quarta-feira, 7 de junho de 2006

Chinatown - 1974

O cinema noir marcou época, definiu um gênero de cinema, onde dramas policiais ganhavam uma fotografia mais sombria do que a habitual. Nos anos 40 e 50 tal gênero se consolidou e gerou inúmeros filhos bastardos, principalmente órfãos de “O Falcão Maltês”, clássico de John Huston de 1941. Em 1974, o diretor Roman Polanski (após o excelente “O Bebê de Rosemary”) que acabara de perder sua esposa Sharon Tate, resolveu prestar uma homenagem ao cinema noir em “Chinatown”. 

De acordo com Raymond Bord e Etiene Chauteton no site Store Track, existem sete elementos que consolidam o noir, são eles: Um crime. A perspectiva dos criminosos. Uma visão invertida dos fatos, como a corrupção policial. Alianças e lealdade instáveis. A figura da “Femme Fatale”. Violência bruta. Mudanças e motivações estranhas. “Chinatown” reúne grande parte disso. Vencedor do Oscar de melhor roteiro original, além de ser indicado em outras dez categorias, ganhador de quatro Globo de Ouro e 3 Bafta, o filme se tornou também um clássico. 

Na trama, o detetive particular J.J. Gittes (interpretado magistralmente por Jack Nicholson), recebe a visita de uma mulher de nome Evelyn Mulwray que deseja contratar seus serviços, pois acredita que seu marido o Engenheiro-chefe do Departamento de Águas e Energia vem mantendo um caso. Porém, Gittes logo descobre que sua cliente na verdade é uma farsante. 

Após isso, a verdadeira Evelyn Mulwray (a sempre bela e competente Faye Dunaway) o encontra. Quando o marido aparece morto no reservatório de água da cidade, Gittes percebe a gravidade do caso. Seu envolvimento leva-o a ser atacado por gângsters e após manter um romance com Evelyn, descobre que ela é filha de Noah Cross (o grande John Huston), um dos homens mais poderosos da cidade. Gittes começa a desconfiar de tudo e passa a armar esse tremendo quebra cabeça que lhe aparece na frente. 

Um perfeito casamento de drama e suspense, com atuações bem acima da média, uma direção precisa e uma fotografia preciosa, calcados em um grande roteiro. Isso é “Chinatown”. Cenas memoráveis como quando o nariz de Gates é cortado (pelo próprio Polanski em participação mais que especial) ou os desmembramentos finais fizeram historia dentro do cinema, influenciando gerações e prestando tributo a um gênero tão especial como o Noir (que recentemente recebeu outra demonstração de admiração em “Sin City”, um dos melhores filmes do ano passado). 

Um filme que parece ficar melhor a medida em que fica mais velho. 

Obrigatório.

2 comentários:

Gheisa Brito disse...

Oi Drico!! Vou procurar o filme na fox, afinal, suas sugestões são confiáveis! Bjoca :)

Laura disse...

É a mais pura verdade. Eu o revi faz uns três meses, no máximo, quando comprei a edição de colecionador em DVD. Filmaço. Tão impactante e preciso tecnicamente quanto se fosse feito nos dias atuais. Necessário à todos os amantes de bom cinema.
Beijinhos