quarta-feira, 31 de outubro de 2007

"Vanguart" - Vanguart - 2007

A banda Vanguart de Mato Grosso ostenta hoje um dos melhores shows do país. Quem já viu a apresentação dos caras com certeza gostou bastante da mistura de Bob Dylan, Beatles, Radiohead, Neil Young e o psicodelismo dos anos 60 e 70 que a banda promove. O Vanguart representa também uma das pontas de lança dessa nova geração que vem produzindo com grande qualidade país afora.
Encabeçado por Hélio Flanders (voz e violão), conta ainda com David Dafre (guitarra e voz), Reginaldo Lincoln (baixo e voz), Luiz Lazarotto (teclados) e Douglas Godoy (bateria), o Vanguart despejou no mercado seu primeiro disco, que era bastante aguardado e saiu na revista Outracoisa, utilizando o seu nome para batizá-lo.
Para quem já conhecia o trabalho da banda, lá estão “Semafóro” (a melhor canção do ano passado e uma das melhores dos anos 00) e “Cachaça” (que teve clip concorrendo ao VMB da MTV), dois pequenos clássicos, assim como outras conhecidas como “The Last Time I Saw You” e o primeiro single “Hey Yo Silver”.
Optando em dividir o repertório entre inglês e português, o som passeia por suas influências e apresenta grandes faixas como “Just To See Your Blue Eyes See”, “Miss Universe”, “Antes Que Eu Me Esqueça” e “Para Abrir Os Olhos” (uma das melhores do ano). O som da banda parece que ficou guardado em uma caixa durante algumas décadas, sendo descoberta hoje pelo Thom Yorke e ganhando uma roupagem que vangloriza o tempo em que homenageia.
“Vanguart”
foi feito para cativar fãs ao redor do país, preenchendo um estilo pouco explorado (ou pelo menos não devidamente) no pop nacional, que é o folk rock, unindo bom humor, poesia, ótimo instrumental e melodias para sair cantando por aí. Em um ano que a música nacional vem produzindo grandes momentos, a estréia dos cuiabanos é mais uma para entrar nesse rol. Com mérito.
My Space: http://www.myspace.com/vanguart
Endereço na Trama, onde dá para baixar um bocado de coisa boa: http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=7840

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

"Long Gone Since Last Summer" - Irene - 2007

Já brinquei várias vezes aqui no Coisapop definindo bandas como “aquelas para se escutar domingo de manhã”. A banda sueca Irene com seu segundo disco “Long Gone Since Last Summer” é exatamente uma destas. Música para dias ensolarados, com aquele gosto de manhã de verão no ar, trazendo boas melodias, backing vocals competentes e aqueles refrões para cantar junto.
O combo é formado por Bobby (vocal e guitarra), Bernard (guitarra), Glenn (bateria), Neil (baixo), Mack (teclados), Brent (piano e vocal), Eileen (trumpete), Nancy, Phil and Betty-Lou (backing vocals). Gente para caramba. A sonoridade tem os anos 60 como base soando às vezes como se o Abba tivesse um filho com o The Mamas And The Papas e casasse com os anos 80.
“By Your Side” apóia-se no vocal forte de Bobby e nos metais que permeiam e dão ritmo a canção. “End Of The Line” lembra Smiths encontrando Burt Bacharach em algum lugar nos anos 60. “Out Of Tune” é pop por excelência, com grande trabalho dos backing vocals. “Little Lovin´” é uma balada para se escutar do ladinho da pessoa amada enquanto o sol começa a cair.
O começo de “September Skies” leva mais ou menos uns quatro a cinco dias para sair da cabeça, enqaunto “Looking For Love” lembra um pouco o The Cure, deixando a melodia e os vocais continuarem em algum lugar da Califórnia entre 1965 e 1970. “Always On My Mind”, tem uns pianinhos a lá Belle And Sebastian que sozinhos já encantam, ainda mais quando o vocal de Nancy assume sua parte.
“Long Gone Since Last Summer” não vai encabeçar nenhuma lista ao final do ano, mas merece andar no seu mp3 player e porta cd para ser tocado vez ou outra. É pop. Pop com elegância e charme como não se escuta tão frequentemente assim. E vem da Suécia. Da terra onde a água parece induzir melodias bem feitas e assobiáveis. Experimente!
My Space da banda :http://www.myspace.com/ireneswe

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

"No Sufoco" - Chuck Palahniuk

Quando se fala do escritor americano Chuck Palahniuk obviamente o que vem à mente é “Clube da Luta”, seu primeiro livro que foi brilhantemente adaptado pelo diretor David Ficnher para o cinema com Brad Pitt e Edward Norton. O resto é história. Mas o humor negro peculiar do autor continuou produzindo boas obras como “No Sufoco” que foi lançado originalmente em 2001 e recebeu tradução pela Rocco aqui no país em 2005.
Chuck Palahniuk possui uma literatura que beira a singularidade, explorando temas do cotidiano que as pessoas em sua maioria não dão atenção, encharcando estes de sarcasmo, violência, escatologia e tragédias que trazem consigo seu humor próprio. O autor que entre outras coisas foi cantor de rap e lutador amador, teve a vida permeada pela morte desde quando seu pai foi assassinado junto com a namorada e traz todas essas situações para a sua forma ácida de escrever.
Não espere na sua literatura personagens bonitinhos e meigos, que você possa enquadrar facilmente como bom ou mau, preto ou branco. Assim é o Victor Mancini, personagem principal do livro aqui em questão, uma espécie de anti herói (mas um anti herói que é ridículo e fácil de ser odiado) que trabalha e comete golpes para manter sua mãe viva (apesar de não saber se quer isso) enquanto tenta curar seu vicio em sexo, se viciando ainda mais.
“No Sufoco” tem uma literatura que descarta grande parte dos moldes comuns, montando um cenário onde o filho tenta salvar a mãe que sempre fudeu com a vida o filho, pois é louca de pedra, enquanto ele dá golpes em restaurantes, trabalha em uma aldeia colonial para turistas com um monte de viciados e visita grupos de sexolátras em busca de recuperação procurando (e encontrando) sexo fácil.
Em alguns momentos as cenas montadas por Chuck Palahniuk até que enjoam um pouco, se repetindo, mas sempre retomam ao seu ritmo perverso, corrosivo e destrutivo. “No Sufoco” é uma grande chance de conhecer um trabalho de um autor que esbanja criatividade e explora temas não comuns de maneira brilhante. Corra atrás.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

"1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer" - Robert Dimery


Ontem na hora do almoço passando por uma livraria percebi um volume intitulado “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”. Nome bem bacana para um livro, apesar da saraivada de títulos que trazem agora essa descrição como complemento. São diversas 100, 1000 coisas para fazer que te levam a imaginar uma vida realmente inútil. Mas esse em questão vale a pena ser adquirido.
De uma forma avassaladora o livro cobre todo o período dos anos 50 até hoje em dia, principalmente do rock e do pop, mas passando também por diversos estilos. Recheado de fotos bacanas e informações sobre as gravações e sobre os álbuns resenhados o projeto encabeçado pelo editor geral Robert Dimery, que entre outras revistas escreve para a Time Out e Vogue é uma quase enciclopédia musical que reuniou mais de 90 jornalistas nas resenhas.
Todas as listas são duvidosas e essa também não é diferente, não concordei com uns 25% do livro e há muitas obras primas não relacionadas como por exemplo o “Out Of Time” do R.E.M, um clássico absoluto. Tem excessos também como praticamente todos os discos do Radiohead na lista (só não entrou o “Pablo Honey”) ou artistas como Britney Spears e Mariah Carey.
Mas desconsidere isso. Na sua grande maioria temos um grande apanhado da música nos últimos anos. De Elvis a Arcade Fire. Joan Baez a Teenage Fanclub. Bob Dylan a Massive Attack. U2 a Flaming Lips. Centenas de obras fundamentais que com certeza você já ouviu e dá uma imensa vontade de escutar tudo de novo ao mesmo tempo, além de outros artistas mais obscuros que você se interessa e vai atrás.
A música nacional está bem representada, mas insiste na história dos gringos em se aterem somente a uma parte da nossa produção. Mas entre outros estão lá, Tom Jobim, Mutantes, Chico Buarque, Caetano Veloso e Jorge Ben. Tem até Carlinhos Brown (mas esse pode morrer sem ouvir tranquilamente). Mas faltam nomes como Chico Science e Mundo Livre S/A só para citar alguns. Mas tudo bem, também é perdoável.
Nesse mosaico de informação, imagem e música aquilo que não concordamos não é relevante. “1001 Discos...” é para ficar perto do computador de casa, ou da cama, para de vez em quando ser saboreado e indicar algo para se ouvir em momentos de menor criatividade. É uma referência para quando a memória falhar e não lembrarmos mais de algumas datas, canções ou nomes. É fundamental, apesar de não ser perfeito.
Corra atrás do seu. O meu já está devidamente alojado ao meu lado.
Obs: A quem interessar possa fiz uma contagem sobre os tais 1001 discos, nessa conta ouvi 361 dos álbuns resenhados, tenho 235 em cd e 298 contando com arquivos digitais. Nada mal, né? Faça a sua tambem!

domingo, 21 de outubro de 2007

"Tropa de Elite" - 2007

No último mês anda meio difícil conversar ou passar pelos veículos de informação sem topar com o assunto “Tropa de Elite”, o filme que desencadeia ponderações por todo o país, algumas fervorosas, outras conscientes e algumas ridículas. A tempo, toda essa exposição é merecida. E muito merecida.
O filme do diretor José Padilha, estrelado por Wagner Moura, coloca o dedo em uma grande ferida que é a relação entre o tráfico de drogas e a policia do Rio de Janeiro, usando para tanto o olhar e a visão do Capitão Nascimento (personagem brilhantemente interpretado por Moura). O diretor de “Ônibus 174” é responsável por um grande filme que além da qualidade vem carregado pelo marketing da pirataria, o que levanta questões não diretamente vinculadas a ele.
O filme chegou aos camelôs de todo o país e foi assistido por milhões de brasileiros, no recanto de suas casas em versões piratas. Claro que também fui um destes, mas fui ao cinema conferir também. Na pratica é quase tudo igual, há poucas mudanças de roteiro, mas o longa funciona muito, mas muito melhor na grande tela. Em um filme onde tudo é tão ancorado de realidade e essa mesma realidade é tão agravada, o poder do som e da imagem prevalecem no cinema.
“Tropa de Elite” retrata o grupo de operações especiais fluminense, o BOPE no período de 1997, um mini exército treinado para combater o tráfico nas favelas do estado. Não tomando partido na maioria do discurso do filme, escancara-se a fina linha dessa relação ancorada na corrupção da policia e na gestão do tráfico nas favelas, tendo como cúmplice os financiadores de toda essa historia, os consumidores.
Como cinema “Tropa de Elite” é sensacional. Como fator de discussão, é mais sensacional ainda. Um filme que pode ser entendido e analisado por vários ângulos, e todos estes bem interessantes. Com certeza, você já deve ter assistido caro leitor, mas se isso não ocorreu saia de casa e rume ao cinema mais próximo, mesmo que a versão pirata já tenha passado pelo seu DVD.
Site oficial: http://www.tropadeeliteofilme.com.br

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

"Magic" - Bruce Springsteen - 2007


O que falar de Bruce Frederick Joseph Springsteen? O maior roqueiro dos EUA (provavelmente) tem uma pá de discos clássicos na carreira e apesar de algumas escorregadas desde “The Rising” de 2002 vem colocando ótimos discos no mercado. Falar da carreira desde músico realmente seria complicado, então vamos direto ao que interessa que é o seu novo álbum “Magic”.
“Radio Nowhere” é a responsável por abrir os trabalhos, como diria um amigo meu. Guitarras soando sujas mas bem tocadas, rockão pra cima com a marca de Springsteen. Pode aumentar o volume. Depois vem a dobradinha “You´´II Be Comin´ Down” e o quase blues de “Livin´ In The Future” (tente não sair cantando depois “...don´t worry darling...”). Uma pequena e saborosa aula de rock n´roll.
“Magic” passa também pela balada cheia de orquestrações de “Your Own Worst Enemy”, pelo folk rock carregado de nostalgia (e de gaita) de “Gipsy Biker”, pelos violões (e belos violões) dando tons épicos à “Girls In Their Summer Clothes)” e pelos teclados e vocal quase declamado de Bruce na bela “I´ll Work For Your Love”.
Depois tem a faixa titulo mais quebrada e soturna do que o resto do disco, volta a todo vapor para as guitarras em “Last To Die”, emerge na semi - balada de “Long Walk Home”, uma canção daquelas de retorno para casa, pronta para ser tocada no player do carro ou no mp3 dentro de um ônibus por aí.
Para fechar a conta tem a critica tem “Devil´s Arcade”, versando sobre a guerra em mais de 5 minutos e o piano que abre “Terry´s Song” em homenagem a um amigo falecido. Com o apoio dos velhos comparsas de sempre da E Street Band, Bruce expõe mais um belo trabalho que se não chega a ser excelente é muito bom.
Disco para os amantes da boa música. E do bom e velho rock n´roll.
Site oficial: http://www.brucespringsteen.net
Download de “Magic”.
Senha:
coisapop

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

"Simulacro" - China - 2007

O pernambucano China já está há algum tempo realizando um trabalho interessante de se ouvir. Desde os tempos de Skeik Tosado, no álbum “Som de Caráter Urbano e De Salão” de 1999, passando pelo bom EP “Um Só” de 2003, na qual se destaca a versão (que até hoje toca por aqui) de “Samba e Amor” do mestre Chico Buarque.

2007 é a vez do cantor desembarcar com seu primeiro disco de verdade, intitulado “Simulacro” e disponibilizado gratuitamente para donwload no site do Mp3 Magazine. China consegue melhorar mais ainda as ideias que já havia disposto anteriormente, ainda mantendo suas influências no som da cena de Recife, principalmente de Fred 04 e seu Mundo Livre S/A.

Com uma banda formada por Hugo Gila no baixo, André Édipo na guitarra, Yuri Queiroga no teclado e guitarra, fechando com Pernilonga na bateria, China consegue desenvolver sua mistura de maneira azeitada e com ares de pop. O músico ainda convidou vários amigos para participar do trabalho como o Rica Amabis, Pupillo (Nação Zumbi), Chiquinho, Marcelo Machado e Felipe S. (Mombojó).

Canções como “Um dia Lindo de Morrer”, “Colocando Sal nas Feridas”, “Durmo Acordado” (a melhor faixa) e “Canção Que Não Morre No Ar”, são plenamente indicadas para serem consumidas enquanto se toma aquela cervejinha, com um vento no rosto e batendo um papo bacana sobre as coisas da vida.

Bom disco de um músico que só faz evoluir e que nos leva a crer que coisas melhores ainda estão por vir. Por enquanto, curta sem medo e saboreie esse “Simulacro”.

Baixe o EP de graça direto do site da MP3 Magazine, aqui:
http://mp3magazine.com.br/download.jsp?idDisco=142

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

"Noites de Gala, Samba Na Rua" - Mônica Salmaso - 2007

O interprete sempre está sujeito ao inferno quando canta as musicas de um gênio, se faz algo que não corresponda, sua passagem está a caminho para o andar de baixo. Mexer em uma obra como a de Chico Buarque, além de carecer de coragem, precisa de muita, mas muita competência para fazer algo que valha a pena. A paulista Mônica Salmaso tem as duas coisas, principalmente a segunda.

Mônica que em 2004 já havia encenado um projeto com as músicas do cantor, já havia cantado com Chico no cd “Carioca” de 2006, lança este ano pelo selo Biscoito Fino, o disco “Noites de Gala, Samba Na Rua”. Projeto que desenvolve junto com o grupo Pau Brasil, que é um dos maiores méritos do álbum, criando uma atmosfera que ao mesmo tempo que exalta a obra, admite um clima novo de cool jazz.

Quem já conhece o trabalho da cantora de discos como “Trampolim” de 1998 ou “Iaiá” de 2004, sabe do seu talento. Junte a isso o timaço do Pau Brasil, composto por Nelson Ayres no piano, Paulo Bellinati (que já havia trabalhado com ela em “Afro Sambas” de 1996) no violão e cavaquinho, Teco Cardoso no Sax e Flautas (responsável por um trabalho primoroso), Rodolfo Stroeter no baixo e Ricardo Mosca na bateria e percussão e temos um grande resultado.

Mônica explora clássicos do cantor como “A Volta do Malandro”, “Construção”, “Quem Te Viu, Quem Te Vê” e “Partido Alto”, trabalha canções nem tão conhecidas mas mesmo assim brilhantes como “O Velho Francisco”, “Suburbano Coração” e “Basta Um Dia”, encerrando o disco com um show de interpretação em “Bom Tempo” e “Beatriz”. Trabalho com qualidade de quem conhece muito bem o que tem em mãos.

“Noites de Gala, Samba Na Rua” não é nenhum disco excepcional ou revolucionário e sinceramente não precisa disso. É “apenas” um belo disco, riquíssimo instrumentalmente, com um cantora acima da média comandando canções de um gênio como Chico Buarque. Já basta né?
Ah...a passagem da Mônica já está devidamente confirmada para o céu... :)

Site oficial:
http://www.monicasalmaso.mus.br

Link do blog “Um Que Tenha” com a discografia completa: Aqui!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

"Tapete Vermelho" - 2006

O comediante Mazzaropi (1912-1981) foi uma espécie de Carlitos brasileiro. Entre as décadas de 50 e 70 estrelou diversos filmes, ostentando a figura do caipira em comédias como “Jeca tatu” de 1959 (que todo bom cinéfilo deve ter em casa) e “Tristeza do Jeca” de 1961. Meu pai era um dos fãs de Mazzaropi e vez ou outra contava algum filme, ou se alegrava quando algo dele passava no Canal Brasil.

“Tapete Vermelho” filme do ano passado dirigido por Luiz Alberto Pereira e estrelado pelo Matheus Nachtergaele é uma homenagem a Mazzaropi, uma homenagem comovente e bem realizada. No filme, Matheus vive Quinzinho, um trabalhador da roça que encasqueta em levar seu filho Neco (Vinicius Miranda) para a cidade para que assista um filme do dito comediante como seu pai fez com ele quando criança.

Quinzinho conta com todos os medos de sua esposa Zulmira (Gorete Milagres) nessa empreitada, além de um relevante problema, que é o de não existir nenhum cinema nas proximidades. A partir disso o longa se transforma em uma espécie de road movie, com a busca de cidade a cidade em busca do seu desejo. Uma aventura que trará a família de Quinzinho dissabores e algumas descobertas.

Com um trabalho estupendo de Matheus Nachtergaele, que incorpora o personagem ao qual rende suas homenagens e de Gorete Milagres, plenamente ressuscitada (lembram dela? É aquela do bordão “Ó coitado!”), “Tapete Vermelho” é diversão para a toda a família e um belo retrato de um país que às vezes tende a esquecer de parte de seus personagens.

Conta ainda com a participação especial de Paulo Gracindo, Ailton Graça, Paulo Betti, Cacá Rosset e Jackson Antunes. O único senão fica por conta da tentativa de critica social que além de deslocada quebra a forma com que as questões são colocadas, leves e subliminares. No entanto, mesmo com esse pequeno defeito o filme ainda é cativante do inicio ao fim.

Quando o filme acabou, sinceramente fiquei emocionado por um tempo, misturado não só pela história do jeca do Quinzinho em busca de sonhos tão pequenos (assim achamos), como também pela lembrança do meu pai e de um universo do qual gostava tanto. Assistam!

Quem quiser saber um pouco mais sobre o Mazzaropi entra aqui:
http://www.museumazzaropi.com.br .

sábado, 6 de outubro de 2007

"Hey Venus!" - Super Furry Animals - 2007

A banda galesa Super Furry Animals é uma das prediletas da casa há um bom tempo. Liderada por Gruff Rhys, já colocou no mercado obras primas como “Radiator” de 1999 e agora chega ao seu sétimo disco intitulado “Hey Venus!”. Novo trabalho que deixa um pouco de lado a psicodelia pop de “Love Kraft” e a melancolia esperta de “Phantom Power” para abraçar novamente a alegria em grandes doses.

Gruff Rhys já tinha dado a cara esse ano com seu (bom) projeto solo “Candylion” e agora retorna a velha forma com sua banda. O Super Furry Animals mal comparando parece aquele velho amigo, sempre pra cima, inteligente, contando piadas e fazendo os outros sorrir. Abusando do rock quando música pop, encharcando as canções de influências de Beatles, esbanjando arranjos criativos e inusitados e fazendo assim aquelas canções de grudar na cabeça.

O vocalista afirmou que o novo trabalho, conta a história de um personagem chamado Venus, que passa por mudanças na sua vida. “The Gateway Song” abre esse novo trabalho, com guitarras em primeiro plano e apenas 43 segundos. Depois é a vez de “Run-Away”, iniciar a saga de Venus, enquanto a baladinha “Show Your Hand” vem a seguir.

Temos ainda rock setentista por meio das ótimas “Into The Night” e “Baby Ate My Eightball”, o velho humor meio estranho do Super Furry em faixas como “Suckers” e “Battersea Odyssey”, os Beatles fase Sgt. Peppers misturados com anos 50 em “Carbon Dating” , ou a extremamente pop (e que muitas bandas se matariam pra fazer) “Neo Consumer”. O disco passa rápido demais, que já dá vontade de voltar.

“Hey, Venus!”
não figura entre os melhores discos do Super Furry, mas é um ótimo disco, que não cansa de rodar no player. Prova de uma grande banda que sem fazer alarde, saiu influenciando de Pato Fu a Apples In Stero, de Animal Collective a The Coral e continua fazendo música de alta qualidade, exalando pop por todos os cantos.

Longa vida ao Super Furry Animals!

Site:
http://www.superfurry.com
My Space:
http://www.myspace.com/superfurry

Download de “Hey, Vênus!”
Senha:
coisapop

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

"C.R.A.Z.Y" - 2005

Antes de tudo que vai ser colocado mais na frente, segue a afirmativa: “C.R.A.Z.Y” é um grande filme. A produção canadense de 2005, que ostentou a maior bilheteria do ano em seu país, é o tipo de filme que vale a pena ter em casa para ser revisto várias vezes. Um trabalho que envolve temas tão dispares como família, preconceito, sexualidade, liberdade e afirmação.

O diretor Jean Marc-Valée criou uma obra simples e repleta de brilho. A sua direção passeia entre algo como um cruzamento de Cameron Crowe e Danny Boyle, explorando um universo comum, mas que é carregado por todas suas idiossincrasias e peculiaridades, sempre com um recheio repleto de grandes canções criando o clima para os momentos do longa.

A trilha sonora é como um personagem, trazendo entre outros, Rolling Stones, David Bowie (fundamental para o enredo) e Pink Floyd, com canções do porte de “Sympathy For The Devil”, “Space Oddity” e “Shine On You Crazy Diamond”. Aliás esse é um caso a parte, o filme não chegou a ser lançado nos USA por causa da trilha, que sairia imensamente cara no que tange aos direitos autorais.

A historia reside nos anos 60/70 e começo dos 80 no seio da família Beaulieu, mais precisamente o casal Gervais e Laurianne e seus cinco filhos Christian, Raymond, Antoine, Zachary e Yvan (que com suas iniciais formam o C.R.A.Z.Y do titulo, que também é referência a uma canção da cantora Patsy Cline).

Quando do difícil nascimento de Zach, passando perto da morte, este se transforma para a sua mãe em alguém que possui o dom da cura, extraindo todo o significado religioso que tal premissa possa conter. Só que Zach na verdade caminha em uma busca por afirmação desde pequeno, quando começa a ser rechaçado por parte da família que o julgam como homossexual.

A partir desse ponto a historia se desenvolve em varias outras, na devoção do pai com a família, apesar de não conseguir entender todas as situações que se apresentam, no amor incondicional entre Zach e sua mãe, pelas drogas tão comuns nessa época, pela musicalidade, pela briga entre irmãos, pela descoberta da sexualidade.

Alguns momentos são memoráveis, como Zach cantando e interpretando “Space Oddity” no quarto (tente não querer escutar Bowie depois) ou quando o pai sempre entoa no natal a canção “Quand j´etais 20 ans” do ídolo francês Charles Aznavour. Momentos pequenos mas que ficam gravados na memória e acabam por dar um clima todo especial ao filme.

Depois de tudo que foi colocado acima, afirmo de novo: “C.R.A.Z.Y” é um grande filme. Que merece ser visto por todo amante de cinema e da boa música.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

"Boxer" - The National - 2007

Fazem uns quatro a cinco meses que estou com o disco “Boxer” da banda Nova York, chamada The National no meu computador para escutar. Às vezes as coisas funcionam assim aqui na casa, um disco pode passar um tempão sem ser escutado se não bater uma certa liga. Para meu arrependimento nesse caso especifico, essa liga era para ter batido há muito mais tempo, pois o resultado é muito bom.

O quinteto que se juntou em 1999 é composto por Matt Berninger (vocal), Aaron Dessner (baixo, guitarras), Bryce Dessner (guitarra), Scott Devendorf (guitarras, baixo) e Bryan Devendorf (bateria). “Boxer” é o seu quarto disco e levou treze meses para ser composto, demora que resultou em um aprimoramento capaz de produzir um dos melhores lançamentos de um ano que não para de gerar grandes trabalhos.
Já gostava da sonoridade da banda desde “Sad Songs for Dirty Lovers” de 2003, seu segundo d
isco e que trazia as influências que estão lapidadas nesse novo álbum. Trazendo toda a melancolia, angústia e às vezes um quase desespero e urgência de artistas como Nick Cave, Leonard Cohen, Nick Drake, Joy Division e Tom Waits. O clima do The National é justamente esse caro amigo, canções que abalam qualquer coração por mais duro que possa ser.

“Fake Empire” é a encarregada de abrir os 44 minutos em que o ouvinte estará submerso a seguir. Começando sombria com a bela voz de Matt Berniger (que é um show a parte) em primeiro plano, depois se misturando com sopros e backing vocals, formando uma poderosa canção. Destaques maiores para “Brainy”, Green Gloves”, “Apartament Story” (Ian Curtis ficaria satisfeito), “Guest Room” e “Gospel” que fecha as portas do bar.

“Boxer” (que tem um capa muito bonita) é completamente indicado para aquelas horas do dias em que se está sozinho, meditando sobre a vida, pensando enquanto faz alguma tarefa normal. Experimente também lendo um livro ou tomando um bom vinho. Será bem difícil de se arrepender.

Site da banda:
http://www.americanmary.com
My Space:
http://www.myspace.com/thenational

Download de “Boxer”
Senha:
coisapop