks: “o som por vezes lembra Belle and Sebastian, em outras vezes remete as melodias do The Carpenters, com orquestrações diversas...”. Passado um ano e pouco a banda divulga seu segundo trabalho e caminha cada vez mais para o lado “Carpenters”, de maneira suave e terna.
“By-The-Numbers” contêm 12 faixas de outros artistas, revisitadas dentro do clima da banda e com a voz doce de Tim Yehezkely comandando o barco. Temos canções do Coldplay, Ride, Ramones, Blondie, David Bowie, The Cure, Bob Marley, The Jesus And Mary Chain, The Byrds e até Antonio Carlos Jobim, isso mesmo, “Samba de Uma Nota Só”, marca presença como “One Note Samba” e abre o trabalho.
Para endossar o album e sua concepção (temas com nomes contendo números respectivos a sua distribuição), o primeiro passo é desencanar e não querer ficar comparando com as versões originais. Até porque a maior parte das músicas passam longe de soarem como as suas matrizes. Aqui elas são destiladas em temas suaves e doces, carregados de um climão das baladas dos anos 70 e enxertadas de uma determinada dose de melancolia.
Se sobressaem no trabalho as versões mais rápidas para “7-11” do Ramones, “11:59” do Blondie e principalmente “0X4” dos ingleses do Ride. “Five Years” do David Bowie e a psicodélica “Eight Miles High” do Byrds também caem bem, no entanto o melhor momento fica por conta da releitura de “Nine Million Rainy Days” do Jesus And Mary Chain, constante no clássico “Darklands” de 1987.
Disco plenamente indicado para momentos de relaxamento e noites tranquilas.
Site Oficial: http://www.thepostmarks.com
My Space: http://www.myspace.com/thepostmarks
Sobre o disco anterior, passe aqui.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

“Captain Fantastic And The Brown Dirt Cowboy” - Elton John - 1975

Semana passada coloquei um monte de discos antigos dentro do celular. Discos que tiveram um determinado impacto em um período na minha vida e que precisavam ser escutados novamente. Entre os clássicos dispostos, está “Captain Fantastic And The Brown Dirt Cowboy”, disco de 1975 de Elton John, que aqui na opinião aqui da casa é o melhor trabalho do músico até hoje. Um discaço.
O disco em questão era o nono da carreira do músico e saiu logo após “Goodbye Yellow Brick Road”, outro belo disco de 1973 que é considerado por muitos como o seu melhor trabalho. Ainda prefiro o disco posterior de 1975. Em “Captain Fantastic And The Brown Dirt Cowboy”, Elton John ainda estava distante da grande maioria dos excessos que caracetrizaram sua carreira e afetaram sua música, principalmente a partir dos anos 80.
Em 1975 as canções ainda eram o foco principal. Com uma banda contendo grandes músicos como Dee Murray (baixo), Davey Johnstone (guitarra), Nigel Olsson (bateria), David Henstschel (sintetizadores) e Ray Cooper (percussão), Elton John criava melodias fortes e poderosas em cima do seu piano que eram direcionadas em arranjos que flertavam com o rock, pop, blues e o folk, apontando já um namoro tímido com o progressivo.
Essa camada sonora era a base em que saiam as letras do sempre parceiro Bernie Taupin, em um disco autobiográfico que narrava todos os apuros e loucuras do começo da carreira dos dois. Canções como a faixa título, “Bitter Fingers”, “Someone Saved My Life Tonight” (clássica), “Better Off Dead” e “Curtains”, dificilmente passam imunes. Arranjos que marcaram toda uma “sonoridade setentista” que seria revisitada regularmente no futuro.
“Captain Fantastic And The Brown Dirt Cowboy” chegou ao primeiro lugar da Billboard e em segundo no Reino Unido. Ganhou três discos de platina nos USA. Posteriormente foi lançada uma versão que incluia os singles “Philadelphia Freedom” e “Lucy In The Sky With Diamonds” (uma versão vigorosa dos Beatles), além de “One Day At A Time”. Há alguns anos atrás John e Taupin lançaram uma seqüencia para a obra que apesar de ser razoavelmente boa, não chega perto da original.
Para aqueles que sempre direcionam (até de certa maneira corretamente) Elton John para uma vida de glamour, loucura, lantejoulas e música para princesas, “Captain Fantastic And The Brown Dirt Cowboy” é uma excelente maneira de conhecer uma obra riquíssima, com canções fantásticas e poderosas. Um outro lado da celebridade que foi ficando para trás no tempo, mas que sempre que é revisitada ainda consegue emocionar bastante.
Site Oficial: http://www.eltonjohn.com

terça-feira, 14 de outubro de 2008

"Harmonia" - Lô Borges - 2008

O mineiro Lô Borges influenciou um bocado de gente no decorrer dos anos. Seja no clube da esquina com Milton Nascimento e outros ou na carreira solo que rendeu alguns discos memoráveis. Suas canções marcaram gerações e cativaram um universo de fãs que apesar do músico estar sempre a margem da grande mídia, não deixa que o seu trabalho passe despercebido.
Nascido em 1952, Lô nunca foi de gravar muitos discos (são poucos ao total), mas quase nunca saiu da estrada. Dono de um senso de melodia que beira o absurdo, cravou no decorrer da carreira canções que  despertam sentimentos até hoje. Em 2008 lança mais um trabalho intitulado “Harmonia”, que para variar vem repleto de melodias bonitas, arranjos competentes e aquele clima de anos 70 no ar.
Todas as letras são de autoria do irmão Márcio Borges (que tem um livro sobre a história do clube da esquina que vale muito a pena ler) e foram chamados vários músicos extras, que sobre a regência do maestro Laudares esbanjam charme ao longo das faixas. O resto da banda conta com Giuliano Fernandes na guitarra, Barral no baixo e teclados e Robinson Matos na bateria. As letras como de costume versam sobre natureza, destino e vivência.
Já na primeira faixa “Caminho” temos os versos: “sei o caminho de cor / vi o sol renascer um milhão de manhãs”. Mais direto impossível. Nas demais Lô usa e abusa da habilidade de construir temas que flertam com o simples e o sofisticado ao mesmo tempo transmutados em baladas. Músicas como “Chegado”, “Transparente”, “Feita de Luz”, “Fronteira” e “Tudo de Novo” são ótimos exemplos disso.
Mesmo depois de todos esses anos Lô Borges continua realizando, em maior ou menor escala, sempre bons trabalhos. Sua música, assim como os sonhos, não padecem de envelhecimento. 


Boa música. Música para a alma e para o coração.
Site oficial: http://www.loborges.com
My Space: http://www.myspace.com/loborges

domingo, 12 de outubro de 2008

"A Vida É Dura – A História de Dewey Cox" - 2007

Domingão. Dia em casa para recuperar da semana e de uma pequena crise de saúde. Vou para a frente da TV e me deparo com o filme “A Vida É Dura – A História de Dewey Cox”. Mas quem diabos é Dewey Cox? A resposta: É um grande astro do rock. O artista ficitício convive em diversos momentos com artistas reais, nessa comédia que satiriza tanto o universo do rock em si, quanto dos filmes que retratam essa vida.
Sobre a direção de Jake Kasdan, o filme é uma comédia bem interessante para se ver desprentensiosamente em um domingo, mesclando momentos muitos bons com alguns totalmente ruins. Um filme que serve para divertir, mas que se fosse melhor direcionado poderia agradar mais. Recebeu indicações ao Globo de Ouro de Melhor Ator Comédia/Musical e Melhor Canção Original.
No filme, somos logo apresentados ao pequeno Dewey (interpretado em seguida por John C. Reilly), no interior dos USA que após um incidente familiar, passa a sofrer rejeição por parte da família e sai de casa para seguir seu caminho. Caminho que acha em uma boate ao som do bom e velho rock n´roll dos anos 50. Logo em seguida assina o contrato com alguns judeus (ótima tirada, já que eles dominaram a música americana nessa epóca) e vê suas canções alcançarem seguidamente o número 1 das paradas.
A partir desse ponto são emendadas referências de vários artistas como Jim Morrison, Elvis Presley, Brian Wilson, Ray Charles, Eric Clapton e Johnny Cash promovendo todos os altos e baixos de uma carreira, tanto pela produção musical e mudança de costumes quanto pelo envolvimento com drogas, bebidas e mulheres. Na maioria das vezes que esses chavões são explorados, dá para se tirar boas risadas.
A trilha sonora criada especialmente para o trabalho, apesar de não ser bilhante convence bem em algumas faixas como em “Walk Hard”. Outro ponto interessante são as participações especiais que passam por Jack White (Elvis Presley), Jack Black (Paul McCartney), Paul Rudd (John Lennon) e no final, Eddie Vedder apresentando uma cerimônia qualquer de reconhecimento a obra.
Apesar de alguns momentos de mau gosto e outros meio chatos, “A Vida É Dura – A História de Dewey Cox” diverte bem e pode tranquilamente passar na sua tv sem maiores compromissos.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

"High Five" - The Primary 5 - 2008

No começo desse ano enquanto fechava minha listinha com os melhores de 2007, o projeto do Paul Quinn, chamado The Primary 5 saiu do Top 5 no finalzinho, mas ficou em sexto com “Go”. O projeto do ex-Teenage Fanclub e ex-Soup Daragons, lançava seu segundo disco, recheado de ótimas influências e com canções para grudar na mente e sair cantando sem aviso pelas esquinas da cidade.
Para minha grata surpresa, eles retornam já em 2008 com um novo álbum. “High Five” é o nome e o Paul Quinn deu uma repaginada chamando novos músicos para o time e deixando apenas o Mikey McKerral da formaçãoo do disco anterior. Na sonoridade o powerpop permanece intacto, mas abre muito mais espaço para os violões, que brilham intensamente como suporte das belas melodias e vocais.
“I Wonder Why” abre o disco (o primeiro single) vem totalmente anos 60, com palmas e efeitos de guitarra. “High Five” é mais calma, com ótimos backing vocals mostrando toques de Byrds ou até mesmo Beach Boys nas harmonias vocais. “So Much To Kind” mais ritmada, volta novamentes aos 60, com bateria dando aquela tradicional paradinha. “Same Old Story” poderia ser algo do Buffalo Springfield ou do próprio Neil Young.
Depois chega “Breathe”, uma baladinha que lembra o Teenage Fanclub. “Lost And Confused” recupera as guitarras e tem aquele climaço pop, saborosa, totalmente powerpop. “Rewind” tem um riff de guitarra pouco usual para Quinn em uma canção que remete ao rock alternativo americano do início dos anos 90. “Fly Baby Fly” tem um quê de Beatles do começo da carreira. Outra pequena joía para grudar na mente por tempo indefinido.
Para fechar chega “Stills”, outra baladinha à la Teeange Fanclub e “Trains” com voz e violão em primeiro plano, como uma canção de Bert Jansch ou Leonard Cohen, que no seu final quase se tranforma em gospel quando os backing vocals tomam conta dela. Em pouco mais de 32 minutos, Paul Quinn e o seu Primary 5, conseguem novamente fazer um belo disco para se escutar em qualquer momento, qualquer hora, qualquer dia e para chegar novamente na lista de melhores ao final do ano.
Sobre “Go”, passe aqui.
My Space: http://www.myspace.com/theprimary5

terça-feira, 7 de outubro de 2008

"Antes da Queda" - Banzé! - 2008

Quando os paulistanos do Banzé! surgiram em meados de 2005 com sua estréia em “De Pernas Pro Ar”, já deixaram uma boa impressão com canções como “Doce Ilusão” e “Eu Sou Melhor Que Você”. Em 2008, o agora trio formado por Thadeu Meneghini (vocal e guitarra), Willy Catorze (baixo) e Loco Sosa (bateria), volta com mudanças tanto na sonoridade quanto nos integrantes do grupo.
Se no primeiro álbum faltava um pouco de coesão, esta chega em “Antes da Queda”, título com certa dose de ironia que conforme a banda, foi inspirado em discos do Fellini como “O Adeus de Fellini” e o “Fellini Só Vive Duas Vezes”. Ficam mais para trás as influências de IRA! (este até na grafia do nome), The Jam e The Who e chegam influências de um rock mais cru, mais anos 70, assim como de outras bandas brazucas dos 80.
A temática das letras é completamente inspirada no caos urbano das cidades grandes, versando sobre violência, sexo, desilusão e a sociedade em que estamos envolvidos. Um dos pontos fortes do disco. Na primeira faixa, que carrega o nome do trabalho, temos as frases “permita que eu me safe com a minha hipocrisia/que eu não sucumba à tirania da minha tristeza/que eu não me curve à ditadura da sua alegria/que eu não me renda às armadilhas das falsas certezas”.
Mais bons momentos em “Um Homem Sem Qualidades” e “Tragam-me a Cabeça de Lester Bangs”, que traz os versos “esqueça os sonhos e tudo mais/corra e não olhe pra trás/roube tudo o que for capaz/corra e não olhe pra trás”, com participação da lenda viva Wayne Kramer do MC5 na guitarra. “Boca de Lixo”, “Hirsuto” e “Terminal” também merecem um destaque um pouco maior.
Para fechar temos uma parceria de Arnaldo Antunes e Paulo Miklos, que ficou de fora do clássico dos Titãs, “Cabeça Dinossauro”. “Vai Pra Rua” é uma clássico rock sobre a apatia e atitude, com seus versos: “vai pra rua!/vai fazer algum negócio/resolver algum problema/(...)mas você vai fazer o quê?”. O Banzé! dá uma grande caminhada na sua carreira com “Antes da Queda”, um bom disco, para ser tocado em volume elevado e sem maiores pretensões.
Baixe o disco diretamente do site da banda em: http://www.banzerock.com
My Space: http://www.myspace.com/banze

domingo, 5 de outubro de 2008

"Skin Deep" - Buddy Guy - 2008

Em meados de 1994 eu já era um adolescente apaixonado por música, que tinha como favoritos no som, college rock, anos 60, punk rock, rock brazuca e claro, o grunge. De soul, jazz e blues ainda conhecia pouquíssima coisa. Só alguns ícones como Miles Davis, Marvin Gaye e Eric Clapton passavam vez ou outra pelo meu pequeno “aparelho de tocar cd”. Acho que foi nessa epóca que fui apresentado para um disco chamado “Feels Like Rain”, lançado em 1993 por um cara de nome Buddy Guy.
A partir do contato com esse disco em especial, alarguei meus horizontes musicais para incluir o blues entre eles. “Feels Like Rain” não mudou minha vida, nada disso. No entanto, abriu uma atenção maior para um ritmo que hoje, 14 anos depois daquele contato, é muito mais apreciado aqui na casa. Culpa de Buddy Guy, nascido em 30 de julho de 1936 em Lettsworth, Louisiana, USA.
Influenciado por nomes como Howlin´Wolf e Muddy Waters, Buddy Guy criou uma obra extensa com vários clássicos como “Man And His Blues” de 1968, “Buddy Guy and Junior Wells Play the Blues” de 1972, o já citado disco de 1993 e “Sweet Tea” de 2001, só para ficar em alguns. Sua música serviu de base para artistas do porte de Led Zeppelin, Rolling Stones, Eric Clapton e Jeff Beck.
Em 2008, o velho bluesman solta mais um petardo sonoro aos 72 anos. “Skin Deep” é tecnicamente uma senhora aula de música e devoção. Guitarras ritmando e solando para todo lado, cozinha competentíssima, vocal dançando em cima da melodia enquanto os metais sangram abertamente. Quando “Skin Deep” acabou de passar no player do computador, tirei o fone para dar uma respirada.
Tem alguma coisa nova? Claro que não. Esse é o maior destaque. O blues de chicago encontra novamente um de seus mestres que junto com participações de Derek Trucks, Robert Randolph, Susan Tedeschi e Eric Clapton (este em um dueto infernal nos mais de 7 minutos de “Everytime I Sing The Blues”) faz um álbum com 12 canções para ouvir bem alto e envergando alguma bebida.
Um discaço de blues com destaque para todas as faixas. Salve Buddy!!
Site oficial: http://www.buddyguy.net

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

"The Lilac Time" - Pelle Carlberg

Sabe aquela semana corrida que não dá para fazer absolutamente nada? Aqueles dias que quando parecem que vão começar, já terminaram? Pois é, a coisa anda mais ou menos assim por aqui. Não deu nem para trocar os discos do celular (velho e fiel amigo), então esses dias foram encharcados com o ótimo indie pop do sueco Pelle Carlberg que chega com seu disco novo na praça.
Ano passado o sueco já tinha proporcionado bons momentos com o disco “In A Nutshell”. Em 2008, com o lançamento de “The Lilac Time”(com uma capa para lá de horrível, diga-se de passagem), esses bons momentos além de continuar, são melhorados. O seu indie pop está cada vez mais parecido com o do Belle And Sebastian ao mesmo tempo em que são reforçadas os ecos dos anos 60 e 70.
Pelle nas guitarras e violões, conta com os amigos Jonathan Hummelman na bateria, Martin Nordvall no baixo e Henrik Nilsson no piano para criar canções para cima e assobiáveis. Pop por excelência. Pode escolher a dobradinha “1983” e “Nicknames” (esta um dueto com Karolina Komstedt do Club 8) que abre o trabalho ou “Animal Lovers” (que letra é essa?) e “Metal To Metal”.
E ainda tem a perfeitíssima “Fly Me To The Moon” com seus assobios e palmas para todo o lado. Impossível passar impune e não começar a cantar depois de algumas audições. E para finalizar todo o ritmo de “51,3” e a “balada” “Tired Of Being PC”. Em “The Lilac Time”, Pelle Carlberg continua produzindo canções para alegrar qualquer dia, tanto pelo seu humor específico quanto suas melodias ensolaradas. Disquinho para deixar sempre no player.
Site Oficial: http://www.pellecarlberg.se
My Space: http://www.myspace.com/pellecarlberg
Sobre o disco anterior, passe aqui.