domingo, 30 de dezembro de 2007

E que venha 2008...

E mais um ano se vai, na esperança daquele que vem.
A todos os amigos e frequentadores do Coisapop, desejamos um 2008 do Caralho!!
Que tudo dê certo e que possamos repensar a nossa vida e guiá-la sempre por um caminho melhor.
Paz!!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

"Bitter" - Jupiter Apple & Bibmo - 2007

Essa semana que passou um bom amigo me repassou o mais recente trabalho do gaúcho Jupiter Apple ou Maçã, intitulado “Bitter”, feito em duo com sua nova parceira (em casa e também no trabalho Bibmo) que assumiu a co-autoria de algumas faias, toca guitarra em outras e faz backing vocals em mais algumas. Apesar do resultado um pouco irregular é sempre bom passar um disco do artista pelo player.
“Bitter” é totalmente em inglês e deixa um pouco de lado a bossa nova e a tropicália que tanto renderam bons momentos a Jupiter em outros discos (como “A Sétima Efervescência” de 1997) e cai de cabeça nas demais influências do músico, como os anos 70, punk, folk e psicodelia. Gravado praticamente todo em primeiro take, o disco tem aquele caráter tosco, saboroso de ser apreciado.
As faixas remetem a várias outros artistas como “Golden Light”, que emula David Bowie, “Clows” (The Kinks), “(Sometimes) Fire-Headin Man”( Rolling Stones), “Seventy Man”(The Stooges) e “Exactly” (novamente Stones). Faixas para serem escutadas em último volume. Dispense algumas como a chata “Deep”, ou as bem mais ou menos “Lovely Riverside” e “Down Myth Girl” que a festa estará pronta para ser feita.
Como diria aquela velha canção: “It´s only rock n´roll but i like it...”
My Space: http://www.myspace.com/jupiterapple

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Boas Festas!!

Salve, salve minha gente amiga...

O Coisapop deseja boas festas a todos aqueles que passaram por aqui e que fazem esse blog ter razão para continuar sempre.

Coloquem o peru no forno, sirvam o vinho e deixa o Frank Sinatra cantar músicas de natal...
Muita paz a todos!!

domingo, 23 de dezembro de 2007

As Boas Festas do Stereoscope...

Salve, Salve...

Ontem rolou a tradicional “Boas Festas” do Stereoscope no Palafita junto com A Euterpia. Muito bom. Tive o prazer de conhecer o Fernando Rosa do site Senhor F, que discotecou um pouco mandando bastante coisa da nossa querida América do Sul, entre outras. 

O meu set, segue mais ou menos ai embaixo como foi (naquilo que consigo me lembrar):
Would It´n Be Nice – The Beach Boys
Confetti – Lemonheads
Like a Virgin – Teenage Fanclub
I Love Rock N´Roll – The Jesus And Mary Chain
Alison – Pixies
Esse Lugar Ruim – Sestine
As Coisas Que Crescem Na Minha Mão – Superguidis
Messias Pessoal – Cabaret
Pernambuco Chorou – Terminal Guadalupe
Jhonny And Mary – Placebo
Banquet – Bloc Paty
I Fought The Law – Sray Cats
Shut Your Eyes – Shout Out Louds
Cannonbal – The Breeders
O Rock Acabou – Moptop
Ad Hoc – Suite Super Luxo
Tão Perto, Tão Certo – Volver
Carinha Triste – Autoramas
Eu Sou Melhor Que Você – Banzé
A Última Palavra Em Fashion – Ecos Falsos
Ele Não Pensa Em Mais Nada – Gardenais
Bossa Nostra – Nação Zumbi
Hey, Yo Silver! – Vanguart

Paz Sempre!!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

"Raising Sand" - Robert Plant & Alison Krauss - 2007

E o ano ia acabando, parecia que todos os grandes discos já tinham sido lançados, aquela velha listinha de melhores já parecia consolidada e eis que aparece um tal de Robert Plant (conheces?) junto com uma ilustre desconhecida (pelo menos pra mim) chamada Alison Krauss e lança um álbum com treze faixas de uma beleza arrebatadora, dando uma bagunçada em tudo.

“Raising Sand” lançado recentemente é um trabalho de extrema beleza, encabeçado por um dos maiores cantores vivos do rock e uma senhorita com uma voz linda, que é musa nos USA do chamado bluegrass (uma variação do country). Produzido por T Bone Burnett, que já trabalhou entre outros com K.D Lang, Elvis Costello e Wallflowers, tudo soando com extrema qualidade.

O repertório passeia entre antigas canções de Tom Waits Everly Bothers, Doc Watson e Gene Clark, trazendo sua essência no blues e no country, mas passeando por outros ritmos. A banda que acompanha a dupla é formada por Marc Ribot e Norman Blake nas guitarras, Mike Seeger nos teclados, pianos e violões, Jay Bellerose na bateria e o excelente baixista Dennis Crouch.

“Rich Woman” abre o disco com um baixo em primeiro plano, fazendo a cama para o vocal dividido de Plant e Krauss, com o primeiro improvisando no final. “Killing The Blues” parece saída da trilha sonora de algum filme de Cameron Crowe, uma balada lindona. “Polly Come Home”, vem com arranjo triste e Plant cantando ao mesmo tempo com doçura e angústia. “Fortune Teller” ganha uma nova versão como um blues travestido de corpo e alma.

Ainda tem o primeiro single “Gone, Gone, Gone (Done Moved On), com o baixo acústico ditando o caminho para as guitarras que criam um clima a lá “Mrs. Robinson” e o vocal duplo mandando ver, “Stick With Me Baby”, quase como uma antiga canção do U2, “Nothin´” com suas guitarras distorcidas, “Let Your Loss Be Your Lesson”, um country comandado por Krauss e “Your Long Journey” que encerra o disco repleto de violões saídos dos anos 70.

No entanto os dois grandes momentos desse “Raising Sand” duram um pouquinho mais de dez minutos e compreendem “Trough The Morning, Trough The Night” com Krauss dilacerando seu coração e “Please Read The Letter” (regravação oriunda do disco que Plant e Jimmy Page lançaram em 1998, “Walking Into Clarksdale”) com um Plant implorando em um folk meio country meio anos 60. Muito difícil passar imune por essas duas faixas. Quase impossível.

“Raising Sand” é completamente indicado para adicionar beleza em sua vida. Um dos grandes discos de 2007. Não deixe o ano acabar, sem ouvi-lo.

Mais em: http://www.robertplantalisonkrauss.com/site.php

domingo, 16 de dezembro de 2007

"Catherine Avenue" - Biirdie - 2007

Um dia daqueles. Acorda-se ainda sem o sol raiar, passa o dia resolvendo problemas e mais problemas, encara um trânsito horrível desembarcando em casa às nove e tantas da noite direto para frente do computador para concluir o que não deu tempo no decorrer do dia. Cansaço e mau humor são as bolas da vez. Mas você vai lá guerreiro e enquanto consolida um relatório, bota pra baixar um disco que leste uma boa critica.
Enquanto os olhos teimam em fechar você coloca o disco pra rodar. Começa com uma bateria marcando o ritmo, um bom vocal, uma melodia sessentista cantada por um homem, teclados, uma voz de mulher cantando junto (lembrando os bons momentos dos Delgados), backing vocals ao fundo, a entrada de um belíssimo solo de guitarra e...pronto! Seu dia acaba de melhorar, o cansaço começa a ser vencido e um sorriso passa a aparecer no rosto.
A música em questão é “Catherine Avenue” da banda californiana Biirdie, faixa de abertura do disco homônimo, o segundo do trio formado por Jared Flamm, Kala Savage e Richard Gowen, lançado recentemente. Há um disco anterior chamado “Morning Kills The Dark”, que não escutei mas já estou buscando por estes espaços virtuais.
“Catherine Avenue” é pop macio, repleto de coros e backing vocals, teclados e violões ditando os ritmos e suas alternações. “LA Is Mars” é como se o Elton John gravasse com o Grandaddy tendo um George Harrison solando na guitarra. “Who Were You Thinkin´Of” abre com um coro a lá Pink Floyd para se transformar em uma ensolarada canção de domingo, alegre e pra cima.
“Estelle” é um encontro dos Beatles com o country rock. “Petals” tem umas dissonâncias abrindo espaço para o belo vocal de Kala Savage. “I Wish i Could Have Been There” podia ser algo entre o Wilco fazendo uma Jam com Tom Petty. Pop para lavar a alma, despretensioso, simples e repleto de boas intenções.
Não é para mudar sua vida, serve “somente” para salvar esta em um dia ruim. O meu dia que tinha sido daqueles, terminava em alto nível, valendo a pena e revigorado para a próxima manhã. Tem coisas que só a música faz por você, meu caro amigo...
Escute: http://www.myspace.com/biirdie
Site: http://flyawaybiirdie.com

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

"Descartável Longa Vida" - Ecos Falsos - 2007


“Quando eu fui ouvi-los todo orgulhoso com a farinha da minha experiência , eles vieram com um bolo inesperado e eu comi até mais do que eu queria. Esses profanos, esses agnósticos, esses heréticos são bons pra diabo!”. Tom Zé falou isso sobre os paulistas do Ecos Falsos. Um elogio desses vindo de um artista como ele Zé não é pouca coisa. Gera-se um imenso compromisso com a qualidade.
Os paulistas que lançam este ano seu primeiro disco “Descartável Longa Vida”, estão na estrada desde 2001, mudaram de formação algumas vezes e tem um bom EP no currículo. O atual núcleo é composto por Gustavo Martins, Daniel Akashi, Felipe Daros e Davi Rodriguez. As influências da banda passeiam entre a vanguarda paulista dos anos 80 até pelas esquisitices de Frank Zappa, produzindo bons momentos.
Temos ecos de Mutantes em “Eu Nunca Ganho” e “Bolero Matador”, anos 80 com “Animada” e “O Bom Amigo Inibié”, o bom e velho rock n´roll em “A Revolta Da Musa” (com participação especialíssima de Tom Zé) e “A Última Palavra Em Fashion”, anos 60 com a excelente “Findo Milênio” (a melhor letra do disco), Frank Zappa com a nonsense e bem humorada “Sentimental” ou anos 70 com “Primeira Página”.
Os paulistas misturam ótimos sons com bom humor (inteligente e sem ser gratuito), produzindo um bom resultado baseado em plena criatividade. Talvez em alguns momentos falte um pouco de direcionamento, o que não chega a ser um grave problema. Escute a baladinha “Dois a Zero” com a participação da Fernanda Takai e se delicie com essa iguaria . Arrebatadora.
Site: http://www.ecosfalsos.com.br
Baixe o disco totalmente na faixa (com exceção de duas faixas bônus) aqui: http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=1732

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

"Ao Vivo No Estúdio" - Arnaldo Antunes - 2007

Arnaldo Antunes é uma figura ímpar na música nacional, desde os tempos de Titãs e passando por toda sua carreira solo. Arnaldo é uma espécie de gênio meio estranho,meio louco, mas extremamente cativante. O artista lança em 2007 seu primeiro DVD com cd ao vivo pela Biscoito Fino onde revisita sua obra em um belíssimo registro.

Em “Qualquer”, o disco mais musical da sua carreira lançado ano passado, foi criado um clima totalmente intimista, sem bateria e percussão, sendo que essa atmosfera foi repassada para o novo projeto, ficando a cargo do trio Chico Salem (violões de aço e nylon), Betão Aguiar (guitarra e violão de nylon) e Marcelo Jeneci (teclados e sanfona).

“Ao Vivo No Estúdio” foi gerado no estúdio Mosh em frente a uma platéia de 50 privilegiados e traz um Arnaldo cantando totalmente pela primeira vez em todo o seu trajeto. Em determinados momentos como “Se Tudo Pode Acontecer” ou “Pedido de Casamento” chega a ser emocionante. Em outros como “Judiaria” (de Lupicinio Rodrigues) volta a ser o velho Arnaldo entre a guitarra mais que especial de Scandurra guiando a canção com uma urgência arrebatadora.

Dá-lhe clássicos do artista como “Socorro”,”Não Vou Me Adaptar” (com participação de Nando Reis), “O Quê”, “Num Dia” e “Eu Não Sou Da Sua Rua” (dessa vez quem participa é Branco Mello). A família tribalista, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Dadi participam em “Um a Um” e “Velha Infância”(que só entrou no DVD). Ainda tem uma inédita, “Quarto de Dormir”, parceria com Marcelo Jeneci.

No seu site falando sobre o projeto, Arnaldo diz que “nunca teve tanto prazer em cantar como nesse show”. E podemos sentir isso. Trabalho repleto de classe e de nobreza. Uma declaração de amor do artista para com a sua música.

domingo, 9 de dezembro de 2007

"West" - Lucinda Williams - 2007

A primeira vez que ouvi falar da cantora americana Lucinda Williams foi há mais ou menos uns dois anos. Estava eu matando tempo em um cyber e me deparei com uma resenha elogiosa do álbum “Car Wheels On A Gravel Road” de 1998. Fui atrás e me encontrei com uma bela cantora, que ancorava seu trabalho no folk e no country, mas com um pé no rock.
Pela internet (não tem nenhum disco lançado no Brasil) continuei a acompanhar a artista em álbuns como “Essence” de 2001 e o triste World Without Tears” de 2003. Mantendo sempre a média, mas sem nunca conseguir o nível do disco de 1998, passeando sobre influências de nomes como Bob Dylan, Neil Young, Billy Bragg, Joni Mitchell e Bruce Springsteen construiu uma carreira sólida e longe da mídia.
2007 é a vez do seu oitavo disco, “West”, que mantêm o clima mais para baixo do que os anteriores (e esquecendo de vez aquele “pé no rock”), versando sobre perda e decepções sejam elas familiares, amorosas ou cotidianas. “West” é indicado para aqueles dias chuvosos, quando se está lendo um livro ou trabalhando no computador, com suas melodias, violões e o belo vocal de Lucinda sempre em primeiro plano.
“West” só padece de um grave problema: é longo demais. Por conta disso, as 13 faixas acabam por soarem repetitivas, vez ou outra, ainda mais quando se conhece o trabalho anterior. Esse foi um dos malefícios do cd, os artistas pararam de fazer os discos com 10, 11 faixas e passaram a colocar algumas canções que poderiam ficar de fora. “West” tem esse mal.
Mas também tem excelentes canções como “Mama You Sweet”, um belo folk que trata da perda da mãe, “Learning How To Live”, com uma bela melodia, “Come On”, em que a cantora emula uma Patti Smith nervosa e promove um dos grandes momentos do disco, ou a baladaça “Words” com pianos e orquestrações tomando conta dos versos.
Apesar de ser um trabalho um pouco irregular, “West” tem ótimos momentos (e você pode fazer aquela seleção de sete ou oito faixas perfeitinhas), apesar de ser inferior a outros discos da cantora e merece ser consumido em uma noite da sua vida com absoluta certeza.
Site oficial: http://www.lucindawilliams.com

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Dia 22/12 - Boas Festas do Stereoscope

Salve, salve minha gente amiga...
Coloca na agenda aí. Dia 22 no Palafita em Belém a tradicional festa de final de ano do Stereoscope, com A Euterpia e eu brincando de DJ. Participação mais que especial de Fernando Rosa do Senhor F mandando um set daqueles...
Não vá perder!!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

"Viva Muddy Waters" - Blues Etílicos - 2007

McKinley Morganfield nasceu no Mississipi no dia 4 de abril de 1915 e faleceu em 30 de abril de 1983. Durante sua vida, lançou dezenas de discos e influenciou fortemente artistas como Elvis Presley, Rolling Stones e Led Zeppelin. McKinley Morganfield viria a ser conhecido como Muddy Waters, um dos maiores nomes da história do blues em todos os tempos.
Corte para o Brasil. Em 1987, o Blues Etílicos lança seu primeiro registro e em mais de 20 anos de trabalho lança nove discos trazendo o blues para a terra do samba e se consolidando como o maior nome do ritmo no país, ancorado sempre pela maestria de Flávio Guimarães, conquistando fãs e mais fãs.
Corte para 2006. O Blues Etilicos finalmente grava o tão prometido disco em homenagem a sua maior influência. “Viva Muddy Waters” chega às lojas em 2007 e reúne como em um casamento perfeito e atemporal 10 canções do mestre americano tocadas com todo o sentimento e crueza nos arranjos que podiam requerer.
Greg Wilson (vocal, guitarra e trompete), Flávio Guimarães (gaita), Otávio Rocha (guitarras), Cláudio Bedran (baixo) e Pedro Strasser (bateria) dão um show durante todo o disco, envolvendo o ouvinte em uma camada sonora que remete a alguma sala esfumaçada e com som tocando alto.
Temos uma enxurrada de clássicos de autoria de Muddy Waters como “Walking Blues”, “Trouble no More”, “I Cant´ Be Satisfied”, “Messin´With The Man” e “She´s Nineteen Years Old”, esta última com André Christóvam no violão enriquecendo a canção. E ainda tem “I Want To Be Loved” de Willie Dixon, que tanto compôs para Waters, entre outras.
O grande Paulo Moura, disse certa vez que escutar o Blues Etílicos “É uma degustação cheia de energia e prazer”. Assino embaixo. Escute “Viva Muddy Waters” e embebede-se sem moderação.
Site da banda: http://www.bluesetilicos.com.br
Mais sobre Muddy Waters em: http://www.muddywaters.com

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

“Onde Brilhem Os Olhos Seus” - Fernanda Takai - 2007


Fernanda Takai é uma das pessoas mais inteligentes do pop brasileiro há tempos, desde os idos da estréia do Pato Fu em “Rotomusic de Liquidificapum” em 1993. Com sua banda Fernanda remexeu o pop nacional envolvendo modernidade e criatividade e esbanjando uma absurda qualidade ao longo dos anos, cativando fãs eternos (como eu) país afora.
Recentemente o Pato Fu inovou novamente na distribuição e lançou um dos melhores discos de 2007, o “Daqui Pro Futuro” e eis que Fernanda surpreende e decide colocar no mercado ainda esse ano o projeto que Nelson Motta havia lhe oferecido, um disco só com canções interpretadas pela cantora Nara Leão, falecida em 1989 e peça fundamental na bossa nova.
Chega nas lojas este mês “Onde Brilhem Os Olhos Seus” produzido por Motta e com arranjos do maridão John Ulhoa e do amigo de banda Lulu Camargo. No mínimo, esse disco é para ser adquirido, apesar de alguns arranjos não terem ficado tão bons. É um disquinho repleto de graça, cativante e para se deixar rolar por horas no player.
Começa com a transformação de “Diz Que Fui Por Aí”, um clássico do sambista Zé Keti, convertida em uma linda balada, passa pela nova roupagem para “Lindonéia” marco do tropicalismo, desembarca na excelente “Com Açucar, Com Afeto” do mestre Chico Buarque, que ganhou arranjo a lá Pato Fu e poderia muito bem estar no último trabalho da banda.
Ainda tem ótimos momentos como “Debaixo Dos Caracóis dos Seus Cabelos”, “Insensatez”, “Descansa Coração” e a belíssima “Canta, Maria”, valsinha de Cândido Botelho, imortalizada por Ary Barroso. Emocionante. Os arranjos para “Luz Negra” do mestre Nelson Cavaquinho acabaram por perder o encanto desta excelente canção já visitada anteriormente com louvor por Cazuza, o que não estraga o resultado final do álbum.
Fernanda Takai repleta de despretensão coloca no mercado mais uma prova da sua competência, competência cheia de graça e amor. Ótimo presente de final de ano. Corra atrás do seu.
Leia o que dissemos sobre “Daqui Pro Futuro”, o último disco do Pato Fu:
http://coisapop.blogspot.com/2007/08/daqui-pro-futuro-pato-fu-2006.html

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

"As Engrenagens"/"Carros-Fantasma" - Sestine - 2007

Já tem alguns meses que venho dizendo para os amigos mais próximos que o Sestine, banda de Brasilia é uma das melhores que passaram no meu player em 2007 (olhando para as coisas feitas no nosso país), com um rock que não ostenta nada de novo, mas que tem um vigor cativante e um vocal para lá de interessante, cortesia do guitarrista e vocalista Márcio Porto.
Com uma das melhores canções do ano, “Esse Lugar Ruim”, conheci a banda através do site Senhor F e desde então tem cadeira cativa entre as mais ouvidas aqui na casa. Além de Márcio Porto, o Sestine é Thiago Soares nas guitarras, Tiago França no baixo e Marcelo Freitas na bateria. Apesar de ainda não ter disco, lançou este ano dois EP´s muito bons.
O Sestine ainda não está no patamar de bandas independentes como Violins, Terminal Guadalupe, Superguidis ou Vanguart, mas tem qualidade de sobra para chegar lá. A aposta do som oscila entre o rock dos anos 70 e anos 80, repleto de guitarras e mais guitarras, com um vocal ora desprentensioso, ora meio glitter de Márcio Porto e em outros momentos entrando de cara no folk rock.
O primeiro EP “As Engrenagens” vem mostrando as guitarras (e é onde a banda rende melhor) gerando grandes momentos, como a já citada “Esse Lugar Ruim”, além de “O Teu Pobre Coração”, “Jana” e “W2” (com ecos fortíssimos de Legião Urbana). O segundo “Carros-Fantasma” aposta mais nos violões e promove ótimas faixas como “Tantas as Coisas” e “As Mentiras Certas”.
Grata surpresa de um ano repleto de excelentes discos no rock brazuca, o Sestine se configura como uma grande aposta para o futuro. Longa vida a eles!
Entre no site e baixe os Ep´s: http://www.sestine.com.br
Escute no My Space: http://www.myspace.com/sestine

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

"Lindo Triste Mundo" - Gardenais - 2006

Como é bacana se deparar com uma boa banda nessas intermináveis noites a frente do computador entre um trabalho e outro. Há alguns meses passando por aqui e ali me deparei com uma capa bonita de um álbum intitulado “Lindo Triste Mundo”. A banda responsável por tanto é mineira e se chama “Os Gardernais” e promove uma interessante mistura de influências em um pop rock gostoso de se escutar.
Na estrada desde 1992, quando ainda respondiam por “Os Gardenais do Samba”, o grupo formado por Caio Ducca (vocal, guitarras e violões), Leo Moraes (guitarra e bandolim), Bruno Ducca (baixo e violino) e Del Cabral, chega ao seu segundo disco que conta com a sempre competente produção de Kassin e Berna Ceppas, e traz aquele gosto por melodias que há tempos bate nas Minas Gerais.
Com influências que passeiam pelo Britpop de Blur e Ocean Colour Scene, passando por Lou Reed, The Beatles, Samba, Anos 80 e muita MPB, temos canções com boa qualidade e forte apelo pop, ancorado em boas letras (na maioria das vezes de Caio Ducca) e em uma doce melancolia que invade o ar e toma parte do teu pequeno universo naquele momento.
Com um grande hit em potencial “Ela Não Pensa em Mais Nada” (que já tocou bastante por aqui esse ano) e lindas canções como “Toma Essa Canção”, “Todos Os Andares” e “Janeiro Chegou”, o grupo mostra um trabalho que merece ser apreciado em boas e generosas doses dentro do teu player.
Baixe o disco de graça no site deles: http://www.gardenais.com

domingo, 25 de novembro de 2007

"Acústico MTV" - Paulinho da Viola - 2007

“Eu canto samba porque só assim me sinto contente, eu vou ao samba porque longe dele eu não posso viver...”. Quando Paulinho da Viola encerra o seu show no formato acústico MTV cantando essa música, é impossível não ter a absoluta certeza de que essa afirmativa é a mais pura verdade para esse artista.
Paulinho da Viola é um patrimônio nacional, assim como outros músicos, vem deixando ao longo da carreira uma enorme quantidade de canções que marcaram a vida de muita gente (inclusive a minha). Um mestre que se fez influenciar e se admirar com sua humildade, elegância e acima de tudo, sua musicalidade.
O seu “Acústico MTV” chegou recentemente as lojas em DVD (e também em cd com 6 faixas a menos) e é uma aula de música. Entrando no cenário só com seu cavaquinho e levando a introdução de “Timoneiro”, Paulinho despeja um arsenal de clássicos como “Coração Leviano”, “Para Um Amor No Recife”, “Dança da Solidão”, “Pecado Capital”, “Argumento” e “Foi Um Rio Que Passou da Minha Vida”.
Para completar o embalo, regravações de lindas e esquecidas canções como “Amor É Assim”, novas canções como “Bela Manhã” e “Talismã”, esta última um samba que já nasceu clássico em parceria com Marisa Monte e Arnaldo Antunes, além da belíssima regravação de “Nervos de Aço”, do rei da dor de cotovelo, o venerado Lupicinio Rodrigues.
Como diria aquele samba antigo, tudo é um luxo só. O Making Of do projeto ainda engrandece mais o trabalho, com depoimento dos músicos, “causos” de Paulinho, depoimentos de amigos como Toquinho e Elton Medeiros, além de bate papos bem interessantes. Presentaço de final de ano, para todo fã de boa música.
Site Oficial: http://www.paulinhodaviola.com.br

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

"Bandeirante" - Os Telepatas - 2007

A mistura de pop e rock com a MPB não é nenhuma novidade no cenário brazuca, desde Secos e Molhados, passando por Picassos Falsos, desembocando em Los Hermanos e mais recentemente em bandas como a excelente Supercordas, tal fusão está devidamente já registrada. E é nessa seara que os paulistas, chamados Os Telepatas se inserem.
Usando e abusando da sonoridade dos anos 70 e começo dos 80, indo de 14 Bis a Clube da Esquina, de Guilherme Arantes a Arnaldo Baptista, enxertando toques psicodélicos e tons progressivos entre roupagens que buscam identidade com bandas como Wilco e Pavement (guardada todas as possíveis restrições), a banda lança seu primeiro disco chamado “Bandeirante” e acerta bastante.
Talvez ainda falte na sonoridade proposta por Fabs Grassi, Rica Monteiro, Thiago Serra e Stan Molina, um melhor acabamento nas canções e principalmente uma tirada de pé nas suas influências progressivas, apostando mais nos violões e nas melodias com sabor de nostalgia, ancorada em letras tão nostálgicas quanto.
Repleto de bons momentos como “A Cor da Manhã”, “Minhas Dúvidas”, “O Medo é Amigo Meu”, “Maria Clara” e “Prima Canção”, esse “Bandeirante” desbrava (ok, não resisti ao trocadilho fácil) e homenageia um momento da nossa música que rendeu belos discos e canções que ficaram no inconsciente de muita gente, gerando seus próprios pequenos clássicos como “Dissipado Amor”.
“Bandeirante” é para deixar tocar em casa enquanto se trabalha na frente do computador, para escutar sem maiores pretensões e sem perceber voltar no tempo, em uma máquina musical criada por esses paulistas, que acertam mais do que erram na sua estréia e merecem ser escutados.
Endereço na Trama Virtual, onde pode baixar o disco na faixa:
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=10904

terça-feira, 20 de novembro de 2007

"Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia" - Nelson Motta


Sebastião Rodrigues Maia nascido em 28 de setembro de 1942 foi um dos maiores nomes da música nacional nos últimos 50 anos, deixando um legado maior do que o próprio tamanho. O Sebastião em questão ficou conhecido em todo país como Tim Maia e se definia como “preto, gordo e cafajeste, formado em cornologia, sofrências e deficiências capilares”.

Tim Maia morreu em 1998 aos 55 anos e teve uma trajetória difícil para qualquer roteirista imaginar. Era um bonachão irreverente, louco e genial. Mas também era autoritário, displicente e nada profissional. Sua obra é uma das mais completas da nossa música, cabendo clássicos como “Sossego”, “Azul da Cor do Mar”, “Primavera”, “Você”, “Gostava Tanto de Você”, “Do Leme Ao Pontal”, a fase “Racional”, entre tantas outras obras primas.

Sua história é retratada nesse “Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia”, lançado recentemente pela Editora Objetiva, biografia do cantor nas mãos do competente Nelson Motta, escritor e produtor musical que viveu bastante com Tim e arregaçou as mangas em uma pesquisa que decifrou da infância, passando pelo tempo de morada nos USA, o estrelato, as quedas constantes por causa do álcool e das drogas e a consolidação de um mito.

Tipo de biografia que merece ser consumida vorazmente, divertindo e emocionando tanto os fãs do cantor (como eu que até hoje escuto frequentemente sua obra) quanto aqueles que não o conhecem (sendo um belo ponto de partida para começar). Tem como coadjuvantes grandes nomes como Erasmo e Roberto Carlos, Jorge Ben, João Gilberto, Tom Jobim, e outros mais.

Além de uma história de vida fascinante, essa biografia funciona inconscientemente para termos uma idéia de como nosso país cresceu da ditadura até o Collor e como os modos fonográficos evoluíram desde o compacto até os CDs e DVDs. Tim além de gênio na música (escrevia suas canções sem saber nada, absolutamente nada de partituras e notas), era uma figuraça, um porra louca cativante que cunhou algumas frases incríveis como:

“Fiz uma dieta rigorosa, cortei álcool, gorduras e açúcar. Em duas semanas perdi 14 dias.”

“Não fumo, não cheiro e não bebo, mas às vezes minto um pouquinho.”

Ou a clássica: “Mais grave! Mais agudo! Mais retorno! Mais eco! Mais tudo!”, que soltava em seus shows e resumia bem a sua personalidade, que sempre queria mais e mais.

Uma ótima viagem tendo o soul, o funk e o samba como ritmo de fundo de uma absurda saga de pobreza, dificuldade, loucura, drogas, mulheres, álcool, sucesso, depressão, religiosidade e principalmente de uma eterna boa vontade para com a vida, vida que com certeza não se arrepende em nada de ter habitado durante 55 anos nesse cidadão chamado Tim Maia.

domingo, 18 de novembro de 2007

"Into The Wild" - Eddie Vedder - 2007

Como se desvincular de uma banda de sucesso, uma banda que fundamentou toda uma geração nos anos 90? Como lançar o primeiro disco solo da carreira depois de mais de 15 anos sendo o messias e o ideário de milhões de fãs? Como fazer isso bem acima de tudo? Essas perguntas são o que Eddie Vedder do Pearl Jam responde em “Into The Wild”.
“Into The Wild” é a trilha sonora do filme de mesmo nome dirigido por Sean Penn e que conta a historia real de um cara que largou tudo e partiu rumo ao Alasca para viver de bem com a natureza. Ou seja, um cara que fez o que muita gente teve vontade um dia. E para esse tipo de pensamento, Eddie Vedder é uma excelente escolha para a trilha.
Antes de mais nada cabe lembrar que Vedder é um grande cantor, que tem imitadores pelo mundo afora e é frontman de uma das maiores bandas das últimas décadas, com álbuns essenciais ao longo da carreira (na minha opinião inclusive, uma banda que nunca chegou a lançar um disco totalmente ruim). O problema é que para muita gente, Vedder já encheu. E esse é outro mérito de “Into The Wild”, mostrar que o cantor ainda pode fazer algo diferente e emocionar.
O disco passeia basicamente pelo folk, com quase todos os instrumentos sendo gravados pelo músico. “Seeting Forth” lembra os melhores momentos do Pearl Jam fase “Versus” e “Vitalogy”. “No Ceiling” tem uma ótima melodia que cresce com Vedder como vocalista. “Far Behind” é um rockão de fazer bonito pra Bruce Springsteen.
“Rise” é mais lenta e dedilhada. “Long Nights” tem um clima meio soturno, de fim de festa. “Tuolomne” e “The Wolf” são temas instrumentais. “Society” traz um trovador solitário na estirpe de Dylan e outros. “End Of The Road” tem um belo trabalho de guitarra. Os maiores momentos ficam com “Guaranteed” e o single “Hard Sun”, a única cover do disco de um canadense chamado “Gord Peterson”, que tem ótimos backing vocals duelando com o desempenho carregado de emoção de Vedder.
Em poucos mais de 30 minutos temos um ótimo álbum de um artista sempre acima da média, mas que precisava de algo para novamente voltar a tona, “Into The Wild” é esse algo. Agora falta esperar para ver o filme e ver como as canções se encaiam na trama.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

"Cassino Hotel" - André Takeda


Ando nostálgico demais ultimamente, de vez em quando é assim, começo a reler alguns livros de outras épocas ou escutar alguns discos antigos. Nesse final de semana embarquei na releitura de “Cassino Hotel” do gaúcho André Takeda e eis que me pronto aqui a comentar sobre esse segundo livro, originalmente lançado pela Rocco em 2004.

André Takeda fez um belíssimo primeiro livro intitulado “O Clube dos Corações Solitários” que encantava pela certa ingenuidade e sonhos dos personagens, em “Cassino Hotel”, o escritor versa sobre a esperança e a derrocada, o passar do tempo e os nossos fantasmas, o olhar pra trás e perceber que tão pouco valeu enquanto caminhamos sem saber direito para qual lugar.

Narrado em primeira pessoa, somos apresentados para João Pedro, ótimo guitarrista que após explodir com sua banda Gol em todo país, embarcou no clichê de sexo, drogas e rock n´ roll de cabeça, vendo então a sua banda ser dissolvida e retornar para Porto Alegre. Ele resolve ficar em São Paulo e passa a tocar com todo tipo de artista que antes achava irrelevante e fazia piadas.

Atualmente, João Pedro (com 30 anos) tem um caso com a cantora teen Mel X (algo como Sandy ou Wanessa Camargo), filha de um cantor sertanejo de sucesso. Os pais dela em determinado momento decidem que tal relacionamento não pode mais continuar e nosso personagem pega um avião para a capital gaúcha em busca de redescobrimento, redenção e fuga.

Chegando lá, embarca junto com uma velha amiga para a praia do Cassino, onde vai ser obrigado a enfrentar todo o seu passado e finalmente achar um caminho para definir seu futuro. Em “Cassino Hotel”, André Takeda avança muito mais em sua escrita, deixando um pouco de lado a literatura pop e embarcando em temas mais pesados, apesar de alguns deslizes de narrativa, construindo um universo em que nenhuma emoção é gratuita.

Se ainda não tiver lido, embarque para essa viagem e se instale na história de Takeda com o coração aberto e sem medo.

Sobre o outro livro do autor:
http://coisapop.blogspot.com/2007/03/o-clube-dos-coraes-solitrios-andr.html

Blog do autor:
http://peixesbanana.blogspot.com

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

"Medo e Delírio em Las Vegas" - Hunter S. Thompson

O escritor americano Hunter S. Thompson falecido em 2005 (se suicidou) está entre os mais relevantes nomes da contracultura mundial. Seu clássico “Medo e Delírio em Las Vegas” lançado em 1971 originalmente na clássica revista Rolling Stone, ganha este ano uma luxuosa edição nacional pela editora Conrad, com direito a ilustrações de Ralph Steadman tão alucinadas quanto a história. Esse você precisa ter em casa.
Hunter S. Thompson foi o criador do chamado “jornalismo gonzo” onde mandava a imparcialidade às favas e tornava suas matérias baseadas sempre com estilo bastante pessoal, envolvendo a si mesmo enquanto dosava as porções de ficção. “Medo e Delírio” trata basicamente sobre o fim do “verão do amor” dos anos 60 e estupra o “sonho americano” idealizado nos anos 50, com uma literatura ácida e destrutiva.

No livro, Raoul Duke (alter ego do autor), um “doutor em jornalismo” recebe uma matéria envolvendo a cobertura de uma corrida de motocicletas em Las Vegas para onde se desloca junto com o seu advogado “samoano” em um carro vermelho conversível. Para cumprir a missão entopem a mala de todas as drogas e bebidas possíveis a fim de encontrarem o “sonho americano” completamente alucinados.

Thompson no decorrer do seu livro destroça milhares de convenções de seu país, arremessa com força todo o sonho de uma geração no lixo, um sonho que se perdeu em meio a tantos fatores, deixando um medo e uma incapacidade de lutar pelo futuro, encharcados por anos de drogas, guerras e uma política econômica que excluía grande parte da população.

“Medo e Delírio” também virou um ótimo filme nas mãos de Terry Gilliam, trazendo nos papeis principais Johnny Deep e Benicio Del Toro e que merece muito ser assistido. 

Corra atrás dos dois. :)

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

"Disco Paralelo" - Ludov - 2007

No mundo da música pop um dos maiores clichês é mais ou menos o seguinte: “ a banda X está mais madura”. Clichezão mesmo, só que em alguns casos tal assertiva faz jus a sua utilização. Como no caso da banda paulista Ludov e seu novo trabalho “Disco Paralelo”, lançado esse ano.
Com um trabalho bem melhor produzido e arranjado, Vanessa Krongold (vocal), Mauro Motoki (guitarra e teclados), Habacuque Lima (guitarra e baixo) e Paulo Chapolin (bateria) deixam um pouco de lado aquela urgência que sempre caracterizou suas canções para navegar em mares mais consistentes e com outras nuances.
As letras e os arranjos bem feitos são os principais destaques, além da Vanessa que está cantando melhor e os riffs e melodias que Mauro Motoki imprime nas faixas que vão se sucedendo. “Disco Paralelo” não vai agradar de imediato, mas a partir de algumas audições entra em crescente e se torna bem bacana de ouvir.
Os temas que percorrem as letras se ancoram basicamente no passar do tempo e na busca de alguma redenção (e às vezes, algum perdão). “Ciência” abre com os versos “Luto pra ir/aonde ninguém foi/onde eu possa rir/do que passou e te perdoe”. Em seguida vem “Fugi Desse País” com Vanessa cantando “Se eu me perdi/quando eu errei/quando eu senti/que quase estraguei/toda a construção”.
“Rubi” vem com versos tristes e um ótimo instrumental, sente só o drama: “Meus olhos eram diamante/já chorei a beça/de hoje em diante/viraram rubi”. “Sobrenatural” tem um riff daqueles simples e perfeitos e talvez traga o verso que defina melhor o novo disco da banda: “E aquele agora ou nunca ficou pra trás”.
“Conversas em Lata” é a faixa mais bonita desse novo trabalho, uma espécie de Los Hermanos um pouco mais alegre. Para os fãs mais ranhetas tem o pop de “Refúgio” e “Urbana” que lembram mais a antiga fase do Ludov e são daquelas canções para sair cantando por aí sem querer.
A banda paulista indica que ainda vai lançar seu grande disco, no entanto a cada ano que passa se consolida cada vez mais no nosso cenário pop, esbanjando qualidade. Enquanto esse grande álbum não vem, curta sem medo e a maior quantidade de vezes possível esse “Disco Paralelo”.
Site oficial: http://www.ludov.com.br

terça-feira, 6 de novembro de 2007

"Alta Fidelidade" - Nick Hornby

Dia desses batendo com papo com um velho amigo sobre coisas que não iam mudar o mundo, mas que são fundamentais na vida (música, cinema.,etc...), ele disse: “Pô, tu sabes que eu nunca li o “Alta Fidelidade” do Hornby? Será isso um crime? Tu me empresta o teu?” Respondi que era um crime sim, não pelo fato da obra ser extraordinária e sim pelo simples fato de descrever de maneira brilhante toda uma “quase” geração.

Quando peguei o livro que não estava em casa e sim no apartamento em Belém, deu muita vontade de ler, leitura essa que foi consumida há uns dois dias. E pensei “Pô, nunca escrevi nada sobre “Alta Fidelidade” do Hornby...”. Escrevo agora. O livro em questão que virou um excelente filme tem que constar na biblioteca de todo amante de cultura pop.

Para quem não conhece, a historia é narrada em primeira pessoa por Rob Fleming, um senhor fracasso com as mulheres, que na Londres da década de 90, mantêm uma pequena loja de discos e cds, intitulada “Championship Vynil” que não vai lá muito bem das pernas. Sua namorada, Laura, acabou de largá-lo e seus dois melhores amigos são Barry e Dick, duas personalidades peculiares por assim dizer.

Enquanto busca entender seu lugar no mundo aos 35 anos e rever toda sua vida amorosa ao mesmo tempo em que busca voltar com Laura, Rob Fleming espalha todo seu conhecimento musical pelas páginas, principalmente em tops de 5, o qual prazerosamente nos pegamos também fazendo (isso se você é um viciado em listas, como eu).

O livro é bem mais interessante que o filme, porque tem todas as pequenas cenas deliciosas que não couberam na grande tela, além de ser mais honesto no seu final com a vida atual. Nick Hornby entrou de sola na literatura pop, influenciando mundo afora e divertindo bastante em quase todos seus livros. Se de repente você passou batido por essa “Alta Fidelidade”, corra atrás do livro e do filme. Se já tem, é sempre bom reler e rever.
Veja o que dissemos sobre outro livro do autor, "Uma Longa Queda", aqui.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

"In A Nutshell" - Pelle Carlberg - 2007

Qualquer dia desses esse blog vira um blog de música da Suécia, de tanto que falo dos artistas deste país. Na verdade confesso que não é intencional, mas todo mês chega algo interessante no meu player. Já foi assim com o Loney, Dear, Weeping Willows, The Mary Onettes e Irene. Agora é a vez do cantor e compositor Pelle Carlberg, que coloca seu segundo disco solo no mercado intitulado “In a Nutshell”.
Pelle Carlberg está por aí desde o final dos anos 80 e nessa década de 00 tomou conta da sua banda, Edson, além de tocar sua carreira solo. “In a Nutshell” é seu mais recente trabalho, contando com a ajuda de Matin Nordvall no baixo e Jonathan Hummelman na bateria. A música de Pelle é aquele indie pop gostoso de se ouvir, com muito folk misturado e no caso deste artista, um bom humor e alegria que conquistam.
“Pamplona” abre o álbum com uma contagem em espanhol, enquanto “I Love You, You Imbecile” vem depois fazendo cantar e balançar a cabeça para lá e para cá. “Cry All The Way To The Pawnshop”, lembra Belle and Sebastian nos seus momentos mais alegres, com uma letra para lá de bem humorada.
“I Just Called To Say I Love You” (não, não é aquela) é um dos pontos altos do disco, com uma gaita a lá Neil Young abrindo para um indie folk de primeiríssima. “In a Nutshell” está isento de momentos ruins, mas podemos destacar mais ainda as faixas “I Touched You At The Sound Check”, “Clever Girls Like Clever Boys Much More Than Clever Boys Like Clever Girls” e “Even A Broken Clock”.
Pelle Carberg ambienta sua música na seara do indie pop que tantas bandas exploram, mas vemos ecos de coisas mais antigas na sua música, o que acaba por provocar um belo retrato pintado em cores alegres e de pura satisfação com a vida. Totalmente indicado para levantar a moral em dias ruins, para quem gosta de Belle And Sebastian, para tocar naquela bate papo tomando uma cerva aos domingos ou para por um breve momento que seja esquecer um pouco da vida e fazer cantar.
Se enquadrando dentro da série “Não vai estar em listas de melhores ao final do ano, mas proporciona ótimos momentos”, “In A Nutshell” tem aquela certeza de ter sido feito tomando essa água da Suécia que não deixa de produzir bons discos.
Site oficial: http://pellecarlberg.se
My Space: http://www.myspace.com/pellecarlberg
E abaixo fiquem com a ensolarada e bem humorada "I Love You, You Imbecile" :)

"I Love You, You Imbecile" - Pelle Carlberg

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

"Vanguart" - Vanguart - 2007

A banda Vanguart de Mato Grosso ostenta hoje um dos melhores shows do país. Quem já viu a apresentação dos caras com certeza gostou bastante da mistura de Bob Dylan, Beatles, Radiohead, Neil Young e o psicodelismo dos anos 60 e 70 que a banda promove. O Vanguart representa também uma das pontas de lança dessa nova geração que vem produzindo com grande qualidade país afora.
Encabeçado por Hélio Flanders (voz e violão), conta ainda com David Dafre (guitarra e voz), Reginaldo Lincoln (baixo e voz), Luiz Lazarotto (teclados) e Douglas Godoy (bateria), o Vanguart despejou no mercado seu primeiro disco, que era bastante aguardado e saiu na revista Outracoisa, utilizando o seu nome para batizá-lo.
Para quem já conhecia o trabalho da banda, lá estão “Semafóro” (a melhor canção do ano passado e uma das melhores dos anos 00) e “Cachaça” (que teve clip concorrendo ao VMB da MTV), dois pequenos clássicos, assim como outras conhecidas como “The Last Time I Saw You” e o primeiro single “Hey Yo Silver”.
Optando em dividir o repertório entre inglês e português, o som passeia por suas influências e apresenta grandes faixas como “Just To See Your Blue Eyes See”, “Miss Universe”, “Antes Que Eu Me Esqueça” e “Para Abrir Os Olhos” (uma das melhores do ano). O som da banda parece que ficou guardado em uma caixa durante algumas décadas, sendo descoberta hoje pelo Thom Yorke e ganhando uma roupagem que vangloriza o tempo em que homenageia.
“Vanguart”
foi feito para cativar fãs ao redor do país, preenchendo um estilo pouco explorado (ou pelo menos não devidamente) no pop nacional, que é o folk rock, unindo bom humor, poesia, ótimo instrumental e melodias para sair cantando por aí. Em um ano que a música nacional vem produzindo grandes momentos, a estréia dos cuiabanos é mais uma para entrar nesse rol. Com mérito.
My Space: http://www.myspace.com/vanguart
Endereço na Trama, onde dá para baixar um bocado de coisa boa: http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=7840

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

"Long Gone Since Last Summer" - Irene - 2007

Já brinquei várias vezes aqui no Coisapop definindo bandas como “aquelas para se escutar domingo de manhã”. A banda sueca Irene com seu segundo disco “Long Gone Since Last Summer” é exatamente uma destas. Música para dias ensolarados, com aquele gosto de manhã de verão no ar, trazendo boas melodias, backing vocals competentes e aqueles refrões para cantar junto.
O combo é formado por Bobby (vocal e guitarra), Bernard (guitarra), Glenn (bateria), Neil (baixo), Mack (teclados), Brent (piano e vocal), Eileen (trumpete), Nancy, Phil and Betty-Lou (backing vocals). Gente para caramba. A sonoridade tem os anos 60 como base soando às vezes como se o Abba tivesse um filho com o The Mamas And The Papas e casasse com os anos 80.
“By Your Side” apóia-se no vocal forte de Bobby e nos metais que permeiam e dão ritmo a canção. “End Of The Line” lembra Smiths encontrando Burt Bacharach em algum lugar nos anos 60. “Out Of Tune” é pop por excelência, com grande trabalho dos backing vocals. “Little Lovin´” é uma balada para se escutar do ladinho da pessoa amada enquanto o sol começa a cair.
O começo de “September Skies” leva mais ou menos uns quatro a cinco dias para sair da cabeça, enqaunto “Looking For Love” lembra um pouco o The Cure, deixando a melodia e os vocais continuarem em algum lugar da Califórnia entre 1965 e 1970. “Always On My Mind”, tem uns pianinhos a lá Belle And Sebastian que sozinhos já encantam, ainda mais quando o vocal de Nancy assume sua parte.
“Long Gone Since Last Summer” não vai encabeçar nenhuma lista ao final do ano, mas merece andar no seu mp3 player e porta cd para ser tocado vez ou outra. É pop. Pop com elegância e charme como não se escuta tão frequentemente assim. E vem da Suécia. Da terra onde a água parece induzir melodias bem feitas e assobiáveis. Experimente!
My Space da banda :http://www.myspace.com/ireneswe

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

"No Sufoco" - Chuck Palahniuk

Quando se fala do escritor americano Chuck Palahniuk obviamente o que vem à mente é “Clube da Luta”, seu primeiro livro que foi brilhantemente adaptado pelo diretor David Ficnher para o cinema com Brad Pitt e Edward Norton. O resto é história. Mas o humor negro peculiar do autor continuou produzindo boas obras como “No Sufoco” que foi lançado originalmente em 2001 e recebeu tradução pela Rocco aqui no país em 2005.
Chuck Palahniuk possui uma literatura que beira a singularidade, explorando temas do cotidiano que as pessoas em sua maioria não dão atenção, encharcando estes de sarcasmo, violência, escatologia e tragédias que trazem consigo seu humor próprio. O autor que entre outras coisas foi cantor de rap e lutador amador, teve a vida permeada pela morte desde quando seu pai foi assassinado junto com a namorada e traz todas essas situações para a sua forma ácida de escrever.
Não espere na sua literatura personagens bonitinhos e meigos, que você possa enquadrar facilmente como bom ou mau, preto ou branco. Assim é o Victor Mancini, personagem principal do livro aqui em questão, uma espécie de anti herói (mas um anti herói que é ridículo e fácil de ser odiado) que trabalha e comete golpes para manter sua mãe viva (apesar de não saber se quer isso) enquanto tenta curar seu vicio em sexo, se viciando ainda mais.
“No Sufoco” tem uma literatura que descarta grande parte dos moldes comuns, montando um cenário onde o filho tenta salvar a mãe que sempre fudeu com a vida o filho, pois é louca de pedra, enquanto ele dá golpes em restaurantes, trabalha em uma aldeia colonial para turistas com um monte de viciados e visita grupos de sexolátras em busca de recuperação procurando (e encontrando) sexo fácil.
Em alguns momentos as cenas montadas por Chuck Palahniuk até que enjoam um pouco, se repetindo, mas sempre retomam ao seu ritmo perverso, corrosivo e destrutivo. “No Sufoco” é uma grande chance de conhecer um trabalho de um autor que esbanja criatividade e explora temas não comuns de maneira brilhante. Corra atrás.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

"1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer" - Robert Dimery


Ontem na hora do almoço passando por uma livraria percebi um volume intitulado “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”. Nome bem bacana para um livro, apesar da saraivada de títulos que trazem agora essa descrição como complemento. São diversas 100, 1000 coisas para fazer que te levam a imaginar uma vida realmente inútil. Mas esse em questão vale a pena ser adquirido.
De uma forma avassaladora o livro cobre todo o período dos anos 50 até hoje em dia, principalmente do rock e do pop, mas passando também por diversos estilos. Recheado de fotos bacanas e informações sobre as gravações e sobre os álbuns resenhados o projeto encabeçado pelo editor geral Robert Dimery, que entre outras revistas escreve para a Time Out e Vogue é uma quase enciclopédia musical que reuniou mais de 90 jornalistas nas resenhas.
Todas as listas são duvidosas e essa também não é diferente, não concordei com uns 25% do livro e há muitas obras primas não relacionadas como por exemplo o “Out Of Time” do R.E.M, um clássico absoluto. Tem excessos também como praticamente todos os discos do Radiohead na lista (só não entrou o “Pablo Honey”) ou artistas como Britney Spears e Mariah Carey.
Mas desconsidere isso. Na sua grande maioria temos um grande apanhado da música nos últimos anos. De Elvis a Arcade Fire. Joan Baez a Teenage Fanclub. Bob Dylan a Massive Attack. U2 a Flaming Lips. Centenas de obras fundamentais que com certeza você já ouviu e dá uma imensa vontade de escutar tudo de novo ao mesmo tempo, além de outros artistas mais obscuros que você se interessa e vai atrás.
A música nacional está bem representada, mas insiste na história dos gringos em se aterem somente a uma parte da nossa produção. Mas entre outros estão lá, Tom Jobim, Mutantes, Chico Buarque, Caetano Veloso e Jorge Ben. Tem até Carlinhos Brown (mas esse pode morrer sem ouvir tranquilamente). Mas faltam nomes como Chico Science e Mundo Livre S/A só para citar alguns. Mas tudo bem, também é perdoável.
Nesse mosaico de informação, imagem e música aquilo que não concordamos não é relevante. “1001 Discos...” é para ficar perto do computador de casa, ou da cama, para de vez em quando ser saboreado e indicar algo para se ouvir em momentos de menor criatividade. É uma referência para quando a memória falhar e não lembrarmos mais de algumas datas, canções ou nomes. É fundamental, apesar de não ser perfeito.
Corra atrás do seu. O meu já está devidamente alojado ao meu lado.
Obs: A quem interessar possa fiz uma contagem sobre os tais 1001 discos, nessa conta ouvi 361 dos álbuns resenhados, tenho 235 em cd e 298 contando com arquivos digitais. Nada mal, né? Faça a sua tambem!

domingo, 21 de outubro de 2007

"Tropa de Elite" - 2007

No último mês anda meio difícil conversar ou passar pelos veículos de informação sem topar com o assunto “Tropa de Elite”, o filme que desencadeia ponderações por todo o país, algumas fervorosas, outras conscientes e algumas ridículas. A tempo, toda essa exposição é merecida. E muito merecida.
O filme do diretor José Padilha, estrelado por Wagner Moura, coloca o dedo em uma grande ferida que é a relação entre o tráfico de drogas e a policia do Rio de Janeiro, usando para tanto o olhar e a visão do Capitão Nascimento (personagem brilhantemente interpretado por Moura). O diretor de “Ônibus 174” é responsável por um grande filme que além da qualidade vem carregado pelo marketing da pirataria, o que levanta questões não diretamente vinculadas a ele.
O filme chegou aos camelôs de todo o país e foi assistido por milhões de brasileiros, no recanto de suas casas em versões piratas. Claro que também fui um destes, mas fui ao cinema conferir também. Na pratica é quase tudo igual, há poucas mudanças de roteiro, mas o longa funciona muito, mas muito melhor na grande tela. Em um filme onde tudo é tão ancorado de realidade e essa mesma realidade é tão agravada, o poder do som e da imagem prevalecem no cinema.
“Tropa de Elite” retrata o grupo de operações especiais fluminense, o BOPE no período de 1997, um mini exército treinado para combater o tráfico nas favelas do estado. Não tomando partido na maioria do discurso do filme, escancara-se a fina linha dessa relação ancorada na corrupção da policia e na gestão do tráfico nas favelas, tendo como cúmplice os financiadores de toda essa historia, os consumidores.
Como cinema “Tropa de Elite” é sensacional. Como fator de discussão, é mais sensacional ainda. Um filme que pode ser entendido e analisado por vários ângulos, e todos estes bem interessantes. Com certeza, você já deve ter assistido caro leitor, mas se isso não ocorreu saia de casa e rume ao cinema mais próximo, mesmo que a versão pirata já tenha passado pelo seu DVD.
Site oficial: http://www.tropadeeliteofilme.com.br

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

"Magic" - Bruce Springsteen - 2007


O que falar de Bruce Frederick Joseph Springsteen? O maior roqueiro dos EUA (provavelmente) tem uma pá de discos clássicos na carreira e apesar de algumas escorregadas desde “The Rising” de 2002 vem colocando ótimos discos no mercado. Falar da carreira desde músico realmente seria complicado, então vamos direto ao que interessa que é o seu novo álbum “Magic”.
“Radio Nowhere” é a responsável por abrir os trabalhos, como diria um amigo meu. Guitarras soando sujas mas bem tocadas, rockão pra cima com a marca de Springsteen. Pode aumentar o volume. Depois vem a dobradinha “You´´II Be Comin´ Down” e o quase blues de “Livin´ In The Future” (tente não sair cantando depois “...don´t worry darling...”). Uma pequena e saborosa aula de rock n´roll.
“Magic” passa também pela balada cheia de orquestrações de “Your Own Worst Enemy”, pelo folk rock carregado de nostalgia (e de gaita) de “Gipsy Biker”, pelos violões (e belos violões) dando tons épicos à “Girls In Their Summer Clothes)” e pelos teclados e vocal quase declamado de Bruce na bela “I´ll Work For Your Love”.
Depois tem a faixa titulo mais quebrada e soturna do que o resto do disco, volta a todo vapor para as guitarras em “Last To Die”, emerge na semi - balada de “Long Walk Home”, uma canção daquelas de retorno para casa, pronta para ser tocada no player do carro ou no mp3 dentro de um ônibus por aí.
Para fechar a conta tem a critica tem “Devil´s Arcade”, versando sobre a guerra em mais de 5 minutos e o piano que abre “Terry´s Song” em homenagem a um amigo falecido. Com o apoio dos velhos comparsas de sempre da E Street Band, Bruce expõe mais um belo trabalho que se não chega a ser excelente é muito bom.
Disco para os amantes da boa música. E do bom e velho rock n´roll.
Site oficial: http://www.brucespringsteen.net
Download de “Magic”.
Senha:
coisapop

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

"Simulacro" - China - 2007

O pernambucano China já está há algum tempo realizando um trabalho interessante de se ouvir. Desde os tempos de Skeik Tosado, no álbum “Som de Caráter Urbano e De Salão” de 1999, passando pelo bom EP “Um Só” de 2003, na qual se destaca a versão (que até hoje toca por aqui) de “Samba e Amor” do mestre Chico Buarque.

2007 é a vez do cantor desembarcar com seu primeiro disco de verdade, intitulado “Simulacro” e disponibilizado gratuitamente para donwload no site do Mp3 Magazine. China consegue melhorar mais ainda as ideias que já havia disposto anteriormente, ainda mantendo suas influências no som da cena de Recife, principalmente de Fred 04 e seu Mundo Livre S/A.

Com uma banda formada por Hugo Gila no baixo, André Édipo na guitarra, Yuri Queiroga no teclado e guitarra, fechando com Pernilonga na bateria, China consegue desenvolver sua mistura de maneira azeitada e com ares de pop. O músico ainda convidou vários amigos para participar do trabalho como o Rica Amabis, Pupillo (Nação Zumbi), Chiquinho, Marcelo Machado e Felipe S. (Mombojó).

Canções como “Um dia Lindo de Morrer”, “Colocando Sal nas Feridas”, “Durmo Acordado” (a melhor faixa) e “Canção Que Não Morre No Ar”, são plenamente indicadas para serem consumidas enquanto se toma aquela cervejinha, com um vento no rosto e batendo um papo bacana sobre as coisas da vida.

Bom disco de um músico que só faz evoluir e que nos leva a crer que coisas melhores ainda estão por vir. Por enquanto, curta sem medo e saboreie esse “Simulacro”.

Baixe o EP de graça direto do site da MP3 Magazine, aqui:
http://mp3magazine.com.br/download.jsp?idDisco=142

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

"Noites de Gala, Samba Na Rua" - Mônica Salmaso - 2007

O interprete sempre está sujeito ao inferno quando canta as musicas de um gênio, se faz algo que não corresponda, sua passagem está a caminho para o andar de baixo. Mexer em uma obra como a de Chico Buarque, além de carecer de coragem, precisa de muita, mas muita competência para fazer algo que valha a pena. A paulista Mônica Salmaso tem as duas coisas, principalmente a segunda.

Mônica que em 2004 já havia encenado um projeto com as músicas do cantor, já havia cantado com Chico no cd “Carioca” de 2006, lança este ano pelo selo Biscoito Fino, o disco “Noites de Gala, Samba Na Rua”. Projeto que desenvolve junto com o grupo Pau Brasil, que é um dos maiores méritos do álbum, criando uma atmosfera que ao mesmo tempo que exalta a obra, admite um clima novo de cool jazz.

Quem já conhece o trabalho da cantora de discos como “Trampolim” de 1998 ou “Iaiá” de 2004, sabe do seu talento. Junte a isso o timaço do Pau Brasil, composto por Nelson Ayres no piano, Paulo Bellinati (que já havia trabalhado com ela em “Afro Sambas” de 1996) no violão e cavaquinho, Teco Cardoso no Sax e Flautas (responsável por um trabalho primoroso), Rodolfo Stroeter no baixo e Ricardo Mosca na bateria e percussão e temos um grande resultado.

Mônica explora clássicos do cantor como “A Volta do Malandro”, “Construção”, “Quem Te Viu, Quem Te Vê” e “Partido Alto”, trabalha canções nem tão conhecidas mas mesmo assim brilhantes como “O Velho Francisco”, “Suburbano Coração” e “Basta Um Dia”, encerrando o disco com um show de interpretação em “Bom Tempo” e “Beatriz”. Trabalho com qualidade de quem conhece muito bem o que tem em mãos.

“Noites de Gala, Samba Na Rua” não é nenhum disco excepcional ou revolucionário e sinceramente não precisa disso. É “apenas” um belo disco, riquíssimo instrumentalmente, com um cantora acima da média comandando canções de um gênio como Chico Buarque. Já basta né?
Ah...a passagem da Mônica já está devidamente confirmada para o céu... :)

Site oficial:
http://www.monicasalmaso.mus.br

Link do blog “Um Que Tenha” com a discografia completa: Aqui!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

"Tapete Vermelho" - 2006

O comediante Mazzaropi (1912-1981) foi uma espécie de Carlitos brasileiro. Entre as décadas de 50 e 70 estrelou diversos filmes, ostentando a figura do caipira em comédias como “Jeca tatu” de 1959 (que todo bom cinéfilo deve ter em casa) e “Tristeza do Jeca” de 1961. Meu pai era um dos fãs de Mazzaropi e vez ou outra contava algum filme, ou se alegrava quando algo dele passava no Canal Brasil.

“Tapete Vermelho” filme do ano passado dirigido por Luiz Alberto Pereira e estrelado pelo Matheus Nachtergaele é uma homenagem a Mazzaropi, uma homenagem comovente e bem realizada. No filme, Matheus vive Quinzinho, um trabalhador da roça que encasqueta em levar seu filho Neco (Vinicius Miranda) para a cidade para que assista um filme do dito comediante como seu pai fez com ele quando criança.

Quinzinho conta com todos os medos de sua esposa Zulmira (Gorete Milagres) nessa empreitada, além de um relevante problema, que é o de não existir nenhum cinema nas proximidades. A partir disso o longa se transforma em uma espécie de road movie, com a busca de cidade a cidade em busca do seu desejo. Uma aventura que trará a família de Quinzinho dissabores e algumas descobertas.

Com um trabalho estupendo de Matheus Nachtergaele, que incorpora o personagem ao qual rende suas homenagens e de Gorete Milagres, plenamente ressuscitada (lembram dela? É aquela do bordão “Ó coitado!”), “Tapete Vermelho” é diversão para a toda a família e um belo retrato de um país que às vezes tende a esquecer de parte de seus personagens.

Conta ainda com a participação especial de Paulo Gracindo, Ailton Graça, Paulo Betti, Cacá Rosset e Jackson Antunes. O único senão fica por conta da tentativa de critica social que além de deslocada quebra a forma com que as questões são colocadas, leves e subliminares. No entanto, mesmo com esse pequeno defeito o filme ainda é cativante do inicio ao fim.

Quando o filme acabou, sinceramente fiquei emocionado por um tempo, misturado não só pela história do jeca do Quinzinho em busca de sonhos tão pequenos (assim achamos), como também pela lembrança do meu pai e de um universo do qual gostava tanto. Assistam!

Quem quiser saber um pouco mais sobre o Mazzaropi entra aqui:
http://www.museumazzaropi.com.br .

sábado, 6 de outubro de 2007

"Hey Venus!" - Super Furry Animals - 2007

A banda galesa Super Furry Animals é uma das prediletas da casa há um bom tempo. Liderada por Gruff Rhys, já colocou no mercado obras primas como “Radiator” de 1999 e agora chega ao seu sétimo disco intitulado “Hey Venus!”. Novo trabalho que deixa um pouco de lado a psicodelia pop de “Love Kraft” e a melancolia esperta de “Phantom Power” para abraçar novamente a alegria em grandes doses.

Gruff Rhys já tinha dado a cara esse ano com seu (bom) projeto solo “Candylion” e agora retorna a velha forma com sua banda. O Super Furry Animals mal comparando parece aquele velho amigo, sempre pra cima, inteligente, contando piadas e fazendo os outros sorrir. Abusando do rock quando música pop, encharcando as canções de influências de Beatles, esbanjando arranjos criativos e inusitados e fazendo assim aquelas canções de grudar na cabeça.

O vocalista afirmou que o novo trabalho, conta a história de um personagem chamado Venus, que passa por mudanças na sua vida. “The Gateway Song” abre esse novo trabalho, com guitarras em primeiro plano e apenas 43 segundos. Depois é a vez de “Run-Away”, iniciar a saga de Venus, enquanto a baladinha “Show Your Hand” vem a seguir.

Temos ainda rock setentista por meio das ótimas “Into The Night” e “Baby Ate My Eightball”, o velho humor meio estranho do Super Furry em faixas como “Suckers” e “Battersea Odyssey”, os Beatles fase Sgt. Peppers misturados com anos 50 em “Carbon Dating” , ou a extremamente pop (e que muitas bandas se matariam pra fazer) “Neo Consumer”. O disco passa rápido demais, que já dá vontade de voltar.

“Hey, Venus!”
não figura entre os melhores discos do Super Furry, mas é um ótimo disco, que não cansa de rodar no player. Prova de uma grande banda que sem fazer alarde, saiu influenciando de Pato Fu a Apples In Stero, de Animal Collective a The Coral e continua fazendo música de alta qualidade, exalando pop por todos os cantos.

Longa vida ao Super Furry Animals!

Site:
http://www.superfurry.com
My Space:
http://www.myspace.com/superfurry

Download de “Hey, Vênus!”
Senha:
coisapop

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

"C.R.A.Z.Y" - 2005

Antes de tudo que vai ser colocado mais na frente, segue a afirmativa: “C.R.A.Z.Y” é um grande filme. A produção canadense de 2005, que ostentou a maior bilheteria do ano em seu país, é o tipo de filme que vale a pena ter em casa para ser revisto várias vezes. Um trabalho que envolve temas tão dispares como família, preconceito, sexualidade, liberdade e afirmação.

O diretor Jean Marc-Valée criou uma obra simples e repleta de brilho. A sua direção passeia entre algo como um cruzamento de Cameron Crowe e Danny Boyle, explorando um universo comum, mas que é carregado por todas suas idiossincrasias e peculiaridades, sempre com um recheio repleto de grandes canções criando o clima para os momentos do longa.

A trilha sonora é como um personagem, trazendo entre outros, Rolling Stones, David Bowie (fundamental para o enredo) e Pink Floyd, com canções do porte de “Sympathy For The Devil”, “Space Oddity” e “Shine On You Crazy Diamond”. Aliás esse é um caso a parte, o filme não chegou a ser lançado nos USA por causa da trilha, que sairia imensamente cara no que tange aos direitos autorais.

A historia reside nos anos 60/70 e começo dos 80 no seio da família Beaulieu, mais precisamente o casal Gervais e Laurianne e seus cinco filhos Christian, Raymond, Antoine, Zachary e Yvan (que com suas iniciais formam o C.R.A.Z.Y do titulo, que também é referência a uma canção da cantora Patsy Cline).

Quando do difícil nascimento de Zach, passando perto da morte, este se transforma para a sua mãe em alguém que possui o dom da cura, extraindo todo o significado religioso que tal premissa possa conter. Só que Zach na verdade caminha em uma busca por afirmação desde pequeno, quando começa a ser rechaçado por parte da família que o julgam como homossexual.

A partir desse ponto a historia se desenvolve em varias outras, na devoção do pai com a família, apesar de não conseguir entender todas as situações que se apresentam, no amor incondicional entre Zach e sua mãe, pelas drogas tão comuns nessa época, pela musicalidade, pela briga entre irmãos, pela descoberta da sexualidade.

Alguns momentos são memoráveis, como Zach cantando e interpretando “Space Oddity” no quarto (tente não querer escutar Bowie depois) ou quando o pai sempre entoa no natal a canção “Quand j´etais 20 ans” do ídolo francês Charles Aznavour. Momentos pequenos mas que ficam gravados na memória e acabam por dar um clima todo especial ao filme.

Depois de tudo que foi colocado acima, afirmo de novo: “C.R.A.Z.Y” é um grande filme. Que merece ser visto por todo amante de cinema e da boa música.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

"Boxer" - The National - 2007

Fazem uns quatro a cinco meses que estou com o disco “Boxer” da banda Nova York, chamada The National no meu computador para escutar. Às vezes as coisas funcionam assim aqui na casa, um disco pode passar um tempão sem ser escutado se não bater uma certa liga. Para meu arrependimento nesse caso especifico, essa liga era para ter batido há muito mais tempo, pois o resultado é muito bom.

O quinteto que se juntou em 1999 é composto por Matt Berninger (vocal), Aaron Dessner (baixo, guitarras), Bryce Dessner (guitarra), Scott Devendorf (guitarras, baixo) e Bryan Devendorf (bateria). “Boxer” é o seu quarto disco e levou treze meses para ser composto, demora que resultou em um aprimoramento capaz de produzir um dos melhores lançamentos de um ano que não para de gerar grandes trabalhos.
Já gostava da sonoridade da banda desde “Sad Songs for Dirty Lovers” de 2003, seu segundo d
isco e que trazia as influências que estão lapidadas nesse novo álbum. Trazendo toda a melancolia, angústia e às vezes um quase desespero e urgência de artistas como Nick Cave, Leonard Cohen, Nick Drake, Joy Division e Tom Waits. O clima do The National é justamente esse caro amigo, canções que abalam qualquer coração por mais duro que possa ser.

“Fake Empire” é a encarregada de abrir os 44 minutos em que o ouvinte estará submerso a seguir. Começando sombria com a bela voz de Matt Berniger (que é um show a parte) em primeiro plano, depois se misturando com sopros e backing vocals, formando uma poderosa canção. Destaques maiores para “Brainy”, Green Gloves”, “Apartament Story” (Ian Curtis ficaria satisfeito), “Guest Room” e “Gospel” que fecha as portas do bar.

“Boxer” (que tem um capa muito bonita) é completamente indicado para aquelas horas do dias em que se está sozinho, meditando sobre a vida, pensando enquanto faz alguma tarefa normal. Experimente também lendo um livro ou tomando um bom vinho. Será bem difícil de se arrepender.

Site da banda:
http://www.americanmary.com
My Space:
http://www.myspace.com/thenational

Download de “Boxer”
Senha:
coisapop

sábado, 29 de setembro de 2007

"O Homem Que Desafiou o Diabo" - 2007

Quando vi o trailer do filme “O Homem que Desafiou o Diabo”, que estreou recentemente nos cinemas fiquei curioso em assistir. Primeiro, por se tratar da adaptação do livro “As Pelejas de Ojuara” do escritor Nei Leandro de Castro (que não li mas vi boas criticas na internet), depois por ser de uma produção do casal Luiz Carlos e Lucy Barreto e principalmente por investir no imaginário fantástico do nordeste que é muito rico.

No entanto tudo ficou nebuloso quando percebi que a direção era de Moacyr Góes. Nada contra o diretor mas a sua filmografia não espelha muitas expectativas. Afinal de contas, nela estão filmes da Xuxa, Angélica e o massacre feito com Machado de Assis em “Dom”. Mesmo assim, arrisquei a ida ao cinema e consegui tirar boas gargalhadas com os méritos do longa, apesar de seus inúmeros erros.

Os méritos se devem as histórias fantásticas do livro narradas (algo entre Ariano Suassuna e Tim Burton), o ótimo trabalho de Marcos Palmeira como o personagem principal e Helder Vasconcelos, músico e ex-Mestre Ambrósio que dá um show na pele do tinhoso do inferno. Alie-se a isso a linguagem do cordel, a ótima trilha sonora e a excelente produção do casal Barreto.

Mas o que poderia ser um bom filme tropeça em si mesmo em vários momentos. O ritmo que o mesmo imprime deixa falhas e mais falhas no enredo, se apressando em passar historias demais em tempo de menos. A montagem é abrupta demais, sem passagens e ligações entre as pequenas historias que compõem a lenda do homem que desafiou o diabo.

A historia passa por Zé Araújo (Marcos Palmeira), um caixeiro viajante que sai conquistando mulheres mundo afora, até que em uma dessas conquistas se vê obrigado a casar com a filha de um comerciante, sendo destratado diariamente, sofrendo diversas humilhações, até o dia em que se revolta de tudo e se transforma em Ojuara (Araújo ao contrário). A partir desse momento Ojuara sai nordeste afora defendendo donzelas (ou prostitutas, entre elas a bela Fernanda Paes Leme) em perigo e cuidando dos fracos e oprimidos.

“O Homem Que Desafiou o Diabo” poderia ser um filme bem melhor do que é, apesar de utilizar uma fórmula que já havia tido sucesso antes como “Lisbela e O Prisioneiro” e “O Auto da Compadecida”, fica bem abaixo destes. Como cinema não chega a empolgar sendo apenas razoável. Como diversão sem grandes pretensões chega a ser interessante, pois tem bons momentos que compensam toda a irregularidade bancada pelo seu diretor.